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Quiosque da Joana

07.07.18

hoje é dia de festa...

Joana Marques

1945, Baixo Alentejo

Nasceu Manuel.

 

1947, Alto Alentejo

Nasceu Ana.

 

Lisboa, Janeiro, 1967

Manuel e Ana conheceram-se em casa de uns amigos.

Manuel estudava economia e Ana estava a estudar para ser professora primária.

Gostaram logo um do outro e começaram a namorar.

Num tempo diferente, as más línguas começaram logo a funcionar e Ana esteve grávida pelo menos umas 20 vezes nos primeiros 6 meses de namoro.

Estas insinuações tanto em Lisboa como na sua terra faziam-na sofrer pelo que começou a evitar Manuel.

Manuel, achou que havia risco de fuga! Por parte da Ana.

E não querendo arriscar.

Pediu-a em casamento.

Estávamos em Maio.

O ano letivo estava quase a terminar.

Manuel decidiu continuar a estudar à noite e trabalhar de dia para poder casar e ter uma vida independente dos pais.

Arranjou trabalho num banco. Trabalhou nesse banco até ao dia em que se reformou.

Ana aceitou.

Falou com os pais. Convenceu-os. Garantiu-lhe que ia continuar a estudar.

Casaram em Agosto.

Foram morar para Odivelas. Numa casa alugada.

Todos os dias acordavam muito cedo. 

Ana ia para o magistério. E Manuel para o banco.

Ana regressava a casa ao fim do dia. Manuel saía do banco, na baixa de Lisboa, ia para a faculdade e regressava a casa quase de madrugada.

Ana estudava, mantinha a casa em ordem, fazia as compras.

Manuel trabalhava no banco. Estudava. Chegava a casa e entrava em coma...

Aos fins de semana organizavam os estudos.

Decidiram, não ter filhos tão cedo.

Em primeiro lugar estavam os estudos e a organização da vida deles.

Eram novos. Tinham tempo.

Terminaram os cursos.

Manuel continuou no banco.

Ana foi colocada numa escola na margem sul.

Não tinham carro. Nessa altura, o carro era um artigo de luxo.

Mas com dois ordenados a vida ficou um pouco mais fácil.

Passados poucos anos, Ana acabou por ficar numa escola perto do Montijo.

E Manuel pediu transferência para lá.

Saíram de Odivelas e foram morar para o Montijo. Alugaram uma casa.

E começaram a pensar em ter um filho.

Estávamos em 1972.

Esperaram um ano. Nada.

Dois anos. Nada.

Três anos....

Já com muita ansiedade à mistura, Ana descobriu que estava grávida em 1975

A gravidez correu bem.

Era um filho muito desejado por todos. Ou melhor, uma filha muito desejada por todos.

A melhor amiga da Ana, chamada Mariana tinha morrido de cancro uns anos antes.

Ana tinha dito  à amiga, doente, que chamaria Mariana, se alguma vez tivesse uma filha.

Brincavam sempre uma com a outra por causa dos nomes.

Mariana e Ana Maria. 

- Tínhamos de ser as melhores amigas, diziam elas.

E eram.

Num tempo sem ecografias. Ana estava convencida que ia ter uma rapariga.

A mãe dizia-lhe que pelo formato da barriga era uma menina que lá vinha.

No teste do alfinete que as amigas lhe faziam, era sem dúvida uma menina.

E em todas aquelas coisas que se diziam, a cara da mãe, os enjoos e todas as crenças que existiam e ainda persistem, era uma menina. E não havia margem nenhuma para enganos.

 

1976, 7 de Julho

Rebentaram as águas.

Ana foi para o hospital acompanhada pelo marido.

Nasceu!

Um rapaz! 

3,350 kg!

É claro que quando o recebeu nos braços já se tinha esquecido da menina.

Já no quarto.

Ana. Manuel. E a criança sem nome.

Ana e Manuel olhavam um para o outro.

- Tem de ter um nome..

- Pois tem, mas eu só pensei em Mariana.

Entrou a médica que tinha acompanhado Ana durante o parto. Visivelmente feliz..

Disse para a enfermeira:

- Era o meu filho. A partir de hoje é médico.

Os olhos brilhavam enquanto falava para a enfermeira.

A enfermeira. Manuel. E Ana. Deram os parabéns à médica. E Manuel perguntou?

- Como se chama o seu filho?

- Pedro.

Olharam um para o outro. Ana e Manuel.

- E se fosse Pedro?

- Fica Pedro! Pode ser que um dia seja médico como o filho da Doutora.

E assim foi.

 

O tempo passou. E Pedro.

Fez-se menino. Fez-se adolescente. E homem.

Sempre discreto.

Responsável nos estudos. E na vida.

O menino fez-se homem. E o homem fez-se médico.

 

O pai e a mãe sempre o orientaram nas escolhas.

Mas a última palavra era dele.

Até porque do que conheço dele é pouco dado a influências. 

Tem a opinião dele e fundamenta-a.

Se tiver de mudar, muda.

Mas só se perceber que não estava bem.

Esta característica despertou-me a atenção.

Detesto o lambebotismo.

Detesto...mesmo. Blhec.

 

É coerente no que diz.

E no que faz.

Tão importante para mim, também.

 

É um profissional excecional.

Muito empenhado.

E preocupado.

Os doentes dele estão em muito boas mãos.

 

É uma pessoa muito generosa.

A adoção da Alice é prova disso.

E a forma como a trata.

 

É muito humano.

Muito terno.

E carinhoso. 

 

Tem um sentido de humor extraordinário.

Que aparece quando menos se espera.

E faz-me doer a barriga de tanto rir.

 

Muito esforçado.

Somos uma verdadeira equipa.

No que toca a assuntos domésticos.

 

Todos os dias me sinto muito protegida ao lado dele.

E feliz.

Muito feliz.

 

Gosta de meias azuis escuras.

Não gosta de gravatas.

E gosta muito de pipocas e bolo de chocolate. 

 

É do Sporting.

Não gosta de futebol.

Não sabe quem é Slimani. 

Mas conhece o Nani, o Patrício e acha que já ouviu falar do Jonas..

Com mil Slimanis, ó pá! Esse é da concorrência...

 

Gosta de legos.

E outras bichezas abonecadas que eu não sei o nome.

Adora dinossauros.

Comprou uns dinossauros para a Alice brincar.

E ela usa-os dentro da frigideira da cozinha dela, a fingir que é comida.

 

Vieram-lhe as lágrimas ao olhos quando me viu vestida de noiva.

E várias vezes durante a cerimónia.

E quando foi chamado de papá a primeira vez.

Ainda que tenha sido de uma forma interesseira.

 

Não sabe usar o ferro de engomar.

Mas é muito eficiente com o micro-ondas.

 

Adora dormir.

Levantar-se tarde.

Mas desde que mora comigo não consegue.

Eu acordo cedo.

O Vasco junta-se a ele na cama e muitas vezes aparece no quarto, a Alice, a convida-lo para brincar.

E ele não resiste...

É um coração mole para o Vasco e para a Alice. 

 

Adora carros.

Desde que descobriu as miniaturas do meu pai, tem passado algumas horas na oficina do meu pai a discutir pormenores que não interessam nem ao menino Jesus, nem a Slimani e muito menos à Joana.

 

Não é homem de ficar a olhar para o dia de ontem.

É um lutador.

Tem iniciativa.

E não está à espera de ver o barco passar para se lamentar e dizer que o barco passou....

 

Pensou em pedir-me em casamento mas aconselhou-se primeiro com o pai.

Ao que este lhe disse..

- Quando encontrares a mulher da tua vida, faz tudo o que puderes e o que não puderes para ficar com ela. Se é ela não a deixes fugir. Não te contentes com segundas escolhas. Nem com prémios de consolação. Se achares que é ela, mesmo ela, pede-a em casamento. Não tenhas medo. Assume. Mas não penses que é fácil. Um casamento nunca é fácil. Terás momentos que quererás desistir mas se se amarem ultrapassarão esses momentos. Não deixes de arriscar só porque tens medo da resposta. 

 

Foi por isso que  fui pedida em casamento quando não estava à espera.

E casámos à velocidade da luz.

Tal como o pai (em 1967), Pedro achou que havia risco de fuga...da minha parte.

Estava enganado. Nunca houve!

 

 

Abraça-me. Quando chega do trabalho.

Fala-me ao ouvido. Ou não. Às vezes é só um abraço. E um beijo.

Falamos do futuro. Do que vem aí. 

Conversamos horas e horas. 

Estar com o Pedro. É ter a certeza. De que.

Venha o que vier. Aconteça o que acontecer.

Será sempre bom. Porque ele vai-me abraçar. Falar ao ouvido. E dar um beijo.

E perguntar-me:

- Queres casar comigo outra vez?

E eu vou pensar para mim todos os dias.

A sorte que eu tive. A sorte que eu tive.

 

Parabéns, Pedro! 

Que a vida te sorria sempre.

E que eu e os nossos. Façam parte desse sorriso. 

 

 

 

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