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Quiosque da Joana

15.03.18

a liberdade

Joana Marques

Durante muito tempo a minha vida profissional foi muito mais importante que a pessoal.

Porque simplesmente queria que fosse assim. A minha felicidade estava colada ao meu trabalho.

 

Quando comecei a trabalhar, aos 17, a minha vida pessoal era o meu grupo de amigos. 

A minha família, claro. Mas aos 17 anos, a família é um dado adquirido. E nem sempre lhe damos o valor que merece.

Aliás, mal consegui, saí de casa. Aluguei o meu espaço. Paredes-meias com o Estádio José de Alvalade.

Tinha um namorado que nunca me encheu as medidas.

Um pouco mais velho do que eu. Tinha pressa em casar e ter filhos.

Uma relação que durou quase 7 anos. E que não sobreviveu a um ultimato:

- Ou casamos e vamos para Inglaterra. Ou acaba tudo.

Acabou. Para grande alívio meu.

Queria era viajar. Correr mundo. Trabalhar. Porque gostava muito do meu trabalho.

Tinha o curso para terminar. Sem nunca me entusiasmar, tinha prometido aos meus pais. E cumpri.

 

Os anos foram passando.

E a minha vida. Era a profissional.

Porque queria que fosse. Porque adorava o meu trabalho.

Já com a licenciatura. Diziam-me para deixar de ser hospedeira. Tentar a sorte no curso que tinha tirado.

Ser da minha família, é ter negócios. E a probabilidade de termos um, é grande.

Foi assim que para além de ser hospedeira, aprendi a ser gestora. Num negócio de família.

Pela mão do meu tio José e do meu primo António.

Só no terreno é que aprendemos. E eu agarrei a oportunidade e aprendi muito.

Estava preparada para dar o salto.

A minha vida pessoal estava mais ou menos igual. Muitas viagens. Os meus amigos. A minha família.

Por esta altura, apaixonei-me.

E ele por mim.

Eu era do Sporting. Ele era do Sporting. Perfeito. Simplesmente, perfeito.

 

A vida pessoal começou a ganhar muito mais sentido.

Dei o salto. A nível profissional. Por algo mais estável. Mais consistente. E com horários mais civilizados.

Continuei a viajar. 

Foi uma fase boa.

Finalmente, tinha uma vida equilibrada.

50/50.

Começou-se a falar em filhos. Era o passo mais lógico. Mas...

Por alguma razão adiei. Não me apeteceu. Não quis.

A relação terminou.

 

Cheguei aos dias de hoje.

Sozinha. Amorosamente, falando.

Mas com a minha vida, claramente a pender cada vez menos para o profissional.

É óbvio que tenho de trabalhar. Porque não me saiu o euromilhões.

Mas o que me faz feliz mesmo...é o resto.

Não é que a minha profissão não me desafie diariamente.

Desafia, como antigamente. Neste momento, até mais. Mas encontrei algo melhor. No tempo certo. No presente.

 

Não sei se é da idade. Maturidade. Ou disponibilidade.

Tem graça. Alguma graça. Muita graça.

Muita ironia. Também...

A Joana. A super profissional, Joana. 

Se esteja a transformar na mulher. Joana. Não super, mas esforçada.

Todos os dias valorizo mais o tempo que passo com os meus.

O tempo livre.

Os passatempos. Os hobbies.

A liberdade.

 

Quando fecho a porta do escritório.

Abrem-se as portas. Da liberdade.

E deixo o meu coração. Viver. Como nunca viveu.

 

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Joana Marques

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