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Quiosque da Joana

10.03.18

só nos sai o euromilhões se jogarmos...

Joana Marques

É loucura odiar todas as rosas porque uma te espetou. Entregar todos os teus sonhos porque um deles não se realizou, perder a fé em todas orações porque em uma não foi atendido, desistir de todos os esforços porque um deles fracassou. É loucura condenar todas as amizades porque uma te traiu, descrer de todo o amor porque um deles foi infiel. É loucura jogar fora todas as chances de ser feliz porque uma tentativa não deu certo. Espero que na tua caminhada não cometas estas loucuras. Lembrando que sempre há uma outra chance, uma outra amizade, um outro amor, uma nova força. Para todo fim um recomeço.

 

 O Principezinho” de Antoine de Saint-Exupéry

 

Maria Emília tem 68 anos.

Casou pela primeira vez aos 20 anos. Teve a sua primeira filha aos 23.

O marido morreu num acidente de trabalho tinha a filha 6 meses.

Aos 30 anos refez a sua vida. Teve outro filho aos 32.

Ficou novamente grávida aos 38 anos. A gravidez correu mal desde o início. Descobriram que tinha lúpus.

A doença agravou-se.

E foi ouvindo a palavra aborto aqui e ali.

Só assim poderia ser medicada em conformidade com a doença que tinha.

Nunca cedeu. E aguentou a gravidez até pouco mais de 7 meses. A filha Luísa sobreviveu.

Ainda estava na maternidade quando o marido, pai de Luísa, se chegou e a informou que não podia viver assim. Ainda era muito novo para se prender a uma mulher doente. Saiu de casa.

Maria Emília regressou a casa sem Luísa, ainda na incubadora, e sem marido. Que a trocou por uma russa.

É óbvio que esta história tem dois protagonistas. E eu não ouvi a outra parte. Não posso nem quero fazer juízos de valor.

São estes os factos. Só os factos.

Com 3 filhos a cargo e uma doença complicada, Maria Emília lá foi tentando viver a vida. Um dia de cada vez. Muitas vezes um minuto de cada vez.

Conheci-a em 2014.

Tinha sido operada ao coração e eu estava a fazer voluntariado num hospital de Lisboa.

Ficámos amigas.

A vida dela podia ter corrido mal em alguns aspetos mas não deixava de ser uma pessoa positiva. E bem disposta.

O que nós nos rimos nos corredores daquele hospital....

 

José Maria, tem 70 anos.

Tem dois filhos. Viúvo. Desde os 40.

Criou os filhos. Sozinho.

Vivia em Lisboa, numa casa arrendada.

Com o preço da renda a subir todos os anos.

Decidiu arranjar a casa dos pais, próximo da Ericeira. E mudou-se.

 

Foi lá que um dia destes. Perto de casa encontrou Maria Emília. Apoquentada com um furo, no pneu do carro.

Ajudou-a. E conversa puxa conversa. Perceberam que são feitos da mesma fibra. São feitos da mesma matéria.

Casam hoje.

E eu fui convidada.

Juntaram uns trocos e vão passar a lua de mel a Paris.

Vão ser felizes para sempre...

 

..... só nos sai o euromilhões se jogarmos...

 

 

 

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