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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

Já encomendei os Ferrero Rocher...

25.09.18, Joana Marques

Desde que me lembro de ser gente que durmo que nem uma pedra.

As cinco horas que durmo são bem dormidas.

Pode cair-me um avião em cima que aposto que não dou conta.

 

3 horas da manhã.

A dormir tal e qual a bela adormecida.

Sinto um safanão.

E a voz do Pedro.

- Estás a ouvir, estás a ouvir??

Nem sei o que respondi mas duvido que tenha sido alguma coisa inteligente.

O homem não desistiu.

- Estás ouvir um barulho?

Acordei o Tico. Não ouvia nada...

...tive de acordar o Teco. E lá percebi o que se passava.

- Dorme. É a máquina de lavar roupa.....o Vasco deve ter carregado nos botões outra vez.

Dei por encerrado o assunto e voltei-me para o outro lado.

Adormeci.

 

Sim, minha gente.

Existem pessoas que não fazem piscas na estrada.

Existem pessoas que não são do Sporting.

E existem cães que carregam nos botões da máquina de lavar roupa.

Às vezes carrega na combinação certa e a máquina começa a trabalhar.

Ou é isto que acontece ou tenho um fantasma em casa com um fetiche por tambores em funcionamento.

 

- Joana, Joana. Vou lá acima parar a máquina.

- Não precisas. Deixa. Dorme.

 

Encerrei o assunto. Dei mais uma volta. E voltei ao modo bela adormecida.

- Joana. Vou lá acima. Ainda acorda a Alice.

O homem subiu as escadas. Desligou a máquina. E desceu as escadas. Mas....

...o fantasminha da máquina de lavar. Também andava a vaguear lá por casa.

E o nosso fantasminha especializado em botões que fazem barulho, consegue ser muito silencioso.

O Vasco sorrateiramente passou pelo Pedro e num segundo e meio ocupou o lugar do Pedro na cama.

 

Eu. Meia acordada. Meia a dormir. Ouvi o Pedro.

- Acho que fui rasteirado pelo Vasco.

Comecei-me a rir.

Mal o Pedro disse que tinha sito rasteirado pelo Vasco ouvi um barulho.

O Pedro tinha batido com o pé num camiseiro que temos no quarto.

Uma pessoa normal diz:

- Com mil Slimanis, uma vaca Cornélia e caneco para o camiseiro, isto dói como uma derrota do Sporting.

O Pedro não. O Pedro é médico. E os médicos dizem.

- Sabes? Acho que sou capaz de ter partido o metatarso.

 

Via a sombra do homem agarrado ao camiseiro. O Vasco deitado na cama. E eu a contorcer-me de tanto riso.

Não conseguia parar de rir.

- Joana podes acender a luz. 

Disse-me o homem com uma voz dorida.

Não, não podia acender a luz porque não tinha forças para me mexer. Porque me estava a rir.

- Não acredito, tu estás-te a rir?

E não, não lhe respondi porque não tinha voz.. Não tinha forças. Porque não conseguia parar de rir.

O homem a cambalear lá chegou à cama. E acendeu a luz do candeeiro.

E eu estava-me a rir.

O homem estava com uma cara de dor. Metia dó.

E eu ria. Ria. Ria.

 

- Vou ver se consigo subir as escada para pôr gelo. 

Disse-me ele.

E eu ria. E fazia-lhe gestos. A dizer. Quando conseguir vou eu.

 

Lá fui.

Eu a tirar um saco de ervilhas do frigorífico. E a rir que nem uma doida.

Desci as escadas e lembrei-me da rasteira do Vasco. E ainda ri mais.

Embrulhei-lhe o saco das ervilhas ao pé. 

- Espero que não esteja fraturado. Desconfio que está.

E eu ri. E ele juntou-se a mim. E riu-se também.

Nesta fase a Mariana pôs um anuncio no jornal. Está à procura de uma senhoria mais normal.

 

Esperámos pelas 6 horas da manhã.

Liguei ao meu pai. A pedir para ir lá para casa e ficar com a Alice enquanto íamos ao hospital.

- O que é que se passa?

Do outro lado. O meu pai ouviu. Risos e mais risos. Eu bem tentei explicar mas...

....os sons que saiam eram parecidos com aqueles que nós fazemos quando vamos ao dentista e somos anestesiados na boca toda.

 

O meu pai chegou.

E eu conduzi o Pedro ao hospital.

Cheguei lavada em lágrimas. Porque me ia lembrando da história. E ria. Ria. Ria.

O homem lá foi meio agarrado a mim. E meio ao pé coxinho.

Fez uma radiografia.

Esperámos um bocado. Fomos chamados ao gabinete do médico.

E o médico disse.

- É uma fratura no metatarso. E mostrou a radiografia ao Pedro.

Foi feio. Meus amigos. Eu e o Pedro ficámos calados. Nem olhávamos um para o outro. Estivemos à beira do Apocalipse.

 

Tem gesso. Não pode conduzir. Estoirou o metarso do dedo grande do pé.

Hoje estava de folga. Amanhã volta ao trabalho. Vai ficar só pelas consultas esta semana.

Eu Joana. Vou leva-lo todos os dias ao trabalho. E vou busca-lo, claro!

Eu Joana. Fui promovida. A Ambrósio.

Já encomendei os Ferrero rocher!

 

 

Há dois anos no Quiosque!

Queria. Mas ainda não tenho.

 

Há um ano no Quiosque!

Nadica. De nada.

 

 

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Este post começou a ser escrito às 16h.

Infelizmente, não consigo escrever e rir ao mesmo tempo.

E por isso só ficou pronto agora.

 

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