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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

alguns sonhos nunca se realizam...

Ainda bem!

21.09.19, Joana Marques

Era uma vez uma miúda.

Mimada.

Parva. E com a mania.

7, 8...9 anos de arrogância.

Eu!

Dizia à boca cheia sempre que era contrariada. Gritava! Muitas vezes gritava!

- EU QUERO SER INDEPENDENTE.

O meu pai. Paciente. Muito paciente. 

Dizia-me:

- Joana, espero que nunca realizes esse sonho! 

Eu olhava para ele e pedia-lhe explicações.

Era assim que ele me quebrava. Com conversas. A maioria das vezes demoravam horas...

Argumentos de um lado. Argumentos do outro.

No fim eu não ficava totalmente convencida.

Sempre fui um osso duro de roer.

Tão duro que o Vasco resolveu amar-me em vez de me deitar o dente....

- Já viste que ser independente não é assim tão bom! Sim, podemos ambicionar ter algum dinheiro que nos dê alguma independência. Podemos não ser filiados num partido político e assim podemos ver as coisas com mais imparcialidade. Mas...

...Joana, ser independente. Independente? Nunca somos independentes das pessoas que amamos. Nem devemos querer ser! Espero que nunca o sejas! Vou contar-te um segredo! Sou mais dependente da tua mãe, de ti e dos teus irmãos do que de mim próprio. E sabes que mais! Para mim é assim que faz sentido.

 

Não percebi muito bem onde é que ele queria chegar.

Durante vários anos pareceu-me muito disparatado.

Começar a trabalhar aos 17 anos, num trabalho que não parecia um trabalho.

Sair de casa aos 17 anos. 

Ter namorado. Sério mas sem importância.

 

Não ter namorado.

Viajar. Muito.

Sem amarras. Sem dependências. 

 

Fui percebendo com o tempo. As palavras do meu pai.

Viajar. Muito. E ter vontade de voltar.

Esta foi a primeira pista. 

 

Morar sozinha. E preferir abdicar do meu espaço pessoal para ficar a tomar conta da sobrinhada toda.

Esta foi a segunda pista. 

 

Ter tempo e dinheiro para fazer uma passagem de ano de arromba, com pessoas divertidas e giras. E preferir juntar-me aos meus e fazer uma contagem decrescente dois minutos antes...porque a minha mãe tem sempre o relógio adiantado para não se atrasar!

Outra pista. 

 

Estar emigrada. Com um emprego bom.

Probabilidade de subir ao céu. Profissionalmente falando! 

Cá dentro o coração dizia-me:

- Manda tudo ao ar, pega no Vasco e volta para te juntares às tuas pessoas. Volta para encontrares as peças que faltam.

 

Voltei.

E. Numa das curvas da vida encontrei a Alice.

Depois o Pedro. A Mariana. E a Luísa.

Peças que encaixam na perfeição.

Num puzzle que eu chamo vida.

Num puzzle que eu chamo gratidão.

 

Nunca fui tão dependente na vida.

Nunca fui tão feliz!

Nunca as palavras do meu pai fizeram tanto sentido.

Alguns sonhos nunca se realizam.

 

Ainda bem!

 

Hoje é dia mundial da gratidão.

E este texto foi escrito em resposta a um desafio lançado pelo Sapo.

Se não têm blog. Participem na mesma.

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2 comentários

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    Joana Marques

    22.09.19

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