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Quiosque da Joana

30.03.18

feita num oito. Ou num oitenta...

Joana Marques

Esta pausa. Começou mal.

Tinha planeado seguir para o Alentejo depois do jantar da Alice. Com esperança que dormisse durante a viagem.

Chegava. Pegava nela. E deitava-a na cama. E no dia seguinte.

Sorri, Alice: estás no Alentejo.

 

Toda eu estava um tumulto. O Pedro. O Pedro. E o Pedro.

E as saudades. E o Pedro. E mais o Pedro.

Só o vou ver daqui a uma eternidade e meia. E tenho saudades. E o Pedro.

Só que...

....eu tenho um cão. Que é protagonista na minha vida.

E sempre que eu ando a pensar demais. Sobre alguma coisa. Ele faz questão de me dizer.

- Eu é que sou o presidente da junta. Olha, para mim....aqui...a fazer birra.

O Vasco firme. Ao lado do vaso das flores. Sem se mexer. Num local quase inacessível.

Eu à espera, a tentar dissuadi-lo.

 

Ligou-me uma amiga a perguntar se tinha chegado bem ao Alentejo.

- Ainda não cheguei.

Contei-lhe a birra do cão.

- Não vás hoje. Os cães têm um sexto sentido e o Vasco deve estar a pressentir alguma coisa.

- Está! A pressentir que algo se passa na minha cabeça.

Desliguei o telefone. E mostrei-lhe quem é que manda.

Abri o carro.

Arrastei-o.

Peguei-lhe ao colo. Atirei-o lá para dentro.

Coloquei-lhe a trela que o agarra ao banco. E rosnei-lhe ao ouvido..

- Caladinho, ó rafeiro...

 

Peguei na Alice. Coloquei-a na cadeirinha.

E...

Entrei eu.

Mal iniciámos a viagem. O Vasco ia em pranto.

Chorava. Uivava. Ladrava em sofrimento.

A Alice que até se porta bem em viagem. Começou a chorar.

A gata, dentro da caixa miava. Muito alto.

Tanto uma como outra, devem ter pensado que ia deixa-los, aos três, num canil.

Pior. Num matadouro.

Não entrei na marginal.

Parei o carro onde consegui. Para socorrer as vitimas.

Tirei a  Alice do carro. Dei colo. Parou de chorar. Ficou mais tranquila.

O cão continuava em pranto.

Pedi a uma entidade qualquer que me desse força. Me permitisse engolir o sapo. E dar a outra face.

Fui acarinhar o cão.

Pior...a emenda que o soneto.

- Ai que eu sou um desgraçado. Ai que ninguém me liga. Tive o azar de nascer rafeiro e toda a gente me trata mal...

Desisti.

A Alice recomeçou a chorar passado pouco tempo. A gata miava. O cão encomendava a alma ao criador.

Parei na Parede.

Parei em Caxias.

E desisti de parar.

- Chorem. Façam favor....chorem....

 

Ia na ponte. O meu telemóvel tocou. Estava dentro da mala.

Quando consegui encostar. Vi que tinha sido o Pedro. Liguei-lhe.

Uma grande chinfrineira no carro.

O homem deve ter pensado que estava a ligar-lhe do inferno...

- Liguei só para saber se tinhas chegado bem.

- Vou a caminho.

- Hummmmmm. Onde é que estás. Não te estou a ouvir bem...

- Bem vindo à minha vida...

Despedi-me e segui caminho.

Perto de Vendas Novas. O cão deu-me uma lambidela na cara. Riu-se para mim.

A Alice adormeceu.

A gata continuou a miar. O cão ficou estarrecido com tal audácia. E respondeu-lhe.

E ela a ele.

E ele a ela.

E ela a ele.

E ele a ela.

 

Cheguei feita num oito. Ou num oitenta...nem sei bem.

 

 

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