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Quiosque da Joana

06.03.18

passei-lhe a batata quente...

Joana Marques

A minha amiga Maria tem um cão.

Comprou-o depois de um divórcio complicado.

Na altura, fazia voluntariado num canil. No canil, de onde veio o Vasco. Ainda lhe disse para visitar o canil. E escolher um...

Não, não e não. Queria um cão muito giro que tinha visto numa loja de um centro comercial.

Três dígitos de euros depois.

Comprou o cão.

Um minorquinha. De uma raça qualquer. Com um pedigree a estoirar lá para infinito.

Não sei se foi pelo divórcio. Ou não. Este cão foi mimado até à medula. E ficou chato como o canário...

No nosso grupo de amigos é chamado de xoninhas.

É como aquelas pessoas que só apetece dar um estalo.

- Quero.

- Afinal não quero.

- Faço beicinho e quero.

- Guincho, porque já não quero.

- CHORO,  ninguém me liga, eu quero.

- Ai, que desgosto mortal...estou lavado em lágrimas. Quem disse que quero...

 

Se um Vasco alegra muita gente. Pinóquio deprime muito mais. Aquele choro dá-nos vontade de infligir dor a nós próprios.

Mais vale um Vasco com um frango assado roubado. Do que um Pinóquio a voar...

Sim. Por razões que a própria razão desconhece. O bicho chama-se Pinóquio.

A minha amiga está de férias esta semana. E de TODOS os nossos amigos, adivinhem quem foi a contemplada para tomar conta do Pinóquio???

É muito difícil adivinhar.

Eu sei! Provavelmente não há um único quiosquiano que consiga chegar lá...

Pronto. Vou desvendar.

Fui eu.

- Tu??

Eu sei que é estranho. Depois do meu deslize imperdoável. Era altamente improvável que alguém me confiasse um fungo quanto mais um cão.

Mas a verdade é que aconteceu.

Chegou ontem. Aqui a casa.

Ele. As mil e uma rações. Porque Pinóquio tem de variar a comida. Ou enjoa. E vomita o universo.

Duas fatiotas diferentes. Porque não pode ir à rua sem estar vestido. O ventinho do Guincho entope-lhe as vias respiratórias. E depois enjoa. E vomita o universo.

A sua tigela. Deve ser Vista Alegre. Porque enjoa. E logo a seguir, vomita o universo.

E uma casota. Porque quando dorme tem de estar escuro. É normal.

A luz pode dar cabo de uma boa noite de sono.

Eu que o diga que sou do Sporting.

Ah! E enjoa. E vomita o universo!

 

Pinóquio chegou. E chorou.

A dona foi-se embora com o coração nas mãos.

O Vasco ignorou-o completamente. Pinóquio é um cão. 300€ o quilograma. Mas ainda assim, um cão.

Aliás, o Vasco estava a dormir na minha cama. E nem se mexeu.

Mais tarde quando acordou. Foi à cozinha beliscar qualquer coisa. Voltou para a minha cama. E adormeceu.

Só que. Afinal havia outra.

Julieta:

- Ó pá! É que não tenho sorte nenhuma. Andava eu pelas ruas de Carcavelos a engatar bad boys e surfistas e vim parar aqui. A humana é uma barata tonta, parece parva. A mini humana passa a vida a cair. E o cão, nada! Nem olha para mim. ...eu, gata, gira e charmosa! Um desperdício. E isto?? O que é isto?? Estão a gozar comigo???

 

Julieta. Essa fofa.

Começou a intimidar Pinóquio.

Sempre que o pobre tentava sair da sua casota.

- Ffffffffffffffffffffffff.

E com a pata tentava chegar-lhe.

Pinóquio. Estava que nem podia. Encafuado dentro da casota.

Aterrorizado.

Num pranto.

 

O rei acordou.

E percebeu que algo se passava.

Espreitou.

-Saiam da frente! Saiam da frente. Eu é que mando. Eu é que mando.

E....

De um lado a Julieta. De outro lado o Vasco.

Pinóquio estava sobre sequestro na minha cozinha.

Dentro da sua casota. Que abanava forte e feio. O cão chorava enquanto era vitima de bullying.

Vasco, esse fofo. Mesmo nas barbas de Pinóquio. Saboreava a comida. Que roubava calmamente da tigela do sitiado.

E quando Pinóquio se mexia.

- Ffffffffffffffffffffffff.

Julieta. Imparável.

 

Dei banho à Alice.

Dei-lhe o jantar.

Com um cenário de guerra na minha cozinha.

A Alice adormeceu. Ainda tratei de umas questões.

Sempre de olho nos 3.

E quando me fui deitar. Não tive coragem de deixar Pinóquio entregue à bicharada.

Vários cenários passaram pela minha cabeça.

Uma possível violação. Julieta!

Ou, simplesmente alguém comer Pinóquio, ossos incluídos. Vasco!

 

Peguei na casota e no Pinóquio. E coloquei-os no meu quarto.

Pinóquio tremia que nem varas verdes e chorava.

Lá fora. Colados à porta.

- Ffffffffffffffffffffffffff. Julieta!

- Rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr. Vasco!

 

Eu. Tresloucada. Atirei um:

- Tudo calado que ainda acordam a Alice.

Sim.

A minha sanidade mental.

Já teve melhores dias. Há muito tempo....

......o Quiosque ainda não existia...

 

A Alice acordou.

Deixei o Pinóquio no meu quarto. Fechado à chave. O Vasco abre portas.

Fechei o Vasco na sala.

Fechei a Julieta no escritório.

E eu fechei-me no quarto da Alice. Que voltou a adormecer à uma da manhã.

Dormi por lá.

 

Hoje de manhã liguei à minha irmã.

E passei-lhe a batata quente.....

...Pinóquio continua choroso...

...mas......

........numa outra freguesia..

 

pinóquio.jpg

(Pinóquio a falecer de medo....depois de ter sido vitima de bullying)

 

 

 

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Joana Marques

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