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Quiosque da Joana

25.08.18

o pressentimento...

Joana Marques

Acordei cedo, antes do meu despertador canino tocar.

Eram 5h da manhã mais coisa menos coisa.

Não tenho insónias, nunca tive. Durmo bem, sempre dormi. Sou apenas e só uma pessoa que dorme pouco.

5 horas para mim são mais do que suficientes.

Saí da cama e subi até ao terraço.

O meu despertador canino acompanhou-me.

Passados uns 5 minutos sinto uns braços à minha volta. O Pedro.

Tive um pressentimento. O dia ia ser bom!

 

Trouxe-me um roupão e eu agradeci.

Às 5 da manhã a temperatura está fresca.

Ficámos os dois à conversa à espera do nascer do sol.

Tomámos o pequeno almoço. 

Fui ao quarto da Alice e esperei que ela acordasse.

 

O dia ia ser bom. O pressentimento passou a certeza.

É impossível um dia correr mal, quando assistimos ao nascer do sol duas vezes.

A Alice acordou. E para mim é igual ao nascer do sol.

Um sorriso. Um esfregar de olhos para me ver melhor.

Os braços esticados para eu a tirar da cama.

Aquele momento em que eu acho que me transformo em super mulher.

As compras do supermercado pesam e desfalecem-me. Os 13 kg da Alice pesam mas a maioria das vezes nem noto.

- Alice, Alice. Quem é a miúda mais gira do mundo??

Perguntei eu enquanto a miúda voava nos meus braços.

- Uaaaaana. Uaaana. 

Respondeu ela. Porque o meu nome é o único que consegue dizer.

- Não! És tu!! Tu és a miúda mais gira do mundo!

 

Apareceu o Pedro. E eu disse-lhe com toda a certeza do mundo.

- Hoje vai ser um bom dia.

O Pedro riu-se. O ter casado com uma mulher deslumbrada diverte-o. Ou então está em negação.

- Vamos ao Guincho!

Disse eu.

 

O Pedro ficou a arranjar a Alice.

Subiu com ela para lhe dar o pequeno almoço.

Eu fiquei a tratar de tudo o resto.

Umas águas. Três sanduíches de alface, tomate, cogumelos e queijo de cabra.

Fruta. Ameixas. Pêssegos. Uvas.

Uma toalha de praia grande.

Tudo dentro de uma mochila. O carrinho da Alice. E a Minnie. Ou a Alice fazia como o Vasco.

- É sábado, minha gente. Deixem-me dormir....

 

 

Não levámos carro. O carro nem sempre nos dá a liberdade que precisamos.

Muitas vezes é um ditador.

Fomos de comboio. Estação de Carcavelos.

Saímos em Cascais.

Grandes malucos. De Cascais. A pé. Até ao Guincho.

Foi maravilhoso.

Demorámos montes de tempo a chegar.

Parámos muitas vezes.

Tirámos fotos a três. Sem qualquer preocupação se as fotos ficavam bem ou mal.

Viver....foi o que tínhamos decidido fazer...

 

A Alice quis sair do carrinho e começar a andar.

Anda muito devagar mas tínhamos todo o tempo do mundo.

Conhecemos uns alemães que adoraram a Alice. Ela riu-se e atirou-lhe beijinhos.

Conhecemos uns dinamarqueses que nos perguntaram de que país éramos. Ser turista na própria terra dá nisto.

Conhecemos uns ingleses que chatearam tanto a Alice que ela acenou-lhes de forma seca e desprezou-os um bocado.

A inglesa virou-se para o marido e disse.

- She's just like the queen!

Ao que parece tanto a Alice como a rainha têm uma forma muito idêntica na arte acenar.

Parámos a meio para comer uma fruta.

E com as energias repostas andámos mais um pouco. Sempre, sempre junto ao mar....

A Alice adormeceu.

 

Chegámos ao Guincho. Estendemos a toalha.

A Alice acordou. Brincou na areia.

Fomos com ela até à água mas ela tem um amor ódio pelo mar.

Ora põe o pé. Ora tira o pé. Quando molha os pés fica com ar..

- Ora bolas! Eu não queria molhar os pés...como é que isto aconteceu?

Comemos as nossas sanduíches. Tão bem que nos souberam.

A Alice comeu dois terços da sanduíche. Ainda não tem estômago suficiente para mais... 

 

Ficámos mais um pouco. A conversar. A desfrutar de nós.

Voltámos a Cascais de autocarro.

Em vez de apanhar o comboio logo ali, apanhámos o paredão a jeito.

Apanhámos o comboio em São Pedro.

Chegámos a casa com vontade de repetir este dia muitas vezes.

 

O melhor das nossas vidas.

É o tempo que passamos juntos.

 

 

O dia está quase a acabar.

Falta o quase...... 

...

 

 

Há dois anos no Quiosque!

Post 1: o dia em que comecei a fazer origami. 

Foi graças ao Sapo que me iniciei nesta arte!

Cada destaque que tinha fazia um sapo em origami.

Hoje em dia faço origamis com frequência porque a Alice adora brincar com eles.

Não sou nenhuma especialista, nem nunca serei. Ganhei o gosto, só isso!

 

Post 2: Um prato pintado por mim.

De todos os que já pintei este é o meu preferido.

Adoro as cores.

 

Há um ano no Quiosque!

No ano passado andava eu numa indecisão total. Fico em Oslo, volto a Portugal. 

Se voltar a Portugal provavelmente fico sem emprego.

Se calhar é melhor ficar em Oslo.

Ou vou para Londres?

Todos os dias era isto a minha vida....

Há um ano quando escrevi este post...tinha a certeza absoluta que iria ficar em Oslo!

Provavelmente no dia seguinte já achava que não..

Estranho pensar: não existia a Alice na minha vida, não existia o Pedro, não existia a Mariana.

O sol não nascia duas vezes no mesmo dia.

Parece que foi numa outra vida....

 

 

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