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Quiosque da Joana

18.10.18

Alice. A autoritária...

Joana Marques

Estou de repouso!

O meu Pedro contratou a minha mãe para ficar comigo. 

37 anos. E cheguei a este ponto.

Ainda me tentou convencer a deixar a Alice entregue ao meu pai e garantir o meu repouso.

Tive de ir buscar um argumento. Daqueles grandes.

- Olha que a Mariana passa a ser Guadalupe.

Depois de 30 recomendações. Mais 453 conselhos. E mais 4538 ordens. Lá concordou.

A minha miúda é um amor. Não dá trabalho nenhum.

De manhã esteve sentadita ao meu lado enquanto lhe ensinava o nome dos animais que tem em miniatura.

Li-lhe uma história. Disse-lhe para ir ao quarto dela buscar um livro e ela foi.

Brincou com o cão.

Brincou com a cozinha dela.

Brincou com as bonecas.

Almoçou.

Esteve por aqui mais um bocadinho. 

Sesta.

 

Entretanto o Pedro já me tinha ligado umas 20 vezes e enviado umas 30 mensagens.

Ao que eu respondi. 

- Está descansado. Estou longe de falecer....

A última vez ligou-me a dizer que ia conseguir sair às 16h.

Aleluia! O homem conseguiu sair um dia à hora que deve ser...

 

A minha mãe estava por aqui e disse-me que ia pôr a mesa do lanche.

Pôs um prato. Outro. E depois outro.

A Alice já estava a lanchar e olhava para a minha mãe.

 

Eu que tenho uma necessidade doida de estar sempre a dizer alguma coisa fui relatando a situação.

- A avó está a pôr um prato para mãe. E aquele é para o papá. 

A miúda ia seguindo tudo.

 

O Pedro chegou.

- Estamos na sala.

Gritei eu.

Eu sentada no sofá...em repouso.

Levei um raspanete da minha mãe por falar tão alto.

 

O Pedro entrou na sala.

E dona Alice com ar de general. Com um dedo apontado para o prato. Diz ao Pedro:

- Come!

 

Há dois anos no Quiosque!

Se tiveram um dia complicado e precisam de rir! Façam favor!

 

Há um ano no Quiosque!

Nada...

 

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03.10.18

a importância de um segundo nome....

Joana Marques

A Alice não tem um segundo nome.

É Alice. Só Alice.

Quando chegou até mim podia ter-lhe dado um segundo nome. Ou até ter mudado o primeiro.

Optei por não alterar. 

É a única história que tem antes de ter vindo para perto de mim.

Pouca coisa sei sobre ela. Para além do nome e por onde passou antes de chegar a minha casa.

 

 

Quando brinco com ela. 

Quando lhe chamo a atenção de alguma coisa.

Digo a brincar...

- Ai! Ai! Maria Alice...

Em momentos mais dramáticos. Ponho as mãos na anca e:

- Ai! Ai! Ai! Maria Alice...

 

Ri-se. Não me leva a sério.

Ou faz um gesto com nariz e um ar de surpreendida desta vida...

- O que é que eu fiz para me estares a chamar de Maria Alice??

 

A nível motor a miúda é imparável.

O Vasco é o grande responsável. Ainda hoje andaram, um a correr atrás do outro.

Ao nível da fala, e em comparação com outras crianças não está tão desenvolvida.

Nada que me preocupe. Cada criança tem o seu tempo. 

 

Comecei a insistir com a palavra: Pedro.

- Como é que se chama o pai?

- $%#/@

 

-Como é que se chama a mãe?

- UUUana.

 

-E o pai?

- &%$#&

 

Ontem, à noite o Pedro fez pipocas.

Conversa puxa conversa.

A Alice, o Vasco, eu e o Pedro. Todos juntos.

De repente. Um cheiro a queimado.

O Pedro lá foi. Meio ao pé coxinho.

Estavam para lá de carbonizadas.

 

- Não acredito! Tudo queimado. Não tem salvação.

- Fazemos mais....

Disse eu.

 

E a Alice, mãos na anca...

....do alto dos seus quase 18 meses disse..

- Ai! Ai! Ai! Maiiiiia Pewo....

 

 

 

Há dois anos no Quiosque!

Joana a triste, teve um destaque e no título tinha um erro ortográfico.

Demorei algum tempo a recuperar.

Até o cão ficou com vergonha!

 

Há um ano no Quiosque!

O Vasco. 

 

 

 

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20.09.18

uma espécie de bombom....

Joana Marques

A Alice é uma sedutora.

É uma miúda gira. Loura. Com uns olhos expressivos. E um sorriso aberto a todos.

Gesticula muito.

Fala muito.

Num idioma desconhecido. 

As palavras que já sabe, usa-as de forma engraçada. E num tom que nos deixa à beira da gargalhada.

A sua forma de atuar é assim. Subtil. E com meiguice, consegue tudo o que quer.

Uma pessoa bem quer resistir mas é difícil.

Mãe. Pai. Avó materna e paterna. Avô materno e paterno. Caímos todos que nem patos....aos pés desta miúda.

E o cão?

O cão anda completamente babado por ela. E ela usa e abusa do pobrezinho.

 

É uma bem disposta.

Corre. Corre. Corre.

Rodopia.

Dança.

Brinca muito. As brincadeiras são sobretudo brincadeiras de menina.

Os pais do Pedro deram-lhe uns bonecos em formato de animais que pertenceram ao Pedro.

Ensinámos-lhe como faz a ovelha. O cão. O gato. O macaco. O leão.

Todos os dias insistimos com o leão. Uma sócia do Sporting. Tem de ser unha com carne com o rei da selva.

O miau do gato sai de uma forma tão esquisita.

Ri-se ela. E nós.

Mas o que ela gosta mesmo...

....é de fazer de macaco.

Gosta tanto, tanto que quando vê alguém faz...

- Uh! Uh!

E como se não bastasse faz os gestos com os braços.

Acha graça a ela própria. E larga-se a rir.

 

É muito independente.

Sabe o que quer.

Às vezes quer que lhe leia um livro. Mas tem de ser o que ela quer...

...já vai à estante escolher. Normalmente o mais cor de rosa. 

 

Às vezes sai asneira....

....e nós perguntamos:

- Alice quem é que atirou as almofadas para o chão?

Às vezes não é ela. Aponta para o Vasco.

Quando é ela faz a cara mais cómica que há:

- Não ralhem comigo....eu sou querida e mereço outra oportunidade...

Entre risos envergonhados.

Quando o assunto é mesmo sério. E ela percebe. Cora....e mostra os dentes. 

Um sorriso malandro. 

 

Adora escorregas.

Foi o pai que a iniciou na arte de escorregar.

A primeira vez escorregaram os dois. Ela ao colo dele. Eu a ver tudo e a ter um pequeno enfarte.

A segunda vez foi sozinha.

Ajudámos a miúda a subir as escadas. E enquanto escorregava estivemos lado a lado.

Terceira vez. Fomos expulsos.

Sobe as escadas sozinha mas estamos sempre atentos. Se der para o torto nós agarramos.

A nível motor está bastante desenvolvida. Graças ao Vasco....

Ao nível da linguagem parece-me um pouco aquém. Pena o Vasco não se expressar em português...

Nada de preocupante. Tem tempo. Todo o tempo.....

 

 

A minha filha é uma espécie de bombom.

Daqueles que por fora são bonitos.

Cada camada é melhor que a anterior.

E por dentro têm o mais saboroso dos recheios....

......uma pessoa bem tenta resistir. Não consegue...nunca! 

A minha Alice é um doce. Um doce chamado Alice. 

 

 

 

Há dois anos no Quiosque!

Já não me lembrava deste post. Ri-me até doer a barriga....

Inacreditável....meus amigos! Inacreditável....

 

Há um ano no Quiosque!

Vasquinho a surpreender. E a mostrar que é um cão especial....

Espreitem lá a foto....

 

 

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24.08.18

Alice. A delatora...

Joana Marques

Ontem.

19h.

O Pedro chegou e foi para o escritório ler uns relatórios.

Não era para trabalhar mas foi convocado à última da hora para fazer uma cirurgia hoje de manhã.

 

Estava a dar o jantar à Alice.

No final deixei-a a comer bocadinhos de pêssego. Sozinha!

Enquanto ultimava o meu jantar e o do Pedro ia falando com ela e ela ia comendo o pêssego.

O cão estava no fresco do terraço. O vapor da cozinha dá-lhe comichão.

Mentira! Estava de barriga cheia. Quase a explodir...

 

De repente lembrei-me que já quase não tinha pão e decidi fazer uso da máquina.

300 ml de água.

Azeite.

Fermento.

Três chávenas de farinha.

Em cima da mesa da cozinha enchi uma chávena e fui até à máquina do pão deixar a farinha.

A miúda sempre atenta.

A querer participar. E a dizer montes de coisas que nem Slimani entende...

Eu a falar com ela também, e a explicar-lhe o que estava a fazer.

Nisto. Enchi uma chávena.

Dirigi-me à máquina e no caminho a pega da chávena partiu.

 

Uma barulheira. Ouviu-se no Qatar!

Farinha por todo lado. Chegou a Marrocos.

Eu fiz o ar mais espantado do mundo. Fui apanhada de surpresa.

Por momentos pensei que a Alice se podia assustar com o barulho e confusão instalada e chorar. Claro que não!

Chorar é para Joanas!

 

Apareceu o Pedro sobressaltado.

A achar que estávamos as duas soterradas.

O Pedro à porta. E a Alice para ele....

....com um dedo apontado para mim...

- Uaaaaaana! Uaaaaana!

 

Bolas! E eu que queria culpar o Vasco...

 

 

 

P.S. O Vasco aspirou a farinha toda....

 

Há dois anos no Quiosque!

Um post destacado pelo Sapo.

Uma história passada no meu prédio!

Tem Senhor Ludovino? Tem!

 

 

Há um ano no Quiosque!

3 passos para uma vida melhor!

Continuo a acreditar nestes 3 passos!

 

 

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21.08.18

e o cão também....

Joana Marques

Aprendeu a dizer o meu nome.

Não diz corretamente, Joana.

Diz UUUUUUanaaa.

Um dia destes estava com o pai. Eu estava a tomar banho.

O Vasco vagueava entre eles.

Desata a chamar-me...

- Mamã, mamã, mamã....

- Já vou, Alice....

A miúda gosta de nos ter aos três.

Quando um de nós falta, só descansa quando nos encontra.

- Mamaaaaaaaaaaaaã.

O Pedro diz-lhe.

- Ela já vem. Queres brincar com o Vasco?

Mas uma mulher não fica convencida com tão pouco e passados uns segundos...

- UUUUUUUUUUUUanaaaaaaaa! UUUUUUUUUanaaaaaaaaaaa!

Chorei a rir.

Quando apareci, riu-se. Foi à vida dela. Foi brincar com o Vasco.

 

O tempo passa a correr. E a Alice vai mostrando e moldando, cada vez mais, a sua personalidade.

É muito persistente e sabe sempre o que quer.

Não é muito influenciável. Não troca mirtilos por laranjas, por exemplo.

Cresceu de repente. Está muito grande.

De um momento para o outro, a roupa que tinha no armário dela deixou de servir.

As mangas compridas parecem meia manga. E das calças posso fazer calções...

Pesa 13 kg. E pegar-lhe ao colo já me custa....

Olho para as fotos do início do ano e não acredito que é a mesma.

Era uma bebé. Com um cabelo fininho e lisinho. Um remoinho à frente.

Hoje. Tem um cabelão ondulado. E claro, o remoinho.

Tem uns olhos lindos. Muito expressivos.

A minha filha tem o melhor sorriso do mundo. É tão doce esta Alice! Muito meiga...

 

  

Estou a aprender a dar-lhe espaço.

Espaço, sim! Mas vigiado...

1000 olhos são poucos.

Gosta de correr. Tocar em tudo. Ver tudo. Pesquisar....

Parece uma mini cientista. Nada lhe escapa. Sempre muito atenta.

Consegue ver pormenores que me escapam à primeira, à segunda e à terceira.

É capaz de passar uma tarde a investigar uma vassoura. 

É muito arrumadinha.

É engraçado ver como trata as bonecas.

Leva-as a passear no carrinho das bonecas mas sempre arrumadinhas. Às vezes passeia a Minnie. Arruma-a entre as duas bonecas.

A minha mãe deu-lhe uma malinha e não sai de casa sem ela.

Parece uma senhorinha de palmo e meio.

A minha sogra deu-lhe uma toalha de praia com a Minnie.

No meio da sala tenho agora, um novo tapete, a Minnie a olhar para nós todos os dias. 

O cão adora deitar-se lá. E se ele enrola a toalha. Lá vai a Alice compor a Minnie.

 

Continua rija. E é raro chorar. Quando chora é porque se passa alguma coisa de grave.

Um dia destes quando estava a dar-lhe banho vi que tinha um pico no dedo.

Ainda tentei tirar-lho mas não consegui.

Depois do banho dado. Alice seca. E vestidinha.

Chamei o Pedro.

O Pedro tirou-lhe o pico. A Alice não chorou.

Saiu a correr da casa de banho para me mostrar o penso que tinha no dedo.

Há uns tempos comprei na Tiger uns pensos muito giros com bonecos.

O penso que a Alice tinha no dedo estava cheio de peixinhos.

Quando foi para a cama o Pedro tirou-lhe o penso do dedo.

Desde esse dia que nos mostra os dedos das mãos. E aponta para ferimentos imaginários...

Não tem nada. Parece aqueles jogadores que caiem de propósito para ganhar um penálti.

Ela só quer ganhar um penso novo...

 

Já tinha estado uma ou outra vez com a minha sobrinha Margarida. Nunca muito tempo.

A Margarida vai fazer um ano em Setembro.

Ainda não anda. Só encostada e cai muito.

Falo-lhe muitas vezes da Margarida.

Ela escolherá as amizades dela mas tenho alguma esperança que sejam boas amigas.

São primas. Moram próximo. Têm a mesma idade.

Daqui a dois anos já podem entrar em Alvalade.

O cenário idílico na minha cabeça está lançado.

Nas férias fomos ao Algarve e eu enchi-lhe a cabeça de Margarida.

É claro que não deve ter percebido nada. Mas não custa tentar.

Chegámos pelas 11 horas. A Margarida estava na piscina dos pequenos.

Vesti o fato de banho (cor de rosa) à Alice e levei-a até à piscina.

- Olha ali a prima!

A Margarida estava sentada na parede da piscina. Tinha um fato de banho azul com a Minnie).

Soltei a Alice na piscina. E a Alice pegou na Margarida e deu-lhe um beijo.

A Margarida ficou surpreendida. Provavelmente nunca lhe tinha acontecido ter sido beijada daquela forma por uma desconhecida.

A Alice tinha dois totós. E começou a apontar, com uma cara horrorizada para o cabelo da Margarida. 

O drama, o horror e a tragédia. A Margarida não tinha penteado algum.

Fiz-lhe um totó. E a terra voltou à rota certa.

Acho que ficaram amigas.

A amizada delas foi abençoada e tudo.

O cão entrou na piscina. E molhou toda a gente.

As miúdas riram como se não houvesse amanhã. E o cão também...

 

 Há dois anos no Quiosque!

Tempos livres. O que eu fazia e ainda faço.

 

 

Há um ano no Quiosque!

Eu! Ao serviço do cão. 

 

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03.08.18

pós de perlimpimpim....

Joana Marques

A Alice foi convidada para uma festa de anos daquelas que há agora.

Insufláveis. Comida bonita mas blhec!

Antes de irmos, enchi-lhe a barriga de comida boa.

A miúda tinha tantos mirtilos no estômago que se passasse por um detetor de mirtilos não saia de lá sem uma multa.

O Pedro deixou-nos lá. Ou melhor abandonou-nos.

A miúda entrou e não ligou nenhuma à mesa de comida bonita mas blhec!

A miúda quase enfartou quando viu os insufláveis.

A miúda correu. Saltou. Atirou-se. Riu. Andou com os outros miúdos.

Esteve dentro de uma piscina com bolas coloridas.

Não queria sair.

Na televisão colocaram um filme qualquer.

E a Alice que habitualmente não vê televisão teve de lidar com o primeiro dilema da sua vida.

O filme. Ou os insufláveis.

Eu vigiava de longe mas não intervim. 

Via o filme 5 minutos. Ia dar uma volta aos insufláveis.

Voltava ao filme.

Gritava de contentamento.

Eu a apanhar uma seca maior do que a vida.

Tenho um grave problema de adaptação. A minha amiga que me tinha convidado estava atarefada com os convidados e com a festa em geral.

Sobraram-me umas mães. E tendo em conta que o tema Slimani não é um tema popular. O drama foi grande.

Algumas falavam mal dos maridos. Eu casei à menos de dois meses. O homem é um príncipe.

Quando estão muitas mães juntas fala-se sempre do parto. Eu não posso participar.

Enfim, foram duas horas tremendamente trágicas para mim.

 

O Pedro tinha ido a Lisboa à casa dele buscar umas coisas. 

E passou pela festa para nos devolver a casa.

Foi um sarilho tirar a Alice dali.

Estava a ver que trazia a Alice, o insuflável e a piscina de bolas. Só trouxe a Alice.

Chegou ao carro. Adormeceu.

 

Mais tarde à hora do jantar pediu-me a colher da sopa. 

E apontou para o Vasco com a colher.

Não percebi.

Depois apontou a colher para mim e para o Pedro.

- Queres ver que a miúda está avariada.

Disse eu ao Pedro.

Bem tentámos perceber o que raio se passava.

Até que o Pedro descobriu.

- Deve ter sido do filme. Tinha fadas com varinhas mágicas. E ela está a fazer de conta que a colher é a varinha mágica.

Como é que uma pirralha deste tamanho faz tal coisa é um mistério para mim.

Só sei que naquele dia não lhe consegui tirar a colher. Ou melhor, lavei-a em 30 segundos.

Ainda ouvi uma reclamação do tamanho do Brasil mas enfim....

Adormeceu.

 

E eu fiquei a pensar que devia arranjar-lhe uma varinha. A sério! Daquelas que funcionam e tudo...

Comentei com o Pedro.

- Tenho ideia que se vendem nos hipermercados.

- Tens razão, acho que há uns kits de princesa à venda...mas não gosto muito.

O Pedro riu-se e eu deitei-me a pensar no assunto.

Às 5h30 da manhã quando o meu despertador me deu uma lambozeirada na cara acordei com a solução.

Tive sorte, nesse dia. O Pedro estava a dormir profundamente e nem reparou que eu saí da casa. O cão deitou-se no meu lugar.

Andei a ver os materiais que tinha em casa e precisei de pouca coisa:

 

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- Uma tesoura.

- O molde de estrela. Podem fazer download aqui!

- Um pauzinho. O meu foi roubado a uma orquídea. A orquídea ficou transtornada....

- Uma fita de cetim de retrosaria. As dos chineses são feiotas.

- Uma linha. Pode ser qualquer uma, de qualquer cor. Eu escolhi o amarelo 305 da coats.

- Feltro na cor de princesa.

- Um lápis.

- Uma agulha.

- Um alfinete.

- Cola.

- Enchimento.

 

Começamos por colocar o molde em cima do feltro e passei com o lápis.

Para não sair do lugar coloquei um alfinete.

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Recortei as estrelinhas.

Enquanto recortava arredondei as pontas.

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Achei que só assim ficavam muito pobrezinhas, resolvi fazer-lhes uma espécie de estrelinhas.

Enchi as duas estrelas com estrelinhas. Pós de perlimpimpim que todas as varinhas mágicas espalham.

Comecei com um ponto.

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Cruzei o seguinte.

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Fiz uma diagonal.

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E depois a outra.

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Fiz muitas!

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Juntei as duas estrelas e antes de coser uni com um alfinete.

Para não saírem do lugar.

 

 

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Uni as duas estrelas com ponto cobertor.

E mais ou menos a meio coloquei uma parte do enchimento.

O pauzinho (no meu caso da orquídea) pode ajudar-nos a pôr o enchimento no sitio certo.

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Coser até ao fim!

O ultimo ponto deve ser largo para podermos colocar o pauzinho.

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É só colocar o pauzinho.

Coloquei cola e com cuidado coloquei-o dentro da estrela.

 

Alerta cor de rosa!!

Para o nível de pirosice ficar elevado ao máximo. Falta um laço.

E está pronta a nossa varinha mágica.

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Ofereci-a à Alice quando acordou.

Nunca mais a largou.

Posso garantidamente dizer-vos que sou a sua mãe preferida.

Ontem fomos à praia ao final do dia.

Um fato de banho cor de rosa. Na cabeça as orelhas Minnie. E na mão, a varinha mágica.

Uma varinha mágica que faz mesmo magia...

...transforma as caras de segunda feira em caras de sexta feira. Faz sorrir meio mundo...

pós de perlimpimpim....

.....envoltos em ternura que transborda das mãos que a guiam...

 

 

 

 

 Há dois anos no Quiosque!

O sapo destacou este post!

Foi o meu primeiro destaque!!

Quase enfartei....às 14h o meu coração parou para depois voltar a bater descompassadamente.

Contava eu como eram os meus dias normais!

Nos anormais o cão fazia das suas!

 

Há um ano no Quiosque!

Convidava a toda a gente a dar-me a conhecer os seus projetos para eu os divulgar.

Não tive grande saída, valeu a intenção.

 

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18.07.18

nem pela melhor vista de mar...

Joana Marques

É vaidosa.

Não sai de casa sem ter o cabelo arranjado.

Lacinhos. Ganchinhos. Fitinhas. Uma trancinha. Tudo a que uma Alice tem direito.

Logo a seguir ao pequeno almoço. Pai ou mãe são convidados a tratar-lhe do penteado.

E precisa ver-se ao espelho. E gostar do que vê.

 

Espalha os brinquedos todos pela casa.

A minha sala. Já não é a minha sala. É a sala da Alice. E eu não me importo nada com isso...

Corre atrás do cão, casa fora, para reaver os brinquedos roubados.

Passam horas nisto.

O Vasco é o responsável principal pelo desenvolvimento motor da Alice.

Não estou a brincar, é mesmo verdade! 

 

É muito persistente. Sempre foi.

Quer porque quer conseguir calçar os sapatos.

Provavelmente por temer mais episódios iguais a este.

Ainda não consegue.

Durante um dia se um dos sapatos lhe salta do pé.

Bem tenta por todos os meios voltar a calça-lo. Nunca desiste.

Eu tenho de lhe pedir para lhos calçar...

Tenho de a convencer...e pedir muito. Ela lá me faz o jeito e o especial favor de deixar...

 

Rosa é a cor. Sempre foi. E não se fala mais nisso.

 

Diz não. Não. Não. E não.

E se for preciso. Exemplifica com gestos.

Quando algo lhe corre mal. Faz um trejeito com o nariz. E ri-se. 

Quando está feliz da vida. Ri-se. E guincha. Muito alto. Ouve-se no Brasil...

 

Gosta de colo. Assim a assim.

Gosta de se aninhar quando lhe contamos uma história.

Ou quando está podre de sono.

Mas prefere andar com as suas próprias pernas. Adora explorar o mundo.

 

Gosta de ir à praia.

Mas tem medo do mar.

Põe o pé. Vem a onda. Tira o pé.

Vai a onda. Põe o pé. Vem a onda. Tira o pé...e andamos nisto.

 

Gosta muito de brincar ao não me toca.

Uma brincadeira muito parva. Inventada por mim, claro!

Música. Dançamos essa música. A Alice ao meu colo.

Outra música. Dançamos essa música. A Alice no chão mas a dar-me os braços.

Quando aparece o "Não me toca" do Anselmo Ralph, a Alice tem de dançar sozinha sem tocar em nada, nem em ninguém.

Eu também não posso tocar em nada nem em ninguém.

Quando o cão entra em ação e acha que nos tem de tocar.

Finjo que estou a fugir do Vasco e a miúda ri-se tanto, tanto...até cair para o lado.

Adora. 

Quando o pai está em casa convida-o para se juntar. Foi assim que eu vi o meu marido dançar pela primeira vez...

Num dos Domingos que almoçamos em casa dos pais do Pedro saímos para beber café e dar uma volta.

O café tinha música de fundo e começou de repente o "não me toca".

A Alice pediu para sair do colo do avô.

E começou a dançar no meio do café.

Ai de quem se aproximasse...não me toca, não me toca. Isto é uma brincadeira séria! Para levar a sério...

Com este envolvimento todo. Com mil Alices!

Ganha sempre. 

 

 

Dorme a noite toda. Sempre dormiu.

Tirando uma ou outra exceção que se contam pelos dedos de uma mão.

Acorda cedo. Graças a Deus. E sorridente...

Precisa muito de dormir. A sesta da manhã e a sesta da tarde fazem toda a diferença.

À noite é fácil de adormecer. Durante a manhã e durante a tarde começa a armar-se em fresca. Muito mundo para descobrir.

O Vasco deita-se no tapete perto da cama dela e eu digo-lhe:

- O Vasco é pequenino também vai dormir...

E ela lá se convence por enquanto. Para a semana é capaz de já não resultar.

 

Não são muitas as noites que o Pedro faz noite. Ainda bem! Porque não consigo dormir nada de jeito...

A Alice sente a falta, também.

Desde que chega a casa, até jantar. Passa a vida no hall de entrada à espera dele.

E quando a estou a adormecer, bem olha para a porta do quarto para ver se o vê entrar.

De manhã quando ele chegue, faz a festa. Nesses dias vai mais tarde para os meus pais para poder ver o pai.

 

No Alentejo, fazia-me todos os dias ir à varanda para ver o burrinho Onofre.

Quando chegámos a Carcavelos, pediu-me para ir ao terraço.

Mostrei-lhe a vista.

Uma vista magnifica para o mar.

A Alice ficou triste. E choramingou.. não viu o burrinho.

Aos olhos de uma criança...

...um amigo é muito mais importante que tudo o resto....

......um amigo não tem preço.

Um amigo não se troca por nada. Nem pela melhor vista de mar...

 

Há um ano no Quiosque!

A minha tentativa de comprar algo na Noruega!

 

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06.07.18

Papá!

Joana Marques

-Papapapápapapápa...

Uma pessoa bem anda o dia todo a dizer à miúda...

- Quem é este? É o papá. Diz lá papá...

- Papapapaáaaapapa

- Não, Alice. Pa-pá...

- Paaapaaapapapapá...

- Quem sou eu?

- Mamã.

- E ele é o papá.

- Paaaaaaaaaaaaaaaaaaapaaaaaaaaapá...

 

Passados 5 minutos.

- Quem é? Quem é?

- Paaaaaaaaaaaaaaaaaaapaaaaaaaaaaaapápápápá.

- Não. É o papá!

- Paaaaaaaapapapapapapapápapapapa.

 

Dia seguinte.

- Olha Alice! Quem chegou!

Grande sorriso. Grande festa.

- Paaaaaaaaaaaaaaaaaaaapaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaapapapa..

- Papá!

-Paaaaaaaaapaapapapapaapa....

 

Deitei-a para a sesta.

E arrumei o pianinho numa prateleira alta da estante.

Coloquei duas bonecas em sítios estratégicos.

O carrinho das bonecas mesmo à mão de semear.

E mais dois ou três brinquedos que ela simpatiza.

Alice acordou.

Fresca e fofa.

Sorridente.

Deu-me os braços. 

Abracei-a. 

Mudei-lhe a fralda.

Enquanto lhe mudava a fralda aqueles olhos olhavam para tudo.

Como se estivessem a ver tudo pela primeira vez.

E de repente o olhar parou. E eu percebi que tinha o olhar pousado no pianinho.

Fralda mudada.

Alice no chão.

E a apontar para o pianinho.

- Ah! Olha aqui uma boneca linda, maravilhosa e silenciosa!

Não ligou nenhuma.

- E o carrinho, gostas tanto de brincar com o carrinho! 

Não ligou nenhuma. E deu sinais de estar a perder a paciência.

Chamei a artilharia pesada.

- Vaaaaaaaaaaasco!

Não lhe ligou nenhuma.

E fez saber que não estava ali, para aguentar mais tretas.

Queria o pianinho. Ponto.

 

- Ah! Queres brincar com o pianinho?

Fiz o ar mais surpreendido desta vida!

Estiquei-me. E não consegui lá chegar!

Claro que não consegui. Tive de subir a uma cadeira par ao pôr na estante.

- Alice, querida, não chego lá acima....

 

E a miúda.

Exaurida. Grita.

- Papá! PAPÁ!

 

Problema resolvido.

 

 

Há um ano no quiosque!

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29.06.18

mentir é humano. Não é?

Joana Marques

Ontem recebemos a visita da minha tia Luz e do meu tio José.

Almoçaram cá.

Aproveitei para usar frescos da minha horta. 

A explodir de orgulho dei-lhes a comer um creme de cenoura. Maravilhoso.

Um prato com porco preto alentejano com legumes assados. Todos da minha horta.

Para sobremesa fiz um pão de ló da avó Adélia. E um grão Vasco.

 

O cão esteve sossegado.

Antes deles chegarem e para não criar roubos desnecessários dei-lhe o dobro da ração diária.

Esteve dormitando o tempo todo. E lá se levantou para ver as vistas e pouco mais.

Este cão com a barriga cheia é um amor.

 

A Alice esteve muito bem.

Sorridente.

Comeu connosco. Na sua cadeirinha.

Foi comendo sozinha. Demoradamente.

Ia falando, falando connosco. 

Muitos olás. Muitos mamãs. E tudo o resto...

Vou ver se não me esqueço de pedir ao tradutor do Google que acrescente "Alicês" à lista de idiomas.

Dava-me jeito.

Como é que eu argumento com quem não percebo???

 

Toda a minha família está avisada:

- Nada de dar presentes à Alice, por dar.

Se eu vos contar que os meus amigos mal anunciei a chegada da Alice nos presentearam com tudo o que tinham dos filhos com a garantia:

- Fica com tudo. Não devolvas. Não vou ter mais filhos.

Tenho sacos por abrir em casa.

Brinquedos para uma vida inteira.

E roupa...

...praticamente ainda não comprei roupa à Alice.

Uma sorte, eu sei!

Com este panorama. É preciso alguma coisa?? Não!

E os avós, os tios, os tios avós, os primos e os sobrinhos? O que fazem?

Presentes. Atrás de presentes.

 

- Isto não é nada, Joana. É só uma gracinha para a menina.

Quando olhei tive logo um mau pressentimento.

Era uma espécie de corneta.

Ainda pensei:

- Pode ser que a miúda não perceba que se tem de soprar lá para dentro.

- Ou que o cão lhe roube a corneta.

- Logo hoje que lhe enchi a barriga e está demasiado pesado para roubar brinquedos... 

 

Mas...

.....o meu tio José. Ensinou-lhe.

- Obrigada, tio Zé! De coração....

 

Logo a seguir ao almoço, Alice experimentou.

Alice soprou.

Alice gostou.

Consta que pelas redondezas, os pássaros emigraram para Marrocos.

Os ratos suicidaram-se nas caves.

Os porcos ficaram azuis.

As vacas pariram antes do tempo.

E Vasco guinchava baixinho. Com uma digestão daquele tamanho custa emitir sons. Quanto mais alto.

 

Eu olhava para o Pedro. O Pedro olhava para mim. E sorria.

Os meus tios estavam embevecidos com a miúda.

- Tão novinha e já tão decidida!

 

A Alice não quis dormir a sesta. Acontece muitas vezes quando sai um pouco da rotina.

Basta ter gente em casa diferente do habitual e fica com os horários todos baralhados.

Os meus tios lancharam.

A Alice lanchou mas já dava sinais de sono. E por isso já não comeu como devia.

Por ter sono. E pela corneta. Com a boca cheia não dá para soprar.

E antes a corneta. Que a comida.

 

Os meus tios saíram.

E a corneta. Sempre a corneta.

Dei-lhe banho. Com a corneta. 

Jantou. Com a corneta.

Deitei-a. Abraçada à corneta.

- Alice, não podes dormir com a corneta, vou pôr aqui, está bem.

Ela chorosa, levantou-se da cama e viu a corneta em cima da mesa. E lá se conformou.

Adormeceu.

 

 

Os meus tímpanos estavam de mala feitas.

Abriram a porta. E quando tinham um pé cá fora. Já na rua. O meu cérebro teve uma ideia.

A minha boca. Disse ao Pedro.

- Pedro, temos de nos livrar da corneta.

- Como?

- Não sei bem. Quando eu era miúda e os meus pais me quiseram tirar a chucha disseram-me que um cão a tinha comido. E eu acreditei.

- O Vasco? Comeu a corneta?

- Não. Não posso fazer isso ao Vasco. Estou a pensar no Onofre!

- O Onofre?

- Sim, o Onofre comeu a corneta.

- Quem é o Onofre?

- Ó homem, o Onofre é o burro do Sr. Alberto. Aquele que ela quer ir ver todos os dias.

O Sr. Alberto mora aqui perto. Tem porcos. Vacas. Galinhas. Patos. E um burrinho, o Onofre.

Quando subimos à varanda aqui de casa conseguimos ver o Onofre ao longe. E todos os dias a Alice me convida a ir à varanda ver o Onofre.

- Não sei se tenho coragem de lhe dizer.

- Eu dou-lhe a má notícia e tu tens "a" conversa com ela. Aquela sobre os bebé...daqui a uns anos. Fica combinado. Não me vou esquecer!

 

A Alice acordou hoje de manhã.

Olhou para cima da mesa. Nada de corneta.

Olhou para todo o lado. Nada de corneta.

- Alice. O burrinho Onofre comeu a tua corneta.

Não sei se percebeu ou não. Acho que percebeu que a corneta tinha desaparecido.

Peguei-lhe ao colo. E subi até à varanda. E apontei para o dito cujo. Inocente.

- O burrinho veio cá de noite e comeu a corneta.

O Pedro saiu da varanda. Deve ter percebido que há menos de 15 dias casou com uma aldrabona. Incriminadora de burros.

A Alice estava meia aparvalhada. E só dizia:

- Mamã, mamã...

- A mamã estava a dormir e só o vi ao longe a fugir com a corneta.

Não sei se ela estava a seguir a história ou não. Provavelmente só percebeu que a corneta desapareceu e ir ver o burro foi uma manobra de diversão da minha parte.

Descemos.

O Pedro já tinha feito o pequeno almoço dela.

Comeu bem.

E a seguir foi brincar com os brinquedos aprovados pelo lápis azul aqui de casa.

 

A corneta está guardada no sótão.

Quando ela tiver o primeiro filho vou-lha oferecer. Contar-lhe a verdade.

E ela logo vê se lha dá.....ou incrimina o Onofre do momento.

Se ela fosse mais velha tinha tentado resolver o assunto pela via diplomática.

Explicar-lhe porque raio é que não devia usar a corneta.

Se não fosse eficaz. Tentava a via do:

- Eu é que mando. E não se fala mais nisso. Vai ter com o teu pai que ele conta-te como são feitos os bebés.

Desta idade não me lembrei de nada melhor. E que funcionasse...

...mentir é humano. Não é?

....mentir é aceitável? Tenho dúvidas...

 

.....não me orgulho nada, nada do que fiz.

Mesmo nada.

Digam lá quiosquianos, que tudo sabem.....

Como é que costumam resolver este tipo de questões?

 

 

22.06.18

de todas as formas possíveis. Para melhor...

Joana Marques

Depois da aventura e desventura que foi o reencontro com o Vasco, seguiu-se o reencontro com a Alice.

Os meus pais e o meu sobrinho já tinham voltado para Lisboa.

E eu fiquei à espera que ela acordasse.

Com o cão deitado nos meus pés. 

 

Acordou. A minha rica filha.

Olhou para mim.

Fez um sorriso do tamanho do mundo.

Tirei-a da cama.

Abracei-a.

O Pedro pegou nela. Falou com ela.

Riu-se para ele.

E pediu para a pôr no chão. A vida dela não é esta. Há muito para fazer quando está acordada.

Ficou a olhar para nós.

E de repente.

Passou-se....

...começou a ralhar connosco.

Em alicês! Um tipo de idioma que só ela domina...

Estou desconfiada que o Vasco também percebe qualquer coisa mas não tem doutoramento como ela.

 

- Olha, acho que ela está a dar-nos um raspanete! Disse o Pedro.

 

Nunca me senti tão pequenina como naquele momento.

Eu, Joana...

...cresci a ouvir raspanetes da minha mãe e do meu pai. Muito mais da minha mãe do que do meu pai.

A verdade é que os que a minha mãe me dava nem chegavam a entrar no canal auditivo.

Os do meu pai eram mais levados em conta, ainda assim não faziam grande mossa na minha auto-estima ou na minha maneira de atuar.

Se era para ser um avião...eu era um avião e atirava-me da cerejeira que estava em frente à casa da minha avó. 

 

Ontem. 

O meu coração quase parou.

Alice furiosa da vida. Possuída pelo espírito daquela senhora, vestida de cor de rosa, que dá as notícias na Coreia do Norte.

Um dedo apontado para nós. Refilou, refilou, refilou....

Vociferou.

Gesticulou.

Resmungou. Acho que nos chamou nomes e tudo.

 

 

Parou o sermão.

Olhou para nós.

Foi à vidinha dela. 

Chamei-a para lanchar. Deixou-se apanhar.

Estrafeguei-a. 

Ela, generosa, lá me perdoou.

Depois do lanche estivemos os 4 a brincar.

O Vasco sempre a desconversar. A roubar meias, brinquedos e a distribuir lambidelas pelos presentes.

A Alice a rir-se com a cara toda. A dar beijinhos quando lhe pedia...

Eu a olhar para aqueles 80 cm de gente.

 

Mudou a minha vida!

De todas as formas possíveis.

Para melhor, para melhor....

 

 

Joana Marques

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