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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

serões em família...

02.10.18, Joana Marques

Na casa dos meus pais via-se pouca televisão.

Na altura só havia dois canais. A escolha era fácil. E o mais fácil, muitas vezes, era desligar a televisão.

Quando chegava da escola via os desenhos animados. Se não estivesse de castigo. 

Vou corrigir a frase anterior para: quando chegava da escola quase nunca via os desenhos animados. 

 

O meu pai chegava do trabalho pelas 19h. Jantávamos todos a essa hora.

Às 20h dava o telejornal e era sagrado para os meus pais.

Mal terminava desligava-se a televisão. 

Até ir para a cama passavamos tempo uns com os outros.

Foi neste tempo, a seguir ao jantar que eu aprendi a jogar damas e xadrez.

Nunca consegui ganhar ao meu pai. Mas eu sempre tive muito azar ao jogo por isso...é óbvio que é apenas e só uma questão de sorte! 

Jogávamos, jogos de tabuleiro. Às vezes às cartas.

Conversávamos. 

 

Por esta altura, entre os 6, 7 anos. Tinha dias.

 

Dias em que achava que ia ganhar a Eurovisão.

Pegava numa corda de saltar e transformava-a em microfone.

Punha a minha família toda a assistir. Incluindo o namorado da minha irmã, hoje marido dela e meu cunhado.

E cantava, cantava. Dançava. E como fazia ginástica acrobática. 

A minha performance era pautada por contorcionismos vários.

Todos aplaudiam. Todos. Porque eram obrigados. 

O meu irmão. Esse grande estupor. Tinha tendência para gozar com a minha atuação.

A minha corda/microfone ameaçava transformar-se em chicote. Nada como intimidar o nosso publico para ele gostar de nós. 

 

 

Outros dias. Não era nada disto. 

Achava que ia ganhar um óscar. Nunca quis ser atriz. Eu queria era ser um avião.

Mas...

...acreditava piamente que um dia iria ganhar um óscar.

Pegava no Sonasol. O detergente que a minha mãe usava para lavar a loiça.

Entregava-o ao meu pai.

O meu pai tinha de apresentar as atrizes (inventava nomes de pessoas tipo: "Maria Joaquina" no filme: "Chora que isso passa").

Pormenor, muito importante, da boca do meu pai tinha de sair...

- and the oscar goes to....

Dizia o meu nome.

Eu surgia do nada. Muito emocionada. Quase sem conseguir falar.

O meu pai entregava-me o detergente. Ou melhor o óscar, o verdadeiro, claro!

Eu discursava.

Agradecia a este e àquele. 

 

Ontem fomos todos jantar a casa dos meus pais.

O jantar começou às 19h. Tal como sempre foi.

Mandámos o telejornal às urtigas.

Eu e os meus sobrinhos animamos o serão de todos com cantorias. Somos tão afinadinhos....caneco!

A Alice ainda acordada. Dançou que se fartou com a Margarida. 

Conversámos que nos desunhámos.

A Mariana só pode ter gostado!!

 

É tão bom ser criança. 

Ontem, senti-me a miúda com 7 anos. 

A que queria ser um avião e que tinha a certeza que, um dia ia ganhar um Óscar e a Eurovisão. 

 

 

 

 

 

Há dois anos no Quiosque!

Sou uma pessoa optimista!

Sempre fui. Quando algo falha acho sempre que o universo me  vai rescompensar de alguma maneira.

Recompensou. Mas não com a pessoa que eu achava que ia recompensar...

 

Há um ano no Quiosque!

Parece que foi ontem que escrevi isto!

Já passou um ano....

Foi destaque no Sapo.

 

 

 

 

 

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