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Quiosque da Joana

20.03.18

não deixes que te apaguem a luz

Joana Marques

Os meus pais. E três filhos.

Era assim lá em casa.

Desde muito cedo começámos a ter pequenas tarefas domésticas.

Cada um, a sua. Tendo em conta, a idade.

Por exemplo com 3 anos. Tinha de pôr os guardanapos na mesa.

Os meus irmãos, mais velhos, tinham outra tarefa qualquer.

 

Tinha 6 anos.

Uma das tarefas que tanto eu como os meus irmãos tínhamos, era de arrumar e limpar o quarto.

Cada um o seu, claro.

A bela da Joana. A pensar que era mais do que os outros. Fez a cama.

Limpou o pó, mal e porcamente.

E.

Nunca ninguém se tinha lembrado disto.

Varreu o quarto. Para trás da porta.

 

A primeira semana passou na inspeção. A minha mãe não deu conta.

Mas à segunda semana. A coisa ficou muito feia para o meu lado.

Mesmo, muito feia.

Segunda semana a ser desonesta, a minha mãe não acreditou.

Achou que eu andava a indrominar o pessoal lá de casa, há pelo menos três gerações.

 

Contra todas as expectativas. Não fiquei de castigo.

O meu pai pegou em mim. E falou comigo.

Não estava zangado. Apenas me disse:

- Se a mãe estivesse no quarto contigo, tinhas feito batota??

Achei que devia ser da idade, ou assim. Que raio de pergunta era aquela.

Seria parva?? Claro que não tinha feito o que fiz, se a minha mãe estivesse a ver.

Óbvio!

O meu pai continuou.

- Então Joana, vais tentar fazer o seguinte. Sempre que tiveres de fazer alguma coisa, mesmo que seja chata, vais fazê-la sempre a pensar que estão a olhar para ti.

- O resto da vida??

- Sim!

Eu olhei para o meu pai e não me comprometi. Atirei-lhe com um...

- Posso experimentar durante uma semana?

Tinha 6 anos mas não era parva.

O meu pai riu-se. E disse que sim.

 

Nunca mais me esqueci.

Não sei se já experimentaram. Não é fácil.

Viver com plateia. Com público.

Às vezes é desgastante. Outras vezes é impossível.

Exige muito mais de nós. Em contrapartida vale muito mais a pena.

Os dentes ficam muito mais lavadinhos.

Sem esqueletos no armário. Pessoalmente falando.

A gaveta esquerda da cómoda está hiper organizada. A da direita também.

Aquela tabela que uso para mim e só para mim. Podia ganhar o óscar da melhor tabela.

Transparência. Não consigo imaginar-me a viver de outra maneira.

 

É quando ninguém vê, que as pessoas são elas próprias.

É quando pensam que estás distraído que te passam a perna.

Mentem. Ou ocultam informações importantes.

Ou o contrário. Depende.

O lado lunar não tem de ser necessariamente mau. Muitas vezes não é.

 

Definitivamente.

Quando se apaga a luz. Aparece o genuíno.

 

Em dias difíceis.

Farto-me de dizer a mim mesma...

não deixes que te apaguem a luz. Não deixes que te apaguem a luz....

...ontem fui um pirilampo. Mas hoje...

.....tenho o sol dentro de mim....

 

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Joana Marques

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