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Kiosk da Joana

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o parto...

16.03.19, Joana Marques

Tive de esperar uns dias para escrever sobre o parto.

Cada vez mais gosto dos dias pares. Das rotinas. Adoro os dias rotineiros.

Domingo. 10 de Março. Não foi um dia rotineiro. Pelo contrário.

Já sabia que a Mariana teria de nascer. E estava com uma vontade de despachar o assunto desde dia 1 de Março.

As notícias que tínhamos da médica é que estava mais do que pronta.

 

Há oito dias atrás comecei a sentir dor. Costas. Barriga. Bacia.

Nem sei.

Um desconforto.

Barriga muito dura.

Comecei a ter contracções espaçadas.

O Pedro ia-me dizendo para esperar.

Nada de ir para o hospital a correr.

Ou iam nos fazer voltar para casa.

Assim foi. Esperámos.

Os meus pais estavam de prevenção. Os meus sogros. O meu irmão. E a minha irmã.

Alguém tinha de ficar com a Alice.

 

Quando me deitei tive a certeza que o dia seguinte só seria par porque seria dia 10.

Ainda dormi qualquer coisa.

Pelas 6h da manhã acordei o Pedro.

E liguei aos meus pais.

A Alice acordou. Ainda a vimos tomar o pequeno almoço. Fiz-lhe um penteado.

Os meus pais chegaram entretanto.

O Pedro ligou para a médica.

E lá fomos.

 

Quando chegámos ao hospital e depois de ser examinada disseram-nos que estaria para breve.

Valeu-me o Pedro. Sempre ao meu lado. Com as palavras certas no momento certo.

Foi tudo muito rápido.

Um momento estava a entrar no hospital e pouco depois estavam-me a dizer para fazer força.

A certa altura disse ao Pedro.

- Vai lá espreitar se já nasceu.

Pelas minhas contas já tinha feito força capaz de parir a frota da carris mas ainda não ouvia nenhum choro.

 

Lá me sincronizei outra vez. Força e contracção.

Contracção e força.

O termo de comparação que tenho é com o ter partido a perna.

Cada parto é diferente. No meu caso, a fractura da perna custou-me bastante mais.

A recuperação foi muito mais lenta e dolorosa, também.

O meu parto não demorou muito tempo.

 

A Mariana nasceu.

O Pedro cortou o cordão umbilical.

Eu senti um alivio do caneco.

Estava feita num oito. Senti-me mesmo, mesmo um farrapo.

A Mariana chorou. 

Foi colocada no meu peito. 

Achei-a linda. Linda. Linda.

Chorei que nem uma condenada.

O Pedro estava muito emocionado. 

A Mariana parou de chorar.

O Pedro agarrou-lhe numa mãozinha e disse:

- Olha só o que nós fizemos juntos.

Chorámos os dois.

 

Peguei na outra mão da Mariana. E disse:

- Pedro, a Mariana tem unhas.

 

Abracei-a. Tal e qual como o tinha feito.

Num dia frio de Dezembro.

Quando fui buscar a minha primeira filha.

AliceeMariana.jpg

Vamos fazer uma pausa. 

Vamos aproveitar que o Pedro está de licença e vamos mudar-nos durante um tempo para o Alentejo.

Até breve!

 

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