o Vasco sabe...
O Vasco sempre foi doido varrido.
O início de vida difícil deve ter deixado algum parafuso meio solto. E quando menos se espera....![]()
É o primeiro cão que tenho e por isso não tenho como comparar.
Os meus avós do Alentejo tinham um mas nunca me lembro de ele ser como o Vasco.
Por ser lindo de morrer. Pelo início de vida. Sempre foi um cão muito mimado.
Quando está com muita gente e muita gente tenta fazer-lhe festas. Fica tímido. E esconde-se atrás de mim...
Uma postura..."não me toca" que eu sou uma estrela.
Se essas pessoas estiverem a comer a postura "não me toca" passa logo. É o mais simpático dos cães.
Quando está de barriga cheia afasta-se e arranja um bom sitio para dormir.
E se alguém o vai chatear faz ares de:
- Vou só abanar o rabo uma vez para mostrar que sou simpático. Já está! Desampara-me a loja ó humano que eu tenho de pôr o sono em dia...
É nestas alturas.
Quando menos se espera.
Com ele a dormir no terraço.
E eu a trabalhar. Ou a fazer qualquer outra coisa que ele se lembra da minha existência, sente saudades, lembra-se que gosta de mim. Nem sei! E........
Cão bala.
Em silêncio.
Levanta-se.
Sem qualquer barulho.
Prepara-se.
Caladinho que nem um rato.
Já vai no ar.
Shiuuuu!
E...
....acabou de aterrar ao meu colo.
O silêncio terminou. Porque eu acabei de dar um grito.
Pelo susto.
Pelas patas cravadas na barriga.
Por ter uma língua do tamanho da A1 a varrer a minha cara. Pescoço. E a tudo o que ele conseguir deitar a língua.
Não pensem que acontece uma vez por ano. Claro que não. Acontece muitas vezes. Mais do que uma vez por semana.
Quando chego a casa.
Depois de passar uns dias fora. Não vamos falar nisso. É brutal.
Nos dias comuns. Já é uma festa.
Muitas vezes a Alice vai para o chão depressa para eu poder agarrar o Vasco.
Depois de um abraço sentido. Umas festas. O rapaz volta ao terraço. E ao sofá....
Hoje chegámos de férias.
O Vasco ficou em casa dos meus pais.
A mesma tristeza de sempre.
O Pedro deixou-me em casa com a Alice e foi buscar o Vasco.
Já a tentar prever a loucura que seria. Era só adiar. Por um bocadinho.
- Vou busca-lo. Ponho-lhe a trela. Entra em casa com trela e não o deixo atirar-se.
Assim foi.
O Pedro foi busca-lo. O Vasco ignorou o Pedro. Continuou deitado em sofrimento.
O Pedro pegou nele. Depositou-o no carro.
Quando chegou à garagem. Abriu-lhe a porta. Tirou-lhe o "cinto" que o prende ao banco. E....
...ala que se faz tarde. Quando deu por isso. Já não tinha cão.
O cão fugiu sem deixar rasto.
Estava eu na minha vida.
A Alice a dormir.
E eu a pôr a roupa suja na máquina.
A arrumar o que tinha de arrumar. Quando ouvi um estrondo.
-É uma bomba? Um terramoto?
Não. Era o Vasco.
À porta de entrada. Abri-lhe a porta. E ali estava o meu menino...
...feliz da vida. Festas por todo o lado. Lambidelas. Amor e mais amor.
Tudo a que tenho direito.
Mas...
.....em momento algum tentou chegar à barriga.
O Pedro apareceu 5 minutos. Muito ofegante.
Tinha subido as escadas mais depressa que o Bolt em dias de 100 metros. Parecia um asmático num dia mau...
- Não sei como é que aconteceu. Um momento estava no carro. No outro momento já não estava. Estava como morto e no minuto seguinte foi o cão mais agil que já vi...foi tudo tão rápido que mal o vi fugir.
- Não te preocupes. Correu tudo bem! O Vasco sabe.......![]()
Um post sobre a minha irmã! E não só! Também tem Joana!
Gosto de ti como o Vasco gosta de frango assado!![]()