Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Quiosque da Joana

12.01.18

Chico

Joana Marques

Tinha 15 anos.

Os meus tios que moravam no Porto convidam-nos para a festa de anos do meu primo.

Os meus pais acabaram por decidir passar lá o fim de semana.

O meu pai saiu mais cedo da empresa à sexta feira. Fizeram-se à estrada. E voltaram na segunda de manhã.

Alguém ficou para trás.

Eu.

Ao sábado de manhã tinha aulas de Inglês num instituto perto de casa.

As aulas custavam dinheiro. Estava proibida de faltar. Mesmo!

Para poder ir, combinou-se com os meus tios que moravam no Campo Grande. Ia com eles.

 

Achei que ia partilhar o carro com a minha tia, tio e os meus dois primos, mas quando lá cheguei apareceu o meu tio sozinho.

O meu primo Manel tinha decidido levar a namorada. Lá foram os dois carros.

Para o meu tio não ir sozinho tinham decidido que eu ia com ele.

A minha tia, os dois filhos e a namorada do meu primo já estavam a caminho.

Eu e o meu tio estávamos quase a fazer o mesmo.

 

Entrei no carro e no rádio uma daquelas estações chatas. Muito chatas para uma miúda de 15 anos.

Ainda pensei em dormir. Mas comigo não dava. Tal como agora, dormia pouco. E só de noite. Nunca tinha sono durante o dia.

A viagem era longa. Muito longa.

- É oficial. Vou morrer nesta viagem. Pensei eu.

 

- Joana, vamos é pôr música...para isto animar. Disse o meu tio.

Tira uma cassete do porta-luvas.

E tive um pequeno AVC quando pôs a cassete a tocar.

- Chico Buarque. Gostas?

Não, não gostava. Mas calei-me....

 

Cheguei a Vila-Franca decidida a nunca mais falar com o meu amigo Francisco.

O Chico para os amigos. Porque me lembraria sempre a personagem que me estava a provocar urticária.

Quando a cassete acabou. Virou.

E mais Chico Buarque.

 

Em Santarém, tinha vontade de me auto-mutilar.

Perto de Leiria quis abrir a porta do carro em andamento. E escavacar-me toda.

À chegada de Coimbra quis acabar com a própria vida.

 

E depois de virar a cassete montes de vezes. E ouvir vezes sem conta.

Chegámos ao Porto. E eu já não era a mesma.

Tinha-me apaixonado.

Uma paixão que ao longo do tempo se transformou em amor. E que vai durar a vida inteira.

 

Hoje apresentei este amor à minha filha.

Para que ela o possa amar, também.

Digam lá se isto não é uma delícia?

 

15 comentários

Comentar post

Joana Marques

foto do autor

Sigam-me

contador de acesso grátis

Links

Grupo no Facebook de Partilha handmade! 💝

As histórias do cão! 🐶

Tricot 🌺

Crochet 🌻

Receitas 🍳🥦🥧

Planear ⌚📅 📊

Comentários recentes

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D