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Quiosque da Joana

03.08.18

pós de perlimpimpim....

Joana Marques

A Alice foi convidada para uma festa de anos daquelas que há agora.

Insufláveis. Comida bonita mas blhec!

Antes de irmos, enchi-lhe a barriga de comida boa.

A miúda tinha tantos mirtilos no estômago que se passasse por um detetor de mirtilos não saia de lá sem uma multa.

O Pedro deixou-nos lá. Ou melhor abandonou-nos.

A miúda entrou e não ligou nenhuma à mesa de comida bonita mas blhec!

A miúda quase enfartou quando viu os insufláveis.

A miúda correu. Saltou. Atirou-se. Riu. Andou com os outros miúdos.

Esteve dentro de uma piscina com bolas coloridas.

Não queria sair.

Na televisão colocaram um filme qualquer.

E a Alice que habitualmente não vê televisão teve de lidar com o primeiro dilema da sua vida.

O filme. Ou os insufláveis.

Eu vigiava de longe mas não intervim. 

Via o filme 5 minutos. Ia dar uma volta aos insufláveis.

Voltava ao filme.

Gritava de contentamento.

Eu a apanhar uma seca maior do que a vida.

Tenho um grave problema de adaptação. A minha amiga que me tinha convidado estava atarefada com os convidados e com a festa em geral.

Sobraram-me umas mães. E tendo em conta que o tema Slimani não é um tema popular. O drama foi grande.

Algumas falavam mal dos maridos. Eu casei à menos de dois meses. O homem é um príncipe.

Quando estão muitas mães juntas fala-se sempre do parto. Eu não posso participar.

Enfim, foram duas horas tremendamente trágicas para mim.

 

O Pedro tinha ido a Lisboa à casa dele buscar umas coisas. 

E passou pela festa para nos devolver a casa.

Foi um sarilho tirar a Alice dali.

Estava a ver que trazia a Alice, o insuflável e a piscina de bolas. Só trouxe a Alice.

Chegou ao carro. Adormeceu.

 

Mais tarde à hora do jantar pediu-me a colher da sopa. 

E apontou para o Vasco com a colher.

Não percebi.

Depois apontou a colher para mim e para o Pedro.

- Queres ver que a miúda está avariada.

Disse eu ao Pedro.

Bem tentámos perceber o que raio se passava.

Até que o Pedro descobriu.

- Deve ter sido do filme. Tinha fadas com varinhas mágicas. E ela está a fazer de conta que a colher é a varinha mágica.

Como é que uma pirralha deste tamanho faz tal coisa é um mistério para mim.

Só sei que naquele dia não lhe consegui tirar a colher. Ou melhor, lavei-a em 30 segundos.

Ainda ouvi uma reclamação do tamanho do Brasil mas enfim....

Adormeceu.

 

E eu fiquei a pensar que devia arranjar-lhe uma varinha. A sério! Daquelas que funcionam e tudo...

Comentei com o Pedro.

- Tenho ideia que se vendem nos hipermercados.

- Tens razão, acho que há uns kits de princesa à venda...mas não gosto muito.

O Pedro riu-se e eu deitei-me a pensar no assunto.

Às 5h30 da manhã quando o meu despertador me deu uma lambozeirada na cara acordei com a solução.

Tive sorte, nesse dia. O Pedro estava a dormir profundamente e nem reparou que eu saí da casa. O cão deitou-se no meu lugar.

Andei a ver os materiais que tinha em casa e precisei de pouca coisa:

 

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- Uma tesoura.

- O molde de estrela. Podem fazer download aqui!

- Um pauzinho. O meu foi roubado a uma orquídea. A orquídea ficou transtornada....

- Uma fita de cetim de retrosaria. As dos chineses são feiotas.

- Uma linha. Pode ser qualquer uma, de qualquer cor. Eu escolhi o amarelo 305 da coats.

- Feltro na cor de princesa.

- Um lápis.

- Uma agulha.

- Um alfinete.

- Cola.

- Enchimento.

 

Começamos por colocar o molde em cima do feltro e passei com o lápis.

Para não sair do lugar coloquei um alfinete.

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Recortei as estrelinhas.

Enquanto recortava arredondei as pontas.

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Achei que só assim ficavam muito pobrezinhas, resolvi fazer-lhes uma espécie de estrelinhas.

Enchi as duas estrelas com estrelinhas. Pós de perlimpimpim que todas as varinhas mágicas espalham.

Comecei com um ponto.

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Cruzei o seguinte.

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Fiz uma diagonal.

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E depois a outra.

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Fiz muitas!

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Juntei as duas estrelas e antes de coser uni com um alfinete.

Para não saírem do lugar.

 

 

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Uni as duas estrelas com ponto cobertor.

E mais ou menos a meio coloquei uma parte do enchimento.

O pauzinho (no meu caso da orquídea) pode ajudar-nos a pôr o enchimento no sitio certo.

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Coser até ao fim!

O ultimo ponto deve ser largo para podermos colocar o pauzinho.

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É só colocar o pauzinho.

Coloquei cola e com cuidado coloquei-o dentro da estrela.

 

Alerta cor de rosa!!

Para o nível de pirosice ficar elevado ao máximo. Falta um laço.

E está pronta a nossa varinha mágica.

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Ofereci-a à Alice quando acordou.

Nunca mais a largou.

Posso garantidamente dizer-vos que sou a sua mãe preferida.

Ontem fomos à praia ao final do dia.

Um fato de banho cor de rosa. Na cabeça as orelhas Minnie. E na mão, a varinha mágica.

Uma varinha mágica que faz mesmo magia...

...transforma as caras de segunda feira em caras de sexta feira. Faz sorrir meio mundo...

pós de perlimpimpim....

.....envoltos em ternura que transborda das mãos que a guiam...

 

 

 

 

 Há dois anos no Quiosque!

O sapo destacou este post!

Foi o meu primeiro destaque!!

Quase enfartei....às 14h o meu coração parou para depois voltar a bater descompassadamente.

Contava eu como eram os meus dias normais!

Nos anormais o cão fazia das suas!

 

Há um ano no Quiosque!

Convidava a toda a gente a dar-me a conhecer os seus projetos para eu os divulgar.

Não tive grande saída, valeu a intenção.

 

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18.07.18

nem pela melhor vista de mar...

Joana Marques

É vaidosa.

Não sai de casa sem ter o cabelo arranjado.

Lacinhos. Ganchinhos. Fitinhas. Uma trancinha. Tudo a que uma Alice tem direito.

Logo a seguir ao pequeno almoço. Pai ou mãe são convidados a tratar-lhe do penteado.

E precisa ver-se ao espelho. E gostar do que vê.

 

Espalha os brinquedos todos pela casa.

A minha sala. Já não é a minha sala. É a sala da Alice. E eu não me importo nada com isso...

Corre atrás do cão, casa fora, para reaver os brinquedos roubados.

Passam horas nisto.

O Vasco é o responsável principal pelo desenvolvimento motor da Alice.

Não estou a brincar, é mesmo verdade! 

 

É muito persistente. Sempre foi.

Quer porque quer conseguir calçar os sapatos.

Provavelmente por temer mais episódios iguais a este.

Ainda não consegue.

Durante um dia se um dos sapatos lhe salta do pé.

Bem tenta por todos os meios voltar a calça-lo. Nunca desiste.

Eu tenho de lhe pedir para lhos calçar...

Tenho de a convencer...e pedir muito. Ela lá me faz o jeito e o especial favor de deixar...

 

Rosa é a cor. Sempre foi. E não se fala mais nisso.

 

Diz não. Não. Não. E não.

E se for preciso. Exemplifica com gestos.

Quando algo lhe corre mal. Faz um trejeito com o nariz. E ri-se. 

Quando está feliz da vida. Ri-se. E guincha. Muito alto. Ouve-se no Brasil...

 

Gosta de colo. Assim a assim.

Gosta de se aninhar quando lhe contamos uma história.

Ou quando está podre de sono.

Mas prefere andar com as suas próprias pernas. Adora explorar o mundo.

 

Gosta de ir à praia.

Mas tem medo do mar.

Põe o pé. Vem a onda. Tira o pé.

Vai a onda. Põe o pé. Vem a onda. Tira o pé...e andamos nisto.

 

Gosta muito de brincar ao não me toca.

Uma brincadeira muito parva. Inventada por mim, claro!

Música. Dançamos essa música. A Alice ao meu colo.

Outra música. Dançamos essa música. A Alice no chão mas a dar-me os braços.

Quando aparece o "Não me toca" do Anselmo Ralph, a Alice tem de dançar sozinha sem tocar em nada, nem em ninguém.

Eu também não posso tocar em nada nem em ninguém.

Quando o cão entra em ação e acha que nos tem de tocar.

Finjo que estou a fugir do Vasco e a miúda ri-se tanto, tanto...até cair para o lado.

Adora. 

Quando o pai está em casa convida-o para se juntar. Foi assim que eu vi o meu marido dançar pela primeira vez...

Num dos Domingos que almoçamos em casa dos pais do Pedro saímos para beber café e dar uma volta.

O café tinha música de fundo e começou de repente o "não me toca".

A Alice pediu para sair do colo do avô.

E começou a dançar no meio do café.

Ai de quem se aproximasse...não me toca, não me toca. Isto é uma brincadeira séria! Para levar a sério...

Com este envolvimento todo. Com mil Alices!

Ganha sempre. 

 

 

Dorme a noite toda. Sempre dormiu.

Tirando uma ou outra exceção que se contam pelos dedos de uma mão.

Acorda cedo. Graças a Deus. E sorridente...

Precisa muito de dormir. A sesta da manhã e a sesta da tarde fazem toda a diferença.

À noite é fácil de adormecer. Durante a manhã e durante a tarde começa a armar-se em fresca. Muito mundo para descobrir.

O Vasco deita-se no tapete perto da cama dela e eu digo-lhe:

- O Vasco é pequenino também vai dormir...

E ela lá se convence por enquanto. Para a semana é capaz de já não resultar.

 

Não são muitas as noites que o Pedro faz noite. Ainda bem! Porque não consigo dormir nada de jeito...

A Alice sente a falta, também.

Desde que chega a casa, até jantar. Passa a vida no hall de entrada à espera dele.

E quando a estou a adormecer, bem olha para a porta do quarto para ver se o vê entrar.

De manhã quando ele chegue, faz a festa. Nesses dias vai mais tarde para os meus pais para poder ver o pai.

 

No Alentejo, fazia-me todos os dias ir à varanda para ver o burrinho Onofre.

Quando chegámos a Carcavelos, pediu-me para ir ao terraço.

Mostrei-lhe a vista.

Uma vista magnifica para o mar.

A Alice ficou triste. E choramingou.. não viu o burrinho.

Aos olhos de uma criança...

...um amigo é muito mais importante que tudo o resto....

......um amigo não tem preço.

Um amigo não se troca por nada. Nem pela melhor vista de mar...

 

Há um ano no Quiosque!

A minha tentativa de comprar algo na Noruega!

 

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06.07.18

Papá!

Joana Marques

-Papapapápapapápa...

Uma pessoa bem anda o dia todo a dizer à miúda...

- Quem é este? É o papá. Diz lá papá...

- Papapapaáaaapapa

- Não, Alice. Pa-pá...

- Paaapaaapapapapá...

- Quem sou eu?

- Mamã.

- E ele é o papá.

- Paaaaaaaaaaaaaaaaaaapaaaaaaaaapá...

 

Passados 5 minutos.

- Quem é? Quem é?

- Paaaaaaaaaaaaaaaaaaapaaaaaaaaaaaapápápápá.

- Não. É o papá!

- Paaaaaaaapapapapapapapápapapapa.

 

Dia seguinte.

- Olha Alice! Quem chegou!

Grande sorriso. Grande festa.

- Paaaaaaaaaaaaaaaaaaaapaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaapapapa..

- Papá!

-Paaaaaaaaapaapapapapaapa....

 

Deitei-a para a sesta.

E arrumei o pianinho numa prateleira alta da estante.

Coloquei duas bonecas em sítios estratégicos.

O carrinho das bonecas mesmo à mão de semear.

E mais dois ou três brinquedos que ela simpatiza.

Alice acordou.

Fresca e fofa.

Sorridente.

Deu-me os braços. 

Abracei-a. 

Mudei-lhe a fralda.

Enquanto lhe mudava a fralda aqueles olhos olhavam para tudo.

Como se estivessem a ver tudo pela primeira vez.

E de repente o olhar parou. E eu percebi que tinha o olhar pousado no pianinho.

Fralda mudada.

Alice no chão.

E a apontar para o pianinho.

- Ah! Olha aqui uma boneca linda, maravilhosa e silenciosa!

Não ligou nenhuma.

- E o carrinho, gostas tanto de brincar com o carrinho! 

Não ligou nenhuma. E deu sinais de estar a perder a paciência.

Chamei a artilharia pesada.

- Vaaaaaaaaaaasco!

Não lhe ligou nenhuma.

E fez saber que não estava ali, para aguentar mais tretas.

Queria o pianinho. Ponto.

 

- Ah! Queres brincar com o pianinho?

Fiz o ar mais surpreendido desta vida!

Estiquei-me. E não consegui lá chegar!

Claro que não consegui. Tive de subir a uma cadeira par ao pôr na estante.

- Alice, querida, não chego lá acima....

 

E a miúda.

Exaurida. Grita.

- Papá! PAPÁ!

 

Problema resolvido.

 

 

Há um ano no quiosque!

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29.06.18

mentir é humano. Não é?

Joana Marques

Ontem recebemos a visita da minha tia Luz e do meu tio José.

Almoçaram cá.

Aproveitei para usar frescos da minha horta. 

A explodir de orgulho dei-lhes a comer um creme de cenoura. Maravilhoso.

Um prato com porco preto alentejano com legumes assados. Todos da minha horta.

Para sobremesa fiz um pão de ló da avó Adélia. E um grão Vasco.

 

O cão esteve sossegado.

Antes deles chegarem e para não criar roubos desnecessários dei-lhe o dobro da ração diária.

Esteve dormitando o tempo todo. E lá se levantou para ver as vistas e pouco mais.

Este cão com a barriga cheia é um amor.

 

A Alice esteve muito bem.

Sorridente.

Comeu connosco. Na sua cadeirinha.

Foi comendo sozinha. Demoradamente.

Ia falando, falando connosco. 

Muitos olás. Muitos mamãs. E tudo o resto...

Vou ver se não me esqueço de pedir ao tradutor do Google que acrescente "Alicês" à lista de idiomas.

Dava-me jeito.

Como é que eu argumento com quem não percebo???

 

Toda a minha família está avisada:

- Nada de dar presentes à Alice, por dar.

Se eu vos contar que os meus amigos mal anunciei a chegada da Alice nos presentearam com tudo o que tinham dos filhos com a garantia:

- Fica com tudo. Não devolvas. Não vou ter mais filhos.

Tenho sacos por abrir em casa.

Brinquedos para uma vida inteira.

E roupa...

...praticamente ainda não comprei roupa à Alice.

Uma sorte, eu sei!

Com este panorama. É preciso alguma coisa?? Não!

E os avós, os tios, os tios avós, os primos e os sobrinhos? O que fazem?

Presentes. Atrás de presentes.

 

- Isto não é nada, Joana. É só uma gracinha para a menina.

Quando olhei tive logo um mau pressentimento.

Era uma espécie de corneta.

Ainda pensei:

- Pode ser que a miúda não perceba que se tem de soprar lá para dentro.

- Ou que o cão lhe roube a corneta.

- Logo hoje que lhe enchi a barriga e está demasiado pesado para roubar brinquedos... 

 

Mas...

.....o meu tio José. Ensinou-lhe.

- Obrigada, tio Zé! De coração....

 

Logo a seguir ao almoço, Alice experimentou.

Alice soprou.

Alice gostou.

Consta que pelas redondezas, os pássaros emigraram para Marrocos.

Os ratos suicidaram-se nas caves.

Os porcos ficaram azuis.

As vacas pariram antes do tempo.

E Vasco guinchava baixinho. Com uma digestão daquele tamanho custa emitir sons. Quanto mais alto.

 

Eu olhava para o Pedro. O Pedro olhava para mim. E sorria.

Os meus tios estavam embevecidos com a miúda.

- Tão novinha e já tão decidida!

 

A Alice não quis dormir a sesta. Acontece muitas vezes quando sai um pouco da rotina.

Basta ter gente em casa diferente do habitual e fica com os horários todos baralhados.

Os meus tios lancharam.

A Alice lanchou mas já dava sinais de sono. E por isso já não comeu como devia.

Por ter sono. E pela corneta. Com a boca cheia não dá para soprar.

E antes a corneta. Que a comida.

 

Os meus tios saíram.

E a corneta. Sempre a corneta.

Dei-lhe banho. Com a corneta. 

Jantou. Com a corneta.

Deitei-a. Abraçada à corneta.

- Alice, não podes dormir com a corneta, vou pôr aqui, está bem.

Ela chorosa, levantou-se da cama e viu a corneta em cima da mesa. E lá se conformou.

Adormeceu.

 

 

Os meus tímpanos estavam de mala feitas.

Abriram a porta. E quando tinham um pé cá fora. Já na rua. O meu cérebro teve uma ideia.

A minha boca. Disse ao Pedro.

- Pedro, temos de nos livrar da corneta.

- Como?

- Não sei bem. Quando eu era miúda e os meus pais me quiseram tirar a chucha disseram-me que um cão a tinha comido. E eu acreditei.

- O Vasco? Comeu a corneta?

- Não. Não posso fazer isso ao Vasco. Estou a pensar no Onofre!

- O Onofre?

- Sim, o Onofre comeu a corneta.

- Quem é o Onofre?

- Ó homem, o Onofre é o burro do Sr. Alberto. Aquele que ela quer ir ver todos os dias.

O Sr. Alberto mora aqui perto. Tem porcos. Vacas. Galinhas. Patos. E um burrinho, o Onofre.

Quando subimos à varanda aqui de casa conseguimos ver o Onofre ao longe. E todos os dias a Alice me convida a ir à varanda ver o Onofre.

- Não sei se tenho coragem de lhe dizer.

- Eu dou-lhe a má notícia e tu tens "a" conversa com ela. Aquela sobre os bebé...daqui a uns anos. Fica combinado. Não me vou esquecer!

 

A Alice acordou hoje de manhã.

Olhou para cima da mesa. Nada de corneta.

Olhou para todo o lado. Nada de corneta.

- Alice. O burrinho Onofre comeu a tua corneta.

Não sei se percebeu ou não. Acho que percebeu que a corneta tinha desaparecido.

Peguei-lhe ao colo. E subi até à varanda. E apontei para o dito cujo. Inocente.

- O burrinho veio cá de noite e comeu a corneta.

O Pedro saiu da varanda. Deve ter percebido que há menos de 15 dias casou com uma aldrabona. Incriminadora de burros.

A Alice estava meia aparvalhada. E só dizia:

- Mamã, mamã...

- A mamã estava a dormir e só o vi ao longe a fugir com a corneta.

Não sei se ela estava a seguir a história ou não. Provavelmente só percebeu que a corneta desapareceu e ir ver o burro foi uma manobra de diversão da minha parte.

Descemos.

O Pedro já tinha feito o pequeno almoço dela.

Comeu bem.

E a seguir foi brincar com os brinquedos aprovados pelo lápis azul aqui de casa.

 

A corneta está guardada no sótão.

Quando ela tiver o primeiro filho vou-lha oferecer. Contar-lhe a verdade.

E ela logo vê se lha dá.....ou incrimina o Onofre do momento.

Se ela fosse mais velha tinha tentado resolver o assunto pela via diplomática.

Explicar-lhe porque raio é que não devia usar a corneta.

Se não fosse eficaz. Tentava a via do:

- Eu é que mando. E não se fala mais nisso. Vai ter com o teu pai que ele conta-te como são feitos os bebés.

Desta idade não me lembrei de nada melhor. E que funcionasse...

...mentir é humano. Não é?

....mentir é aceitável? Tenho dúvidas...

 

.....não me orgulho nada, nada do que fiz.

Mesmo nada.

Digam lá quiosquianos, que tudo sabem.....

Como é que costumam resolver este tipo de questões?

 

 

22.06.18

de todas as formas possíveis. Para melhor...

Joana Marques

Depois da aventura e desventura que foi o reencontro com o Vasco, seguiu-se o reencontro com a Alice.

Os meus pais e o meu sobrinho já tinham voltado para Lisboa.

E eu fiquei à espera que ela acordasse.

Com o cão deitado nos meus pés. 

 

Acordou. A minha rica filha.

Olhou para mim.

Fez um sorriso do tamanho do mundo.

Tirei-a da cama.

Abracei-a.

O Pedro pegou nela. Falou com ela.

Riu-se para ele.

E pediu para a pôr no chão. A vida dela não é esta. Há muito para fazer quando está acordada.

Ficou a olhar para nós.

E de repente.

Passou-se....

...começou a ralhar connosco.

Em alicês! Um tipo de idioma que só ela domina...

Estou desconfiada que o Vasco também percebe qualquer coisa mas não tem doutoramento como ela.

 

- Olha, acho que ela está a dar-nos um raspanete! Disse o Pedro.

 

Nunca me senti tão pequenina como naquele momento.

Eu, Joana...

...cresci a ouvir raspanetes da minha mãe e do meu pai. Muito mais da minha mãe do que do meu pai.

A verdade é que os que a minha mãe me dava nem chegavam a entrar no canal auditivo.

Os do meu pai eram mais levados em conta, ainda assim não faziam grande mossa na minha auto-estima ou na minha maneira de atuar.

Se era para ser um avião...eu era um avião e atirava-me da cerejeira que estava em frente à casa da minha avó. 

 

Ontem. 

O meu coração quase parou.

Alice furiosa da vida. Possuída pelo espírito daquela senhora, vestida de cor de rosa, que dá as notícias na Coreia do Norte.

Um dedo apontado para nós. Refilou, refilou, refilou....

Vociferou.

Gesticulou.

Resmungou. Acho que nos chamou nomes e tudo.

 

 

Parou o sermão.

Olhou para nós.

Foi à vidinha dela. 

Chamei-a para lanchar. Deixou-se apanhar.

Estrafeguei-a. 

Ela, generosa, lá me perdoou.

Depois do lanche estivemos os 4 a brincar.

O Vasco sempre a desconversar. A roubar meias, brinquedos e a distribuir lambidelas pelos presentes.

A Alice a rir-se com a cara toda. A dar beijinhos quando lhe pedia...

Eu a olhar para aqueles 80 cm de gente.

 

Mudou a minha vida!

De todas as formas possíveis.

Para melhor, para melhor....

 

 

14.06.18

lembrete

Joana Marques

 

If you love,

love completely,

cherish it,

say it,

but most importantly, show it.

 

Life is finite and fragile,

and just because something is there one day,

it might not be the next.

Never take that for granted.

Say what you need to say, then say a little more.
Say too much.

Show too much.

Love too much.

Everything is temporary but love.
Love outlives us all.”

 

R. Queen

 

27.05.18

Alice, onde está o teu dói dói?

Joana Marques

O Pedro trabalhou ontem.

Saiu às 16h.

Por milagre saiu mesmo a horas. Quando chegou ainda tivemos tempo de dar uma volta por Cascais.

Pegámos em nós. Na Alice. E no cão.

Todos felizes. Excepto o cão. Preguiçoso.

Quando percebeu que íamos passear. Sem ser a volta ao quarteirão habitual. Quase enfartou.

Parecia que lhe estavam a tirar um rim pelo umbigo.

 

Aterrámos no Parque Marechal Carmona. Sentados na relva. Eu e o Pedro.

A Alice a aproveitar a relva. Para andar. Rebolar. Passear a sua boneca. E dar pontapés a uma bola...

#temosronalda!

O Vasco. A dormir. A dormitar. A espreguiçar-se. A dormir outra vez.

A ressonar. A acordar mais bem disposto. A focinhar o saco do lanche. E a ter sorte....

 

Saímos do parque. Descemos até perto da praia dos pescadores.

Tínhamos o carrinho da Alice mas deixámos que fosse pelo próprio pé uma parte do caminho.

Estávamos mesmo em frente ao hotel Baía. A Alice viu um pombo. E desatou a correr atrás dele.

Assim de repente.

Eu que ando com 234000 olhos na miúda. Quando dei conta, estava estatelada no chão.

Tirem-me os rins. Pelo nariz.

Tirem-me os pulmões aos bocadinhos.

Façam o meu fígado de cebolada.

Tudo junto e ao mesmo tempo.

Tenho a certeza que não dói tanto, como doeu, aquele segundo em que vi a miúda caída no chão.

 

Mal caiu. Levantou-se logo. Sem grande alarido. A miúda é rija...

Virou-se para nós a apontar para o pombo que já tinha voado dali para fora.

Pareceu-me mais abananada pelo pombo que pela queda.

O joelho. Aquele joelhinho tão perfeitinho. Esfolado.

 

Do outro lado. Estava a mãe. Eu.

Que me atirei em pranto à miúda.

As lágrimas a correrem cara abaixo.

A tentar respirar, sem conseguir.

 

A Alice só chorou. Porque me viu chorar.

Assustou-se com o meu desvario todo.

...sim, eu sei. Sou uma mãe e peras....

 

Voltámos para casa. A Alice foi ao colo do Pedro. Sem qualquer tipo de queixas.

O Vasco foi ao meu lado. Porque deve ter percebido que eu não estava mesmo bem.

Este cão é um amigalhaço que eu tenho. Dos melhores amigalhaços que podia ter arranjado.

 

Chegámos a  casa, o Pedro tratou do joelho da Alice.

Disse-me para eu ficar na sala, ele tratava do resto.

Fiquei na sala. Com o Vasco a consolar-me.

Focinho no meu colo a dizer...

- Não me importo que sejas parva. Gosto de ti e pronto...

 

A Alice não chorou com o curativo.

O Pedro achou por bem não colocar nenhum penso, diz que é superficial e que cura mais depressa assim.

O Pedro apareceu na sala com a Alice ao colo. Sorridentes. Os dois.

Eu estava à beira de um enfarte, uma embolia, um avc e uma paragem cardíaca.

Tudo junto, ao mesmo tempo.

 

A Alice pediu para ir para o chão e foi a correr brincar com a cozinha dela.

Voltou à sua vidinha normal...

Eu chorei que nem uma parva. Mais uma vez.

O Pedro, com muita calma e muito querido, disse-me o óbvio.

- Vai acontecer muitas vezes. É mesmo assim...

- Eu sei. O problema é esse mesmo. Cada vez que acontecer vou morrer um bocadinho. Como é que os meus pais conseguiram?

 

Hoje.

Acordou bem disposta. Sem se queixar do joelho, claro!

A única queixosa sou eu....

E...

..... quando o Pedro lhe perguntou.

- Alice, onde está o teu dói dói?

A miúda. Apontou para mim....

 

 

 

15.05.18

A revolução. Tem um nome...

Joana Marques

Vai fazer um ano e um mês. 13 meses.

Adora mimo. Mas tem de ser ela a pedir.

Eu. Joana. A peganhenta. Não tenho sorte nenhuma.

Ela decide quando quer colo. Ela decide quando quer que lhe leia um livro.

Ela decide quando quer andar às cavalitas do pai.

Ou transformar o Vasco num burrinho de carga.

Até agora era o Vasco que mandava.

Agora nem tanto.

Até porque ele gosta dela...e trata-a com mimos e caramelo.

Uma revolução. Aqui por casa.

 

 

 

Adora sair de casa.

Gosto de lhe cantar canções.

E canto tudo e mais alguma coisa.

Gosto de lhe cantar "o malhão".

Ouvi vezes sem conta a minha avó Maria a canta-lo.

Fazia uma roda com os netos. E cantávamos todos juntos.

Só que...

...a canção diz...

"Comer e beber, ai tirim-tim-tim
Passear na rua!"

E era uma vez. Uma Joana entalada.

Às vezes não dá jeito. Ir passear a pequena à rua.

Se não for. Temos o caldo entornado.

Uma revolução. Algo nunca visto. Aqui por casa.

 

 

Diz mamã. Diz olá.

Diz banana. (incorretamente...mas temos tempo)

E lixou tudo ontem. Começou a dizer não.

Estamos a insistir na palavra papá.

Precisa de mais algum tempo. É muito recente esta figura.

Uma revolução na vida dela. Outra. A juntar a tantas que já passou.

 

A Alice teve a sorte de herdar muitas coisas dos filhos dos meus amigos.

E dos primos.

Quase não comprei roupa. E brinquedos. Tem mais do que a conta.

Quando fez anos. Disse a toda a gente:

- Não precisamos de nada. Só de vocês.

 

Só que...

...os meus pais ofereçam-lhe um carrinho de bebé.

A Alice adorou. Não só passeia a boneca preferida dela. Como, percebeu que dá um jeito dos diabos.

Como tem rodas. E a locomoção da Alice ainda é meio torta. Serve de andarilho.

É vê-la a deslizar corredor fora. Com o carrinho. Uma revolução na vida dela.

Parece-me que o carrinho já deu a volta ao mundo umas 3 ou 4 vezes.

 

 

Os meus amigos.

Fizeram orelhas moucas. À minha recomendação. Juntaram-se e compraram uma cozinha à Alice.

Vinha numa caixa. Desmontada.

- Olha é uma cozinha.

Disse o Pedro.

- Montamos amanhã.

Os dias foram passando. E foi ficando na caixa. Tal e qual Elias sozinho na arrecadação.

Um dia cheguei a casa. Com a Alice. O Pedro já tinha chegado.

Quando a Alice entrou no quarto. Gritou de felicidade.

Tinha a cozinha. Enorme. Cor de rosa. Equipada. Com tudo o que uma cozinha deve ter.

Como não saía do quarto. E dá-nos mais jeito que brinque na sala. Para nós controlarmos.

Mudámos a cozinha para a sala.

É por isso é que temos uma cozinha....na sala.

Fica lindamente com a decoração...

Que se lixe a decoração. O que interessa é que a miúda se sinta feliz.

Anda de um lado para o outro. Toda contente. De pé. E sem se cansar....

Fico. Perplexa. Com o desembaraço dela.

Esta miúda ainda revoluciona a gastronomia mundial. Vão ver!

 

 

Temos a trela sempre à mão de semear porque o Vasco sempre que quer ir à rua pega na trela e vem ter connosco...em linguagem de Vasco quer dizer.

- Estou aflito. Aflito. Muito aflito. Daqui a 30 segundos....vai acontecer o pior....Eu estou a avisar! Vai acontecer o pior!!

Há uns dias. A Alice. Pegou na trela do Vasco.

Toca de falar a linguagem dela.

Eu e o Pedro. Nada. Sem perceber. Nada.

Até que o pequeno ser. Zangou-se. Muito.

Estava para ali a explicar-se. E ninguém conseguia chegar lá...

- Ó céus! São burros. Os meus pais são burros!

Fui buscar um cão de peluche. E prendi-o à trela.

Era isso. Era mesmo isso.

Alice passou montes de tempo de um lado para o outro a passear o cão.

Espero que não tente com o Vasco. Ou podemos ter pequena Alice em modo...boomerang revolucionário.

 

Come bem. Dorme bem. Pesa como chumbo.

Precisa muito de rotinas.

Os dias que são diferentes. Desorienta-se um bocado.

Tento sempre. Que os dias sejam mais ou menos iguais. Dá-lhe segurança.

É uma bebé muito alegre. E expansiva.

É muito simpática.

E doce. Toda ela é um bombom cor de rosa. Um algodão doce. Cor de rosa.

Todos os dias olho para ela. E me pergunto...

...como é que é possível. O universo me ter dado este presente.

Revolucionou a minha vida.

Aqui está a prova de que as revoluções às vezes correm bem!

 

A revolução. Tem um nome.

Alice.

 

 

 

10.05.18

nas bocas do mundo...#29

Joana Marques

Ser a terceira filha. Pode ser frustrante.

Tendo eu menos 5 anos que o meu irmão e menos 10 que a minha irmã. Pior.

Já percebia tudo. Ou achava que sim. Mas ainda não sabia ler.

Os meus irmão, sabiam. Claro.

Tinham montes de livros. Recebiam dinheiro para comprar livros. E eu invejava-os muito.

Invejava-os porque já sabiam ler.

Invejava-os porque recebiam dinheiro. Eu só pensava...

...quando for a minha vez. Pego no dinheiro e compro tudo em pastilhas.

Arriscava-me a ser descoberta e a ter uma pena de prisão domiciliária durante esta encarnação....mas iria arriscar.

Nunca o fiz. Porque a partir do momento em que aprendi a ler. Tudo mudou.

 

No início foi uma canseira.

Tinha de juntar as letras. E era muito stressante.

Lia tudo o que aparecia à frente.

Ainda me lembro das viagens para o Alentejo.

Só não me atiraram nunca, pela janela fora, porque eu...ia no meio.

Os meus irmãos à janela. Os meus pais à frente. E eu no meio.

Lia todas as placas de trânsito.

Lia os nomes das lojas.

Lia as matriculas dos carros. E tentava formar palavras.

E assim chegávamos ao Alentejo. Uma família com os nervos feitos em frangalhos.

 

A minha escola primária tinha uma biblioteca pequenina.

Aproveitava os intervalos para ler.

Ia à biblioteca. Tirava um livro. E começava a ler.

Depois. Fazia uma marquinha pequenina na página onde estava. Arrumava o livro. E voltava à sala de aula.

No dia seguinte voltava à biblioteca e retomava a leitura.

Um dos primeiros livros que li, na biblioteca da minha escola, foi: "Rosa, minha irmã Rosa da Alice Vieira".

Demorei um tempito para o ler todo.

Foi muito bom o investimento de tempo que fiz no livro. Gostei, tanto. Tanto!

 

Contei a história à minha professora. Que me disse para eu a apresentar aos meus colegas.

Adorei. Porque tinha um palco. E podia brilhar...

Cheguei a casa. Contei a história à dona Aurora.

À minha irmã.

Ao meu irmão...que me atirou um chinelo.

Tive de sair do quarto. Mas fiquei cá fora a debitar o que tinha lido.

À minha mãe.

E ao jantar. Ao meu pai. Com os meus irmãos a atirarem-me olhares de fuzilamento.

A minha mãe disse-me.

- Se te portares bem. Compramos-te o livro. E podes lê-lo outra vez. Vais ver que encontras novos pormenores que te escaparam da primeira vez....

Atendendo que li o livro aos 7 anos.

Só recebi o livro quando tinha 11 anos. Devem perceber. Tive um comportamento irrepreensível...

 

Ontem a desconhecida, relatou a volta que teve de dar, na apresentação de um trabalho.

E como foi parar ao livro da Alice Vieira. Diz que se lembrou da minha Alice por causa do nome.

Ainda não tinha feito a associação. Mas parece-me tão bem!

 

Desta autora li "Chocolate à Chuva".

Também na biblioteca da escola. E pelo mesmo processo.

 

Neste momento estou a ler à Alice, este:

alicev.jpg

Vi-o no Continente. Achei piada à capa. E quando vi que era da Alice Vieira não resisti.

A Alice adora. Estes momentos. De leitura.

E eu também.

 

Joana Marques

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