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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

Porque não?

04.05.19, Joana Marques

Por aqui há um espírito de equipa que adoro!

Moramos num local onde praticamente não há Sul Africanos, propriamente ditos.

Todos nós estamos deslocados. E por isso vem ao de cima o melhor do ser humano.

Equipa. Solidariedade. Entreajuda.

Sinto-me em casa. Não sei muito bem explicar mas sinto-me em casa.

Não são só as pessoas. Os vizinhos.

É tudo. O espaço. A terra. O cheiro. 

Parece que pertenço aqui. Parece que sempre pertenci aqui.

 

Ao meu lado mora um casal de Argentinos.

Ele é colega do Pedro no hospital. E ela está em casa.

Têm dois filhos. Um rapaz de 12 anos e uma miúda de 3 anos.

Ela, a Melani, tem um jeito incrível para a costura.

Faz a roupa toda dos filhos. A sua própria roupa. 

Para substituir um fato de princesa que a filha usava e que já estava a ficar apertado, fez-lhe outro muito giro. Uma princesa bailarina. Ou uma bailarina princesa. Usou tule para a saia. E fez uma coroa para a cabeça e tudo. Tudo em rosa! Como as meninas gostam.

Como nós somos vizinhos começou a fazer um para a Alice. E outro igual para uma miúda de 4 anos que mora também muito perto. Holandeses!

Rosa. Azul. Amarelo. As cores dos fatos das princesas.

 

Temos combinado todas e para termos mais tempo, à vez, ficamos com as 3 miúdas.

As miúdas brincam umas com as outras e nós vamos tendo uma ou outra tarde para nos organizarmos.

Parece mentira. Ainda estou de licença de maternidade. A Mariana é a bebé mais calma da história dos bebés desde o tempo dos visigodos. E eu não tenho tempo para nada!

Parece que estou a gozar com quem trabalha. Mas não.

Acreditem. Não tenho tempo para nada.

A verdade é que nem sei muito bem o que faço durante o dia todo. 
Mas ando a mil, como nunca andei. E nunca tive tão pouco tempo.

Adiante.

 

Na quarta-feira a Alice foi para casa da Melani brincar com a filha e com a pequenita holandesa.

A Melani tinha-me dito que seria o dia em que ia vestir os vestidos de princesa bailarina às 3 meninas.

E como a filha anda no ballet e a holandesa também disse-me para aparecer por lá com o Pedro porque as ia ensaiar e iríamos ser contemplados com uma maravilhosa coreografia.

 

Assim foi. Esperei pelo Pedro. Pegámos na Mariana e lá fomos.

Já lá estavam os holandeses e o marido da Melani, também. 

 

Fiquei de queixo caído quando olhei e vi as 3 meninas vestidas de princesa bailarina.

A Alice. A minha Alice estava com o fato cor de rosa.

Não sei muito bem o que aconteceu. Nem perguntei. Não havia ninguém a chorar por isso nem quis saber como é que a minha ficou com a cor mais apetecível.

 

Fiquei mais uma vez de queixo caído quando as miúdas começaram a tal coreografia.

À frente. Quem?

A Alice pois claro! 

Também não sei muito bem como nem porquê mas a Alice dançava à frente e no meio.

Entre uns passos. Uma vénia. E um abanar de braços. Fiquei rendida.

 

Resultado. Desde quarta-feira que não quer tirar a roupa de princesa bailarina.

É um castigo para tomar banho.

É um castigo para vestir o pijama.

É um castigo para a vestir de manhã.

 

Ontem, vestida de princesa bailarina diz-lhe o Pedro.

- Alice, não podes andar vestida sempre assim!

A Alice vira-se para nós.

Faz uma vénia. Vai-se embora. 

Pára a meio do caminho.

Vira a cabeça para nós e diz!

- Poooooque não?

E foi à vidinha dela....

 

Nós os dois. Tivemos uns bons minutos a digerir aquele:

- Porque não?

Nunca. Em toda a minha vida. Pensei ficar sem reacção com apenas duas palavrinhas vindas da boca de uma criança de dois anos. 

Ontem foi o dia.

 

Hoje. Não vestiu o fato de princesa bailarina. Porque quem manda somos nós.

E entretanto já recuperámos do choque.

 

 

3 comentários

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    Joana Marques

    04.05.19

    Um choque de cada vez....
  • Sem imagem de perfil

    Áurea

    05.05.19

    🤔
    🙄
    😏
    😀😁😂
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