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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

Guada quê?

10.08.18, Joana Marques

O senhor Ludovino tem estado no Algarve de onde é natural.

Primeiro foi com o filho mais velho passar uma parte de Julho.

Agora está sozinho com a mulher e aguardam a chegada do filho mais novo.

Deve lá estar até meados de Setembro se não se chatear de lá estar.

- Não há nada aqui. 

- Não se passa nada aqui.

- Ai, Joana tenho tantas saudades.

- Nem acredito que me convenceram a passar férias aqui.

- Se passares um dia por aqui deixa-me voltar contigo.

- Que ideia dos meus filhos! Passar férias no Algarve quando podemos passar férias em Carcavelos.

- Estou isolado não falo com ninguém.

- Já fiz as malas e estou pronto para voltar mas ninguém me dá boleia.

- E se me dá alguma coisa durante a noite não há um hospital decente para me socorrer.

- Olha lá! Não queres vir passar cá uns dias. Tens é de trazer o Pedro...NÃO TE ESQUEÇAS DO PEDRO!

 

Sempre que lhe telefono é isto.

O senhor Ludovino está em sofrimento no Algarve. Porque sim e porque sim.

Ontem liguei-lhe e para mudar de assunto. E parar com as lamurias todas. Disse-lhe!

- Senhor Ludovino, ainda não lhe contei. Estou grávida!

- Grávida?? Outra vez?

- Outra vez, como?? Nunca estive grávida na vida....

- Ah! Pois devo estar a confundir com outra....

- Ainda está muito no início, não sabemos se é menino ou menina..

- Ah!

- Vai se chamar João ou Mariana...

- Mariana?? Que raio de nome escolheste!! Devia ser Guadalupe...

- Guada quê???

- Guadalupe...isso é que é um nome! 

- Vai ser Mariana, se for uma menina...

- O teu marido sabe?

- Claro...foi escolhido pelos dois...

- Olha, fala-lhe de Guadalupe....ainda vão a tempo de mudar.

 

 

E sim. Até sabermos de que raça é a criança será chamada de Guadalupe.

Guada quê?

Gaudalupe.

Neste momento, Guadalupe já não é bem uma semente.

Já é um feto.

E por isso precisa de um nome com outro estatuto.

Guadalupe é para lá de perfeito.

 

Quase, quase a entrar na nona semana, Guadalupe é do tamanho de uma framboesa.

Já tem pernas e tem braços.

Já consegue sentir o próprio coração se colocar a mão no peito no lado certo.

Se for como a mãe deve andar uma bocado às aranhas, a tentar perceber onde é que é a direita, onde é que é a esquerda.

Custa-me a acreditar mas o Pedro, pai de Guadalupe diz que já sente movimentos bruscos ou ruídos fortes, será?

Pode ser que lá cheguem os beijinhos da irmã Alice.

O pai de Alice e Guadalupe ensinou-lhe a dar beijinhos na minha barriga.

E ela dá...não só a mim.

Também já apanhou as barrigas do pai e do Vasco....o frango assado ficou muito sensibilizado.

 

Eu continuo sem qualquer sintoma maléfico. Daqueles que dão que fazer. E que são desagradáveis.

Já fiz análises.

Foi duro.

Quase faleci.

O senhor que me tirou sangue parecia um liquidificador, sem tampa. 

Enquanto o senhor falava, mãe de Guadalupe era abençoada por microrganismos húmidos e voadores. 

Sem se poder desviar. Quando se tem uma agulha espetada num braço é chato fazer movimentos bruscos.

O pai de Guadalupe quase ficou com uma hérnia de tanto conter o riso.

 

Vamos de férias uns dias. 

Vamos andar pelo Alentejo mas daremos um saltinho a Marrocos.

O Quiosque não fechará totalmente. Mãe de Guadalupe já escreveu alguns posts. 

 

 

 

Há dois anos no Quiosque!

Um almoço daqueles de cortar os pulsos.

Eu, a minha solteirice e os homens tristes que me apareciam à frente.

 

Há um ano no Quiosque!

Uma reflexão sobre estar fora do país e a responsabilidade que sentia!

Não sei se neste momento o Quiosque é lido por alguém que está fora do país como eu estive.

Se sim, um abraço forte....

 

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