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Quiosque da Joana

12.04.18

infantário. Sim? Ou não?

Joana Marques

Durante os primeiros oito meses de vida, a Alice andou de instituição em instituição.

Quando soube que a ia adotar achei que seria muito cruel coloca-la num infantário.

Quis que criasse laços comigo. E com a restante família.

Consegui isto porque neste momento tenho um horário de trabalho muito flexível. E os meus pais ficam com ela muitas vezes. Quase todos os dias.

Se não fosse isso. Não dava. Já estaria mesmo num infantário.

 

A adaptação da Alice correu muito melhor do que eu esperava.

Arrisco a dizer que a Alice é uma criança feliz.

Come bem. Dorme bem. Não é muito chorona mas tem os seus momentos. Como toda a gente...

É um bocado teimosa. Mais ou menos como eu.

É muito alegre. E afetuosa.

Conhece muito bem as pessoas que lhe são próximas. E reage de forma diferente aos que lhe são estranhos.

Em caso de aperto. Começa a chamar mamã, mamã...

É muito curiosa.

 

Convive com outras crianças. Quando vai ao parque infantil.

Tenho um parque infantil aqui no jardim do prédio que serve os prédios aqui à volta.

Mas também frequenta outros.

Convive com os filhos da minha prima Joaninha. 3 rapazes um pouco mais velhos que ela.

Acho graça. Vê-la a interagir com eles. É a mais nova mas sabe defender-se. Às vezes até demais.

Partilhar! Tento incutir-lhe. Sem cair em exageros. Também é importante lutar pelo que quer.

Educar é difícil. É o que é...

 

Ir para um infantário. É algo que tenho andado a ponderar.

Seria preferencialmente e na maioria dos dias, apenas de manhã. Ou à tarde.

Seria útil a meu ver. No processo de socialização com outras crianças. Para perceber que o mundo não é só ela.

Mas....

...tenho dúvidas. E questões.

 

  • Doenças.

Tirando este susto. E um, ou outro efeito provocado por algumas vacinas.

A Alice tem sido uma criança muito saudável. Nem um pingo no nariz.

Até o processo de dentição tem sido pacífico.

Estar a pôr a miúda dentro de uma caixinha cheia de vírus.

Faz-me recuar. E ter vontade de a ter comigo até aos 24 anos.

 

  • Alimentação.

Tendo sempre o aval do pediatra. E aconselhando-me com ele.

Tenho aplicado na Alice tudo o que tenho aprendido neste último ano. Nada de açúcar. Nada de processados.

A Alice não come papas. Daquelas de pacote.

Come sopa. Muita sopa. Fruta. E começa a comer sólidos. Aqueles 5 dentes...são uma verdadeira maravilha!

As refeições principais são dadas por mim. Ou pelo Pedro. Ou pelos meus pais.

Mas gosto que ela coma por ela. Por exemplo, os lanches da manhã e da tarde.

Suja tudo à volta. Suja-se toda também. Mas acho importante que ela pegue nos alimentos e aprenda a gostar...ou não.

Tudo sem pressas e sem pressões...

No infantário posso optar por lhe preparar a lancheira em casa e controlar o que come.

Mas aquelas festas de aniversário cheias de açúcar, sumos de pacote, gomas e outras coisas.

Fazem-me recuar.  E ter vontade de a ter comigo até aos 24 anos.

 

  • Televisão.

A Alice por norma não vê televisão. Em casa não vê.

Já foi a casa de pessoas com televisões ligadas e sobreviveu...claro! Sem stress. E sem grandes alarmismos.

Mas...em casa, ainda não.

Não quero criar uma espectadora dependente do ruca (é o único desenho animado que conheço) para comer.

Ou para dormir. Ou para chantagear a pobre mãe.

A verdade é que gosto de passar tempo com ela a brincar e a interagir de outra maneira. Não vejo a hora de a pôr a desenhar. A jogar. A fazer actividades experimentais. Esse tempo chegará...

E sim, sou uma privilegiada porque tenho tempo para isso.

A flexibilidade no meu horário é uma benção.

É claro que não vai ser para sempre. Daqui a uns tempos liberalizo um bocadinho mal de nada a televisão.

Até porque existe alguma programação que considero educativa. Sempre com conta, peso e medida, assim eu consiga.

Nos infantários, abusam muito de filmes, televisão e outros acessórios??

Pensar nisso.  Faz-me recuar. E ter vontade de a ter comigo até aos 24 anos.

 

  • Música Infantil

A Alice adora música. Mas não sabe o que é música infantil.

Eu sei. Sou uma péssima mãe.

Egoísta. Até dizer não.

Mas pensar que vou ter de ouvir aquela música das bununus e lurunjus.

Dá vontade de me atirar para o chão e começar a chorar.

Já pensei no caso.

Quando ela for mais crescida. Ela escolhe uma música. E eu escolho a seguir.

E a coisa é mais ou menos democrática.

 

Eu sei que não a posso proteger para sempre.

O que é pena. Eu estou preparada para a ter debaixo da minha asa até aos 24....30 anos.

Cortar o cordão umbilical é muito difícil. Muito mais do que eu tinha imaginado.

 

Posto isto. A Alice vai fazer um ano daqui a uns dias.

Ando a pensar.

Sim? Arrisco e ponho-a num infantário.

Até aposto que a miúda ao fim de uma semana está adaptada. E eu ao fim de um ano ainda choro quando a deixo...

 

Não? Espero pelo menos mais 6 meses.

E a vida continua linda e maravilhosa. Eu controlo tudo. Tudo.

Excepto o cão....

 

Contem-me a vossa experiência. Por favor.

Pais e mães experientes.

 

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