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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

hoje é dia de festa. Cantam as nossas almas. Para o menino....

29.11.18, Joana Marques
Sou a mais nova de três irmãos.
A Sofia tem mais 10 anos que eu e o Tiago mais cinco.
Fui a única a ir para o infantário, com 4 anos.
Já contei aqui a história.

 

Conheci o Gui no infantário e ficámos amigos.
Fomos colegas do infantário até ao 12º ano.
Sempre me protegeu mas entre a primeira e a segunda classe passou por uma fase meia parva e puxava-me a saia para cima.
 
Ora eu, não era flor que se cheire, nem pessoa de me ficar, descobri que gostava dele.
A minha vontade era partir para a violência e dar-lhe cabo da saúde só que percebi que não conseguia, com o Gui não conseguia.
E tentei uma forma mais politicamente correta.
Tentei dialogar.
Não deu.
Ele não percebeu.
Mal me apanhava distraída puxava-me a saia para cima.
Comecei a pedir à minha mãe para ir de calças.
Fui uma vez, duas...mas a minha mãe obrigava-me a ir gira muitas vezes..e gira era ir de saia.
E laço na cabeça. blhec!
 
Três ou quatro vezes por ano a minha mãe juntava os filhos e íamos os quatro a Benfica comprar sapatos.
Não sei muito bem porquê, morávamos em Campo de Ourique com muitas lojas mas era em Benfica que comprávamos os sapatos.
Era Primavera.
Ainda usava os sapatos que a minha mãe me tinha comprado no Outono.
As botas do Inverno já tinham entregue a alma ao criador. 
Tínhamos de comprar uns sapatos mais primaveris e umas sandálias para o Verão, eu e a minha irmã, para o meu irmão o protocolo era diferente.
 
Os meus olhos bateram numas socas de madeira lindas!
Achei estranho a minha mãe não ficar preocupada, chamar por Deus e seu staff.
Pensou que não houvesse o meu número....mas havia. 
 
- Eu quero as socas.
- Não!
- Eu quero as socas.
- Não!
- Eu quero as socas.
- Não!
- Eu quero as socas.
- Não!
 
- Sofia, também queres umas socas?
- Não mãe, claro que não.
 
Uma pessoa tem uma irmã para isto...
- Vês, Joana, a Sofia que é mais velha não quer, não se usam, já passaram de moda. 
- Eu quero as socas.
- Não.
 
Acham que me compraram as socas?!
Joaninha é muitaaaaaa forte! Claro que me compraram as socas!
 
- Mas só usas em casa..
- Só em casa.
 
Saía Joana, de manhã fresca e fofa, com os seus sapatinhos nos pés.
Mal os habitantes que partilhavam casa comigo sabiam que as socas estavam dentro da mochila e que ia troca-las logo que tivesse oportunidade.
 
Depois do diálogo e de andar de calças o maior tempo que consegui, descobri um método infalível.
Foi assim que dissuadi o Gui e a sua mania de me puxar a saia para cima.
Um olho negro!
7 pontos na cabeça! 
E se lhe atirar uma soca à cabeça? SIM!
 
Resultou!
 
O pobre do rapaz ainda hoje mostra as suas cicatrizes de guerra....
 
Chamaram os meus pais à escola, a minha mãe falou comigo, o meu pai falou comigo, a minha irmã falou comigo, a diretora da escola falou comigo, a professora falou comigo, a mãe do Gui (chorosa porque lhe tinha escangalhado o filho) falou comigo e o pai dele também falou comigo.
Mas porquê??
Joana, vocês são tão amigos, são inseparáveis, o que aconteceu??
 
Virei-me para o Gui e disse-lhe:
- diz tu..diz lá o que é que andaste a fazer??
E o rapaz, lá lhe doeu a consciência e confessou que o que tinha feito.
 
Acharam graça.
Eu era a lesada e toda a gente achou graça ao Gui.
O pai do Gui ainda disse, tens a quem sair meu rapaz...
 
Fiquei de castigo uma eternidade e meia, por causa da violência e cenas.
O que isso prejudicou a minha vida social, ninguém faz ideia.
 
Quando tive de escolher, no 10º ano, uma área, estava indecisa entre artes ou economia e o Gui entre ciências e economia, escolhemos os dois economia para podermos ficar juntos na mesma turma.
 
Ao contrário de muitas raparigas, não tinha uma melhor amiga, tinha um melhor amigo, ao qual contava tudo e mais alguma coisa.

 

Quando fomos para a faculdade, aí sim, tivemos de nos separar eu fui para gestão ele para informática.

 

Na faculdade conheci a Isabel, éramos amigas.
Gostava dela porque era divertida, leve e boa pessoa e apresentei-a ao Gui.
Apaixonaram-se e casaram.

 

O Gui entregou-me o convite de casamento e eu a rebentar de orgulho desejei-lhe do fundo do coração que fosse feliz.
A Isabel, dias antes do casamento apareceu em minha casa e disse-me para me afastar do Gui.
E eu, cedi e liguei-lhe a dizer que não podia ir ao casamento porque estava a trabalhar.

 

A partir daí tive muito tempo sem o ver.
A minha vida foi correndo, a dele também.
Por amigos comuns ia sabendo dele, soube que tinha tido um filho e depois outro.
Soube que se tinha divorciado.

 

No final de 2013 reencontrei-o e retomámos a nossa amizade.
Uma amizade que afinal sempre existira e por ser verdadeira não tinha terminado, tinha ficado exatamente no ponto em que a tínhamos deixado.

 

Sempre soube no fundo do coração que se precisasse mesmo dele bastaria um telefonema e de certeza que nada o impediria de me ajudar e vice-versa. 

 

O meu amigo Gui, faz hoje anos!
Desejo-lhe do fundo do meu coração o dobro do que desejo para mim.
 
Há dois anos no Quiosque!
(algumas pessoas acreditaram.....)
 
Há um ano no Quiosque!

 

 

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