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Quiosque da Joana

22.01.18

rumário. Com U.

Joana Marques

Estou a morar em casa do meu irmão até a minha casa ficar um sitio habitável.

Na segunda feira passada tocaram-me à campainha.

Era a vizinha de cima.

 

Os vizinhos de cima são muito amigos do meu irmão.

Conheço-os das festas de anos dos meus sobrinhos.

E de outras almoçaradas que às vezes dão em casa. Têm duas gémeas de 4/5 anos.

Elisabete, a vizinha tinha na mão um aquário com um peixe preto lá dentro e uma caixinha cilíndrica com a comida do peixe.

Quando me viu, fez um ar tão admirado, achei que não me conhecia.

Eu também estranhei porque a família do meu irmão já cá não está desde Outubro.

- Ah! Joana? Tenho ouvido pessoas aqui em casa pensei que tinham voltado.

 

Contei-lhe a história da minha casa e porque tinha ocupado aquela.

- Queres que fique com o peixe?

- Se não te importares. Vamos passar uns dias ao norte. Voltamos segunda feira para evitar o trânsito de domingo.

- Sem problemas. Vai descansada.

 

O cão não estava em casa. Estava em casa dos meus pais com a Alice.

Peguei no peixe.

E comecei a olhar para ver se encontrava um local seguro para o bichinho.

Achei que ficava bem no móvel da sala.

Numa prateleira alta.

 

À tarde fui buscar a Alice e o Vasco.

E mal entra em casa. O cão dá conta.

Posição de ataque. Virado para a prateleira do peixe. Orelhas à escuta.

Porque como todos sabemos é super perigoso aquele tipo de peixe.

E a qualquer momento pode saltar do aquário e vazar uma vista a um de nós.

 

Fiquei preocupada. E se cão se atira à estante e vem tudo parar cá abaixo.

E se conseguir chegar ao aquário.

E se bebe a água......coisas que me passaram pela cabeça.

Em vão a preocupação.

O cão logo sentiu um odor a fralda suja.

Bastante mais aliciante que um peixe cabisbaixo dentro de um aquário.

Nunca mais olhou para ele.

E eu relaxei.

O cão falhou. Eu falhei.

Quem é que eu quero enganar...falhei eu....

 

Dizer em minha defesa.

Todos os dias tenho de tratar da Alice e do Vasco.

Tenho de fazer jantar e almoço. Faço de uma vez só, para a semana toda, mas tenho de o fazer.

Todas as semanas faço pão.

Todas as semanas faço leite de aveia e de amêndoa.

Arrumo a casa, limpo, passo a ferro, organizo a roupa...enfim, sabem como é.

Ah! E trabalho ...tenho uma profissão a tempo inteiro.

Fui para o Alentejo o fim de semana...e tive de fazer as malas..

 

 

Isto não serve de desculpa para o que eu fiz.

Digamos que levei o #rumoaoesquecimento demasiado  a sério.

E, mais.

Confundi as personagens.

E esqueci-me. Mesmo, mesmo bem esquecido. Do peixe.

 

Lembrei-me dele hoje de manhã.

Porque fui ao móvel buscar um livro que o meu pai me tinha pedido e reparei que o peixe estava estranhamente parado.

Nem queria acreditar.

Foi um dos momentos mais deprimentes da minha vida.

Apelei a quem achei que me podia ajudar naquele momento trágico.

- Alice! O peixe morreu....Vasco, o peixe está morto!

 

 Para além de me ter esquecido do peixe.

De ter deixado o peixe morrer.

Ainda apelei a duas entidades...conhecidas e reconhecidas mundialmente por darem vida a peixes falecidos.

Vasco e Alice. Alice e Vasco.

Sim, senhor! Sanidade mental, TOP!

 

Saí de casa.

Deixei a Alice e o Vasco na casa dos meus pais.

Com um camadão de nervos em cima.

Como é possível eu ter-me esquecido do peixe.

Não contei nada aos meus pais porque ainda estava em choque.

Cheguei a casa e resolvi ir comprar um peixe. Um substituto. Pôr no aquário. E fingir que sou uma pessoa de confiança.

 

 

Liguei para o veterinário do Vasco.

- Olha lá sabes onde vendem peixes pequeninos. Em preto. Assim, daqueles bolachudos...

- Joana. Em primeiro lugar bom dia! Em preto? Conheço peixe espada preto...diz que a praça de Benfica tem bastante qualidade..nunca lá fui mas a minha mãe costuma lá ir e gaba muito a praça...posso-lhe perguntar se tem lá alguém de confiança...

- NÃO É NADA DISSO. Fiquei de tomar conta do peixe espada do vizinho e esqueci-me de o alimentar e o peixe morreu..e preciso de o substituir..

- O teu vizinho tem um peixe espada em casa??

- Não. É um peixe preto..não é espada...é só preto e é daqueles que tem bochechas...ou orelhas...parece o Dumbo em peixe...estás a ver??

- O Dumbo em peixe? Devo ter faltado a essa aula...

 

Do outro lado alguém estava prestes a sufocar com a história.

Deste lado, alguém estava prestes a rebentar uma veia no cérebro.

- Calma. Passa nas lojas de animais e vai perguntando. E vais ver que encontras.

 

Peguei no peixe cadáver, coloquei-o numa caixinha pequenina. Do ikea. Daquelas com tampa azul.

E saí de casa.

Toda a minha planificação do dia por água abaixo. Que se lixe.

Joana.

#rumoaopeixepretoebolachudo.

Ó senhores. Perdi a conta às lojas de animais que fui.

Hoje. Olhei para pelo menos um milhão de peixes.

Comparei tamanhos.

Comparei bochechas.

Comparei guelras.

Comparei preto com preto.

Liguei a meio mundo. À procura de lojas de animais.

Um bom início de semana, portanto.

 

Se encontrei o peixe?

Preto?

E bolachudo?

O Dumbo em forma de peixe.

Um peixe em forma de Dumbo.

 

Sim.

Mas a que preço.

Tive de ir à margem sul.

A um local chamado Vale de Figueira (acho eu).

Ao Bricomarché.

Mostrei o cadavérico. E um senhor simpático pôs-me diante de um aquário.

Trouxe dois. Antes que um estivesse doente...e quinasse, também.

Um foi para dentro do aquário. Outra para dentro de um copo. O suplente.

 

E quando a campainha tocou. E a vizinha recebeu o peixe.

- Bem, Joana. Até parece maior. E olha que vivaço que ele está...

Só me apeteceu dizer...

...Devias ter passado por cá de manhã...tão mortiço e em decomposição...

 

E sim.

Tenho um peixe dentro de um copo.

Pretinho.

Bolachudo. Parece que tem asas nas bochechas.

Chama-se #rumário. Com U.

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Joana Marques

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