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Quiosque da Joana

03.01.18

somos o que comemos....

Joana Marques

Este ano que começa trouxe-me novas rotinas.

Já não saio muito cedo para ir correr. Saio muito cedo para ir andar.

Neste momento só 3 km. Ou a perna zanga-se a sério.

Regresso e tomo o pequeno almoço.

Entretanto a Alice acorda e trato dela.

Tenho a sorte de estar em casa dos meus pais. Ficam com ela enquanto trabalho.

Começo às 8h. Nem um minuto depois.

Despacho dados e mais dados.

Faço um intervalo pelas 11h. E vou visitar a Alice que por esta hora está a acordar da sua sesta da manhã.

Retomo o trabalho.

Faço uma pausa para almoço.

Se estiver tudo feito já não volto para o trabalho. Amanhã também é dia.

Se não, volto e fico até fazer tudo o que tinha planeado.

 

Hoje, já não voltei.

Esperei que a Alice acordasse. Dei-lhe o lanche. E fui até casa da minha tia Luz.

Ainda não conheciam a Alice. O meu tio foi operado e a minha tia não quis deixá-lo sozinho.

Apareci lá por volta das 16h.

A minha tia pegou logo na Alice. E esta desfez-se em sorrisos.

- Joana fiz paté de camarão. Vai à cozinha e prova. Tens tostas na despensa.

A minha tia faz o melhor paté de camarão de todo o sempre. Já lhe pedi a receita mas não consigo que fique tão bom.

Como a minha tia sabe que eu adoro.Tem sempre feito quando sabe que passo lá por casa.

 

Entro na despensa.

Tiro as tostas.

Abro o frigorífico e tiro uma caixinha. Só eu é que sou fanática pelo paté e por isso a minha tia faz pouco.

Toca de espalhar paté em algumas tostas. Não muitas.

Coloco as tostas num prato e volto para a sala.

Noto o paté diferente. Bom, mas diferente.

- Está mesmo bom. Mas tem um sabor diferente.

- A sério? Fiz exatamente da mesma maneira. Será que é por ser pouco?

- Talvez. Parece que tem um sabor muito mais acentuado a mar.

- Devo ter carregado no camarão.

 

Terminei o meu repasto.

A Alice continuava no colo da minha tia. O meu tio a fazer todo o tipo de graças.

E eu volto à cozinha.

Ainda pego em mais tostas, espalho paté. Como.

Continuei a comer que nem uma alarve. Na cozinha. A vergonha impedia-me de regressar..

Parecia que não comia desde o ano passado.

Mesmo espetacular o paté.

Diferente? Sim!

Melhor? Sem dúvida!

-Joana??

- Só um bocadinho, estou a arrumar tudo.

Ainda não. Estava era a comer paté. Tinha tirado uma colher da gaveta. E toca de comer paté.

Até que, tive de ser forte.

Voltei a pôr a caixinha do paté no frigorífico.

Fechei a caixa das tostas e voltei a colocá-las na despensa.

Com um sentimento de vergonha.

- Não devia ter comido tanto. Se a minha mãe sabe põe-me de castigo com esta idade.

Voltei para a sala.

Estive mais um pouco. E voltei para casa.

 

Passado uma hora, talvez...

 Tocou o telefone de casa dos meus pais. Era a minha tia...

- Olha lá Joana, quase não tocaste no paté. Estive a provar e é igual ao de sempre.

- Não toquei no paté??? Comi mais de metade da caixinha....

- A caixa do paté parece intacta. Se não tivesses aparecido na sala com as tostas diria mesmo que não tinhas comido nada...

 

Concluindo...eu Joana, lambuzei-me toda na comida do gato.

A caixinha do paté era outra...

Ponto positivo, um bom paté está agora à minha disposição na secção de comida para animais num qualquer hiper ou supermercado...

Ponto negativo, não é assim que se inicia um novo ano....

 

Somos o que comemos!

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