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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

amanhã #2

06.03.19, Joana Marques

Comecei o dia cheia de boas energias.

Que o diga o cão que me acordou cheio de boa vontade e quase foi atropelado por mim.

Desci. O Pedro desceu com a Alice.

Os cães desceram.

Deixámos a Alice em casa dos meus pais. Já nem vai para o infantário porque como diz o Pedro sempre que acordamos.

- Vais ver que é hoje.

 

Passámos pelas finanças.

Nunca em toda a minha vida fui maltratada nas finanças. Mas...

...é um lugar que não gosto. E achei que a Mariana pudesse sentir esse meu stress. E pôr-se a andar daqui para fora...

Não! A Mariana pelo que percebi dormia regaladamente.

Seguimos das finanças para o hospital porque a partir de agora tenho consulta de dois em dois dias.

A médica lá me viu outra vez. Pela milésima vez. E...

...pela milésima vez ouvi um:

- Está quase. Mesmo quase.

A Mariana continua a ganhar peso. É grande. 

Está dentro da sua ilha coberta de liquido por todos os lados.

O liquido está na quantidade certa. 

Desconfio que este liquido deve ser saboroso de alguma maneira.

Porque raio é que alguém quer ficar apertada e de pernas para o ar durante tanto tempo se não for pela bebida e pela comida???

Eu continuo bem. Tensão arterial normal. Parece-me que é a preocupação central...

Sinto-me bem também. Nada de dores. Nada. Nada.

Nem uma moínha. Uma pontada. Uma contracção. Nada.

Diz a médica que está tudo em andamento mas eu não sinto.

Perguntou-me se queria ficar lá. Induziam o parto.

Disse que não. Quero tentar o mais natural possível.

Diz que podemos esperar até ao início da próxima semana. Depois disso aconselha a induzir. Porque se a Mariana ficar com um tamanho proibitivo, a cesariana começa a ser o caminho mais viável.

Queria a todo o custo evitar a cesariana.

Tenho ideia que a recuperação é mais lenta.

E a medicação...

A cicatriz também não me fascina...mas é o menos, neste caso.

 

A médica olhou para nós e disse:

- Vou almoçar. Porque não dão um passeio pela zona, subam ruas desçam ruas. Almocem também. E voltem cá para eu te ver outra vez.

Fizemos isso.

Andámos. Andámos. Subimos. Descemos.

Andámos de autocarro. Voltámos.

Almoçámos. E eu achei que estava na hora de usar artilharia pesada.

Pedi sobremesa. Daquelas mesmo, mesmo beras. Cheias de açúcar. 

- Uma baba de camelo se faz favor.

Com este choque de açúcar até os olhinhos lhe saltam.

Acordou. Mexeu-se. Passeou-se. Rebentar as águas que é o sonho desta mãe...

...nada!

 

Voltámos ao hospital. Eu com a baba de camelo no estômago e a miúda no útero.

Fui vista novamente. Nem um centímetro a mais.

Voltámos a casa.

O Pedro, mais stressado que eu. Disse-me:

- Começa a subir as escadas e a descer. Pode ser que resulte.

Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. 

E a Mariana?

Regaladinha. A dormir. 

Começo a achar que a miúda é filha do Vasco.

 

Amanhã é outro dia. E eu e o Pedro já temos o trajecto planeado.

Vamos até ao Castelo de São Jorge.

Nem que eu trepe as colinas todas! Esta miúda sai daqui até segunda...

...ou não me chamo Joana!

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