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Quiosque da Joana

26.06.18

mistério resolvido!

Joana Marques

Continuamos no Alentejo.

A saborear a vida boa.

Desde que fiquei com a casa e com o terreno à volta decidi aproveitar a terra.

Ainda antes de conhecer o Pedro já eu andava a investigar, a perguntar e a tentar aprender algo que me permitisse rentabilizar (minimamente) a terra.

 

Quem foram as primeiras vitimas?

As cenouras.

Comprei sementes de cenoura. Passei cá um fim de semana. Espalhei as sementes.

E quando voltei. Quase enfartei.

Nasceu tudo o que havia para nascer e tudo o que não devia ter nascido.

Tinha a Amazónia dentro de portas. Sem a diversidade da Amazónia. Só cenouras mesmo.

Nem tudo foi mau.

Passei um dia a desbastar as cenouras. Para que as que ficassem, crescessem como deve ser.

Trouxe para Cascais. Um carro. Cheio de cenouras. Mini cenouras. E muita rama...muita, muita rama.

Deu-me um trabalho descomunal a tirar a rama. A lavar as cenouras. E a cozinha-las.

Mas....

....o sabor das cenouras compensou tudo.

Pelo cheiro já tinha percebido que eram diferentes das que se compram.

O sabor. Enfim....do outro mundo. Eram pequeninas...mas espetaculares.

1 (3) (8).JPG

A Alice adorou. 

Guardei as cenouras no frigorífico e ia-lhe dando ao lanche.

A rama usei em sopa e em omeletes.

Fiquei animada. A minha alma de agricultora veio ao de cima.

E nunca mais ninguém me parou....

...brócolos. Courgettes. Cebolas. Couves. Alfaces. Tomate. 

Neste momento a minha horta está bem composta.

Arranjei uma rega automática, que é uma maravilha.

A minha horta só não é biológica porque aqui à volta as pessoas usam pesticidas. E adubos.

Eu não uso nada disso. Pelo menos por agora, até porque não domino esse mundo.

Dá-me um gozo fenomenal fazer salada e ir buscar à horta. Em vez de ir ao supermercado.

 

No domingo, os pais do Pedro e os meus vieram cá almoçar.

Pedi ao Pedro para ir à horta apanhar algumas coisas que precisava. Eu estava com a Alice num dia em que só queria a mamã, a mamã e a mamã....

Passei-lhe um balde para as mãos e uma cestinha. Já começámos a ter figos maduros e queria fazer alguma coisa com eles.

Adoro figos.

 

Pedro. Esse grande querido. Foi.

Apanhou o que tinha a apanhar na horta pôs tudo dentro do balde. E foi ter com as figueiras.

Deixou o balde e pegou na cesta.

Apanhou os figos mais maduros da primeira figueira.

E voltou ao balde. Deixou os figos no balde. Pegou na cesta. E foi até outra figueira.

Quando voltou. Achou que o balde tinha menos figos do que aqueles que ele tinha deixado.

E pensou...

- Estou mesmo de férias. Ia jurar que os figos estão a desaparecer. 

Deve ter pensado seriamente na vidinha dele. 
Quando voltar a trabalhar.

E tiver um doente. Com os rins a céu aberto. E se não der conta do recado? E se os rins desaparecerem como os figos??

 

Mas....

....foi à vida dele. Deixou os figos no balde. Pegou na cesta. E foi apanhar mais figos.

 

Voltou ao balde. Olhou lá para dentro. Estranho.

Desta vez tinha a certeza.

Os figos não estavam todos.

Olhou para todos os lados.

Não viu nada, nem ninguém. Não ouviu nada, nem ninguém.

- Muito engraçadinha, Joana. Podes aparecer, já sei que és tu!

Disse o Pedro para o meio do nada.

Não era eu. 

Sim. O meu marido. Oito dias depois de ter casado com ele. Achou que eu o andava a roubar.

Sim, senhor! Pedro......

 

Entretanto em casa.

Joana e Alice. Alice e Joana.

Comecei a achar que o homem estava a demorar muito.

Na minha cabeça todos os filmes.

- O homem tropeçou na rega automática e está esticadinho no meio das abóboras.

- O homem abeirou-se no poço e está esticadinho e a flutuar dentro do poço.

- O homem achou que era um alpinista decidiu trepar a uma figueira e claro...está esticadinho no meio do nada.

- O homem experimentou comer um figo. Engasgou-se. E?? Adivinhem...claro! Está esticadinho, sufocado e enfim....

Fui à procura dele.

A Alice foi comigo.

Fui dar com o homem, ajoelhado, a olhar, ora para o horizonte. Ora para o balde. Ora para o além.

Com mil Slimanis. Será que o homem é muçulmano e chegou aquela hora de fazer as suas orações em direção a Meca?

Não. O homem tentava descobrir o mistério do sumiço dos figos.

 

- Vasco!

Chamei-o.

Em dois segundos tinha o sacripanta ao pé de mim.

Muito bem disposto. O cão mais feliz do mundo....

Abri-lhe a boca.

E lá dentro. A prova. Os vestígios. 

Mistério resolvido! Por Joana Marques....

 

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Joana Marques

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