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Quiosque da Joana

27.07.18

o círculo vicioso

Joana Marques

Olho para trás 30 anos e volto aos tempos em que era uma miúda, morava em Campo de Ourique com os meus pais e irmãos.

Às horas das refeições. 

Na cozinha sempre tivemos à nossa disposição fruta e mais fruta.

Comíamos fruta, aos lanches mas com o passar do tempo cada vez menos...

A partir do momento em que achámos que éramos gente e que podíamos escolher era raro escolhermos fruta.

A nossa escolha recaía para o pão com fiambre. E o tão amado Tulicreme.

 

Às nossas refeições tínhamos muitas vezes empadão de batata, de arroz ou de massa. Porque éramos 5 à mesa. E o empadão era muito prático e todos gostávamos.

Rissóis. Croquetes. 

Bifes com batatas fritas. 

Legumes também apareciam e muitas vezes, mas não eram os eleitos. Para mim e para os meus irmãos iam ficando no prato.

Peixe. Gostávamos. E comíamos. Os legumes também mas a batata cozida acabava por ganhar.

Quando era miúda havia sempre sopa em casa. Mas como foi sendo posta de parte. A minha mãe deixou de a fazer.

 

Ao pequeno almoço.

Nestum de mel para mim.

Cerelac para a minha irmã.

E o meu irmão comia o seu pãozinho, torrado ou não, com manteiga (às vezes margarina) e bebia o seu copo de leite com um achocolatado da moda.

 

Eu nasci a comer. Bem e sem problemas.

As crises de asma que tinha de quando em vez é que me tiravam o apetite.

Mal ficava boa voltava a comer.

Gostava de tudo mas com o tempo o nosso comportamento é moldado em função das nossas preferências mas também das dos outros.

Sempre lutei contra o peso baixo.

Sempre foi muito fácil para mim perder peso.

Quando, aos 17 anos fui morar sozinha. O descalabro começou. 

A trabalhar e a estudar.

Pouco tempo. Nenhum conhecimento.

Não sabia cozinhar. Nem sabia comprar.

Comia no trabalho sempre que podia. E quando não podia, comia na faculdade. Ou comprava qualquer coisa fora para comer.

Crises de rinite incríveis.

Crises de asma aos magotes.

Intoxicações alimentares aos molhos.

Doente todos os dias.

A sorte é que mesmo doente nunca fico com má cara. Ou o meu trabalho como hospedeira tinha ido pelo cano.

 

Questionava-me todos os dias. Porquê?

Porque raio é que não me sentia bem.

Nauseada. Cansada. Sem paciência. Falta de ar por todos os poros.

Consultei meio mundo de médicos. Tive sorte, naquela altura, podia ver médicos à frente sem me apaixonar por eles

Diagnosticaram-me uma coisa e outra. Medicação às centenas. 

Melhorias. Só enquanto estava a tomar a medicação. Quando parava voltava ao mesmo.

Voltava outra vez aos comprimidos. Cortisonas. Ficava melhor. 

O papel de toxicodependente nunca foi a minha cara. Não fiquei parada. Comecei a tentar perceber o que se passava.

E este foi o primeiro passo.

Neste momento, a saber tudo o que sei hoje, já não o fazia. 

Não é uma cura. É um remendo que fazemos no nosso corpo.

Na altura, salvou-me a vida. A minha qualidade de vida subiu exponencialmente. Mas não baixei os braços e continuei a querer saber mais...

Este último ano tem sido preponderante. E a entrada do Pedro na minha vida, fundamental. Acho que posso dizer que tem sido reciproco.

Fui eu que o fiz pensar de outra forma, fui eu que o fiz ter o clique Mas é ele que nos tem orientado a seguir o rumo certo.

Aos 3. Alice, Pedro e Joana.

O Vasco...continua na onda do frango assado.

 

 

 Voltando a Campo de Ourique.

A minha irmã sempre comeu muito pouco e mal.

A minha mãe morria de preocupação por ela comer pouco.

Lembro-me da minha mãe lhe dar 20 escudos várias vezes por semana para ela comprar um bolo no bar da escola.

Era o lanche dela. E a minha mãe ganhava o dia quando ela o fazia. 

A minha irmã sempre foi gordinha. 

Tal como a minha sobrinha Madalena. A filha mais velha da minha irmã.

Morei com ela em Barcelona.

E vi os maus hábitos que tinha.

Na altura eu já tinha adotado definitivamente uma alimentação saudável. E ela aderiu?

Não! Não consegui passar-lhe a mensagem.

Eu comia saudável. Ela comia pizza.

Eu comia saudável. Ela comia um hambúrguer com batatas fritas.

Sopa. Sim, sempre! Eu comia sopa. Ela não.

 

 

Tenho 37 anos. 

Mais ou menos, com a idade que tenho hoje, o meu pai foi chamado de pré-diabético.

Aos 45 anos, era oficialmente diabético. Muitos comprimidos. Para o resto da vida.

Com a minha idade a minha mãe tinha uma doença auto-imune ainda por diagnosticar.

Viria a descobrir o nome da doença quando tinha 43 anos. Uma doença crónica. Com medicação para o resto da vida.

 

A minha sobrinha Madalena está cá de férias.

E foi fazer análises de rotina.

O choque. Para a família.

Não para mim. Colesterol com valores proibitivos.

Assim como vários outros valores completamente fora dos parâmetros normais.

Foi medicada. Mas....

Falei com ela. Mostrei-lhe as alternativas...

Disse-lhe para voltar ao médico e perguntar se podia fazer uma tentativa de 3 a 6 meses de dieta. Se desse resultado não tomava a medicação.

Ainda é nova. O corpo ainda responde bem...

O médico concordou mas alertou-a para muitos dos perigos. Também no imediato mas sobretudo a longo prazo.

O Pedro também falou com ela...

Não para a assustar ou para a alarmar mas para ela ter conhecimento e consciência do que pode ser a vida dela.

 

Disse-lhe para ela ver este filme. Chama-se: Fat, Sick and Nearly Dead. Um caso extremo, é certo. Mas muito atual.

Está na netflix, eu vi por lá. Mas também está no youtube.

Toda a gente devia ver. São dois episódios.

O primeiro, contado na primeira pessoa...de alguém que teve muita coragem. De mudar. 

Mudar não é fácil. Eu que o diga. Os primeiros tempos em 2009, em que mudei a alimentação, foram muito, muito difíceis para mim....

 

A miúda está animada. E com força de vontade...

..penso que o problema maior será quando voltar para Barcelona...

...mas não vamos morrer de véspera. Um dia de cada vez.

 

A geração dos meus pais teve pouca informação.

Foi fácil num determinado momento perderem-se.

A publicidade ajudou a fomentar maus hábitos. A determinado ponto, certas coisas apresentadas como saudáveis, não o eram...

Atualmente ainda é assim, mas hoje temos mais informação e só caímos se quisermos...

 

A minha geração, a partir de um certo momento, ano 2000 para a frente começou a ter muito mais informação.

Mas cometemos os mesmos erros ou piores. 

Não sei muito bem porquê. Já vimos o mal que fez aos nossos pais.

Continuamos a insistir...

 

 

A geração da minha sobrinha.

Nasceu dentro da informação.

Os seus pais, da minha geração, não estavam muito informados e devem ter feito asneira. Pelo menos alguns...

Agora têm toda a informação disponível e continuam no mau caminho. 

Tantos miúdos novos com peso a mais. Dentro deste círculo perigoso.

 

 

Com a minha filha.

Sou muito, muito rigorosa na alimentação. Em casa.

Por aqui não há açúcar. Nem gomas. Nem doces no geral.

Já lhe têm oferecido guloseimas. Não proíbo. Ela que prove. E coma se gostar...

Sabendo sempre, que eu não lhe irei comprar nada disso...

Um dia. Terá de viver por ela. Espero que saiba fazer as escolhas certas.

Não cometa os mesmos erros que eu cometi.

 

E se os cometer?

Que tenha cabeça. Para sair do círculo mais vicioso e perigoso que existe.

 

Não descurem aqueles sintomas chatos.

O pingo no nariz.

Tosse.

Azia.

Articulações.

Digestões difíceis.

Dores de cabeça.

Excesso de peso.

Problemas de pele. Acne. Eczema...

 

Não acreditem à primeira nem à segunda naquele diagnóstico...ah! e tal és alérgico ao pó.

Ou ao pólen.

Há algo mais por trás destas alergias.

Porque é que as temos?

Porque não curar a causa e não o sintoma...

Perguntem. Investiguem. Aprendam...

Não se habituem a viver mal. 

 

Coragem!

Tomar a decisão...e depois.

Sair do círculo.

 

 

Consultem um médico.

Um nutricionista. Não têm de o fazer sozinhos.

 

 

 

Há um ano no Quiosque, andava parva e também não escrevi post! 

 

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