Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Kiosk da Joana

Kiosk da Joana

A minha miúda é.....

14.12.18, Joana Marques

Deve ter sido a fase mais negra da minha existência.

Não foi bem a mais negra. Lembro-me de uma em particular em 2014.

Pronto! Foi a segunda fase mais negra da minha vida.

Quando parti a perna em Amesterdão estava sozinha com o cão.

Tive a ajuda preciosa da minha amiga que me ajudou a partir a perna e que muito agradeço.

Não agradeço o contributo dado no esbardalhanço mas a assistência e o acompanhamento.

O estar só com o cão. Num outro país. E ainda por cima com mobilidade reduzida não foi fácil.

Ainda que tenha sido por pouco tempo. Porque pedi a ajuda dos meus pais que me foram buscar no dia seguinte.

Durante essa noite, arrumei a minha vida toda dentro de malas e maletas. Com uma perna que devia estar imobilizada. Fui passear o cão com a ajuda de uma vizinha. Tive sorte. Se tivesse partido a perna em Oslo ainda agora estava à espera de ajuda num beco qualquer.

 

Cheguei a Portugal.

Fui ao Hospital para ver se não tinha desgraçado ainda mais a perna do que já estava. Não tinha!

Durante dias e dias tive dores horríveis. Das piores que já tive.

Não quero estar aqui a falar do que não sei mas duvido que o parto dê dores tão fortes. Logo vos digo!

E...

...quando uma pessoa está uma desgraça. O universo acha que não. E eis se não quando me começam a aparecer umas borbulhas esquisitas. Uma, duas, três....um milhão.

Varicela.

Imaginam o que é ter varicela com uma perna partida.

Imaginam o que é ter borbulhas dentro do gesso?

Só eu. 

O meu tio, ao ver a miséria da sobrinha, receitou-me uns tranquilizantes.

Sou pessoa de dormir pouco. Com a perna partida esqueçam lá uma noite de sono.

E com a varicela a ajudar a festa? Só mesmo dopada.

Durante uma semana estive assim. Num estado morta-viva. Às vezes mais morta do que viva.

Nunca estive muito acordada. Mas também nunca estive muito a dormir.

As memórias que tenho não sei se realmente aconteceram, ou se sonhei.

 

Há um ano atrás. Tocou o telefone.

Do outro lado ouvi falar francês.

E pensei.

- Caneco! Estás tão queimadinha que até sonhas em francês.

Do outro lado disseram-me que tinham tido acesso a um processo de adoção iniciado por mim.

É verdade que tinha iniciado um processo de adoção. Mas tinha sido em Março. Como não chegou a bom porto nunca o encerrei porque achei que tinha ficado encerrado por si.

Não ficou.

E ali estava a prova. E ali estava a pergunta que eu não estava à espera.

Se queria a Alice.

Meia dopada. Alheada do mundo. Não pedi tempo para pensar. Não perguntei como era. Não perguntei nada.

Porque em alguns momentos da nossa existência somos ultrapassados pela vida.

E a alternativa é segui-la. Para logo a seguir, a enfrentar.

 

Faz hoje um ano. Soube que ia ser mãe.

Foi a decisão mais importante da minha vida.

Foi a decisão mais fácil da minha vida.

alice23.jpg

A verdade é que não tenho feito o caminho sozinha. 

Os meus pais têm-me ajudado. Os meus irmãos, cunhada e cunhado. Os meus sobrinhos.

Aqui! Sim aqui no Quiosque!

Se lerem os comentários que recebi aqui e aqui. Foram tão importantes para mim! Agradeço de coração.

Neste momento o Pedro e os pais do Pedro.

 

Não consigo deixar de dizer aquilo que toda a gente diz.

"Um filho muda tudo."

Muda mesmo.  O centro da minha vida passou a ser ela.

Pode estar tudo de pantanas! O mundo a desabar. Uma data de gente a precisar de mim.

Ela é a prioridade. Isso é uma mudança radical na minha vida.

E não me importo nada. Porque a minha miúda é a minha miúda.

A minha miúda é.... .

 

 

Há dois anos no Quiosque!

diverti-me tanto a escrever este post!

Mas passou meio despercebido...

 

Há um ano no Quiosque!

O relato dos últimos dias.

Varicela e tudo o resto. Lamentos, meus amigos! Lamentos!

 

Já seguem o Quiosque?

Instagram

Facebook

handmade life

Bloglovin

 

18 comentários

Comentar post

Pág. 1/2