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Quiosque da Joana

08.05.18

o dia em que conheci. O Elias..

Joana Marques

A luz ao fundo do túnel já é visível.

Em Carcavelos.

A minha casa já começa a parecer uma casa.

E eu já pus mãos à obra para transformar a casa num lar.

 

Tenho o meu quarto pronto. Prontinho.

O quarto da Alice. Pronto!

 

Todos os quartos.

E o escritório.

Tudo pronto.

Falta a cozinha. E as casas de banho de cima.

 

Comprei o andar. Planeei as obras. A casa. Sem saber que o Pedro iria fazer parte da equação.

E por isso tive de repensar um pouco os espaços.

Por exemplo: escritório.

Partilhamos? Ou nem por isso?

Conversámos e resolvemos partilhar. O escritório é grande. E por isso pode ter perfeitamente duas secretárias.

O Pedro quase não precisa dele. E eu tento não trabalhar quando ele está em casa.
Por isso, parece uma boa opção.

Se percebermos que afinal não resulta. Facilmente se transforma um quarto num escritório.

 

Todos os dias que vai a Lisboa. O Pedro, passa por casa dele. Enche uma caixa.

E trás a caixa.

Muitas vezes deixa-a em Carcavelos. Outras, vezes, quando já é tarde não.

Quando vamos a Carcavelos.

Levamos sempre. Uma caixa minha. E uma caixa dele.

Achamos, nós que em pequenas prestações a dor será menor....

 

Diz-me o Pedro.

- Não comeces a arrumar sozinha. Aproveitamos as minhas folgas e tiramos uma parte do dia para fazer isso os dois.

Só que.

Eu sou.

Joana, todo o terreno.

Acho um desperdício, passar as folgas do Pedro a arrumar e a limpar coisas.

E vai daí...

...decidi. Pôr mãos à obra.

Todos os dias, passo três horas a arrumar coisas.

O Pedro sai de casa com a Alice às 7h da manhã.

Começo a trabalhar a essa hora.

Pelo 12h30. Como uma sopa.

Vou para Carcavelos.

Arrumo. Organizo. Ponho de parte algumas coisas do Pedro.

Não sei muito bem o que fazer com elas. E ficam para ele depois, decidir...

 

Hoje. Estava eu. Empenhada na minha tarefa.

A caixa que veio da casa do Pedro dizia: Escritório.

Abri.

Olhei.

Comecei a tirar as coisas cá para fora.

Pastas. Dossiês. Arrumei na estante.

Livros. Arrumei numa outra parte da estante.

E depois. De dentro da caixa. Uma outra caixa. Esverdeada. E comprida.

Abri a caixa.

Com mil Slimani's.

Minha gente. Ó senhores, do Quiosque.

Eu sou asmática.

Sem asma desde....já nem sei.

Pois, apanhei um tal susto. Que a minha asma voltou.

Tive de ir para a janela. Respirar devagarinho.

Depois. Devagarinho. Porque não conseguia andar depressa. Procurei a minha bomba salva vidas.

Várias fora da validade. Lá encontrei uma que me salvou.

E aqui estou a contar a história.

 

 

Enviei ao Pedro uma mensagem.

- O que é que está na caixa verde?

- Qual caixa verde?

É incrível como os homens nunca percebem nada num momento de aflição...

 

- Dentro da caixa que diz escritório, está uma caixa verde...

- Não estou a ver, Joana. Juro que não estou a ver. Deixa isso. Sexta-feira já devo conseguir passar por aí e começar a arrumar...

 

-Visualiza o teu escritório de Lisboa. Pensa nas prateleiras. Nas gavetas. Nos armários. Pensa o que tinhas em cada um deles. Tinhas uma caixa verde...comprida. Certo?

- Ah! Já sei....

 

Lembrou-se.

O homem lembrou-se....atirem foguetes, se faz favor....

 

- O que é que tem, Joana?

-Diz me tu. O que é que tem a caixa??

 

- Ah! Ah! Ah! Boa! Já conheceste o Elias?

- Boa?? Pedro, tens mais algum esqueleto no armário...ou este é o teu pior segredo??

 

- É o único esqueleto que tenho. Juro! Faz-te confusão, é?

-É.

 

- A sério? Não tem mal nenhum, Joana. São só ossos.

- E uma caveira...Não sei se consigo estar na mesma divisão que ele ou ela. Ai que horror...tenho um esqueleto no escritório...socorro!

 

- Não tem mal nenhum, Joana, a sério.... Leva a caixa para Cascais. Quando chegar abrimos a caixa juntos, vais ver que esse medo passa logo..

- Ah! Ah! Ah! Que programa tão romântico....

 

Pedi ao senhor que está a arranjar a cozinha se fazia o favor de levar a caixa para a arrecadação da casa nova.

É a única coisa que lá está.

Ali, no chão. Jaz. Elias.

 

Ao que parece.

O Pedro.

Às vezes, na preparação de certas cirurgias.

Pega no Elias e como se fosse um puzzle une os ossos uns aos outros.

E estuda as diferentes possibilidades.

E assim. Nasceu. A necessidade....do Pedro ter.

Um escritório só para ele.

Onde eu nunca vou entrar.

Nunca. Nunca. Nunca.

 

 

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Joana Marques

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