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Quiosque da Joana

23.04.18

palavra de Joana!

Joana Marques

Sofia e José

 

A minha irmã e o meu cunhado.

Conheceram-se desde sempre.

Tinha a minha irmã 14 anos. E ele 16 anos. Quando começaram a namorar.

Ele é filho de um dos melhores amigos do meu pai.

Nunca mais se largaram.

Um namoro muito discreto.

Estávamos no final dos anos 80.

A tendência progressista do pós 25 de Abril ainda não tinha chegado à minha família.

Melhor dizendo. À minha mãe.

Esconderam o namoro durante 6 anos.

Numa época sem telemóveis. Facebook. E essas coisas todas....

Durante um tempo viam-se na escola. De forma discreta.

É preciso ter cuidado! Nestas ocasiões há sempre uma invejosa que se faz amiga e vai diretamente apregoar na praça municipal que a Sofia namora com o Zé. Todo o cuidado é pouco!

A minha irmã contava com a cumplicidade da melhor amiga a Ana. E o Zé, com a cumplicidade do melhor amigo, o Nicolau.

Iam ao cinema. A minha irmã com a Ana. O Zé com o Nicolau.

E lá dentro. Trocavam de lugares.

Tanta troca de lugares.

A Ana casou com o Nicolau. E são felizes. Ser boa pessoa compensa quase sempre.

Quando o Zé tinha 22 anos. Faltava um ano para terminar a faculdade. Foi lá a casa.

A minha irmã já tinha preparado o meu pai. E sobretudo a minha mãe.

- Ah! O Zé, sabes, o filho mais novo do João e da Lina, vem cá.

E não disse mais nada. Estava vermelha que nem um tomate maduro.

O meu pai era menino para prolongar o sofrimento da minha irmã, mas não o fez. E percebeu do que se tratava.

O Zé lá apareceu. Teve a bênção dos meus pais.

Mas a partir daí. O cinema acabou praticamente. Ficavam lá em casa. Sob o olhar atento da minha mãe.

E não. Nas outras casas não era bem assim. Mas nas outras casas não vivia dona Mariana, senhora minha mãe.

Quando a minha irmã tinha 21 anos. O José voltou lá a casa. Pediu-a em casamento. Casaram um ano depois.

Continuam casados. Têm 3 filhos.

 

Rita e Tiago

A minha cunhada e o meu irmão.

Conheceram-se desde sempre.

A Rita teve sempre um fraquinho pelo meu irmão. O meu irmão não lhe ligou nenhuma durante muito tempo.

A Rita desistiu de esperar por ele e arranjou um namorado. Aos 15 anos.

Nesta altura o meu irmão começou a gostar da Rita. É mesmo de homem! Parvo!!

A Rita namorou com o outro até aos 17. O meu irmão teve uma outra namorada.

A Rita deixou o namorado. O meu irmão deixou a namorada no dia em que soube que a Rita estava sozinha.

Começaram a namorar. Passados 6 meses.

Toda a gente em Campo de Ourique sabia. Porque não esconderam de ninguém.

A minha mãe andava em pranto. Queria a oficialização da coisa.

A Rita era filha de um grande amigo do meu pai.

O meu irmão disse-lhe que não queria saber de formalidades. Namorava e depois logo se via.

A minha mãe andava horrorizada. Estamos a falar de anos 90.

O meu irmão esteve um tempo na Dinamarca a terminar o curso e a estagiar. A Rita esteve lá com ele durante uma parte desse tempo.

A minha mãe à beira de um AVC.

- Mãe é normal. Convém conhecer bem a pessoa, ela a mim e só depois casarmos. Para não terminar em divórcio.

Convenceu a minha mãe. Esta declaração. Que ficou mais calma durante um tempo.

Quando o meu irmão regressou. E organizou a vida profissional. Casaram.

Continuam casados. Têm 3 filhos.

 

Pedro e Joana

Quinta-feira

Uma pessoa. Eu. Vai a uma consulta com a filha.

Está à espera de um ser carrancudo. E mal humorado.

Mal o vê acha que se enganou no consultório.

Ele diz que não. Não me enganei. Estou no sítio certo.

A consulta dura quase 4 horas. E com algumas perguntas da parte dele um bocado para o pessoal.

 

Sexta-feira.

Uma pessoa. Eu. Recebe uma chamada. Dele. Do número pessoal.

A dizer que está tudo bem com a filha.

Passados aqueles primeiros segundos de pânico. Sem saber se está tudo bem ou não.

Apetece prolongar o telefonema até ao infinito. Mas a pessoa tem dignidade....e não o faz.

 

 

Segunda-feira.

Uma pessoa. Eu. Está em Angola. E recebe um telefonema. Dele.

Com um convite para jantar.

A pessoa. Eu. Diz que não pode. Está em Angola.

A pessoa. Ele. Acha que é uma desculpa.

A pessoa. Eu. Entra em pânico. E desata a dizer:

- Não é desculpa. Não é desculpa. Não é desculpa....estou em Angola....mesmo.

E passa o resto da tarde a enviar-lhe fotos para o telemóvel com locais Angolanos. Esteve para sair uma selfie com José Eduardo dos Santos...mas infelizmente não o consegui localizar.

 

Sexta-feira.

Uma pessoa. Eu.

E outra pessoa. Ele.

Almoçamos.

Uma pessoa. Eu. Não para de pensar.

- O que raio estou eu a fazer? Não penses e ouve o que ele está a dizer a uma determinada altura vais ter de responder e não dá jeito que ele pense que és burra. Concentra-te, Joana. Concentra-te, Joana. O que raio é que ele está a dizer, ó caneco....não sei o responder...sorri, Joana. Sorri....OMG!

Despediu-se com um semi abraço e dois beijinhos.

Disse-me ao ouvido:

- A partir de agora, sempre que aparecer o meu número no teu telemóvel, não penses em coisas más.

Ainda bem que eu estava encostada ao carro. Ou as pernas tinham-me falhado. Mais do que quando me esbardalhei à grande e à francesa....em Amesterdão...

 

Sábado.

Mandou-me flores. E trocámos mensagens.

 

Domingo.

Trocámos mensagens.

 

Segunda-feira

Trocámos mensagens.

 

Terça-feira

Praia das tartarugas.

 

Quarta-feira

Descompensou.

 

Quinta-feira

Fiz-lhe um ultimato.

Segundo ele, simplifiquei-lhe a vida. Diz ele, que ficou a saber que eu queria o mesmo que ele.

 

Sexta-feira

Começámos a namorar.

Falámos. E combinámos.

Vamos para Dublin, terça. E se tudo correr bem.

Quinta, quando regressarmos. Regressamos juntos.

Cá estamos. Ah! E sim...correu tudo bem em Dublin!

Da minha parte. Estou 100% certa do passo que dei.

Embora muita gente me diga o contrário.

Não é por mal. Eu sei...

A maioria quer o meu bem. E tem medo que eu me estampe na primeira curva.

Pensem...

Já me disseram isso:

- quando comecei a trabalhar aos 17.

- quando saí de casa aos 17.

- quando estudei e trabalhei.

- quando quis continuar a trabalhar no local onde era feliz e não abracei nenhum negócio de família.

- quando não me quis casar com o meu ex, aos 32/33. Porque era a altura certa.....segundo me diziam.

- quando não quis ter filhos por volta dessa idade. Também era a altura certa...

- quando não quis ir mais além com o rapaz do #rumoaoesquecimento, porque embirrei com os comentários que ele fazia às amigas no instagram.

- etc.

 

Eu sei que preferiam que eu fosse mais Sofia e José. Rita e Tiago.

Seria mais seguro. Mas não sou. Não somos.

Pedro e Joana. Joana e Pedro.

 


Sempre quis. Ser eu. A protagonista da minha vida.

Num guião escrito por mim. E não por outra pessoa.

Já falhei. E aprendi.

Já duvidei...mas no fim de contas. Nunca me arrependi.

 

Não stressem. Amigos.

Vai tudo correr bem.

Palavra de Joana!

 

 

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Joana Marques

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