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Quiosque da Joana

16.01.18

a competição mais dura de todas. Ser mãe...

Joana Marques

Quando era miúda a minha mãe queria que eu fosse para o ballet.

A minha irmã praticava desde os cinco.

O meu irmão era rapaz escolheu karaté. E eu rapariga estava confinada ao ballet.

Tinha 4/5 anos e bem disse à minha mãe que não queria. Queria antes karaté como o meu irmão.

Pois, sim...e alguém ouvia o que eu dizia?

Claro que não.

A minha irmã bem me tentou convencer e conseguiu em certa parte porque me mostrou uma bailado.

E nesse bailado o bailarino levantava a bailarina. E a bailarina levantava voo como se fosse um avião..

E eu queria ser um avião.

 

Aulas e aulas de ballet e ninguém fez de mim um avião.

Pior, a postura rígida do ballet quase me matou.

Eu, hiperativa. E aquela coisa de levantar a perna 1000 vezes até ficar perfeito, deixava-me em estado de chaleira borbulhante.

Comecei a fugir da aula e a ir espreitar a aula do meu irmão.

Muito mais gira. Muito mais ação. Aquilo sim, era coisa para mim...

Os senhores do ginásio combinaram comigo. Deixavam-me fazer uma aula de karaté por semana se a outra fosse de ballet.

Devo ter sido a única pessoa do mundo que praticou karaté com uma fatiota cor de rosa...de ballet!

 

A minha mãe descobriu. Porque o meu irmão deu com a língua nos dentes.

Falou comigo. E lá conseguimos encontrar um meio termo...naquele tempo, karaté era demasiado para uma menina. Pelo menos para a minha mãe.

E com 7 anos comecei a praticar ginástica desportiva.

A minha mãe ainda tentou negociar a rítmica...mas tinha floreados a mais para mim.

 

Enquanto pratiquei ginástica nunca senti na pele o lado negro da competição. Havia competição, sim, mas boa, saudável.

O que me lembro destes tempos era o espírito de entreajuda.

Ainda tenho muitas amizades desses tempos. Tenho mais amizades de pessoas que conheci na ginástica do que na escola.

 

A competição má vinha dos pais.

Os pais que vinham falar connosco a dizer que tinhamos feito isto ou aquilo e que deviamos ter sido desclassificadas.

Os pais que falavam com os juízes porque o filho deveria ter mais uma décima milésima.

Os pais que iam pedir satisfações aos treinadores porque o filho deveria ter sido escolhido para um certo aparelho e não o outro.

Os pais. Os pais dos outros.

Os meus, estavam sempre caladinhos que nem ratos.

Às vezes nem estavam. Tinham 3 filhos e não podiam estar em todo o lado ao mesmo tempo.

Nunca me lembro de terem entrado neste tipo de competição.

Nunca nos compararam a ninguém. Nem nas notas escolares. Nem na altura. Nem na estupidez.

 

Foi por isso que demorei a encaixar um encontro imediato que tive ontem...

No pediatra, assisti a uma cena caricata.

Duas mães, discutiam qual das duas tinha tido um parto pior.

Uma tinha feito cesariana. Os pontos tinham infetado. E só conseguiu ter uma vida normal passado um trilião de meses.

Outra tinha tido a cria de parto normal e tinha levado pontos até ao cocuruto da cabeça.

 

Começaram a comparar o peso dos miúdos.

Com um mês. Com dois meses......graças a Deus que os putos tinham 6 meses.

Se tivessem 50 anos, ainda lá estavam a comparar grama com grama.

 

 

Seguiu-se a comparação das façanhas dos dois pequenos.

E no final, mesmo antes de entrar, comparavam os tamanhos de Gabriel e Bruno.

Depois, fui chamada e não assisti ao resto.

E pensei no desgaste que é ser mãe assim.

Ter de competir grama com grama. Centímetro com centímetro.

 

Não escolhi ser mãe para perder.

Vou dar o meu melhor todos os dias da minha vida.

Vou adoptar o estilo dos meus pais. Com uma pequenina diferença...

Vou ensiná-la a voar sozinha...no tempo dela, ao ritmo dela...

..e tanto me faz se quiser escolher karaté ou ser lutadora de sumo...

...quero é que seja feliz! Muito feliz.

 

E que ao fim do dia se sinta leve, leve como um avião....a voar.....

 

 

 

 

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