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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

o desaparecimento...

16.11.18, Joana Marques

O veterinário do Vasco tem estado a acompanhar a mãe dos filhos do Vasco. E também os próprios filhos.

Esteve presente logo a seguir ao parto. Porque a cadela é muito autónoma e não precisou cá de grandes coisas para parir.

E..

..ontem, apareceu para fazer uma avaliação da mãe e dos pequenotes.

Como ainda não conhecia a nossa casa combinei com ele. Logo que se despachasse, passava aqui por casa.

Ele disse que sim. E mais ou menos pelas 17h apareceu.

O Vasco mal pressentiu o veterinário desapareceu. 

Já aconteceu muitas vezes. Ouve a voz do Rui e ...

...gostei muito deste bocadinho. Assim, sendo vou-me embora. Beijinhos. E até sempre.

 

Estive à conversa com o Rui. Mostrei-lhe a casa. O quintal. 

O Pedro saía às 16h mas para variar saiu mais tarde. O Rui ainda esteve um tempo à espera do Pedro mas entretanto desistiu e foi à vida dele.

Mal vi o Rui pelas costas. Gritei:

- Vasco, vou buscar a Alice. 

Peguei na minha mala e fui a casa dos meus pais buscar a miúda.

Cheguei a casa com a Alice. E nada de Vasco...

...chamei o Vasco. Vi em todas as assoalhadas. Vi todos os cantos e recantos do quintal. Nada!

O Vasco não estava em lado nenhum.

O meu telemóvel tocou. Era o Pedro.

Tinha-me enviado umas mensagens. Não respondi. E ele ficou preocupado e ligou-me.

Contei-lhe.

- O Vasco desapareceu.

O Pedro disse-me que quando chegasse a casa decidiríamos o que fazer mas que provavelmente estava num sitio qualquer e já aparecia.

 

Comecei a achar que o cão tinha ido ter a Carcavelos, à casa antiga. Ou então, tinha saltado o muro, ido dar uma volta e tinha-se perdido. E se tivesse sido atropelado? E se o tivessem roubado? E se tivesse magoado? 

 

Com a cabeça a mil. Peguei na Alice. E no carro. Comecei a dar uma volta ao bairro. Quando dei por mim estava em Carcavelos, na minha antiga rua a perguntar ao Senhor Ludovino se tinha visto o Vasco.

- Eu bem te disse que era uma má ideia. É claro que o cãozinho não se adaptou. 

Perguntei a todos os meus conhecidos que passaram. Ninguém tinha visto o cão.

Voltei a colocar a Alice no carro e rumei até casa.

O Pedro já tinha chegado. Deviam ser umas 19h. Horas de dar banho à Alice. Jantar. E dormir.

O Pedro foi dar uma volta pelo bairro. Eu despachei a Alice. Num estado de nervos do tamanho da Austrália.

A miúda demorou muito tempo a adormecer. Claro! Pressentia que algo não estava bem.

O Pedro chegou. Nada. Nenhuma novidade.

 

Liguei ao meu pai. 

Pedi-lhe para vir aqui a casa. Para ficar com a Alice. Para, também eu começar as buscas.

Apareceu o meu pai. Apareceu a minha mãe. Apareceu o meu sobrinho Pedro. E a minha sobrinha Inês.

A minha mãe ficou com a Alice. E eu e o Pedro começámos a tocar às portas de todas as casas à procura do cão.

O meu pai e os meus sobrinhos foram por outro lado. Perguntavam a quem passava se tinham visto o cão. Ao mesmo tempo que mostravam a foto do Vasco.

Toda a gente da minha família tem a foto do Vasco no telemóvel!

 

Ligou-me a minha irmã. A oferecer ajuda.

Ligou-me a minha cunhada. A oferecer ajuda.

O meu primo António. Também...

A notícia tinha-se espalhado. Repeti a história vezes sem conta.

Voltámos a casa eu e o Pedro. Nada de Vasco.

Perguntei à minha mãe se tinha novidades.

- Não, aqui em casa não está. Já procurei debaixo das camas. Já fui a todo o lado. Não está.

Eu já tinha feito o mesmo, anteriormente.

 

O Pedro ligou para a polícia para saber quais eram os passos a dar.

Disseram-nos para aguardar. Para esperar pelo outro dia. Se fosse encontrado e uma vez que tinha chip, nós seríamos contactados.

Ouvimos uma conversada ao portão. Era o meu pai, os meus sobrinhos e alguns vizinhos. Tudo a comentar o desaparecimento do Vasco.

Eram 22 horas.

Disse aos meus pais para se irem embora. E aos meus sobrinhos também.

Não podíamos fazer nada. Íamos esperar pelo dia seguinte. 

 

Na minha cabeça já tinha tudo planeado.

Ia acordar cedo.

Imprimir umas fotos do Vasco com o nosso contacto.

Ia espalhar pelo bairro.

Ia pôr no meu facebook.

No do Quiosque.

No blog. Ia pedir a toda a gente para divulgar.

O meu coração estava desfeito. Só me apetecia chorar.

O meu Vasquinho ao frio. Sozinho na noite.

 

Comemos qualquer coisa. Mas...

...o pensamento estava longe.

Subimos para o quarto. Eu chorosa. O Pedro a tentar animar-me. A dizer-me, que tinha a certeza que ele ia aparecer são e salvo. A dizer-me que se tivesse sido atropelado teria sido ali perto e já tínhamos dado conta. 

O Pedro abraçou-me. E eu chorei. Claro..

...é o que eu sei fazer nestas alturas.

E nisto. Uma batida. Vinda do roupeiro. 

Olhámos.

A porta abriu.

O Vasco saiu de lá. Abriu a boca.

Espreguiçoooooooooooooooooooooou-se.

Deu-nos um olá (lambeu-nos a mão).

E saiu apressadamente. Direto à cozinha. Porque ainda não tinha jantado. E tinha fome.

Eu e o Pedro nem tivemos reação. Ficámos 

Olhámos um para o outro.

E o Pedro disse com o ar mais aparvalhado do mundo...

- Eu até telefonei para a polícia! 

 

Há dois anos no Quiosque!

O senhor Ludovino!

Há um ano no Quiosque!

Sr. pai Natal! Veja lá, este ano....

 

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