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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

oh! Este cão...

08.06.17, Joana Marques

Estou de férias.

O despertador toca todos os dias à mesma hora.

Mesmo que queira dormir até tarde, não me deixa.

Sou acordada entre as 5h e as 5h30. Todos os dias.

Como quero que as férias rendam muito. acordo a essa hora. Vou correr.

Volto para tomar banho. Vestir-me. Tomo o pequeno almoço. E volto para o ir buscar.

 

A praia está vazia porque é muito cedo.

Aproveito para lhe tirar a trela.

E ele corre, corre, corre...

E depois entra dentro de água. Nada. Sai da água e volta ao areal. Corre. E volta a entrar na água...

 

Ontem, neste frenesim corre para umas rochas.

Ouço um ganido.

Fui socorrê-lo.

Estava preso nas rochas.

As rochas escorregavam imenso.

Estava com medo de cair.

O Vasco em pranto.

Eu a cambalear.

-Calma que eu já chego aí.

Uma chifrineira. Um sofrimento.

 

Sai sozinho.

Demorei tanto a percorrer meia dúzia de rochas.

O problema é que tinha de voltar para trás.

O Vasco já estava na areia.

Todo ele era autocomiseração.

Passados dois séculos e meio chego até ele.

Ui! Nem queiram saber. Parece que lhe instalaram uma vuvuzela no esófago. O som é estridente.

Examino-lhe as patas. E percebo que partiu uma unha.

Podia ser perigoso se tivesse atingido a veia. Não foi o caso. Só partiu a unha. Ainda tinha a parte partida pendurada.

Deve ter ficado entalado na rocha e com o pânico partiu a unha.

 

Resolvi voltar com ele.

Pois Vasco, foi a cambalear praia fora. A andar só com as 3 patas.

Ao mesmo tempo que andava, Vasco, gania. Muito alto.

Deixámos o areal. Continuou caminho fora numa lamúria só. Desconfio que este cão na outra reencarnação foi uma carpideira. Sabe chorar profissionalmente.

 

Ainda não havia muita gente na rua.

Mas toda a gente parava para ver o cão que só andava com três patas e chorava no meio da rua.

Toda a gente me perguntava o que tinha acontecido.

- Partiu uma unha.

Toda a gente olhava para mim com ar de:

- Péssima dona. Não partiu nada uma unha. Este cão engoliu no mínimo um piano...

Toda a gente mimou o cão.

 

De repente puxa-me para atravessarmos a estrada.

Não estávamos na passadeiras.

Mas os carros pararam para nos deixar passar. Comovidos com um cão em sofrimento a andar só com três patas.

Chegámos ao hotel.

Estamos aqui desde segunda à tarde mas toda a gente já sabe o nome do Vasco.

- O que aconteceu, o que aconteceu??

- Partiu uma unha.

 

O senhor da recepção vem fazer-lhe festas.

Entretanto junta-se a ele mais duas ou três pessoas.

O Vasco continua em sofrimento.

Levo-o para o quarto. Sempre a andar com 3 patas.

Chegou ao quarto. Dou-lhe um biscoito. Passa tudo!

vasco345.jpg

 Olho para ele e penso.

- Tens tanta sorte. Ainda bem que és um cão. Já viste se fosses uma cadela. Queria ver como te safavas quando entrasses em trabalho de parto!

 

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