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Quiosque da Joana

02.05.18

Pedro. Para onde é que vamos?

Joana Marques

Desde o início dos tempos que não me consigo encaixar no dito "normal".

Eu sei que a palavra "normal" pode ser muito vaga. Mas existem padrões.

Normas.

Comportamentos que consideramos mais habituais do que outros.

Por muito que se evolua. Existem comportamentos que atribuímos mais às mulheres.

E outros, mais aos homens.

Papeis diferentes. Também. Até porque somos diferentes. Alguns mais do que outros.

Ao longo do tempo já evoluímos. Mas eu ainda não me encaixo....

 

Uma colega dizia-me uma vez:

- Eu não sou loura mas o meu namorado gosta que eu seja. E por isso sou.

Fazia-me uma confusão dos diabos.

Alguma vez, na vida, ia pintar o cabelo porque o meu namorado gostava? Não.

Nessa altura, estava com o meu primeiro namorado. E olhava para ele, com uma certa pena...

- Pobre de ti. Namorado da Joana. Se fosses namorado da Vera...eras um sortudo.

 

Uma amiga minha dizia-me, uma vez que fui a casa dela.

- Não temos luz na cozinha. O Afonso ainda não mudou a lâmpada.

- Queres que mude a lâmpada?

- Não! Eu também sei mudar mas é bom que ele pense que é útil aqui por casa.

- ?

- Os homens têm um certo instinto protetor, quando percebem que não precisas deles para nada, deixam-te e vão procurar outra que precise deles e lhes dê valor.

Caneco. Com mil Slimanis. Nunca tinha percebido tal coisa.

Foi como uma facada nas costas.

Ainda de manhã tinha estado, com a ajuda da minha pistola de cola quente, a colar ao rodapé, o fio que o homem da TV cabo deixou solto. Onde? Na casa do meu namorado!

Lindo, Joana!

Vais acabar sozinha que é uma beleza.

 

Uma outra amiga.

Casou com um empresário. Rico.

E um dia saiu-se com uma que me deixou de boca aberta:

- Já lhe disse. Daqui a um ano quero estar a morar numa casa com piscina.

Eu fiquei estupefacta e pensei.

Se eu quiser uma casa com piscina.

Não preciso casar. Que disparate, casar.

Poupo dinheiro e compro uma casa com piscina.

Ao longo dos anos, percebi que a disparatada era eu.

Poupo dinheiro? E um dia vou ter uma casa com piscina?

Sim! Daqui a 4 reencarnações....isso e um unicórnio...

Pronto! Mas não me via a casar com alguém e exigir uma casa com piscina. Nem a brincar. Quanto mais a sério.

 

Outra. De alguém.

- O meu namorado deu-me uma pulseira linda! Custou $$$$.

Oh! Não! Nunca em tempo algum. Não era capaz. Ir ver quanto custa a prenda. Do género, ele gosta tanto de mim que me deu uma prenda que custa $$$$. Também não dá para mim.

 

Estas situações passaram-se com pessoas que conheço.

Nenhuma delas é má pessoa.

Mas eu não sou assim.

Eu. Joana. Não consigo ser assim.

Não consigo fazer-me passar por mocinha indefesa. Porque não sou.

Não consigo fazer algo que não goste só para agradar.

Não consigo fingir que sou lerda para aumentar o ego da cara metade.

Não cedo. Se achar que tenho razão.

Não ligo nenhuma a presentes caros. Nem quero.

 

A primeira vez que o Pedro esteve cá em casa.

Disse-lhe. O que digo a toda a gente que vem cá.

- Cuidado com o cão. O cão gosta muito de telemóveis. E de todos os aparelhos similares.

E contei-lhe a história do meu Ipad. Falecido. Paz à sua alma.

 

Era uma vez um Ipad lindo e maravilhoso.

Que eu comprei.

Um bocado por curiosidade.

Custou-me os olhos da cara.

Mas eu dei de barato porque estava enamorada pelo bichinho.

Ainda não tinham passado dois dias, quando tocaram à campainha e eu levantei-me do sofá.

Deixei o bichinho.

E fui abrir a porta.

E o lobo mau. Abriu a boca.

E comeu o Ipad.

Não foi o lobo mau. Foi o Vasco.

Quando retornei à sala. O meu Ipad tinha morrido de morte matada. Mordida. E mastigada.

 

O Pedro achou graça à história.

E disse-me que não tinha nenhum Ipad. Tinha um telemóvel. E que ia ter cuidado.

Até agora ainda não aconteceu nada.

Uma questão de dias, digo eu.

O lobo mau. Anda a rondar. Meus amigos!

Anda a rondar.

Um dia destes.....

 

Ontem.

O Pedro chegou. Do hospital.

A Alice fez uma festa.

O Vasco fez uma festa.

E eu fiz uma festa.

O Pedro trazia na mão um saquinho.

E disse-me que era para mim.

Quando abri. Era um Ipad.

- Parece-me que o tens em falta.

 

Quase morri.

E ele também. Provavelmente, porque não estava à espera da minha reação.

Tive de o sentar. E dizer-lhe.

- Por favor. Não me dês presentes caros.

O homem. Fez uma expressão. Do mais aterrado que há.

Lembram-se deste dia?

Foi pior.

 

Disse-lhe que para mim.

O mais importante é ele. Ele é o melhor presente. Por isso se chama estar presente.

A atenção que ele dá à Alice. E o esforço que fez até ela o aceitar.

A forma como trata o Vasco.

E tudo o que ele fez para nós darmos certo.

Convenhamos, não é qualquer homem que de um dia para o outro ganha uma família completa com cão e tudo.

Sem tentar fugir a 7 pés.

 

Perguntei-lhe se não podia devolver o Ipad.

Disse-me que sim. Mas sempre com um olhar de:

-Não estou a perceber o que se passa aqui. Mas afinal que pessoa és tu, Joana??

Ainda lhe perguntei.

- E tu, não precisas do Ipad?

- Não. Ainda não me habituei a ler relatórios por aí. Prefiro em papel. Sou à moda antiga. Para mim não tem qualquer utilidade, já para ti, achei que sim.

 

Até que eu tive uma ideia.

- Devolve o Ipad. Guardamos o dinheiro até às próximas férias e dá para uma viagem ou parte dela. O que achas? Assim, usufruímos todos. E eu não me sinto tão mal por andares a gastar tanto dinheiro comigo. Escolhe o destino. Fazemos as malas e vamos...

 

Concordou.

Combinámos. 

Presentes mais caros. Só se for para nós enquanto família.

De resto.

Só lembranças. Que tenham significado.

E lembranças não quero dizer que lhe vou dar nos anos um coelho feito de peúgas velhas. Nada disso.

Um rim, talvez....

 

Pedi-lhe desculpa. Por ser assim. Mas não consigo deixar de ser sincera...

Disse-lhe que...

....podia ter fingido.

Ficado com o Ipad. Mas era melhor ele ter noção. Do que tem à frente.

E, se quiser desistir ainda não estamos casados.

- Pedro foge, enquanto conseguires....

 

Por muitos anos que tenham passado.

Desde aquele primeiro namorado.

De quem tive pena. Não deixo de pensar?

- Merece tanto ser feliz. Será que serei eu a pessoa certa? Ou alguém, mais "normal" seria melhor, para ele?

 

Ele fez o que faz muitas vezes.

Riu-se.

Abraçou-me.

E disse-me.

- Por onde é que tens andado? Porque é que só te encontrei agora?

Sempre querido. Sempre gentil.

 

 Quando a esmola é grande....

.....estou desconfiada. Que este homem pertence a uma rede de tráfico. E......

............só está comigo pelos meus espetaculares rins.

 

Já agora, Pedro......

......para onde é que vamos??

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Joana Marques

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