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Quiosque da Joana

15.05.18

ninguém pára a Joana...

Joana Marques

A verdade. Verdadinha. É que nos conhecemos faz hoje dois meses.

E aos poucos estamos a conhecer a pessoa. Com quem partilhamos a vida.

Tem sido tudo pacifico. E fácil.

Em alguns aspetos somos muito parecidos.

Noutros...andamos em negociações.

 

O Pedro acha que eu trabalho muito.

Eu acho que não. Acho que trabalho o normal.

Diz ele que depois de trabalhar 8 horas no hospital (nunca são 8 horas é muito raro o dia que sai a horas...), já não tem vontade de fazer grande coisa.

São diferentes os trabalhos. O dele lida com pessoas doentes. É bastante mais exigente que o meu.

Neste momento só lido com números.

E os números. São fixes. Portam-se sempre da mesma forma.

Quando termino o trabalho. Termino o trabalho.

Não fico a pensar que a coluna XZ do excel vai rejeitar a célula XZ3. Nada disso.

Fica tudo guardado. Até ao dia seguinte.

 

Quando, neste dia, almoçámos.

Foi há pouco tempo. Mas parece há uma eternidade.

O Pedro provou o pão. E perguntou-me onde o tinha comprado.

Disse-lhe que era eu que o fazia.

O homem fez um ar de espanto, admiração e pasmice...

- Sabes que podes comprar o pão já feito?

Apeteceu-me responder-lhe torto, mas...

- Se comprar o pão já feito, não controlo a qualidade da farinha, a quantidade de fermento, a quantidade de sal...já leste a lista de ingredientes do pão?

- Não.

- Lê! Quando comprares pão num hipermercado dá-te ao trabalho de ler. Não é só farinha, água e fermento....tem muitos brindes pelo meio.

O homem calou-se. Mas mais tarde voltou à carga...

- Tens alguma razão no que diz respeito ao pão mas não achas que mais vale, às vezes, comprares...semana sim, semana não, do que fazer pão todas as semanas...não sei como é que aguentas.

- Antes que me faças a pergunta, vou já responder...não tenho nenhum fornecedor de doping....Sou só eu....

- Um dia destes estoiras. Ninguém consegue fazer tanta coisa, durante tanto tempo....

- Já cá cantam 37 anos. Sem estoiro. E com asma....imagina o monstro que estás a criar!

 

O homem ficou-se. Mas...

....voltou à carga em casa dos meus pais.

É assim. Sempre que não fica convencido com os meus argumentos...pergunta aos meus pais.

- Olha, Pedro. Faz como nós e não ligues. A Joana é mesmo assim...desde miúda que era assim. Despachada e hiperativa. Nunca parava. As horas que estava a dormir eram uma bênção...pena que eram poucas!

 

Na semana passada. Apareceu com uma caixa grande.

Achei que fazia parte da mudança de casa.

Não.

Era uma máquina de fazer pão.

Não te zangues! Comprei a mais barata de todas. Experimenta. Se gostares...é sempre mais um tempo que tens...

Experimentei.

Não liguei nenhuma às receitas que estavam no livro da máquina. Quando comecei a ler duas colheres de leite pó....desliguei...

Experimentei uma receita minha.

Metade Trigo. Metade Aveia. Uma colher de alfarroba. Água mesmo peso da farinha. Fermento.

Ficou muito bom.

O Pedro. Esse grande querido. É um cavalheiro. Disse:

- O teu é melhor mas....este também é bom. E ficas com mais tempo. O que me dizes?

Pessoalmente, acho que o da máquina ficou melhor que o meu. E por isso, respondi-lhe afirmativamente...

 

À noite. Depois de jantar. Tinha o computador no colo.

- O que raio é que estás a fazer a esta hora?

Perguntou-me o Pedro.

- Estou a contactar o meu fornecedor de soda cáustica.

-

- Agora que não faço pão, posso voltar a fazer sabonetes....

-

 

13.05.18

mousse de chocolate. Quem gosta?

Joana Marques

A minha avó Adélia fazia a melhor mousse de chocolate do mundo.

Sempre que lá íamos a casa, era certo que no frigorífico havia mousse à nossa espera.

Eu. Herdei o livro de receitas da minha avó.

E a receita que mais me entusiasmou e que procurei logo foi a da mousse de chocolate.

Encontrei.

Na altura o cuidado que tinha com a alimentação era zero. E por isso....

....ainda a fiz algumas vezes.

 

Com o passar do tempo. Quem lê este blog sabe....

...mudou-se o chip. E a mousse de chocolate da minha avó pode ser feita. Mas não deve ser comida.

 

Durante um tempo experimentei.

E experimentei.

Receitas de mousse de chocolate mais saudável.

Até andava satisfeita com esta. Que partilhei quando fiz 6 meses de blog.

Mas...

...ainda não estava como eu queria. Lá no fundo. Ainda me fazia lembrar o abacate.

Experimenta daqui.

Experimenta dali.

E....

...cheguei a esta mousse.

Sabor. Bom.

Consistência. Boa.

Sabe a chocolate. E não a abacate.

 

Ingredientes.

1 abacate pequeno.

Duas colheres de sopa de cacau em pó.

Uma colher de café de canela.

Duas colheres de sopa de geleia de coco. (podem usar mel...ou outro adoçante)

Duas colheres de sopa de leite de coco.

Derreter dois quadradinhos de chocolate (usei da vivani 85% cacau) e uma colher de chá de óleo de coco.

Juntar tudo no liquidificador. (ou usar a varinha mágica).

Acompanhei com frutos vermelhos.

Coloquem no frigorífico. Durante 30 minutos a uma hora.

10 (1) (1).JPG

Aqui em casa ficou aprovada!

 

Vou usar como mousse.

Como recheio de tartes.

Para barrar bolachas. Ou pão.

neste bolinho. Do dia dos namorados.

 E que tal partilharem as vossas receitas, aqui!

12.05.18

e non esiste bomba pacifista..

Joana Marques

A Il Cairo non lo sanno che ore sono adesso,

il sole sulla Rambla oggi non è lo stesso.

In Francia c’è un concerto, la gente si diverte,

qualcuno canta forte, qualcuno grida “a morte”.

 

A Londra piove sempre, ma oggi non fa male.

Il cielo non fa sconti, neanche a un funerale.

A Nizza il mare è rosso di fuochi e di vergogna,

di gente sull’asfalto e sangue nella fogna.

 

E questo corpo enorme che noi chiamiamo “Terra”,

ferito nei suoi organi dall’Asia all’Inghilterra.

Galassie di persone disperse nello spazio

ma quello più importante è lo spazio di un abbraccio.

 

Di madri senza figli, di figli senza padri,

di volti illuminati, come muri senza quadri.

Minuti di silenzio, spezzati da una voce:

“Non mi avete fatto niente.”

 

Non mi avete fatto niente.

Non mi avete tolto niente.

Questa è la mia vita che va avanti

oltre tutto, oltre la gente.

 

Non mi avete fatto niente.

Non avete avuto niente.

Perché tutto va oltre

le vostre inutili guerre.

 

C’è chi si fa la croce, chi prega sui tappeti,

le chiese e le moschee, gli imam e tutti i preti,

ingressi separati della stessa casa,

miliardi di persone che sperano in qualcosa.

 

Braccia senza mani, facce senza nomi,

scambiamoci la pelle, in fondo siamo umani.

Perché la nostra vita non è un punto di vista

e non esiste bomba pacifista.

 

Non mi avete fatto niente.

Non mi avete tolto niente.

Questa è la mia vita che va avanti

oltre tutto, oltre la gente.

 

Non mi avete fatto niente.

Non avete avuto niente.

Perché tutto va oltre

le vostre inutili guerre,

le vostre inutili guerre.

 

Cadranno i grattacieli, le metropolitane,

i muri di contrasto, alzati per il pane.

Ma contro ogni terrore che ostacola il cammino

il mondo si rialza col sorriso di un bambino,

col sorriso di un bambino,

col sorriso di un bambino.

 

Non mi avete fatto niente.

Non avete avuto niente.

Perché tutto va oltre

le vostre inutili guerre.

 

Non mi avete fatto niente.

Le vostre inutili guerre.

Non mi avete tolto niente.

Le vostre inutili guerre

Non mi avete fatto niente.

Le vostre inutili guerre.

Non avete avuto niente.

Le vostre inutili guerre.

 Ermal Meta,

Fabrizio Moro,

Andrea Febo

Esta canção tem uma mensagem que me toca particularmente.

É esta a canção que eu gostava que ganhasse a Eurovisão.

 

 

11.05.18

o devorador de notícias...

Joana Marques

Ontem à noite, depois de jantar, o Pedro recebeu um email.

Melhor dizendo. Tinha vários email's novos. Mas abriu só um.

Recebe os resultados das análises dos doentes de forma digital e estava à espera destas em particular.

De um doente operado na quarta-feira.

Percebeu que os valores não estavam como deviam estar. E decidiu ir ao hospital.

Chegou hoje. Pelas 6h da manhã.

Eu já estava acordada. O cão já me tinha acordado. E já se tinha deitado outra vez.

Tomei o pequeno almoço. O Pedro, completamente exausto também comeu qualquer coisa.

E foi descansar.

A Alice acordou.

Tratei dela.

E achei por bem. Tirar toda a gente de casa para o homem poder descansar como deve ser.

O cão. E a Alice.

A Alice. E o cão.

Podemos defini-los de muitas maneiras. Silenciosos. Não é uma delas.

Passeámos. À beira mar.

Brincámos.

Chegou a hora do lanche da manhã. A Alice comeu.

E adormeceu no carrinho.

 

Ainda pensei em ir para casa dos meus pais. E deitar a Alice na caminha dela.

Ou voltar para minha casa. A Alice a dormir não faz barulho. E o Vasco também não.

Mas...

....o dia estava mesmo agradável.

Tinha um livro comigo. E o meu tricot.

Sentei-me num banco de jardim. Com o carrinho da Alice ao lado. E o Vasco ao lado do carrinho.

Tirei o tricot.

E com uma vista absolutamente maravilhosa. Tricotei...como se não houvesse amanhã.

 

Um senhor. Mais ou menos da idade dos meus pais.

Perguntou-me:

- Posso-me sentar?

Disse que sim. O banco era grande e eu só ocupava uma parte pequena dele.

Sentou-se na outra ponta.

O Vasco levantou-se num segundo. E no outro esta em cima do banco sentado ao meu lado.

 

A Alice mexeu-se. Afastei a fralda que estava a tapar o carrinho. Para ver se estava tudo bem.

E o senhor.

Inclinou-se para ver a Alice.

Ouvi o Vasco.

Olhei para trás.

O Vasco estava a rosnar. Ao ouvido do senhor.

- Ele não faz mal. É só garganta...

Disse eu para o senhor. O senhor riu-se. Fez-lhe uma festa.

Abriu o jornal e começou a lê-lo.

Eu a tricotar.

E de repente. Ouço um barulho. Que não encaixava bem na situação....

.......

 

Olhei.

O Vasco estava feliz da vida a mastigar.

O Vasco estava entretido a comer o jornal.

Juro. 4 anos de Vasco. E nunca tinha percebido que este cão...era ávido por notícias.

O verdadeiro devorador de notícias.

 

A minha alma. Aparvalhada. Mais do que o costume....

Disse ao senhor que lhe pagava o jornal.

- Não se preocupe. O jornal é de ontem. Tirei-o do café perto da minha casa. Costumo ir lá devolve-lo. Parece-me que hoje não vai acontecer.

 

 

O doente do Pedro está estabilizado.

E fora de perigo.

 

10.05.18

Elias. Continua a assustar....

Joana Marques

O Pedro saiu às 16h do hospital.

Tínhamos combinado.

Passar por Carcavelos.

A cozinha está a avançar a olhos vistos e queria que ele visse.

 

Almocei.

Passei por casa dos meus pais.

Para resgatar a Alice.

Estava a dormir a sesta.

Fiquei à conversa com os meus pais à espera que bela adormecida acordasse.

 

Rumámos até Carcavelos.

Fomos dar um passeio à praia.

Cuidado com o sol!

A Alice adora praia.

Areia.

E tudo o que tenha a ver com ficar suja dos pés à cabeça.

 

Recebi uma mensagem do Pedro a dizer que estava à porta do prédio e fomos andando para casa.

Não foi fácil.

Pequena Alice.

Virou fera.

- Não quero ir. Não quero ir. Não quero ir.

Até me doeu o coração. Mas.....

....tinha de ser.

 

O Pedro já tinha subido.

Diz que esteve cá em baixo à minha espera e desistiu.

Isto de convencer pequena Alice a abandonar o bem bom demora....muito tempo.

 

As portas de casa estavam abertas.

É normal quando há obras.

Um entra e sai de gente.

É mais fácil estar a porta aberta do que estar a abrir e a fechar a porta todos os minutos.

Não são eles que ouvem as queixas do Senhor Ludovino.

Sobre o barulho.

E sobre o prédio imundo.

Barulho, ainda percebo.

Imundice...é exagero. Os senhores limpam as escadas todos os dias.

 

Entro com a Alice.

Ainda chorosa.

E encontro o Pedro a assistir um dos senhores das obras.

O senhor estava muito pálido.

Parecia desmaiado.

Ao que parece já tinha estado pior. Quando eu entrei já estava a recuperar.

- O que é que se passa, senhor Artur?

- Lembra-se de terça feira me ter entregue aquela caixa para pôr na arrecadação?

- Lembro, claro!

- Lembra-se do que me disse?

- Acho que sim. Disse: "Por favor pode levar esta caixa lá para cima para a arrecadação, é a primeira porta à direita.

- Pois e acrescentou mais alguma coisa....

- Sim, disse que eram os ossos do meu namorado.

- Pois, foi. Já viu, está um homem na sua vida a trabalhar. Entra aqui este senhor e diz:

- Olá, boa tarde...sou o namorado da Joana.

 

Eu disse-lhe que eram ossos. Disse.

Tive medo que o senhor abrisse a caixa e quando se deparasse com fémures e cenas, caísse das escadas abaixo.

E disse que eram do meu namorado.

Tive medo que o senhor abrisse a caixa e achasse que eu coleciono ossos.

Atirei as culpas para o Pedro, claro!

 

Ele achou que eram, ossos. De um namorado.

Ou seja. Eu. Não queria passar por alguém que guarda ossos.

E afinal passei pela louca que guarda o que sobrou do falecido......dentro de uma caixa......

 

Credo, até me arrepiei. Ao mesmo tempo que chorava a rir.

Acompanhada pelo Pedro e pelo senhor Artur.

Completamente recuperado. Do susto.

 

Juro....

......pela minha saúde...

..ainda me doi a barriga de tanto rir...

10.05.18

nas bocas do mundo...#29

Joana Marques

Ser a terceira filha. Pode ser frustrante.

Tendo eu menos 5 anos que o meu irmão e menos 10 que a minha irmã. Pior.

Já percebia tudo. Ou achava que sim. Mas ainda não sabia ler.

Os meus irmão, sabiam. Claro.

Tinham montes de livros. Recebiam dinheiro para comprar livros. E eu invejava-os muito.

Invejava-os porque já sabiam ler.

Invejava-os porque recebiam dinheiro. Eu só pensava...

...quando for a minha vez. Pego no dinheiro e compro tudo em pastilhas.

Arriscava-me a ser descoberta e a ter uma pena de prisão domiciliária durante esta encarnação....mas iria arriscar.

Nunca o fiz. Porque a partir do momento em que aprendi a ler. Tudo mudou.

 

No início foi uma canseira.

Tinha de juntar as letras. E era muito stressante.

Lia tudo o que aparecia à frente.

Ainda me lembro das viagens para o Alentejo.

Só não me atiraram nunca, pela janela fora, porque eu...ia no meio.

Os meus irmãos à janela. Os meus pais à frente. E eu no meio.

Lia todas as placas de trânsito.

Lia os nomes das lojas.

Lia as matriculas dos carros. E tentava formar palavras.

E assim chegávamos ao Alentejo. Uma família com os nervos feitos em frangalhos.

 

A minha escola primária tinha uma biblioteca pequenina.

Aproveitava os intervalos para ler.

Ia à biblioteca. Tirava um livro. E começava a ler.

Depois. Fazia uma marquinha pequenina na página onde estava. Arrumava o livro. E voltava à sala de aula.

No dia seguinte voltava à biblioteca e retomava a leitura.

Um dos primeiros livros que li, na biblioteca da minha escola, foi: "Rosa, minha irmã Rosa da Alice Vieira".

Demorei um tempito para o ler todo.

Foi muito bom o investimento de tempo que fiz no livro. Gostei, tanto. Tanto!

 

Contei a história à minha professora. Que me disse para eu a apresentar aos meus colegas.

Adorei. Porque tinha um palco. E podia brilhar...

Cheguei a casa. Contei a história à dona Aurora.

À minha irmã.

Ao meu irmão...que me atirou um chinelo.

Tive de sair do quarto. Mas fiquei cá fora a debitar o que tinha lido.

À minha mãe.

E ao jantar. Ao meu pai. Com os meus irmãos a atirarem-me olhares de fuzilamento.

A minha mãe disse-me.

- Se te portares bem. Compramos-te o livro. E podes lê-lo outra vez. Vais ver que encontras novos pormenores que te escaparam da primeira vez....

Atendendo que li o livro aos 7 anos.

Só recebi o livro quando tinha 11 anos. Devem perceber. Tive um comportamento irrepreensível...

 

Ontem a desconhecida, relatou a volta que teve de dar, na apresentação de um trabalho.

E como foi parar ao livro da Alice Vieira. Diz que se lembrou da minha Alice por causa do nome.

Ainda não tinha feito a associação. Mas parece-me tão bem!

 

Desta autora li "Chocolate à Chuva".

Também na biblioteca da escola. E pelo mesmo processo.

 

Neste momento estou a ler à Alice, este:

alicev.jpg

Vi-o no Continente. Achei piada à capa. E quando vi que era da Alice Vieira não resisti.

A Alice adora. Estes momentos. De leitura.

E eu também.

 

09.05.18

3 segundos....

Joana Marques

Em 1980. A minha mãe. Ficou grávida pela terceira vez.

Pensava ela que já sabia o que era estar grávida.

Pensava ela que dominava o assunto parto. Sem anestesia. A sangue frio...

Pensava ela que criar filhos dava trabalho mas era maravilhoso.

Certezas. Levam frequentemente a enganos.

E a arrependimentos.

 

Ainda sem a confirmação de estar grávida. A minha mãe quase não saía de casa.

Tal era o mau estar.

Achava que podia estar grávida mas tal era o nível de enjoanço que um dia ponderou mesmo, estar doente. À séria.

Tumor. Ou algo da família. Nos momentos mais otimistas.

Tumor com metástases. Nos momentos piores.

Confirmou-se. Estava grávida.

Esta situação devia ser um sinal do que estava para chegar. Mas a minha pobre mãe só dizia...

- Espero que passe depressa. Não vejo a hora que nasça....

 

Pois!

Certezas. Levam frequentemente a enganos.

E a arrependimentos.

 

Um dia foi ao médico. E estava com a tensão arterial nos píncaros.

- Pré-eclampsia. Tem de nascer o mais depressa possível...

Esta situação devia ser um sinal do que estava para chegar. Mas a minha pobre mãe só dizia...

-Provoque o parto. Não vejo a hora de voltar para casa e estarmos os cinco.

 

Pois!

Certezas. Levam frequentemente a enganos.

E a arrependimentos.

E eu nasci.

Antes do tempo. Minúscula.

Só não estive na incubadora porque o médico achou que eu era viva demais para precisar.

Olhos grandes sempre abertos. E sempre acordada.

 

Saímos do hospital 5 dias depois.

E, eu sempre vivinha da Silva. Com pouca vontade de dormir. E muito ativa.

A minha mãe com uma filha de 10 anos e um filho de 5. Nunca tal tinha visto.

Mas...

....o universo é sábio.

Quando percebeu que tinha feito asneira da grossa comigo. Atirou cá para baixo uma asma que me atingiu como um raio. E logo em bebé. Começou a manifestar-se.

Os médicos nunca souberam explicar muito bem.

Tinha asma. E pronto.

Várias vezes em miúda fui parar ao hospital. Por causa das crises.

Foi a forma que o universo teve de me parar.

E dos meus pais sossegarem...5 minutos.

Depois de uma crise passada. O corpo pedia algum descanso. E dormia como um anjo.

Com o passar dos anos, a asma não acalmou. Pelo contrário.

Se em miúda tinha crises esporádicas.

A partir dos 20, a coisa ficou feia. Agora percebo porquê.

Trabalhava desde os 17. Tinha saído de casa aos 17. E comecei a comer muito mais fora de casa.

Acalmou a partir do momento em que mudei os hábitos alimentares. Aqui.

No entanto, ainda tinha alguma rinite. E às vezes sentia algum cansaço.

Tudo isto mudou, quando no ano passado decidi mudar outra vez a minha alimentação.

O que é que eu como hoje em dia?

Neste momento tenho muito menos restrições do que tinha há um ano.

Vou responder pela negativa. Não como nada processado. E é só.

Este é o ponto de partida para a minha alimentação.

De resto tento variar muito. Tendo em conta os produtos da época.

 

A verdade é que ter asma atualmente. É um unicórnio.

É tão raro. Que me esqueço que sou asmática. Dizem os médicos que é uma condição para a vida toda.

Dizem...

....eu acho. Que tenho uma palavra a dizer...ou uma frase.

Digo, eu. Não à asma!

O que é que me faz ter asma?

 

- Se me constipar. Pode aparecer.

Só que é raro constipar-me. Desde a última mudança que fiz na alimentação nunca mais me constipei. Nem vestígios de constipação. Nem um pingo.

- Um cheiro muito forte.

Aqueles perfumes muito fortes que entram nariz dentro. Fazem os meus brônquios contorcerem-se e inflamarem. E gritarem....por ajuda. Da bombinha.

- Um susto. Daqueles à Elias.

Um susto bem apanhado. C'um caneco. Nem sabem o efeito que isso tem em mim.

Posso correr quilómetros. Andar ainda mais. Trabalhar o dia inteiro. Dançar. Assistir a um jogo do Sporting e gritar que nem uma tresloucada...nada. Nada acontece. Eu vejo a ponta do dedo mindinho do Elias e quase me sai o pulmão direito pela narina...

 

Ontem. Foi o que aconteceu.

Vi o Elias.

Quase me juntei na caixa com ele. O meu coração parou por segundos.

Afinal, não.

Foi só asma....

Bombinha. A vida é bela....

...siga.....

 

Quando troquei mensagens com o Pedro não lhe disse nada.

Nem tinha intenção de contar. Mas...

...trouxe a bombinha para Cascais. E ele viu...

Já lhe tinha dito que era asmática. Controlada, disse eu.

Pois, segundo ele não estou.

Toca de auscultar aqui e ali. Um ar sério...

..quase me passou, naquele momento a certidão de óbito.

Olhava para mim com um ar abismado.

E..

- Amanhã de manhã vais comigo ao hospital.

- ?

- Não tenho nenhum espirómetro aqui. Tenho de medir a tua capacidade respiratória. Pelo que auscultei não deve estar grande coisa.

- Eu sinto-me lindamente.

- Não podes. Esses brônquios estão mais do que inflamados.

- Peço desculpa por discordar mas .....não estão nada. E não preciso de ir ao hospital porque tenho um espirómetro.

Os olhos do homem brilharam. Parece que lhe disse.

- Queres ir à feira popular comer algodão doce e andar no carrossel? O Elias pode vir connosco....

Porque é que tenho um espirómetro?

Porque nos meus tempos mais negros tinha de medir a minha capacidade respiratória 3 vezes ao dia. E se estivesse abaixo do esperado tinha de me medicar mais do que o normal.

- Não fiques assim tão sorridente. Tenho o espirómetro em Carcavelos. Amanhã passo por lá...e logo te digo.

O homem pegou nas chaves do carro e disse:

- Fica com a Alice eu vou lá buscar. Onde é que está?

E é assim, este homem...

 

Bem me esforcei. A soprar como gente grande. Mas os resultados foram muito pouco abonatórios para a minha pessoa...uma vergonha diria eu...

O que é que o homem fez..

Começou a implicar com a minha medicação SOS.

A minha bombinha cinzentinha que me acompanha desde que sou pequena. Está desatualizado. Diz ele...

....para mim, é maravilhosa.

Pegou nas chaves do carro.

- Fica com a Alice. Vou à farmácia...

Chegou com um saquinho de papel com uma bombinha branca. E uns comprimidos...

Obrigou-me a tomar um comprimido.

- Não posso comer gengibre ou curcuma...que são anti-inflamatórios??

- Não.

- Canela??

- Comprimido.

- Olha lá! Não há o perigo de acordar de manhã a fazer xixi pelo nariz?

- Comprimido...

 

O homem é pouco dado a mezinhas caseiras.

Comprimido.

Bombinha.

Passadas 3 horas, outra vez bombinha.

Quando me deitei. Respirava tanto oxigénio. E estava com tanta energia...podia ter ido escalar o Evereste.

O Pedro não deixou.

 

Implicou com a maneira como eu durmo.

Diz que comprimo os pulmões de tal maneira que um dia chateiam-se e vão pedir para sair do meu corpo.

Tive uma noite. Linda. E maravilhosa.

Sempre que eu tentava deitar-me da maneira que gosto. O homem pegava em mim e deitava-me como ele acha correto.

De manhã o homem lá foi com Deus.

Antes disso.

Obrigou-me a tomar o comprimido.

A usar a bombinha.

Auscultou tudo o que mexia. E o que ainda estava a acordar...

E tive de usar outra vez o espirómetro.

Melhor do que ontem. Mas aquém....segundo ele.

E quando eu pensava. Que ia ver-me livre.....de toda esta parafernália asmática.

Eis que...

...aparece em casa dos meus pais, à hora do almoço. Sabia que eu ia lá estar.

Acompanhado de um aparelho azul.

- Não tinhas em verde?

- Não. Isto serve para fazeres ginástica respiratória...e reeducares os brônquios.

 

É tão glamouroso!

O aparelho tem um tubo.

Uma pessoa sopra. Com toda a força que tem. E...

....tem de manter uma bolinha (que está dentro do aparelho) no ar o maior tempo possível.

Ó céus! Experimentei....

- Onde é que está a bolinha? Onde é que está a bolinha??

- Já caiu. Se falares comigo ela cai. Mas antes de começares a falar, já tinha caído...

- Quanto tempo fiz?

- Três segundos...

- Não é bom...parece-me.

- A meta é um minuto. Vais experimentar uma vez a cada hora. Sem sofrimento. E vais ver que vais conseguir aos poucos. Melhorar...

 

O Pedro voltou para o hospital.

E...

...toda a gente que estava lá em casa a almoçar quis experimentar. As crianças divertem-se.

(O bocal tem substitutos e pode-se ir lavando)

 

O meu pai. A minha mãe. Os meus tios. E o meu sobrinho Pedro.

Todos a tentar equilibrar a bolinha no ar...o maior tempo possível. Eu a olhar e achar que somos uns tristes....

Os meus tios e os meus pais comentaram que gostavam de adquirir um aparelho destes para treinar. Eu a ouvir e achar que somos uns tristes....

Com mil Slimani´s se eu não fosse a cara da minha avó Maria. Diria que tinha sido trocada na maternidade....

 

O meu sobrinho Pedro. Tem fôlego para dar e vender.

Eu sou uma triste....3 segundos foi a minha melhor marca...

...e sinto-me fresquinha que nem uma alface...zero cansaço. Zero falta de ar.

 

Vou fazer o tratamento durante uma semana.

E para a semana vou ser avaliada...pelo Pedro.

Estou mesmo a ver que vou chumbar outra vez....

E o homem nem sabe onde se meteu...

....se eu sou insuportavelmente hiperactiva com uma capacidade respiratória de uma múmia...

....imaginem o que posso fazer com uma capacidade respiratória normal.

O cão está de malas feitas. Não vai aguentar!

Ninguém! Vai aguentar...nem vocês, quiosquianos.

Nem vocês....

 

08.05.18

little by little. Pouco a pouco...

Joana Marques

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A Liliana tem dois filhos.

Um rapaz com 5 anos. E uma menina com 2 anos.

É professora de Matemática.

Tem uma grande paixão por origami. Por essa razão criou na sua escola um clube ligado ao origami.

Mais recentemente descobriu o crochet.

E nunca mais o largou.

Como eu a entendo.Também estou viciada!

 

Ainda grávida da filha começou a crochetar uma coelhinha em crochet.

Para o filho mais velho oferecer à irmã. Achei muito gira esta ideia!

Para ele, Liliana crochetou uma carrinha pão de forma.

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Demorou muito tempo a concluir os dois trabalhos mas valeu a pena.

E a partir daí. Estavam lançados os dados.

Entusiasmou-se.

Crochetou sapatinhos para a filha. A condizer com os vestidos.

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Crochetou mais bonecos.

A partir daqui os seus tempos livres eram passados a desenvolver a técnica. A aprender.

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Seguiu-se a criação da sua página de facebook.

Little by little. Foi o nome que escolheu...

Pouco a pouco...porque o caminho faz-se caminhando...e devagar se vai ao longe.

No primeiro dia de facebook choveram gostos e teve logo duas encomendas.

Achou que podia investir um pouco mais.....

Seguiu-se o instagram.

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Para além de mãe. Casada. Ter uma profissão exigente. E ser artesã.

Teve conhecimento através de uma amiga do projeto: "polvo de amor".

Este projeto nasceu na Dinamarca e propagou-se pelo mundo todo.

São polvinhos feitos em crochet que fazem companhia a bebés prematuros.

Liliana achou que podia criar na escola dela um clube para ensinar os alunos a fazer crochet e poderem participar neste projeto.

Parece-me que ninguém diz que não a esta mulher. E o clube foi criado.

Neste momento têm alunos de ambos os sexos a participar.

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Para o próximo ano.

Sonha ainda mais alto.

Quer alargar este projeto a toda comunidade escolar e participar num outro projeto de cariz humanitário, chamado: "Knot Forgotten".

 

Como uma vez professora. É sempre professora.

Em dezembro promoveu um workshop de crochet.

As participantes aprenderam a fazer um bonequinho em crochet para colocarem na árvore de Natal.

Quando me dizem que faço muita coisa. Aqui está a Liliana. Que ganha por goleada!
Fiquei fã do seu trabalho.

Foi muito difícil escolher as fotos para o post. Porque gosto de tudo.

Digam lá de vossa justiça...não acham tudo maravilhoso??

4 (8).jpg

Quanto ao projeto "Knot Forgotten".

Não conhecia.

Fiquei cheia de vontade de participar também.

Tem como objetivo colocar nas mãos de crianças refugiadas ou crianças vitimas da guerra, brinquedos feitos em crochet.

Que ideia tão bonita!

Só tenho de aperfeiçoar mais a minha técnica....

...porque as crianças merecem o melhor de nós.

 

 Têm ou conhecem algum projeto. Querem vê-lo divulgado? enviem um email

para: joanatmarqueshr@sapo.pt

 

Esta divulgação é totalmente gratuita!!

Gosto de boas ideias e quero divulga-las!!

 

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Partilhem os vossos trabalhos: #quiosquehandmadelife

 

 Nesta rubrica do Quiosque:

conheçam. A Cutchi

conheçam. A Feltros Linhas e Cia

conheçam. A Marta e o seu projeto.

conheçam. Beijos de Algodão.

conheçam. A claudycostura.

Jasmim.

Arte D'Alma

B.Log

Conheçam a Conceição. E o seu espaço...

 

Joana Marques

foto do autor

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