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Quiosque da Joana

16.07.18

não tinha um colete de forças na cara....

Joana Marques

Os preparativos pesados foram feitos, refeitos, pensados e repensados durante o tempo em que estive com o blog meio parado.

Se aqui estava tudo controlado.

Tive dias em que me apeteceu fugir com o Pedro e casar em Las Vegas longe do stress.

 

Tudo começou com a primeira prova do vestido.

Maria da Piedade. Essa grande querida. Aproveitou que eu estava dentro do vestido. Cheia de alfinetes por todos os lados. Para me encostar à parede. Em frente à minha mãe e à minha irmã...

- Joana eu aceitei fazer o teu vestido, MAS! Não me apareças grávida antes de casares! ESTÁS A OUVIR ??

- Falta pouco mais de um mês para o casamento, se acontecer não há problema, não se vai notar nada e o vestido vai servir à mesma...

Maria da Piedade parecia um urso esfaimado...atirou-se a mim...apontou-me um dedo e tudo! (não foi da asneira, foi o indicador)

- Se me apareceres grávida, não te faço o vestido. Não estou para alargar o vestido, não fica nada de jeito. OUVE O QUE TE DIGO ....até ao casamento não te QUERO GRÁVIDA! Aparece-me toda inchada e com cara de lua cheia que eu te digo...casas à mesma mas não com um vestido feito por mim.....

 

Quiosquianos do meu coração, o facto de estar grávida é um verdadeiro milagre.

Naquele dia os meus ovários encolheram-se de uma forma nunca antes vista e esconderam-se lá atrás....dos pulmões.

Aparentemente, sem danos maiores, já saíram e fizeram o trabalho para o qual foram contratados inicialmente.

 

No dia do meu casamento. Acordei fresca e fofa às 5h30 da manhã. Pelo cão.

E pensei em ir correr. 

Desci cá abaixo e quem encontrei na cozinha?

A minha mãe.

- Eu sabia que ias querer correr. Uma noiva não corre no dia do casamento. E não tentes sair pela porta da frente, está lá a tua irmã.

- Qual é o mal? Estou mais do que habituada. É só meia hora.

- Não! E se cais? E se partes uma perna outra vez! Nem penses. E não penses enganar-me, vou ficar de olho em ti o dia todo.

 

Tomei o pequeno almoço. Tomei banho.

Vi se tinha tudo o que precisava. Já tinha confirmado tudo, mas confirmei outra vez..

A Alice acordou. 

Dei-lhe o pequeno almoço. Brinquei com ela.

Entretanto chegou a Isaurinha e a sua equipa. Já tinham organizado tudo nos dias anteriores mas tinham muitas coisas para fazer...

A Alice foi dormir a sua sesta da manhã.

 

Chegou o Zé, o cabeleireiro. E a maquilhadora.

Desci cá abaixo, em roupão. E passei pelo jardim só para dar uma vista de olhos.

Já havia mesas a serem postas. E eu estiquei a mão para apanhar um bolinho.

E...

...apanhei um raspanete de um rapazinho qualquer que trabalha para a Isaurinha.

- Não mexa em nada! 

Um puto que podia ser meu filho, se eu tivesse tido um filho aos 8 anos de idade.

Subi.

 

O Zé estava histérico. A rapariga da maquilhagem estava louca. E a Alice acordou.

Fui ter com ela. Mas não me deixaram. Ficou entregue aos cuidados da minha mãe e da minha irmã.

O meu cabelo foi penteado. Alisado. Encaracolado. Puxado. Repuxado. E por fim, Zé, deu por finalizado o seu trabalho.

 

A Alice passou à porta. Já tinha almoçado. Nem tinha dado conta. 

Tinha estado a brincar com o meu sobrinho Pedro. Também não dei conta..

Ia dormir a sesta da tarde. Viu-me. Fui para lhe pegar ao colo. E...

- CUIDADO COM O CABELO...

Nem sei quem disse. Não consegui identificar as 1500 vozes...

Arrancaram a miúda de mim.

 

Maquilhagem.

No dia a dia não uso. Ou é raro usar.

Com uma autoestima da altura da ilha do Pico acho sempre que estou bem.

Acho que ando enganada há 37 anos.

Tanto besuntamento. Nem eu tinha ideia que existiam tantos produtos diferentes no mercado.

A minha cara parecia que estava dentro de um colete de forças.

Não sei se estão a seguir a história.

Tinha os ovários atrás dos pulmões desde Maio. Não podia correr. Não podia usar as mãos para tirar comida nem para pegar na miúda ao colo.

E agora. Tinha a cara dentro de um colete de forças.

- Não podes chorar! 

 

Vesti o vestido. Coloquei uns brincos que eram da minha avó Adélia.

A minha mãe e a minha irmã viram e choraram.

E eu chorei também...queriam o quê?

Lá veio a berraria de sempre. Parecia o fim do mundo. 

A maquilhadora lá veio compor o colete de forças...

 

Sentadinha. Quietinha.

Comecei a ouvir um alarido num outro quarto.

Estavam a vestir a Alice que já tinha acordado. De uma sesta muito curta. Temi o pior. A Alice quando não dorme como deve ser fica intragável...e é uma bebé que precisa muito de dormir.

Queriam porque queriam que a miúda levasse na cabeça uma fitinha com flores.

A miúda queria porque queria pôr uma bandolete com as orelhas da Minnie.

Em Maio fomos à Eurodisney com ela e comprei-lhe uma. Agora já lhe passou mas na altura não saía de casa sem ela.

Tive de lá ir dizer. Para a deixarem ir com as orelhas de rato. Se a faziam feliz....

 

Voltei a estar sentadinha e quietinha.

A passar os olhos pelo instagram e a responder às mensagens que algumas pessoas me enviaram. A Ana, enviou-me uma foto do Henrique, o bebé mais fofo do universo...a desejar um dia feliz..

E logo a seguir uma foto dela e do filho mais velho também a desejar um dia feliz...

Foi o fim do colete de forças.

O principio de uma gritaria descomunal. Pessoas em pânico.

Se tivesse havido um sismo naquele instante tenho impressão que a fita teria sido menor.

Voltei ao colete de forças. 

Os convidados começaram a chegar.

Já se ouvia conversas animadas.

Reencontros.

Primos que já não se viam desde o último casamento.

 

Olhei pela janela.

E lá ao longe. Onde há uma curva. Apareceu um carro. E atrás deste carro. Muitos.

O Pedro estava a chegar.

E eu chorei outra vez.

 

Últimos preparativos.

Ver o vestido.

O cabelo.

Compor o colete de forças.

 

Apareceu o meu pai para me dar a mão e me levar.

Enquanto descia as escadas comigo, desejou-me sorte.

Disse-me que ia correr tudo bem.

Cá em baixo. Antes de sair de casa. Abraçou-me.

E disse-me que tinha muito orgulho em mim. Perguntou-me se eu sabia guardar um segredo...

Disse que sim com a cabeça...

Disse-me que eu era a noiva mais bonita que ele já tinha visto...e acrescentou..

- Não digas nada à tua mãe, nem à tua irmã...

 

Saímos de casa.

Comecei a ver as pessoas. Já sentadas. 

Comecei a ver os meus amigos. A minha família.

À frente, ao colo de alguém, sobressaiam umas orelhas de rato. Foram essas orelhas que me guiaram. E a mão do meu pai, também.

 

No meio, entre as cadeiras de um lado e do outro. Estava o Pedro. Sorridente e calmo.

Emocionou-se quando me viu.

Sorte!

Não tinha um colete de forças na cara....

 

...faz hoje um mês....

 

 

Há um ano no quiosque!

 

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