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Quiosque da Joana

26.12.17

a primeira passagem de ano do Vasco...

Joana Marques

2014!

Tinha o Vasco desde o final de Abril.

Só tinha convivido com o cão dos meus avós. E às vezes com um ou outro de algum amigo. Mas nada é como ter o nosso próprio bicho.

Desde o início que percebi, o diferente que era este cão.

Das conversas que tinha com pessoas amigas, percebia isso mesmo.

Diziam-me para estar à espera de x e ele fazia y.

O próprio veterinário me dizia coisas que depois não aconteciam.

Toda a gente com quem falei me alertou para o fogo de artificio da passagem de ano. E como os cães detestam.

Por isso, decidi não deixar o Vasco sozinho.

 

Fui convidada por um casal, amigo meu, para uma festa, em casa deles.

Tinham acabado de se mudar para um apartamento espetacular, em Caxias, com vista para o mar. Ou melhor, para o rio...

Estavam nitidamente contentes e orgulhosos.

A minha amiga Maria também foi convidada. E levou o namorado. O Miguel.

Estava lá também a irmã do César, o dono da casa e o irmão da Rita, a dona da casa.

Ah! E o Vasco.

 

O apartamento parecia aqueles que vemos em filmes. Tudo muito sóbrio. Mas tudo no lugar certo.

Tudo novo. Tudo lindo.

E eu com o coração nas mãos. O Vasco.

Mais uma vez. O cão surpreendeu. Chegou lá. Deitou-se num tapete e dormiu.

Acordava quando alguém lhe fazia festas. E ali esteve. A dormitar.

Uma noite agradável. Em boa companhia.

Mas o meu coração palpitava. E se à meia noite, com o fogo de artifício que há sempre nessa noite em muitos sítios?

- Ai se ele se vira do avesso. Pensava eu.

 

Não. Nada aconteceu. Continuou a dormitar.

Meia noite. Muito barulho. Em casa dos meus amigos. No prédio. Na rua. Foguetes ou fogo de artifício. Nem sei...

E o cão. Impecável.

Parecia norueguês. Civilizado da unha da pata direita até à pontinha do último pêlo.

Já passava das duas da manhã quando saímos.

Tinha vindo com a minha amiga Maria e com o namorado Miguel e eles iam-me deixar em casa.

Só que a noite ainda era uma criança. E a praia estava mesmo ali ao lado. Mesmo ao lado do Forte de São Bruno.

E resolvemos ir dar uma volta na praia. A noite estava muito agradável. Não havia sono.

 

Entrámos na praia. Não estávamos sozinhos. Várias pessoas estavam na praia. Não muitas, algumas.

Resolvemos ficar sentado na areia.

A conversar.

Quando ouço ladrar ao longe.

O Vasco tinha saído de perto de mim e estava à beira mar.

Chamei-o.

E ele foi para dentro de água.

Entrei em pânico. E corri para a beira mar. Para o chamar de forma mais assertiva.

Já não o vi.

Bem o chamei. Nada de Vasco.

A Maria e o Miguel juntaram-se a mim.

Já tínhamos água pelo joelhos.

O Miguel, armado em homem:

- Fiquem aqui que eu entro mais um pouco...

Tínhamos luz dos candeeiros de rua mas pegámos nos telemóveis e nas suas lanternas para podermos ver melhor.

É claro que não fiquei onde estava.

Já tinha água pela cintura. E chorava.

Pensar que o tinha salvo de morte certa entre Abril e Maio. E tinha-o deixado morrer daquela maneira.

Quando de repente ouço ladrar. Ao longe.

Viro-me. Molhada até aos ossos.

E lá estava ele.

Feliz da vida.

A ladrar. A correr feito maluco pela praia fora. E a rir-se. Como só ele faz.

Espalhava areia por todo o lado. Dava pulos. E ladrava.

Deve ser assim que os cães festejam a passagem de ano.

 

Saí da água. Aliviada. Agarrei-me ao cão.

O Miguel e a Maria apareceram. Molhados, claro.

Ali estávamos os três. Vestidos a rigor. Molhados até à espinha.

Eu descalça porque a um determinado ponto tinha perdido os sapatos.

Nunca tive tanto frio na vida.

Vasco feliz da vida.

As poucas pessoas que estavam na praia. Olhavam para nós. Como se tivessem a ver o mais surreal dos espetáculos.

Surreal, mesmo. Eu participei nele e foi mesmo surreal.

 

Saímos da praia. Feitos pintos.

Fomos para o carro. Os sapatos do Miguel faziam splash splash enquanto andava.

E a Maria teve de os tirar porque tinha os pés tão congelados que não conseguia andar.

Eu que já estava descalça. Deixei de sentir as pernas no caminho. E quase não conseguia andar.

Atrás de nós deixávamos um rasto de água. A nossa roupa pingava.

Chegámos ao carro.

Entrámos no carro. Ar condicionado no máximo.

Vasco hiper feliz.

 

De Caxias a Carcavelos. Uma viagem curta. Não nesse dia.

O Miguel começou a queixar-se da garganta.

A Maria tremia de frio.

E eu continuava congelada mesmo com o ar condicionado.

Chegámos a Carcavelos.

Ainda perguntei se queriam ir a minha casa. Tomar um banho ou assim. Mas não.

Ainda não tinha fechado a porta do carro já o Miguel arrancava a alta velocidade.

Cheguei a casa. Entrei na banheira. Cozi na banheira.

Só saí do banho quando a minha pele começou a enrugar.

 

No dia seguinte, liguei à Maria. Tanto ela como o Miguel estavam de cama.

Tiveram uma gripe memorável.

O Miguel faltou ao trabalho duas semanas.

 

Não sei porquê o Vasco não é o cão preferido dele.

Estranho....o Vasco é o cão preferido de quase toda a gente...excepto do Miguel.

 

P.S. Este post foi escrito já sem gesso na perna....

 

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