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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

e se a minha casa fosse uma escola?

09.02.19, Joana Marques

Um dia. Quase há um quarto de século.

Nasceu a minha primeira sobrinha. Madalena.

Tenho diferença de 10 anos da minha irmã. E da minha sobrinha, 14 anos.

A partir de um certo ponto comecei a ser mais cúmplice da minha sobrinha do que propriamente da minha irmã. Quando a miúda precisava de ajuda na escola era sempre eu que a socorria. Porque ela assim o exigia. E porque eu gostava.

Nasceu o meu sobrinho Pedro.

O puto é um geniozinho.

Também passou por minha casa mas acho que eu aprendia mais com ele do que ele comigo. Tinha uma forma muito própria de pensar e fazer as coisas.

Era e continua a ser muito obstinado e a saber o que quer.

 

Nasceu a Inês.

A terceira filha da minha irmã.

Podemos aplicar aquela velha história.

O primeiro filho é de cristal.

O segundo é de borracha.

E o terceiro não se percebe muito bem como veio cá parar.

A Inês cresceu com menos pressão. E um bocado mais à vontade.

Até eu ir trabalhar para fora passava muito tempo em minha casa.

Dei-lhe explicações de tudo e mais alguma coisa. Ligava-me e dizia-me: 

- Posso ir aí, amanhã? Preciso fazer um trabalho sobre a segunda guerra mundial.

Imediatamente entrava em pânico e tentava a todos os níveis lembrar-me do que sabia sobre o assunto.

Pesquisava.

Estudava.

E quando a Inês chegava já estava preparada para a ajudar.

Sem nunca lhe fazer os trabalhos, nem pensar. Só orientava. 

 

Não tenho qualquer preparação para ensinar.

Pedagogicamente, devo ser uma desgraça.

Mas a verdade é que gostava muito de o fazer.

Tantas fichas, trabalhos e preparações de testes fiz com eles, fui-me apercebendo que da Madalena para a Inês, o grau de dificuldade de testes, da matéria a ser lecionada e a profundidade com que é lecionada baixou drasticamente.

E se isso começou por ser uma constatação.

Agora que tenho uma filha e uma Mariana a caminho começa a ser uma grande preocupação. Acrescento também que os meus três sobrinhos andaram todos na mesma escola e tiveram alguns professores em comum, por isso, não me parece que a crescente falta de exigência tenha sido tirada da cartola dos professores.

Não sei bem quem culpar. Provavelmente são dadas diretrizes para que isso aconteça.

Sinceramente, parece-me que um dia pagaremos caro essas diretrizes. 

Uma coisa é certa, não quero que as minhas filhas passem de ano só por respirarem. Precisam mostrar trabalho e resultados. 

 

A melhor herança que deixo às minhas filhas não é uma casa, um barco ou um montão de notas.

A melhor herança que lhes deixo é a sua educação e a sua formação.

A primeira indiscutivelmente é feita em casa.

A segunda também poderá ser se não encontrar uma alternativa que me encha as medidas.

 

O ensino doméstico começou a ser, para mim e para o Pedro, uma alternativa viável.

Pelo menos até ao 9.º ano. Mas seria avaliado por nós no final de cada ano.

O ensino doméstico é feito em casa.

Tem de ser feito por alguém que coabita com a criança.

A pessoa que o faz tem de ter obrigatoriamente completado o ciclo acima do qual a criança está a estudar. O que para nós não será um problema.

O aluno tem de estar inscrito numa escola e tem de prestar provas no final de cada ciclo para poder certificar as suas competências.

 

Ainda temos tempo para decidir se esta ideia será concretizável ou não. 

Até porque trabalhamos os dois mas a ideia cada vez nos agrada mais...

...preocupa-me apenas a parte social da questão. Mas isso poderia ser colmatado de outra forma. Escola em casa. Uma atividade artística e outra desportiva fora. 

...temos 4 anos para amadurecer a ideia. E decidir...

 

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