Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Quiosque da Joana

04.12.17

o primeiro Natal do Vasco...

Joana Marques

2014!

Tinha o Vasco desde finais de Abril.

Devido ao seu início de vida atribulado quase nunca o deixava sozinho.

O Natal, nesse ano foi em casa do meu irmão. E o Vasco acompanhou-me.

 

Se acham o Vasco adorável. Na altura ainda era mais.

Ainda tinha ar de bebé. Mas já era muito grande. Não media bem os espaços. Era um trapalhão.

Muitas vezes olhávamos para ele a correr e parecia que não sabia como articular as pernas.

Não travava a tempo. E ia contra tudo. Cómico.

Olhava para nós com um ar:

- Credo! Como é que isto aconteceu?? O que é que se passa com essa cadeira...que apareceu mesmo à minha frente!

De Abril a Dezembro o Vasco foi mais vezes ao veterinário que eu fui ao médico durante a minha vida toda.

O veterinário que fazia parte do meu grupo de voluntariado salvou-o de morte certa.

O Vasco, mesmo assim, faz questão de lhe dizer que não gosta dele desde o início. Sempre que vamos a casa do veterinário (às vezes dá mais jeito) o Vasco faz xixi no tapete da entrada de casa. Sempre!

 

Nesse Natal, o Vasco foi o centro das atenções. Os meus sobrinhos não o largaram. Ou quase...

 

Mal cheguei, a casa do meu irmão, olhei para a mesa de apoio para ver com o que podia contar.

E os meus olhos pararam numa taça grande com um liquido lá dentro.

O meu irmão estudou e trabalhou na Dinamarca.

E trouxe de lá uma receita de uma nhonhoca qualquer parecida com a nossa sangria. Mas para pior...

Sempre que há uma festa em casa do meu irmão, aparece sempre a nhonhoca Dinamarquesa.

Ninguém lhe toca. A não ser o meu irmão que tira com uma concha um bocado daquilo põe num copo, bebe e finge que é bom.

 

Todos num alegre convívio.

A comer.

A cantar.

A contar histórias.

A rir.

Felizes por estarmos juntos.

E de repente, alguém me chama a atenção.

O Vasco está todo estendido no sofá. Com cara alegre. Um ataque de espirros. E tiques esquisitos.

O meu coração explodiu e implodiu ao mesmo tempo...

Eu que nunca tinha sido responsável nem por filhos, nem por animais desta envergadura...achei que tinha falhado. E o cão estava à beira de ir desta para melhor.

 

Fui para o pé dele.

A festa parou.

Toda a gente:

- O que é que aconteceu?

- Já alguma vez fez isto?

- É melhor chamar o veterinário.

- Joana, tens o número?

- Se calhar é melhor chamar o tio José?

- O tio José?? É cardiologista, não é veterinário..

- Sim, mas parece-me muito mal estragar a noite ao veterinário...é noite de Natal?

- E querem ligar ao tio Zé e dizer...podes vir cá?? O cão está escangalhado???

- Ah! Ah! Toda a gente a gozar com a minha sangria e não sobrou nada!!!

 

Por momentos a atenção foi desviada. O Vasco lá continuou com espirros e tremeliques.

Mas era mais credível o Vasco e seus espirros que alguém ter bebido a nhonhoca dinamarquesa...

A taça estava vazia.

- Foste tu que deitaste isso fora e agora estás a fazer-nos acreditar que alguém bebeu isso....não é?

Disse a minha cunhada para o meu irmão. Às vezes as mulheres são muito cruéis para os maridos.

- Claro que não. Juro que não. Está mesmo no fim..

- Foste tu que bebeste tudo?

Disse a minha mãe com um ar reprovador ao meu irmão. Às vezes as mães são muito cruéis para os filhos.

- NÃO! Juro pela minha saúde. Acabei de passar aqui e está no fim...e eu não tenho nada a ver com isso.

 

Alguém olhou para os meu sobrinhos com olhar acusador.

Pobres putos.

Ainda não diziam palavrões mas já tinham enveredado por uma vida ligada ao álcool e quem sabe às drogas.

Gomas nós sabíamos que comiam...oh! não! Seria o nome da moda para ecstasy??

O olhar deles disse tudo. Não tinham sido eles...

 

Até que alguém.....juntou, as peças do puzzle. Por acaso fui eu. Eu sabia quem tinha em casa...

 

 

 

Tive de o levar para casa ao colo.

E subir a escadaria do meu prédio toda com o cão.

Não dormi. Fiquei sempre ao lado dele. Nunca tinha visto um cão bêbado. Sabia lá o que podia acontecer...

...ainda pensei em dar café forte...é o que se vê nas novelas e nos filmes. Mas passou-me a ideia.

 

No dia seguinte.

Liguei ao veterinário. Não acreditou à primeira.

Primeiro caso de embriaguez canina. Que tratou.

Disse-me que provavelmente não teria qualquer efeito.

Verdade.

Quando acordou estava fino e pronto para outra.

 

Um dia destes conto...o que o Vasco fez na sua primeira passagem de ano.

 

24 comentários

Comentar post

Pág. 1/2

Joana Marques

foto do autor

Sigam-me

contador de acesso grátis

Links

Grupo no Facebook de Partilha handmade! 💝

As histórias do cão! 🐶

Tricot 🌺

Crochet 🌻

Receitas 🍳🥦🥧

Planear ⌚📅 📊

Comentários recentes

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D