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Quiosque da Joana

27.05.18

Alice, onde está o teu dói dói?

Joana Marques

O Pedro trabalhou ontem.

Saiu às 16h.

Por milagre saiu mesmo a horas. Quando chegou ainda tivemos tempo de dar uma volta por Cascais.

Pegámos em nós. Na Alice. E no cão.

Todos felizes. Excepto o cão. Preguiçoso.

Quando percebeu que íamos passear. Sem ser a volta ao quarteirão habitual. Quase enfartou.

Parecia que lhe estavam a tirar um rim pelo umbigo.

 

Aterrámos no Parque Marechal Carmona. Sentados na relva. Eu e o Pedro.

A Alice a aproveitar a relva. Para andar. Rebolar. Passear a sua boneca. E dar pontapés a uma bola...

#temosronalda!

O Vasco. A dormir. A dormitar. A espreguiçar-se. A dormir outra vez.

A ressonar. A acordar mais bem disposto. A focinhar o saco do lanche. E a ter sorte....

 

Saímos do parque. Descemos até perto da praia dos pescadores.

Tínhamos o carrinho da Alice mas deixámos que fosse pelo próprio pé uma parte do caminho.

Estávamos mesmo em frente ao hotel Baía. A Alice viu um pombo. E desatou a correr atrás dele.

Assim de repente.

Eu que ando com 234000 olhos na miúda. Quando dei conta, estava estatelada no chão.

Tirem-me os rins. Pelo nariz.

Tirem-me os pulmões aos bocadinhos.

Façam o meu fígado de cebolada.

Tudo junto e ao mesmo tempo.

Tenho a certeza que não dói tanto, como doeu, aquele segundo em que vi a miúda caída no chão.

 

Mal caiu. Levantou-se logo. Sem grande alarido. A miúda é rija...

Virou-se para nós a apontar para o pombo que já tinha voado dali para fora.

Pareceu-me mais abananada pelo pombo que pela queda.

O joelho. Aquele joelhinho tão perfeitinho. Esfolado.

 

Do outro lado. Estava a mãe. Eu.

Que me atirei em pranto à miúda.

As lágrimas a correrem cara abaixo.

A tentar respirar, sem conseguir.

 

A Alice só chorou. Porque me viu chorar.

Assustou-se com o meu desvario todo.

...sim, eu sei. Sou uma mãe e peras....

 

Voltámos para casa. A Alice foi ao colo do Pedro. Sem qualquer tipo de queixas.

O Vasco foi ao meu lado. Porque deve ter percebido que eu não estava mesmo bem.

Este cão é um amigalhaço que eu tenho. Dos melhores amigalhaços que podia ter arranjado.

 

Chegámos a  casa, o Pedro tratou do joelho da Alice.

Disse-me para eu ficar na sala, ele tratava do resto.

Fiquei na sala. Com o Vasco a consolar-me.

Focinho no meu colo a dizer...

- Não me importo que sejas parva. Gosto de ti e pronto...

 

A Alice não chorou com o curativo.

O Pedro achou por bem não colocar nenhum penso, diz que é superficial e que cura mais depressa assim.

O Pedro apareceu na sala com a Alice ao colo. Sorridentes. Os dois.

Eu estava à beira de um enfarte, uma embolia, um avc e uma paragem cardíaca.

Tudo junto, ao mesmo tempo.

 

A Alice pediu para ir para o chão e foi a correr brincar com a cozinha dela.

Voltou à sua vidinha normal...

Eu chorei que nem uma parva. Mais uma vez.

O Pedro, com muita calma e muito querido, disse-me o óbvio.

- Vai acontecer muitas vezes. É mesmo assim...

- Eu sei. O problema é esse mesmo. Cada vez que acontecer vou morrer um bocadinho. Como é que os meus pais conseguiram?

 

Hoje.

Acordou bem disposta. Sem se queixar do joelho, claro!

A única queixosa sou eu....

E...

..... quando o Pedro lhe perguntou.

- Alice, onde está o teu dói dói?

A miúda. Apontou para mim....

 

 

 

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Joana Marques

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