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Quiosque da Joana

07.04.18

como um puzzle..

Joana Marques

Ontem. Sexta-feira.

O Pedro saiu aqui de casa às 7h da manhã para garantir que às 8h estava no hospital.

Chegou às 7h30.

Fez-me prometer que ia almoçar com ele.

Não me dava jeito nenhum.

Tinha de trabalhar, claro. Mas queria aproveitar a pausa do almoço para ir às compras.

A minha despensa, já teve melhores dias.

Eu sei que sou eu que faço os meus horários mas se começar a baldar-me as coisas não se fazem sozinhas.

Trabalhar em casa exige muita disciplina. E rigor.

O homem tanto insistiu que acabei de dizer que sim.

Combinámos num restaurante perto do hospital.

Disse-me pelo menos umas 100 vezes para não me atrasar porque só conseguia ter no máximo dos máximos uma hora de almoço.

Disse.

- Sim senhor...vai lá descansadinho. Que eu chego a horas.

O homem lá foi.

 

Saí de casa cedo. Para garantir que chegava. Sem atrasos.

Depois da lasanha queimada.

De o homem ter virado gata borralheira.

Achei que era melhor não esticar muito a corda.

Chovia muito.

Cheguei meia hora mais cedo.

E lugar para estacionar??

Querias....

Andei às voltas. De um lado para o outro.

Continuava a chover.

20 minutos para a hora marcada.

Mais umas voltas.

Ainda pensei deixar no parque que costumo usar quando vou ao hospital mas a chover tanto não me apetecia chegar ensopada ao restaurante.

Continuei a circular. Mais uma voltinha.

Nada.

Outra voltinha.

Nada.

10 minutos.

Nada de lugares.

Apeteceu-me começar a chorar. Como se sabe. Se uma pessoa chora. Aparece logo, logo um lugar de estacionamento.

É imediato!

 

Faltavam uns 5 minutos. Quando vi um carro a sair.

Estava na rua das traseiras. Do restaurante.

Estacionei.

Chovia desalmadamente.

Fui pagar o estacionamento ao parquímetro.

E com estas brincadeiras todas. Estava em cima da hora.

Resolvi. Entrar pelas traseiras do restaurante. Ou ia atrasar-me....mesmo.

Bati à porta.

Abriu-me a porta um moço. Novo. Muito magricela. Mal me viu.

- Não queremos nada.

Eu. De chapéu de chuva na mão. Disse.

- Ouça o que tenho para dizer antes de me fechar a porta. Posso entrar por aqui???

- Não é permitido.

- Está uma pessoa dentro do restaurante. Que é nem mais nem menos que o homem da minha vida. Se eu tiver de ir dar a volta...vou ficar ainda mais ensopada. Vou chegar atrasada. E peço-lhe por tudo que me deixe entrar....por favor! Por favor!

O rapaz olhou para mim. Hesitou. Olhou outra vez.

- Por favor! Por favor!!

- Entre. Se lá dentro lhe perguntarem o que é que está aqui a fazer diga que quis ver a cozinha porque tem alergias. Sobretudo se for o nosso chef. O da jaleca escura.

- Esteja descansado.

Entrei. Passei por uma cozinha limpérrima. Com uma azáfama só vista. E vi um homem vestido de escuro. Achei que era o tal chef. Com medo que me fizesse ir à volta, atirei-lhe com..

- Estou aqui para ver a vossa cozinha. Sou alérgica a...........pistachios...

Podia ter dito amendoins. Amêndoas. Nozes. Lactose...mas não. Pistachios foi o que me veio à cabeça.

- Não é este. Não é este.

Disse-me o moço magrinho.

 

Saí da zona da cozinha, através de uma porta. E avistei o Pedro.

Não tirava os olhos da porta de entrada do restaurante. Nitidamente ansioso.

Peguei num bocado de miolo de pão. De uma mesa. Fiz uma bolinha. E atirei-lhe a bolinha de pão.

Caiu dentro do copo dele. O homem deu um pulo. E depois viu-me.

Com um ar meio desorientado.

- Mas......

- Entrei pela cozinha. É onde há comida.

 

Mal digo isto. Vejo que o Pedro não está sozinho. Ao lado dele está um senhor. E do lado oposto estava uma senhora.

Com idade para serem os pais do Pedro.

Com mil Fábios Coentrões devolvidos. Eram os pais do Pedro.

Quase enfartei.

Tanto ameaço. Um dia destes será. Vou enfartar à séria.

 

O almoço correu bem. O Pedro comeu à pressa para voltar ao trabalho.

Saiu quando chegou a hora dele.

Nós continuámos. À conversa. E a comer com calma.

Falei-lhes da Alice. E como é que chegou até mim.

Mostrei-lhes fotos da Alice.

Gostei muito deles.

Temos algo importante e em comum. Os três gostamos muito do Pedro. E isso será sempre algo que nos ligará.

 

 

No final. Pedi ao pai do Pedro se fazia favor de tirar o meu carro do estacionamento.

Estava ensanduichado entre dois carros e o prognóstico não era bom.

Amanhã vamos almoçar a casa deles.

A Alice também vai.

 

Como um puzzle.

Uma peça de cada vez. É assim, a vida...

 

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Joana Marques

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