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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

criei um monstro....

30.07.18, Joana Marques

Quando conheci o Pedro já tinha mergulhado no espírito da comida saudável. E nada nem ninguém me ia fazer recuar...

Já não conseguia, rotular o meu regime alimentar. Já há algum tempo tinha abandonado o Paleo.

Comecei a comer glúten, com moderação, em Dezembro.

E logo aí, adeus Paleo.

Não comia processados. Nisso não cedi nem vou ceder.

Comia o mais natural possível. Comida de verdade. Ou o mais verdadeira possível. Hoje em dia....enfim. Nada é garantido.

 

O Pedro deve ter reparado logo, que eu era meio radical.

Sou mesmo radical. Não consigo ser de outra maneira.

E neste almoço, comi uma salada. Ele comeu pizza.

 

No almoço seguinte. Na praia, levei eu o almoço. Comida de verdade. Feita por mim.

Ele foi experimentando. E acho que gostou. Disse-me que sim que tinha gostado. Podia ser só por simpatia mas não me pareceu.

Mesmo assim ainda ouvi umas bocas...

- Este pão é bom. Onde é que compras?

- Sou eu que o faço...

- Ah! Ah! Sabes que há sítios que vendem pão, não sabes?

Fui contemplada com esta e outras pérolas.

 

Quando estivemos em Dublin. Foi mais ou menos o mesmo.

Eu comi o mais saudável que consegui.

Ele comeu o que costumava comer, uma massa qualquer com uma molhanga.

E outras iguarias que não me recordo.

A massa ficou-me na memória.

Tinha muito bom aspeto mas a comida triste tem sempre bom aspeto.

Costuma cheirar bem e tudo.

E o sabor, senhores. Bom! 

O pior é o resto....

 

Nos primeiros tempos conversámos muito sobre isto. Os estilos diferentes que tínhamos.

Disse-lhe que estava absolutamente convicta de que o que estava a fazer era o correto para a minha saúde e que não ía mudar. Para mais tinha uma filha e queria que ela tivesse também bons hábitos alimentares.

Como é óbvio não ia gostar menos dele por ele enfardar pipocas, lasanha e pizza como se não houvesse amanhã. Mas em frente à Alice não...

...as crianças não são o que ouvem.

São o que veem fazer.

E se ele estivesse ao lado dela a comer batatas fritas de pacote (que têm açúcar para nos viciar...) era um bocado difícil que ela olhasse com boa cara para os espinafres! 

 

Quando ele veio viver comigo disse-lhe:

- Durante o dia come o que te der na cabeça. Aqui em casa, desde que a Alice esteja a ver, tens de comer como nós.

Ele concordou mas notei que não fez qualquer sacrifício em adaptar-se ao novo regime alimentar.

Mais...

...começou a pesquisar sobre o assunto. Apresentou-me novos caminhos.

Por exemplo, estava completamente fechada às leguminosas. E ele deu-me a conhecer os benefícios. Hoje sou completamente fã de lentilhas, grão e todo o tipo de feijão.

Apresentou-me aos integrais. E a uma quantidade de alimentos que eu não conhecia. Nem ele...

 

O homem que em Março estava entupido de pipocas.

Cachorros quentes.

Pizzas.

Batatas fritas de pacote.

E todo o tipo de comida que não interessa ao menino Jesus. Nem a Slimani.

O homem que não sabia cozinhar. Comia fora a maior parte dos dias. Ou então comia em casa dos pais e trazia os restos para casa.

 

Converteu-se a um novo estilo de vida. Num abrir e fechar de olhos.

Perdeu 5 kg que o andavam a chatear desde não sei quando. Eu só o conheci em Março, não sei muito bem desde quando...é que andava chateado com os 5 kg.

Baixou o colesterol. Não era nada exorbitante mas para lá caminhava...

Começou a dormir melhor. E a sentir-se menos cansado.

Tinha um eczema meio chatinho que está desaparecido. 

Com resultados visíveis é mais fácil mudar. E não querer voltar atrás.

Já começou a tentar mudar os hábitos dos pais. Aqueles processados com muitos E´s já não entram lá em casa.

 

 

Neste momento, cozinhamos a meias. Aproveitamos um dos dias de folga dele para cozinhar para a semana inteira.

Às vezes é durante a semana outras vezes ao sábado.

Dá ideias.

Pesquisa novos pratos.

Ajuda-me a fazer a lista de compras e a planear as refeições.

Experimenta. Prova.

E é um roubador de comida.

Ainda não chega aos calcanhares do Vasco mas.....é um aprendiz à altura.

Estou desconfiada que o aprendiz um dia destes supera o mestre. 

 

Na sexta-feira. Saía às 16h. 

Apareceu em casa às 18h.

Trazia uma caixa. Lembrei-me do dia em que comprou a máquina de fazer pão.

Estava tão contente.

- É uma máquina de sumos.

- Nós não precisamos de uma máquina de sumos!

Ele acha que sim.

Não para fazer os sumos tradicionais com 5 laranjas, por exemplo. Mas...

.......sumos que combinam fruta, de preferência fruta muito alcalina por exemplo: toranja, limão, lima; com frutas com um índice glicémico baixo e vegetais.

A fruta corta completamente o sabor dos vegetais. É só preciso ter atenção às quantidades.

O corpo absorve mais facilmente alguns nutrientes desta forma.

Não deixámos de comer fruta da maneira tradicional, nada disso.

A fruta tem nutrientes, nomeadamente fibras que se perdem quando é feito o sumo.

A máquina também dá para fazer smoothies. E gelados. Saudáveis.

Ah! E dá para fazer leite vegetal. Fazia todas as semanas leite de amêndoa e demorava algum tempo. Agora, num fósforo está feito o leite.

  

Pedro. O convertido.

Está mais papista que o papa.

Está mais Joanista que a Joana. 

....criei um monstro....quiosquianos.

Criei um monstro....

 

 

 

 Há dois anos no Quiosque!

Declarei o meu amor eterno ao melhor dia da semana. O sábado!

 

Há um ano no Quiosque!

Com a vossa licença. Vou ali chicotear-me.

Não escrevi nem uma linha....

 

 

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3 comentários

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    Joana Marques

    30.07.18

    Não levo nada a mal...
    Podes comentar sempre e podes estar sempre em desacordo comigo...é mesmo assim. Sem stress.

    Comemos saudável 99% das vezes. Deixamos uma margem para quando vamos almoçar a casa de amigos, a casa dos nossos pais, ou simplesmente almoçar ou jantar fora....sem stress e sem culpas.

    O dia da asneira é dado pelos nutricionista para os desgraçados que estão viciados em comida má, não cortarem os pulsos quando de repente cortam com tudo o que os fazia felizes. Nós já passámos essa barreira, neste momento já não temos grandes apetites, nem fomes daquelas que são capaz de dar cabo da arca frigorifica dos gelados da Olá num qualquer café português. Chega-se a este nível quando na nossa microflora intestinal já não habitam bactérias que digerem açucares por exemplo. Ou gorduras más. São elas que nos fazem ir a correr comer um bolo. Ou achar que se não comermos aquele pastel de nata o mundo acaba....

    O facto de cozinhar para a semana toda, tem de ser. Concordo que a comida acabada de fazer é melhor mas é assim que uma pessoa se desgraça. Tanto eu como o Pedro temos uma profissão exigente e temos uma filha que também exige tempo de nós. Se eu não tiver a comida mais ou menos pronta ou orientada é provavel que 99% das refeições passem a ser frango assado. Se por acaso não nos apetecer comer aquela refeição, aquele dia...sem stress. Ou comemos outra que já esteja feita. Ou cozinhamos outra que nos apeteça. Ou vamos comer fora. Não somos escravos de nenhum calendário. Mas ter a comida feita é espectacular. Se eu pudesse já tinha feita comida para um ano...e meio.
    O fiambre é algo que devia ser proibido. De frango. De perú. Ou de andorinha...não entra cá em casa.
    O exercício é tão importante como uma alimentação saudável, na minha opinião.
    Quanto ao caso de ser extremista, sou. Assumida e tudo.
    Não é uma qualidade, é um defeito que tenho tentado melhorar. E acredita, já melhorei muito...se me conhecesses aos 20 anos...
    Não gosto muito de cinzentos. Gosto mais de brancos ou de pretos.
    Não gosto de coisas vagas. Gosto de coerência. E de consistência.
    Obrigada pelo comentário. Gostei....muito.


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    Nuno

    30.07.18

    E espero que nso me leves a mal o comentário até porque como disse cada pessoa tem de ser livre de viver e comer conforme melhor se sente
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