Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

É o que dá ser adulta....

13.05.19, Joana Marques

Vasco. Esse querido. Esse fofo. Esse torrãozinho de açúcar de coco.

Já se adaptou ao novo país.

Por aqui as pessoas gostam imenso dele. Ele passa por elas e como um rei decente deixa-se acarinhar. 

Como moramos numa zona murada. E o cão não é de se fazer à vida sozinho, anda por aqui à solta.

Gosta de dar o seu pequeno passeio. Passar pela porta do casal alemão que aqui mora perto.

Descansar no sofá que está em frente à casa do casal holandês.

Se a pequenita holandesa aparece, o cão deixa-se pentear. Abraçar. E como quem não quer a coisa faz-se à estrada e vai dormir num sitio onde não haja crianças, esses seres que dão cabo do sossego de um cão honesto.

Os meus vizinhos até podem não conhecer muito de Portugal. Dizem duas palavras na nossa língua. Cristiano. Ronaldo. E agora aprenderam a terceira. Vasco.

Até aqui tudo certo. Uma imagem idílica. Na vida de um cão chamado Vasco.

Vivemos numa zona rural.

E o que é que as zonas rurais têm aos montes?

Bicheza.

Vivemos em África.

E o que é que África tem aos montes?

Bicheza esquisita.

 

1. Vasco saiu de casa. A Gabi ficou. 

Eu fiquei com a Mariana e com a Alice. E com a Gabi.

A primeira é muito calma mas às vezes chora. A segunda é muito alegre, canta, dança, ri-se, faz a festa até com as pedras da calçada. Eu percebo, eu também sou assim. E a Gabi...

....bem a Gabi. Ladra. Guincha. E é meio avariada. Sai à mãe, claro!

Eu Joana, a tentar dar conta do recado. 

E nisto. Um estrondo na porta da frente. 

Um momento de silêncio. E...

...a Mariana acha normal. A Alice acha normal. A Gabi nem liga. 

O meu coração parou. Achei que tinha um extra terrestre a entrar em casa. 

Não! Era só Vasco.

Vinha com um ar tão abatido. Só podia ter dado de caras com um bichinho daqueles lindos de morrer.

 

2. Vasco saiu de casa. A Gabi ficou. 

A Mariana estava na espreguiçadeira.

A Alice apareceu com uma caixa cheia de brinquedos. Fez questão de atirar para o meio da sala,  todo o seu conteúdo. A Gabi roubou-lhe um brinquedo. A Alice abespinhou-se. 

A Gabi disse:

- Não me apanhas...não me apanhas!

A Alice foi aos gritos, a gritar o mais alto que conseguia.

A Mariana olhava para nós com um ar de:

- Com mil Slimanis onde é que eu vim parar???

E nisto.

Ouvi um ruído estranho.

Alguém saltou o muro da nossa casa que dá acesso às traseiras.

A porta das traseiras estava no trinco. E.....

..........B$%UUUUMMMMM#$#$MM

A Mariana continuou na sua vida contemplativa. A Alice atrás da Gabi. E a Gabi no estardalhaço do costume. 

Eu. É melhor nem falar disso.

Entrou. Com tal força que a porta deu de si e abriu sozinha. Lá estava ele.

Abatido e a fugir do anticristo! Não me perguntem a cor. Ainda fui ver. Não vi nada.

 

3. Hoje.Vasco saiu de casa. A Gabi ficou. 

A Mariana estava a bebericar o seu leite.

A Alice estava muito concentrada a pintar a Minnie só com verde...do Spóoooting.

A Gabi estava deitadinha. Sem guinchar, ladrar ou uivar.

 

Ouço. Um alarido. 

Seria um avião? Um passarão? Um camião?

Não.

Era o Vasco. A entrar pela janela.

A Alice olhou e riu-se. A Gabi abriu os olhos e voltou a fechar.

A Mariana. A nossa casa é tão surreal que nem estranhou.

 

E eu?

Enfartei. Tenho a certeza que enfartei.

O meu coração ficou em papa.

O meu estômago parou. Quase fiz xixi.

E o leite que neste momento produzo ficou transformado em pudim. É o que dá ser adulta....

11 comentários

Comentar post