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Quiosque da Joana

25.04.18

super. Alice

Joana Marques

Um dia. Espero. Lerás estas linhas que te vou escrever.

Hoje fazes um ano.

Eu. Tua mãe. Tenho a cabeça a mil.

Parei agora um bocadinho para escrever estas palavras.

Provavelmente sem sentido. Provavelmente meias parvas. E lamechas.

Assim, sou eu.

 

Se algum dia te perguntares porque raio não tiveste um bolo de aniversário igual ao das outras meninas.

A palavra que estás à procura. É:

Joana.

A frase que explica tudo, é:

A tua mãe, eu, voltou a ser Joana.

 

Confesso-te que demorei muito tempo a escolhe-lo.

Porque o primeiro bolo é muito importante.

Sabia que o queria fazer.

Porque cozinhar é um gesto de amor. E quero que o amor seja a palavra do dia.

Pensei num bolo simples. Barrado a cor de rosa. Com um topo de bolo comprado numa loja.

Ainda andei. Muito tempo, a achar que era mesmo isso.

Ficava bem na mesa.

Não te ia envergonhar quando tivesses 15 anos e visses as fotografias.

Muito politicamente correto. Pouco Joana.

 

Depois, achei que podia apanhar boleia. Do que se vê por aí.

E fazia um bolo Minnie.

Tens uma Minnie que gostas.

O bolo era fácil de fazer. O topo eram umas orelhas de rato. E podia pôr o teu nome.

Ah! E seria cor de rosa. Claro!

Desisti.

 

Depois, a minha cabeça virou-se para a Alice.

No país das maravilhas.

Quando estive em Dublin. Comprei uns cortadores de bolo.

E umas figuras para o enfeitar.

Estava decidido. O tema era Alice no país das maravilhas. E não se falava mais nisso.

Claro, que se fala mais nisso.

Não era perfeito. Para mim. Não encaixava.

 

Até que um dia destes olhei para ti.

E vi. O que és.

 

 

Lembrei-me do dia em que me ligaram.

14 de Dezembro.

A dizer que tu existias. Se eu te queria?

Isso é lá pergunta? Claro que te quis logo.

E sem te conhecer. Sem saber nada de ti. Apenas a idade.

Amei-te. Para sempre.

O meu coração desassossegou-se para sempre.

 

Lembrei-me do dia em que te fui buscar.

27 de Dezembro.

De te trazer ao meu colo. E de te abraçar durante toda a viagem.

De te falar ao ouvido.

E de nunca mais te largar.

 

Vem-me à memória. Os dias seguintes.

Não choravas. Não rias.

A expressão era sempre a mesma.

E depois. A felicidade de um dia teres resmungado qualquer coisa.

Teres chorado porque algo não estava bem.

E no dia seguinte. Esboçares um sorriso.

 

Alice. Tu és a Super Mulher.

A mulher maravilha.

A miúda que passou por mais provações no primeiro ano de vida. Que na maioria das vidas, comuns.

A miúda que não se deixou abater por isso.

E escolheu. Ser feliz.

Escolheu dançar pela vida fora. Dar beijinhos. E atirar sorrisos por onde passa.

Cuidado com os dentes. Às vezes mordes!

 

 

Por isso o teu bolo. Hoje.

É um bolo de super mulher.

Para, que nunca te esqueças. Do que és. Da tua essência.

 

Ao longo da vida, se alguém te disser o contrário, não acredites.

Segue em frente. Segue o que achas certo.

 

Se alguma vez duvidares de ti. Não duvides!

Pensa lá bem...

Tens o abraço mais quente que já me abraçou.

É a tua capa de super miúda. De super mulher.

Tu não precisas de querer ser um avião.

Porque tens a tua capa.

Ela vai te levar a qualquer lado onde queiras ir.

 

E quando a capa se virar do avesso.

Os braços que te foram buscar uma vez.

Vão estar onde quiseres que estejam.

Abertos.

Para te acolher. Para te endireitar a capa.

Porque é um privilégio. Uma sorte. O melhor da minha vida.

Ser tua mãe.

Super. Alice.

 

 

19.04.18

e assim começou mais um dia....

Joana Marques

A Alice adapta-se muito bem a novas situações.

É verdade que teve um início de vida difícil.

Penso que esta facilidade de adaptação, não terá só a ver com isso. Faz parte de ser criança.

Mas, independentemente de tudo. Conhece bem os que lhe são próximos.

É uma bebé muito simpática. Desde que esteja ao colo da mãe, da avó, avô, padrinho, etc.

Ou então que nos consiga ver.

Se os olhos dela não nos alcançarem. Puxa pelos pulmões.

E....

...põe um concerto de uma banda de metal no bolso.

 

 

Quando conheci o Pedro estava com a Alice.

Nas vezes seguintes não. Mas falámos sempre nela.

Avançar para um relacionamento inconsequente não fazia parte dos meus planos. Nunca fez. Nem antes da Alice.

Neste momento menos sentido fazia.

Falei com o Pedro sobre isso.

E quando resolvemos avançar. O Pedro disse-me que a Alice deixava de ser "minha" passava a ser "nossa".

Eu sou mãe de primeira viagem.

O Pedro é pai de primeira viagem.

Eu tenho alguma experiência em sobrinhos.

O Pedro nem isso. É filho único.

 

Estamos os dois a aprender.

Eu já levo algum avanço.

O Pedro chegou mais tarde. Mas...pouco importa.

A Alice estranhou o Pedro.

O Pedro não se intimidou com isso.

Deu-lhe tempo. Para se habituar à presença.

Deu-lhe colo.

Deu-lhe atenção.

 

Hoje de manhã, a Alice acordou. Com um sorriso enorme.

O Vasco estava comigo.

Tirei-a da cama e coloquei-a no chão.

Um ritual de todos os dias. Fazer uma festa ao cão.

Continuou a andar. Caiu. 

A gatinhar. Corredor fora.

Sempre a falar em alicês....

Foi ter com o Pedro ao quarto.

Um sorriso. Aberto. De um lado e do outro.

O Pedro pegou-lhe ao colo...

..... e assim começou mais um dia...

 

12.04.18

infantário. Sim? Ou não?

Joana Marques

Durante os primeiros oito meses de vida, a Alice andou de instituição em instituição.

Quando soube que a ia adotar achei que seria muito cruel coloca-la num infantário.

Quis que criasse laços comigo. E com a restante família.

Consegui isto porque neste momento tenho um horário de trabalho muito flexível. E os meus pais ficam com ela muitas vezes. Quase todos os dias.

Se não fosse isso. Não dava. Já estaria mesmo num infantário.

 

A adaptação da Alice correu muito melhor do que eu esperava.

Arrisco a dizer que a Alice é uma criança feliz.

Come bem. Dorme bem. Não é muito chorona mas tem os seus momentos. Como toda a gente...

É um bocado teimosa. Mais ou menos como eu.

É muito alegre. E afetuosa.

Conhece muito bem as pessoas que lhe são próximas. E reage de forma diferente aos que lhe são estranhos.

Em caso de aperto. Começa a chamar mamã, mamã...

É muito curiosa.

 

Convive com outras crianças. Quando vai ao parque infantil.

Tenho um parque infantil aqui no jardim do prédio que serve os prédios aqui à volta.

Mas também frequenta outros.

Convive com os filhos da minha prima Joaninha. 3 rapazes um pouco mais velhos que ela.

Acho graça. Vê-la a interagir com eles. É a mais nova mas sabe defender-se. Às vezes até demais.

Partilhar! Tento incutir-lhe. Sem cair em exageros. Também é importante lutar pelo que quer.

Educar é difícil. É o que é...

 

Ir para um infantário. É algo que tenho andado a ponderar.

Seria preferencialmente e na maioria dos dias, apenas de manhã. Ou à tarde.

Seria útil a meu ver. No processo de socialização com outras crianças. Para perceber que o mundo não é só ela.

Mas....

...tenho dúvidas. E questões.

 

  • Doenças.

Tirando este susto. E um, ou outro efeito provocado por algumas vacinas.

A Alice tem sido uma criança muito saudável. Nem um pingo no nariz.

Até o processo de dentição tem sido pacífico.

Estar a pôr a miúda dentro de uma caixinha cheia de vírus.

Faz-me recuar. E ter vontade de a ter comigo até aos 24 anos.

 

  • Alimentação.

Tendo sempre o aval do pediatra. E aconselhando-me com ele.

Tenho aplicado na Alice tudo o que tenho aprendido neste último ano. Nada de açúcar. Nada de processados.

A Alice não come papas. Daquelas de pacote.

Come sopa. Muita sopa. Fruta. E começa a comer sólidos. Aqueles 5 dentes...são uma verdadeira maravilha!

As refeições principais são dadas por mim. Ou pelo Pedro. Ou pelos meus pais.

Mas gosto que ela coma por ela. Por exemplo, os lanches da manhã e da tarde.

Suja tudo à volta. Suja-se toda também. Mas acho importante que ela pegue nos alimentos e aprenda a gostar...ou não.

Tudo sem pressas e sem pressões...

No infantário posso optar por lhe preparar a lancheira em casa e controlar o que come.

Mas aquelas festas de aniversário cheias de açúcar, sumos de pacote, gomas e outras coisas.

Fazem-me recuar.  E ter vontade de a ter comigo até aos 24 anos.

 

  • Televisão.

A Alice por norma não vê televisão. Em casa não vê.

Já foi a casa de pessoas com televisões ligadas e sobreviveu...claro! Sem stress. E sem grandes alarmismos.

Mas...em casa, ainda não.

Não quero criar uma espectadora dependente do ruca (é o único desenho animado que conheço) para comer.

Ou para dormir. Ou para chantagear a pobre mãe.

A verdade é que gosto de passar tempo com ela a brincar e a interagir de outra maneira. Não vejo a hora de a pôr a desenhar. A jogar. A fazer actividades experimentais. Esse tempo chegará...

E sim, sou uma privilegiada porque tenho tempo para isso.

A flexibilidade no meu horário é uma benção.

É claro que não vai ser para sempre. Daqui a uns tempos liberalizo um bocadinho mal de nada a televisão.

Até porque existe alguma programação que considero educativa. Sempre com conta, peso e medida, assim eu consiga.

Nos infantários, abusam muito de filmes, televisão e outros acessórios??

Pensar nisso.  Faz-me recuar. E ter vontade de a ter comigo até aos 24 anos.

 

  • Música Infantil

A Alice adora música. Mas não sabe o que é música infantil.

Eu sei. Sou uma péssima mãe.

Egoísta. Até dizer não.

Mas pensar que vou ter de ouvir aquela música das bununus e lurunjus.

Dá vontade de me atirar para o chão e começar a chorar.

Já pensei no caso.

Quando ela for mais crescida. Ela escolhe uma música. E eu escolho a seguir.

E a coisa é mais ou menos democrática.

 

Eu sei que não a posso proteger para sempre.

O que é pena. Eu estou preparada para a ter debaixo da minha asa até aos 24....30 anos.

Cortar o cordão umbilical é muito difícil. Muito mais do que eu tinha imaginado.

 

Posto isto. A Alice vai fazer um ano daqui a uns dias.

Ando a pensar.

Sim? Arrisco e ponho-a num infantário.

Até aposto que a miúda ao fim de uma semana está adaptada. E eu ao fim de um ano ainda choro quando a deixo...

 

Não? Espero pelo menos mais 6 meses.

E a vida continua linda e maravilhosa. Eu controlo tudo. Tudo.

Excepto o cão....

 

Contem-me a vossa experiência. Por favor.

Pais e mães experientes.

 

05.04.18

com o rei na barriga...

Joana Marques

Cheguei com o Pedro a Lisboa.

Enviei uma mensagem ao meu pai a dizer que tinha chegado bem.

Recebi a resposta:

- Não precisas de vir já. A Alice está a dormir e o Vasco aguenta mais um tempo. Aproveita.

Lembrei-me que o meu pai lê o blog. E por isso sabe de tudo.

Deixei o Pedro em casa. E fiquei por lá mais uma hora.

À despedida apeteceu-me começar aos gritos...

- Arranquem-me o coração mas não me tirem o homem...

 

Deixei-me de coisas. E rumei até ao Estoril.

Estava a estacionar o carro ao cimo da rua. Já ouvia um cão. A ladrar. A fazer barulho. A descabelar-se.

A perturbar o sossego de uma rua pacata e familiar.

- Arranquem-me o coração mas deixem-me ir ter com a Joana!

 

Mal dei conta tinha o cão ao colo. Com coração e tudo. Ele e eu.

O meu pai abraçou-me e disse-me ao ouvido.

- Estou muito feliz por ti.

Com o fogo de artificio todo. A Alice acordou.

À euforia do cão. Juntou-se a euforia da Alice.

Dei o almoço à Alice.

Almocei lá em casa dos meus pais.

 

E depois.

Peguei nos dois. E chegamos a casa.

Um dia lindo. Um céu maravilhoso. Está calor.

Abri todas as janelas. Para a luz entrar.

Sentei a Alice na cadeirinha da cozinha.

Está tão feliz. E tão acordada. Parece-me que hoje não há sesta para ninguém.

 

De repente, entrou pela varanda um abelhão. Daqueles que faz um senhor zumbido.

O Vasco ficou deslumbrado.

Se fosse uma aranha tinha cortado os seus pulsos peludos.

Como é um abelhão. Ficou ainda mais eufórico.

A Alice olhou para o abelhão. Ouviu o zumbido. Deve ter achado que era um desenho animado.

A abelha Maia na cozinha.

Apontava para o abelhão enquanto se ria. Batia palmas. E quase deitou a cadeira abaixo.

- Viva o abelhão! E todos os abelhões do mundo.

 

O Vasco voou de uma ponta da cozinha à outra.

E numa ginástica só vista em Cristiano Ronaldo.

Abriu a boca.

Atirou-se.

E almoçou o abelhão.

 

Tenho a certeza que ouvi o abelhão e o seu zumbido.

Goela abaixo.

Mesmo antes de mergulhar no suco gástrico do estômago do cão.

Se aquele estômago consegue digerir aros de soutiens. Um abelhão é um passeio no parque. Ou no estômago!

 

A Alice bem olhou para ver se via o abelhão. Ria-se tanto. Tive medo que deixasse de respirar.

Vasco, é um comedor profissional. Leva muito a sério o seu ofício.

Uma vez engolido nada mais será aparecido.

 

A gata olhou para nós com um ar de virgem ofendida.

E eu.

Ainda me dói o corpo todo. Tal foi o contorcionamento. Provocado pelo riso.

 

Aqui em casa. Os dias são muito leves. Como algodão.

Às vezes juntamos-lhe açúcar. Mais do que a conta. Não fica enjoativo. Mas....

.....descompensamos. Todos juntos. Assim, um bocadinho...

 

O Pedro está a chegar. Para se juntar à fábrica de algodão doce.

Logo hoje.

Que o cão está com o rei na barriga.

 

25.03.18

pink. Is the new green...

Joana Marques

A minha filha está muito crescida. Faz hoje 11 meses.

Parece uma senhora.

Já não consigo convence-la a estar muito tempo, ao colo.

Aprendeu a andar. E há muito mundo para descobrir na vertical.

Agarrada a tudo o que apanha. A uma velocidade considerável.

Já se solta mas sempre a medo. Tenta muitas vezes o primeiro passo. Sem a muleta.

Já consegue. Ainda não atinge a velocidade que quer.

Não é de desistir. Mas quando está em jogo a boneca preferida. Vai a gatinhar. Chega mais rápido. E em melhores condições.

 

Dançamos. Todos os dias.

Desde que a Alice esteja acordada, há sempre música por aqui.

E é a Alice que me convida.

É incrível. Como eu a compreendo.

Só diz mamã. Mas eu percebo a maioria das coisas que ela me quer dizer.

Não são precisas palavras.

Só o olhar. E as expressões.

Gesticula. Muito.

 

Vasco. E Alice.

Alice. E Vasco.

São os melhores amigos.

Têm um acordo qualquer entre eles.

O Vasco serve de andarilho. E a Alice alimenta-o quando tenta comer sozinha.

O Vasco está sempre disponível para ela. Nunca tem sono. Nunca está rezingão.

Trocam mimos entre eles.

Falam os dois.

Foram feitos um para o outro. É o que é....

 

A minha mãe costuma dizer-lhe, com as mãos na cabeça.

- "Ai, Jesus!"

A Alice quando a vê de manhã. Não diz "Ai, Jesus", ainda não consegue.

Mas põe as duas mãos na cabeça a imitar a avó.

E quando nos rimos. Ri-se também.

Quando se ri, torce o nariz de uma maneira muito característica. Que só ela tem.

 

É uma teimosa. Com bom feitio.

Teima até à última. Mas tem fair play.

Quando sabe que perdeu. Ri-se e atira beijinhos.

 

É simpática. Mas não gosta de andar de colo em colo.

Tirando o meu. E os de casa. Avó. Avô. Padrinho. Tios. Não gosta muito.

Chama. Mamã. E às vezes chora.

 

 

Só aceita bonecas e bonecos que estejam vestidos de rosa.

Deram-lhe um urso, muito giro.

Recusou. O pobre do boneco.

Coloquei-o na cama dela. Não queria.

Vesti-o com uma t-shirt rosa. E fiz-lhe uma saia rosa.

Agora dorme com ele.

Tive de fazer o mesmo ao Jubas.

Em casa dos meus pais dorme com um Jubas. Mascarado de princesa.

 

Uma onda rosa invadiu a minha vida.

Não há retorno. Não há volta a dar.

Estou rendida.

Pink is the new green!

 

pinkisthenewgreen.png

 

22.03.18

duas sílabas

Joana Marques

Cheguei a Portugal um pouco depois das 6 horas da manhã.

Habituada a temperaturas acima dos 30.

É incrível como é que me adapto rapidamente a temperaturas altas. Mas às baixas, nem por isso.

Mal coloquei o pé fora do avião. O meu corpo queixou-se e a minha alma também.

 

 

Fui diretamente do aeroporto para casa dos meus pais.

A Alice ainda estava a dormir.

 

Sentia-me cansada.

Dormi pouco. E mal.

Por muito que goste de aviões. Não chegam aos calcanhares da minha cama.

 

...ouvi isto.

Meio atabalhoado.

O suficiente. Para me salvar de uma noite mal dormida.

 

Duas sílabas. E o meu mundo nunca mais foi o mesmo...

16.03.18

sem açúcar. Claro!

Joana Marques

Foi mesmo agora.

O telemóvel tocou.

Não conhecia o número. Atendi.

Do outro lado uma voz que não me era familiar mas também não me era totalmente estranha.

Dr. Pedro.

- Olá Joana. Daqui é o Pedro. Esteve aqui ontem no consultório.

 

Olá Joana?? Daqui é o Pedro.

O homem é uma celebridade no mundo dos rins...e apresenta-se assim como se fosse um Pedro qualquer..

Percebi que me estava a ligar do seu número pessoal. Tenho o número do consultório gravado no meu telemóvel...e não era este.

 

Quando percebi quem era. O meu coração parou durante uns segundos.

O bastante para não morrer. O bastante para não conseguir respirar.

- Já estive a analisar todos os exames de forma minuciosa. Está tudo bem. A Alice é uma menina saudável.

A ouvir isto. E as lágrimas a caírem pela cara abaixo.

- Desculpe, Pedro. Sou uma chorona....Obrigada.

Do outro lado riu-se.

E respondeu.

- Ora essa, chore à vontade. Se precisar de mais alguma coisa diga.

Agradeci-lhe mais umas 20 vezes. E continuo a agradecer. A ele, ao pediatra, ao meu tio e ao José.

E a todos vocês que me deram uma palavra de alento.

 

Estou tão agradecida. Tão agradecida. Que.

Estou a ponderar, neste momento, hipotecar os meus dois rins.

Só para vos encher....de rebuçados....

.......sem glúten, sem lactose e sem açúcar, claro!

 

15.03.18

quase, quase a respirar de alívio...

Joana Marques

Ontem. Estava eu nos preparativos para a festa do meu sobrinho. Recebi uma chamada.

Era do consultório, do médico especialista, que me tinha sido indicado por várias pessoas.

Quando apareceu sangue na fralda da Alice. O pediatra disse-me:

- Não deve ser nada, mas aconselho-te a consultares o Dr. Pedro.

Em conversa com o meu tio, a mesma coisa.

- Não deve ser nada, mas aconselho-te a consultares o Dr. Pedro.

E o José. Que aparece por aqui de vez em quando. Também.

Também me avisaram.

- É de poucas conversas. Mas nada lhe escapa.

- Não é muito simpático mas é o melhor.

 

Foram três conversas. Distintas. E sem conhecimento umas das outras.

E todos me indicaram o homem.

O médico.

O especialista.

Craque dos rins.

E de outras miudezas urinárias.

 

Tinha ligado. Naquela semana negra.

Pronta a suplicar.

A implorar.

A descabelar-me.

Por uma consulta urgente.

 

Quando do outro lado.

Uma voz.

Me disse que o doutor estava em Boston.

Marquei à mesma.

Para dia 23 de Março.

Depois de fazer um choradinho.

Digno de um óscar.

 

Ao longo dessa semana.

Fui acalmando.

O pediatra foi descartando as piores hipóteses.

Sempre com cautela.

O meu tio também.

 

Acabei por ligar para o consultório outra vez.

A dizer que em príncipio não seria nada.

Se precisassem da minha consulta para alguém urgente, não me importaria de esperar mais um pouco.

Do outro lado riram-se e disseram-me que não.

Já estava marcada. E que ia ficar como estava.

Pediram-me para enviar todos os exames que tivesse, para ser tudo mais rápido.

Falei com o pediatra. Enviou tudo.

E recebi um sms por parte do consultório a dizer que tinham tudo o que precisavam e que a consulta estava confirmada para dia 23.

 

Ontem ligaram-me.

- Temos vaga para uma consulta, amanhã, às 8h. Está interessada?

Disse logo que sim.

Hoje lá estava. Eu. E a Alice.

E às 8h estavamos a ser atendidas.

 

Entrámos. E o médico começou por me fazer mil e uma perguntas, sobre a Alice.

Uma delas sobre amamentação.

Tive de lhe dizer que era adoptada.

E que não fazia a mínima ideia se tinha sido amamentada ou não. Mas tinha ideia que não.

Estava comigo desde dia 27 de Dezembro.

Acabei por lhe contar a história.

A minha.

A da Alice.

Como é que fiquei com a Alice.

E também o pouco que sei, sobre a vida dela antes de a ter.

 

A Alice estava ao meu colo.

Sempre a tagarelar.

Aprendeu a atirar beijinhos.

E agora passa a vida nisto...é mesmo uma fofa, a minha filha!

 

Pediu-me uma quantidade de informação pessoal.

Achei estranho.

Porque tinha acabado de preencher uma ficha com toda a informação.

Disse-me que tinha dúvidas num dos exames (aquele que a Alice fez em Sintra) e que o queria fazer ele.

Para requisitar o exame tinha de ter a ficha dela preenchida.

 

A Alice fez o exame. Portou-se bem.

À partida não tem nada. Mas....

...há sempre um mas......daqui a uns dias terei a resposta definitiva.

 

Voltámos ao consultório.

A Alice foi ao colo dele. Sempre a dizer:

- Mamã. Mamã...

Ainda sinto um arrepio quando ouço a palavra dita por ela...

 

Sala de espera cheia. Já eram quase 10 horas da manhã.

Voltámos a entrar.

Dei o lanche da manhã à Alice.

Bolachas que eu faço para ela.

As conversas são como as cerejas...

Começámos a falar sobre comida. E comida é um dos meus temas preferidos.

A Alice adormeceu ao meu colo.

Saí do consultório. Quase às 12h.

 

Gostei bastante do médico. Foi muito simpático.

Tratou-nos bem. Ouviu-me. Deu-lhe atenção.

Pareceu-me muito competente...

....quase, quase a respirar de alívio...falta o quase.

 

11.03.18

nem quero pensar quando chegar ao J. De Joana.

Joana Marques

Félix chegou por volta das duas da manhã.

Se calhar até chegou antes, mas não dei conta.

Dormia eu profundamente. Acordei com o choro da Alice.

Dorme bem, 99% das noites. E por isso levantei-me de repente. Aquela semana negra ainda está muito presente.

Mal saí da cama.

Alguém, a ocupou. Devia estar lá pelo quarto sem eu dar conta. Vasco entrou de rompante na zona J.

Parece-me que se eu começar a dormir no estendal da roupa......também vai querer experimentar...

 

Estava a chover torrencialmente e a Alice deve-se ter assustado com a chuva.

Tirei-a da cama. Aconcheguei-a ao meu colo. Dei-lhe miminhos.

Quase três da manhã.

Começou a fechar os olhos. Começou a adormecer lentamente.

 

Entrou de rompante no quarto da Alice. O Vasco, com a trela na boca.

Não queria acreditar.

- 3 da manhã, Vasco. 3 da manhã!

Embrulhei a Alice. Não a quis deixar sozinha.

Fui ao meu quarto vestir o roupão. A minha cama estava ocupada pela Julieta.

 

Com a Alice ao meu colo. Soltei o Vasco no jardim do condomínio. Já a pressentir o pior.

Sem trela. Ia-se sujar. Todo.

Fiquei à entrada do prédio. Chovia. E fazia vento.

O Vasco lá foi à vida dele.

Foi rápido. Mas em vez de aparecer em tons dourados...apareceu em tons lama, 2018. De fazer inveja aos Pantone da vida...

Mal chegou perto de nós. Sacudiu-se todo. Apanhei eu, também. Tudo o que tinha direito.

Com a Alice ao colo não consegui limpar-lhe as patas, sequer. Entrou naqueles preparos no prédio.

Mais uma vez. Sacudiu-se todo.

A entrada do prédio. Fica com. Lama nas paredes. Lama nas caixas do correio. Pegadas de lama no chão.

Cheguei a casa. A correr fechei todas as portas. Antes que o cão se deitasse no sofá..ou na minha cama.

Deitei a Alice.

E dediquei-me ao cão.

Banheira. Banho.

Quase quatro da manhã.

O cão limpo e cheiroso. Expulsou a Julieta da zona J. Deitou-se e adormeceu.

A minha cama parecia o triângulo das bermudas.

Tem qualquer coisa de magnético.......que nos faz querer desaparecer do mapa.

 

Enchi um balde. Detergente. Esfregona. Paninho.

Quando olhei para a entrada do prédio.

Toca de limpar tudo. No mais absoluto silêncio. Não eram horas de fazer barulho.

Limpei o chão. As paredes. As caixas do correio. Deixei a porta de casa aberta para poder ouvir a Alice caso acordasse.

Às cinco da manhã tinha tudo num brinco.

Expulsei o cão da zona J.

Deitei-me.

Às 5h30. Fui acordada pelo despertador.

Toca a levantar. Que as manhã são tudo de bom...

Tomei banho. E vesti-me.

Saí a correr de casa e passei a pente fino o jardim do condomínio.

Lá encontrei o cocó do cão.

Sou uma pessoa tão triste que consegue reconhecer os cocós do seu prório cão....

Voltei para casa em paz. E com vontade de aproveitar o Domingo...calmamente.

Tenho quase 40 anos...idade para sopas, descanso e caldos de galinha...

 

F. De Félix...

Nem quero pensar quando chegarmos ao J. De Joana...

 

 

07.03.18

7 de Março

Joana Marques

Fiquei com a Alice só para mim. Hoje.

Às vezes fica com os meus pais. A maior parte dos dias.

Quando não podem. Fica comigo.

Hoje podiam. Mas fiquei com ela. Apeteceu-me tanto ficar com ela.

Não tinha nenhum Skype marcado. Fui gerindo o trabalho consoante os horários dela.

Quando cheguei de manhã, o cão convidou-nos para ir à rua.

Saímos os três. Não chovia. Nem fazia frio.

Vagueámos pelo Guincho.

Voltámos.

A Alice comeu. E adormeceu.

E eu dediquei-me ao trabalho.

Quando acordou. Estive com ela de corpo e alma.

Almoçou. Brincámos. Voltou a dormir.

E eu. Trabalho. Que remédio...

Quando acordou. Convidei o cão a sair.

Dormia refastelado na minha cama. Às vezes acho que a bexiga do cão consegue armazenar um camião tir de xixi.

Lá foi. O tempo não estava muito convidativo. Mas teve de ser.

O passeio foi só aqui à frente do prédio.

Sujou-se todo. Claro.

A lama é algo que o seduz...estranhamente. Já lhe dei banho...

 

Voltei a casa. Sentei a Alice em cima da mesa de apoio da sala.

Queria tirar-lhe os sapatos. E calçar-lhe umas meias...para andar aqui por casa mais confortável...

Tirei um sapato. Sempre a falar com ela.

Deixei de falar porque senti a mão dela na minha cara.

Olhei para ela.

Riu-se.

E disse.

- Mamã.

(ainda estou a assimilar....e em choque, sobretudo em choque..)

 

Joana Marques

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