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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

quanto baste...

07.03.18, Joana Marques

Naquela semana horrível. A pior semana da minha vida. A semana passada.

A Alice teve de fazer uma quantidade de exames e análises.

Quando o pediatra prescreveu os exames, liguei para os locais que conheço. Perguntei quando é que podiam ser feitos.

Ao fim de uma hora acho que tinha ligado para meio mundo.

E escolhi os que podiam ser feitos logo ou quase.

Um desses exames foi feito numa pequena clínica perto de Sintra.

Fui busca-lo hoje.

Já li o relatório. Enviei o relatório para o pediatra.

- Está tudo bem.

Enviei para o meu tio.

- Está tudo bem.

Enviei para o José.

- Está tudo bem.

Acho que está tudo bem.

 

A clínica abria às 8. Cheguei pouco depois.

Já estava composta. Algumas pessoas à espera.

A rececionista disse-me que a ficha da Alice não estava completa. E pediu-me o cartão do cidadão.

- Nome do pai?

- Não tem.

Muito alto. E a rir-se...

- Não tem? Toda a gente tem pai...

Nisto, umas quantas pessoas sussurraram....

- Verdade. Toda a gente tem pai. E a minha filha não é exceção...mas eu não sei quem é.

- Como assim? Já ouviu falar em teste de paternidade.

Eu, muito calma....

- No século XXI toda a gente já ouviu falar mas não se aplica neste caso....

Muito alto.

- Mas eu preciso de um nome do pai. Não tem uma ideia sequer??

Por esta altura já as pessoas se riam com a situação.

- Não tem nada a ver com isso mas a minha filha é adoptada e eu não sou casada. Foi adoptada só por mim. Logo não lhe posso dar um nome...

- Adoptada? E não tem medo? Não sabe nada sobre ela...

- Sei. Sei que é minha filha. E isso é quanto baste...

 

A Alice estava ao meu colo. Sorriu-lhe. E disse-lhe adeus.

 

 

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