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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

caderneta de cromos #3

21.03.18, Joana Marques
A minha avó Adélia. Nascida e criada no Porto. Era uma mulher grande. Para os tempos em questão, era alta. E não era magra. Era robusta. Muito feminina. Numa altura em que gordura era formosura. Esmerava-se na sua aparência. Um dos seus maiores desgostos era não poder usar saltos. Porque ficava mais alta que o meu avô. E ela achava que não podia ser.     Na casa da minha avó. Todos os dias havia sobremesa doce. - O que é doce nunca amargou. Dizia-nos ela. A maioria das vezes (...)

caderneta de cromos #2

15.03.18, Joana Marques
O Sporting.   Antes de ser cidadã portuguesa. Fui sócia do Sporting. Passadas umas horas de ter nascido o meu pai inscreveu-me como sócia. Tal como tinha feito com os meus irmãos. Tal como o pai dele o tinha feito com ele e com os meus tios. Ser do Sporting na minha família não é uma opção. Porque o Sporting está inscrito nos nossos  genes. No nosso ADN. No nosso sangue. O meu bisavô paterno foi um dos fundadores do clube. Não vou dizer quem foi, mas os nomes de todos (...)

caderneta de cromos #1

02.03.18, Joana Marques
Sempre dormi pouco. A verdade é que não preciso dormir mais. Sempre me senti bem assim. Hiperativa assumida. Muito tempo deitada começa a enervar-me. Um mundo para viver. Tanta coisa para fazer.   Quando era pequena. Bebé. Dizem os meus pais, sempre que olhavam para dentro do berço eu estava acordada. Aqueles olhos grandes verdes azulados. Azuis esverdeados. A olhar para eles. A minha mãe nunca me disse. Mas deve ter pensado que eu era no mínimo o anticristo. Já tinha (...)