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Quiosque da Joana

21.06.18

Pedro, bem-vindo à minha família!

Joana Marques

O dia do casamento passou a correr. Quase não dei conta.

Tenho uma ideia que casei mas parece um sonho qualquer que tive durante a noite.

Terminou, domingo, pelas duas e tal da manhã.

 

Foi à hora que eu e o Pedro saímos rumo a Lisboa.

Ficámos em casa do Pedro.

Daí a umas horas estávamos a apanhar o avião para Cabo-Verde.

 

Cabo-Verde é Cabo-Verde. 

Joana e Pedro.

Pedro e Joana.

Fomos muito felizes em Cabo-Verde.

Ponderámos ficar lá para sempre.

Numa barraquinha na praia. 

Ai, o amor e uma cabana. 

Sol. Mar. E alguém para amar.

É tão boa a vida simples.

 

De Portugal as notícias eram assim assim.

Os meus pais ficaram com a Alice e com o Vasco, no Alentejo.

O meu sobrinho Pedro estava com eles.

Os exames na faculdade só começam para a semana e aproveitou para relaxar e sair do reboliço de Lisboa.

- A Alice fala muito na mamã, até quando está a brincar, fica tristonha mas é fácil de animar. O Vasco não...

 

O Vasco comeu que se fartou durante o casamento.

O meu pai é um alvo muito fácil. Basta um olhar do Vasco. Não é preciso ser muito esmerado. Só um olhar....

E o meu pai dá tudo....o que tem e o que não tem.

Se for preciso põe os rins no prego. 

Hipoteca os pulmões.

Vende o fígado.

E oferece-lhe o coração.

O Vasco comeu que se fartou e depois eu fui-me embora.

E o Vasco hibernou.

Primeiro foi para a minha cama.

Depois fez um ninho no sofá da salinha de cima.

Desviou as almofadas do sofá e aí ficou com uma parte das almofadas por cima dele e a tábua que divide o sofá do sofá-cama.

Os meus pais recorreram a tudo e a todos.

O meu sobrinho Pedro bem tentou.

A Alice apareceu para fazer festinhas.

O frango assado espreitou e disse:

- Olá, Vasco!

Nada resultou. O cão cheio de comida assim ficou.

 

Chegámos hoje de manhã. 

Seis e meia. Aterrámos em Lisboa.

Ainda com a pele a cheirar a sol. E o cabelo a cheirar a mar.

A inspirar corações.

A expirar corações

A respirar amor.

A saber que o que nos espera é bom. Mas com uma certa pena de deixar Cabo-Verde. E a vida a dois.

Ainda ficámos um tempo por Lisboa.

A namorar. E a passear à chuva...

A dizer um ao outro.

- Que sorte que eu tive!

 

A realidade chamou-nos e tivemos de rumar até ao Alentejo.

Fomos a viagem toda a 50 km/hora.

Chama-se fazer render o peixe.

 

E chegámos ao caminho que vai dar ao monte.

Por essa altura. Em minha casa. 

Um cão emergiu do ninho. 

Atirou as almofadas ao ar.

O sofá saiu do sitio. E bateu numa porta de vidro de um móvel. Estalou.

- Será a Joana e o Pedro?

 

Sim. Era a Joana e o Pedro.

O carro deu a curva. E em casa. Pela janela da salinha já se via o carro.

O cão disparado. Desceu as escadas.

E derrapou no chão de madeira do corredor.

O meu sobrinho abriu-lhe a porta. Mas como demorou 15 segundos.

Levou com uma rosnadela. 

Que lhe fez mirrar os rins.

- Sai da minha frente, ó miúdo...

 

O cão estava cá fora.

Socorro. O cão estava cá fora.

Deus nos acuda.

O meu pai foi até ao portão para o abrir.

E o cão não viu portão.

Não viu João.

Não viu nada.

Fez-se à estrada.

 

- Joaninha? Aquele não é o Vasco?

Á nossa frente.

Apareceu um cão. Que mais parecia um leão.

A ladrar de contentamento.

A levantar pó por todos os lados.

- É melhor parares o carro. Antes que ele se atire contra o carro.

Comecei a temer que o Vasco se atirasse ao carro e se aleijasse à séria.

Saí do carro.

E desvairado.

Atirou-se contra mim. Ficou ao meu colo.

 

Ó senhores que estão neste momento a ler o Quiosque.

Num momento...

..... uma pessoa ainda se sente em lua de mel.

Só amor.

Boa vida.

Sentimentos bonitos.

No momento seguinte tem um cão de uma tonelada e meia ao colo.....

...e tem uma sensação de calor a correr pernas abaixo. Calor e humidade ao mesmo tempo.

O homem dentro do carro a rir-se às gargalhadas.....

....eu percebi que o cão fez xixi para cima de mim.

 

O Pedro continuou e estacionou o carro.

E eu apareci ao longe. Com um cão ao colo. 

As minhas sapatilhas faziam:

Chap. Chap. Chap.

 

Vi a minha mãe. O meu pai. E o meu sobrinho. A Alice estava a dormir.

O cão saiu finalmente do meu colo.

E continuou aos pulos. Radiante da vida.

- A Joana voltou. A Joana voltou. A Joana voltou.

 

Cumprimentei como consegui a minha família. 

Estava coberta de xixi, o que tornou os cumprimentos pouco apetecíveis. Para eles...

E...

.....o Vasco quase não deixou. Sou dele e de mais ninguém...

- Ninguém toca na Joana! NINGUÉM TOCA NA JOANA! SAI DAQUI! NINGUÉM TOCA NA JOANA!

 

Depois de festas, festinhas e mais festinhas. O Vasco foi acalmando.

Nunca saiu do pé de mim.

Nunca confiando na Joana! Nunca!

 

 

Antes de entrar em casa. E correr para a banheira...

...aproveitámos para conversar e contar as novidades uns aos outros. E rir do meu banho de xixi....

O cão estava deitado em cima dos meus pés. 

O meu sobrinho tinha acordado tarde e não tinha almoçado com os meus pais.

Estava a comer um hambúrguer no pão.

E de repente....

....uma precisão que envergonha o melhor cirurgião de rins à face da terra.

O cão saltou.

Uma fração de segundos.

Um salto preciso.

Uma boca aberta na conta certa.

E era uma vez hambúrguer. E pão. E alface. E tomate.

Afastou-se ligeiramente. E comeu calmamente o repasto roubado.

Ladrão que é ladrão. Rouba naturalmente e ainda olha para os outros com um ar de:

- O que é que estão a olhar?? Eu posso! Sim?

 

Nós. Os cinco. 

De boca aberta.

Pela lata do cão.

Pela precisão.

Pela perícia.

Este cão no cirque du soleil e eu não precisava de trabalhar mais na vida.

 

 

Voltou. 

Como se nada fosse.

Olhou para mim.

E pumba....

....mais uma vez.

Sem dar conta. Sem aviso prévio tinha o cão ao colo.

Feliz, feliz por me ver.

Passou-me uma lambidela desde o nariz até à orelha.

E o Pedro veio em meu socorro.

Não devia. Mas veio....

 

Imaginem que o intestino grosso teve um filho com o intestino delgado.

O que se seguiu não foi bonito.

Toda a comida armazenada desde sábado à noite.

Viu a luz do dia.

O cão explodiu....

...os meus pais fugiram. O meu sobrinho fugiu. Eu tinha o cão ao colo. E o Pedro estava agarrado ao cão.

E como se não bastasse. O hambúrguer acabado de comer também viu a luz do dia.

Vamos lá ver.

Xixi. Rins! Andam de braço dado todos os dias...

Cocó....está muito para além do campeonato do Pedro...

Temi pelo meu casamento...

 

 

O meu pai lavou o Vasco à mangueirada.

O meu pai lavou-nos, a nós, à mangueirada. 

A roupa foi para o lixo.

Tomámos banho.

Voltámos lavadinhos, lavadinhos. Sem vestigios de explosão canina....

O Vasco também, lavadinho e cheiroso...e mais calmo. Muito mais calmo...

Nem conseguimos olhar um para outro sem chorar a rir....

O Pedro sempre teve cães em casa dos pais e nunca, nunca lhe aconteceu nada parecido.

 

Pedro,

é assim...que os Marques H. R. recebem....

Nem nos teus sonhos mais selvagens!

Imaginarias!

.......que irias passar por esta praxe!

 

Pedro,

....bem-vindo à minha família!

 

 

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Joana Marques

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