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Quiosque da Joana

25.12.17

o meu presente. É o mais belo de todos...

Joana Marques

A minha bisavó Maria. Mãe da minha avó Maria. Era alentejana.

Muito pobre.

Começou a trabalhar muito jovem em casa de uns senhores. Abastados.

Os senhores moravam em Lisboa. Mas iam passando pelo Alentejo. Grandes temporadas.

 

A minha bisavó começou por trabalhar no campo.

E mais tarde. Quando tinha 14 anos foi posta a trabalhar na cozinha da casa grande.

Não podia entrar na sala. Nem nos quartos. Saía da cozinha para a rua. Sempre pela porta de trás.

Era proibido vaguear pela frente da casa grande. E ser vista pelos senhores.

Nem os conhecia sequer. Só ouvia falar deles.

Um dia. Há muito tempo atrás. Uma chávena. Estalada. Foi deitada fora. Os senhores não a queriam mais.

Maria, a minha bisavó. Pegou na chávena.

E a governanta da casa. Uma boa mulher. De sua graça, Luísa. Perguntou-lhe se a queria.

Respondeu que sim.

E levou-a para casa.

Os anos passaram. E todos os dias, Maria bebeu o seu café por ali. Embora estalada. A chávena era o melhor que tinha.

 

Um dia, quando tinha 17 anos, conheceu Francisco. O meu bisavô. Casou com ele pouco depois.

Também Francisco trabalhava nos campos. Dos senhores.

Passado um ano. Nasceu o primeiro filho.

E um tempo depois. Maria a minha avó.

A minha bisavó morreu no parto.

E a minha avó Maria ficou aos cuidados do pai e do irmão.

Também ela foi parar à casa grande. À casa dos senhores.

A minha avó Maria. Casou com Joaquim. Um dos filhos dos donos da casa grande.

Ironia, das ironias. Herdou um dos negócios do pai. E também a casa. E os campos. Do Alentejo. E as chávenas todas da casa.

 

Desde que me lembro de ser gente. Que via. Todas as manhãs. A minha avó, beber o seu chá de cidreira, pela chávena.

Era, eu pequena e insignificante. E não percebia porquê.

- Vó, porque não compras uma chávena com a abelha Maia?

- Porque, esta chávena é a única recordação que tenho da minha mãe.

E assim me calou. Mas não me convenceu.

Se a chávena da abelha Maia era muito mais gira.

Eu tinha duas.

Podia-lhe dar uma e tudo.

Porque raio é que insistia em beber o chá naquela chávena velha e estalada. Nem bonita era.

 

Ontem. O meu amigo secreto. Foi o meu pai.

Passou-me um embrulhinho para as mãos.

- Tem cuidado. É muito frágil.

 

E quando desfaço o embrulho. Vejo a chávena. Que deu de beber à minha bisavó. E à minha avó.

E só consegui pensar. Em como sou uma privilegiada. Por ter agora em meu poder um tesouro tão precioso.

O meu presente é o mais belo de todos. Por tudo.

 

Representa a vida. As voltas. E cambalhotas que dá. E as escolhas. Sim. As nossas escolhas...

 

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24.12.17

um Natal que nasceu torto...

Joana Marques

Já passámos o Natal de todas as maneiras e feitios.

Quando era pequena passávamos no Alentejo ou no Porto. Conforme.

Era onde estavam os meus avós.

Chegámos a passar a noite no Alentejo e fazer país acima para almoçarmos no dia 25 no Porto.

Não havia as estradas e autoestradas.

A noite era mal dormida.

Curvas. Buracos. E contra-curvas. Chegávamos ao Porto com ar de piaçabas. Ou pior.

 

Os meus avós morreram. Tanto os do Alentejo como os do Porto.

E começámos a passar ou em nossa casa chamando alguns tios, tias e primos. Com muita gente é mais giro.

Ou a ir a casa deles.

Foi uma fase meio chocha. Já era crescida. Continuava a gostar mas já não tinha tanta graça...

 

 

Entretanto os meus irmãos casaram.

E começaram a ter filhos.

E nesta altura, o Natal, voltou a fazer tanto sentido como quando era pequena.

Dependendo dos anos. Com mais ou menos pessoas. Passámos a ter crianças no nosso Natal. E isso deu muito mais brilho à época.

 

No ano passado a minha irmã passou com os sogros.

Eu, os meus pais e o meu irmão, cunhada e sobrinhos passámos em Barcelona. E foi muito giro.

Este ano, o plano era passarmos todos juntos o Natal.

O meu irmão e família estão a viver fora do país. O plano era virem cá passar o Natal e o ano novo.

Só que eu. Não faço as coisas por menos. E para além da perna partida. Fiquei com varicela.

E a minha sobrinha Margarida é demasiado pequenina para apanhar varicela.

O meu irmão e cunhada ponderaram ficar.

Fiquei tão desanimada.

 

O meu tio salvou-nos.

Especialmente a mim. Que não estava nada conformada.

Foi passando por cá. E pelo evoluir da varicela foi dizendo que era seguro. Que podiam vir.

E é mesmo verdade. Hoje. Não há vestígios de varicela. Nada. Nadinha.

Estou como nova. Relativamente ao borbulhedo....

A perna continua com gesso. Só terça, senhores! Só terça.

 

Este Natal nasceu torto. E quando parecia que nada havia a fazer. Milagrosamente.

Tudo se compôs...

E ainda vai ser melhor que os outros.

Sabem porquê??

Porque devido à minha condição de perna incapacitada.

No final da festa.

Não vou ser convidada a arrumar a cozinha!

 

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22.12.17

em Quiosquiano. Com tradução!

Joana Marques

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 Quiosquianos!

A Joana e o Vasco desejam

a todos os que passam por este Quiosque

Um Natal cheio de Amor!

 

 

Receita dos Quiosquianos

130 g de manteiga (usei ghee)

100 g de açúcar de coco (podem pôr mais ou menos conforme a preferência)

2 ovos

150 g de farinha de coco

Meia colher de chá de goma xantana (opcional)

As especiarias que mais gostarem (usei canela e noz moscada)

Sal (se acharem que precisa)

Uma colher de chá de fermento em pó.

Juntar tudo.

Mexer muito bem. Com as mãos.

Estender a massa com um rolo sem a deixar muito fina.

Usar cortadores que gostem.

Forno a 180º. Atenção, se cozerem muito não são boas. Se ficarem no ponto são espetaculares!

Podem servir simples, com chocolate por cima ou com qualquer outra iguaria.

Se as conseguirem furar podem colocá-las na árvore de Natal.

 

 

21.12.17

EndlessXmas

Joana Marques

 

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Aceitei o desafio da Happy.

Adoro o Natal e toda a magia que o envolve. Por isso cá vai!

 

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Qual é o teu filme de Natal favorito?

Gosto do Amor Acontece. Porque sim.

Mas aquele que identifico ao Natal é a "Música no Coração".

Já vivi 36 Natais e parece-me que já vi o filme mais do que 36 vezes. É uma tradição do nosso dia de Natal.

 

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   Tens tradições de Natal?

Muitas. Muitas.

Que herdei dos meus avós do Alentejo e dos meus avós do Porto.

E outras que entretanto fomos adaptando e adotando à nossa família.

Aqui no blog já tenho escrito sobre elas.

 

 

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Doces de Natal favoritos?

Cada vez sou menos de doces.

E este ano foi mesmo uma revolução porque deixaram de me apetecer coisas doces.

Mas não é Natal se não comer arroz doce que lembra a minha avó Maria e fatias douradas que lembram a minha avó Adélia. Isso não vai faltar de certeza.

Depois, vou adotar um Grão Vasco. A partir de agora fará parte dos Natais da minha família!

 

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 Vela perfumada favorita de inverno?

Não uso velas em casa. Os meus pais usam e este ano passo em casa deles.

Com velas ou sem velas. Gosto da casa a cheirar a baunilha. Ou a canela.

 

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 Luvas ou cachecol?

Eu friorenta me confesso.

Tudo. O que tenho direito.

Tenho um grave problema com as luvas.

Tenho a certeza que um dia vou abrir uma gaveta e lá dentro alguém gritará:SURPRESA.

E serão todos os milhares de luvas que já perdi até hoje. Milhares, não! Devem ser mais de um milhão...

Já meias....nunca perco!

 

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 Lembranças favoritas de Natal?

O presente mais especial que recebi foi uma prenda da minha avó Maria.

Não me apercebi logo que era especial. A verdade é que na altura não gostei.

Hoje em dia, sei que marcou a minha vida. Porque me tem acompanhado sempre.

 

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 Ficas em pijama ou estás a preparar-te para a manhã de Natal?

Pijama só para dormir.

Estou sempre preparada para sair de casa a qualquer momento.

E no Natal ainda mais.

A noite de Natal já foi várias vezes em minha casa. O almoço do dia de Natal nunca foi.

E por isso tenho sempre de sair de casa.

 

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A tua música de Natal favorita?

 

 

Oh the weather outside is frightful
But the fire is so delightful
And since we've no place to go
Let it snow! Let it snow! Let it snow!

It doesn't show signs of stopping
And I've bought some corn for popping
The lights are turned way down low
Let it snow! Let it snow! Let it snow!

When we finally kiss goodnight
How I'll hate going out in the storm!
But if you'll really hold me tight
All the way home I'll be warm

The fire is slowly dying
And, my dear, we're still goodbying
But as long as you love me so
Let it snow! Let it snow! Let it snow!

 

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Quem é a pessoa, da tua lista, que é mais difícil para fazer as compras de Natal?

 

Em casa fazemos o amigo secreto entre os adultos. Como é só uma prenda não é difícil.

Tenho um ano inteiro para a comprar e há sempre uma altura do ano que encontro o presente perfeito.

Para os meus sobrinhos também há indicações e por isso é sempre fácil.

 

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 Podes dar os nome de todas as renas do Pai Natal?

Rodolfo. Comi-o este ano. Paz à sua alma.

Espero que as outras se encontrem bem...

Devem ser da claque de um clube cujo nome não deve ser pronunciado. No Name....boys!

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 Qual é o presente mais estranho que tu já fizeste?

Uma vez comprei um bonsai para dar à minha irmã pelo Natal.

Embrulhei o bonsai antes do tempo. E de forma incorreta.

Quando foi libertado...estava depenado.

Bonsai este é o Perú. Perú este é o bonsai. Um momento solidário fica sempre bem na noite de Natal!

Não fui eu que fiz o bonsai. Mas fui eu que o maltratei. Sem intenção, claro!

A minha irmã tratou dele e ainda o tem!

 

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 Fazes resoluções de Ano Novo e cumpres essas mesmas resoluções?

Faço sempre. São sempre quantificáveis. E demoro muito tempo a escolher e a decidir o que fazer do novo ano.

São importantes para mim.

Imprimo-as.

E coloco-as num quadro de cortiça que está em frente à minha secretária.

Cumpro sempre tudo. Ou quase.

 

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 O que está no topo da tua lista de Natal?

Os que tenho no coração.

 

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A tua árvore é verdadeira ou falsa?

É falsa.

Costumava trazer uma árvore verdadeira da Sertã.

Foi com grande surpresa minha que uma vez encontrei vida na árvore.

Para além das luzes. Das bolas e enfeites. O bicho lagarta....povoava toda a árvore.

Foi uma época natalícia diferente.

Como sou hiperativa e falar ao telefone é demasiado parado para mim....enquanto falava com os meus amigos ia abatendo lagartas...

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Tu compras presentes antecipadamente ou esperas pela última hora?

Compro sempre, sempre antecipadamente.

A maioria dos anos em Julho já tenho tudo.

Vou comprando conforme vou encontrando o presente ideal para cada um.

 

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 Onde tu moras cai neve?

Em Carcavelos, não!

E ainda bem. Eu gosto mesmo é de sol.

O Natal não precisa ser frio para eu gostar.

O Natal só precisa ser Natal...para ser Natal! Mais nada..  

 

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Não sei se já foram convocados mas vou arriscar!

Tatiana e Loulou!!!

Força....

Depois, passem a outro e não ao mesmo...

 

 

Feliz Natal!

Quiosquianos!!

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18.12.17

para todos os Natais...

Joana Marques

Peguem numa fita.

Meçam o vosso filho. Sobrinho. Ou criança preferida.

Cortem a fita do comprimento da criança.

Essa fita pode ser colocada num postal/cartão. E ser pendurada na árvore de Natal.

Podemos juntar também as dos anos anteriores.

O cartão pode ser decorado.

E ficará sempre, uma boa recordação.

Podem repetir todos os Natais. Até o puto deixar e achar piada.

 

Aqui por casa fazemos desde sempre. E desde sempre é uma diversão.

Quando era miúda, sem contar com os presentes, era a minha parte favorita da noite.

Desatar os nós. Comparar fita com fita.

E perceber que tinha crescido imenso desde o Natal anterior.

Durante um tempo deixou-se de fazer. Retomou-se a tradição quando começaram a nascer os meus sobrinhos.

E continua a ser muito giro. Adoram!

Este Natal temos uma nova personagem. A Margarida.

O cartão da Margarida foi decorado pela irmã mais velha.

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08.12.17

o lugar mais quente do mundo

Joana Marques

Quando eu, os meus irmãos e os meus primos éramos pequenos o Natal era diferente.

O Natal era sobretudo estarmos juntos.

A nossa família era muito grande. A minha mãe tinha 7 irmãos, com ela 8. O meu pai, 5.

Os meus primos são tantos que já lhes perdi a conta.

Comprar brinquedos para todos os miúdos no Natal, estava fora de questão.

Éramos corridos a dinheiro. Dinheiro que nem cheirávamos. Na minha casa cada um de nós tinha uma conta no falecido BES. Na altura Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa.

Os meus avós do Porto também nos corriam a dinheiro. Às vezes lá recebia roupa. Torcia o nariz. E tentava escondê-la num recanto do roupeiro. A minha mãe descobria sempre.

 

A excepção a este Natal deslavado era feita pelos meus avós do Alentejo.

E o melhor é que recebíamos sempre duas prendas. Uma da avó e outra do avô.

 

Reza a história que quando o meu primo Luís nasceu, o meu primo mais velho, os meus avós não se conseguiram entender nesse Natal.

O meu avô queria ser ele a dar a prenda como chefe de família.

Mas a minha avó estava-se a borrifar para os salamaleques da altura.

Disse que não. Se ele fazia questão. Ela também.

E por isso a partir daí, nós os netos, recebíamos duas prendas.

 

A prenda do meu avô era dinheiro.

Mas não era dinheiro como o outro. Que era abarbatado pelos senhores do Espírito Santo.

Não, este era dinheiro bom.

O meu avô dava-nos o dinheiro para a mão e dizia que era para gastar. No que quiséssemos.

E dizia em frente dos nosso pais. Ditadores. Unha e carne com os senhores do Espírito Santo.

 

A minha avó também não nos desiludia.

Aproveitava as visitas a Lisboa.

Para nos comprar brinquedos numa loja espetacular que havia na baixa.

O nosso Natal era este. Para mim, para os meus irmão, para os meus primos.

O Natal, o verdadeiro Natal era aqui na casa da avó Maria e avô Joaquim.

 

Tinha eu 6 anos.

E a ansiedade já tinha começado.

Em Outubro. Novembro. Já se falava disso lá por casa. Entre nós.

 

E no dia em que fui para o Alentejo. Nem dormi.

Não ia receber os presentes nesse dia. Mas saber que ia para o sitio onde eles estavam. Já me deixava anormalmente feliz.

Chegámos a 23. O tempo passou tão devagarinho. Que os dois dias de espera. Pareciam 3 séculos e meio.

O meu irmão dizia-me. Conta até 500. Que o tempo passa mais depressa.

Mentira.

 

Noite de Natal.

- Ás 3 da manhã os presentes já chegaram?

Não, Joana. Só lá para as 8h.

Isto era o meu pai a tentar ter uma noite sono tranquila.

- Acorda-me às 3. Dizia-me o meu irmão.

Bem saltei da cama a todas as horas que o relógio da entrada marcava. E nada. Nada de prendas.

Ainda tivemos de tomar o pequeno almoço antes.

Tal era a pressa. Que o leite até saía pelo nariz. Quase fiquei sem prenda. A minha mãe era pouco adepta a este tipo de graças.

 

E eis a chegada dos presentes.

- A prenda este ano é maior e por isso é do avô e da avó.

Oh! Não! Adeus dinheiro bom....como é que eu vou comprar os cromos? E as pastilhas? E os rebuçados com sabor a café na loja do Senhor Augusto??

 

Eu, o meu irmão, a minha irmã, o meu primo Luís, o meu primo António, o meu primo Diogo, o meu primo Manel. Todos ansiosos.

E apareceram os embrulhos. Grandes. Enormes. Todos iguais.

Primeiro o entusiasmo.

Toca de abrir o presente.

Depois o silêncio.

- Passou aqui um senhor a vende-los. São muito bons. Muito quentes.

O nosso presente. Nesse Natal.

Cobertores.

Um para cada um de nós.

 

O ar trágico das nossas caras.

Nada de dinheiro bom.

Nada de brinquedos.

Nada de cromos.

Nada de pastilhas.

Nada de rebuçados com sabor a café.

Nada de nada. Nada de Natal.

 

E eu, apareci. Porque apareço sempre nestas alturas.

E comecei a chorar.

Aquele choro descabelado. Que nos faz atirar para o chão. E lavar uma casa inteira com lágrimas.

E seguiu-se o meu primo Manel. E depois o António. E o Diogo. E depois o meu irmão.

Só a minha irmã se manteve. Já tinha 16 anos. Mas a cara dela não enganava. Também ela maldizia o cobertor.

 

A minha mãe quase nos matou com o olhar. Mas não queríamos saber. A dor era maior.

A minha avó ficou tão triste. Achou mesmo que nos tinha dado uma boa prenda.

 

Quando somos crianças temos dificuldade em olhar em frente. Ver para além do imediato.

A verdade é que o dinheiro do Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa já não existe. Foi gasto no meu primeiro carro.

O dinheiro bom do meu avô foi gasto em guloseimas e cromos.

Os brinquedos da minha avó também já não existem.

Só o cobertor perdura.

 

O lugar mais quente do mundo eram os braços da minha avó.

Ainda os sinto quando me enrosco no cobertor.

05.12.17

4 princípios. Para escolher os presentes de Natal...

Joana Marques

Quando era pequena quem dava os presentes de Natal era o menino Jesus.

Não havia cá Pai Natal para ninguém.

Em minha casa abríamos as prendas no dia 25 de manhã.

No dia 24 tínhamos a ceia de Natal. Mas nós crianças íamos para a cama lá para as 23h.

Dia 25 de Dezembro era o único dia do ano que os meus irmãos queriam ser acordados por mim.

Sim, eu em tempos já fui um despertador. Agora tenho o Vasco.

 

Nesse dia de manhã saltávamos da cama e lá estavam elas. Três prendas debaixo da árvore de Natal.

Era raro recebermos o que queríamos. Os meus pais deviam ter um plafond e nós tínhamos mais olhos que barriga.

No ano em que queria muito, muito o monopólio recebi o loto da quinta.

Era quase a mesma coisa.

Eu fiz um ar desapontado e disse:

- Ó mãe, podemos trocar de menino Jesus?

Valeu-me um castigo. Já nem sei qual. Ao longo da infância tive mais castigos que todos os putos da região de Lisboa em 2017.

 

Com o passar do tempo, as prendas mudaram um bocado.

Como fomos ficando mais velhos começámos a ver a utilidade de receber dinheiro e do guardar. Ou de receber roupa. Ou alguma coisa para a casa.

Os meus pais ao longo do tempo foram adaptando sempre os presentes de Natal.

 

Até que chegámos a uma idade em que todos temos tudo. E já não precisamos de nada.

Estar uns com os outros é suficiente.

 

Resolvemos criar o amigo secreto.

Só funciona para os adultos.

No Natal do ano anterior sorteamos o amigo secreto do ano seguinte.

O meu pai fica com a informação e transmite-a nos dias seguintes aos interessados.

Na noite de Natal é giro ver o desvendar do segredo. E do mistério.

É um dos pontos altos.

 

As vantagens são muitas.

Todos temos uma prenda para abrir.

Pensada para nós.

A pessoa que a comprou não teve de comprar muito mais prendas e por isso é personalizada.

E normalmente ao nosso gosto.

Não gastamos rios de dinheiro.

 

A exceção é feita para os meus sobrinhos.

A Madalena e o Pedro já são adultos mas para nós continuam a ser os nossos bebés.

A Inês, a Carlota, o Rodrigo e a Margarida ainda são crianças.

Aliás, a Margarida ainda não fez 3 meses.

E para todos eles há prendas. O Natal é das crianças. E é importante que a magia prevaleça o mais tempo possível.

 

Têm prendas mas não são dadas ao acaso.

São compradas segundo 4 princípios, até porque somos 4 a oferecer: os avós, os pais e os dois tios/tias..

1- Algo que gostem muito (por exemplo: o monopólio e não o loto da quinta!)

2- Algo que precisem  (por exemplo: roupa, calçado, etc)

3- Algo para guardar (por exemplo: dinheiro ou qualquer coisa que não precisem imediatamente mas se torne útil no futuro)

4- Algo para ler (fomentar a leitura e criarem desde pequenos bons hábitos)

 

Também isto é sorteado. No Natal anterior...

Eu este ano fiquei com: "Algo para ler"....

E já estão escolhidos os seis livros que farão as delícias dos meus sobrinhos.

....e a prenda do meu familiar secreto? Também...

......vai ser impagável a cara que vai fazer quando a receber....

 

01.12.17

uma história de Natal...

Joana Marques

Tinha 8 anos.

E o meu pai tinha tirado a semana do Natal para irmos todos ao Alentejo.

Mal chegámos a casa da minha avó pus os olhos num gato.

A minha avó lá explicou que tinha aparecido um gato lá em casa.

Os meus avós tinham um cão. Que o meu avô adorava. E o gato chateava demasiado o cão.

O meu avô já tinha dito à minha avó para não alimentar o gato.

Mas a minha avó lá ia dando às escondidas comida ao gato.

O gato era pouco simpático. Medroso. E arisco.

O aspeto também não ajudava. Era o gato mais feio que alguma vez já tinha visto.

Esqueçam os gatos amorosos. Este parecia o anti-cristo.

- Joana não toques no gato que te arranha. E doenças. E pulgas.

Avisou-me a minha mãe.

 

É claro que não dei ouvidos à minha mãe.

E passadas duas horas de lá ter chegado, estava irreconhecível.

Tal era o nível de arranhanço.

 

Não me dei por vencida.

Claro, que não.

Comecei a roubar leite aos poucos. Via quando estava livre a cozinha e cá vai disto...

Depois, meus amigos. Os horizontes abriram-se para mim...quando percebi que a minha avó guardava na despensa, leite para alimentar todos os gatos de Portugal continental...

Entrar pela cozinha e seguir para a despensa era perigoso. Podia ser apanhada.

E convenhamos...era pouco elaborado para mim....

Um dia entrei na despensa e deixei a janela aberta. Uma fresta. Não se via. Não se notava.

Foi fácil. Comecei a entrar na despensa pela janela.

Ao fim de dois dias, eu Joana, não andava pelo quintal da minha avó.

Desfilava com uns 5 ou 6 súbditos atrás de mim.

Para além do gato da minha avó, tinham aparecido mais, não sei bem de onde...

 

Nunca fui apanhada. Embora a minha avó começasse a achar que nós os 5, bebíamos demasiado leite.

Também estranharam lá por casa o facto dos gatos de um momento para o outro me adorarem...

 

Algo não batia certo. Nem em casa da minha avó. Nem nas redondezas.

Um dia, fui à mercearia com a minha avó, e uma vizinha queixava-se:

- O meu tareco desapareceu, há 5 dias que não o vejo....

- Também o meu. Já o tenho há 10 anos e é a primeira vez que desaparece...

 

Lembro-me de ver a minha avó. De repente com os olhos postos em mim. E a juntar as peças.

E percebeu.

Claro que percebeu.

A minha avó chegou a casa e arranjou um canto na cozinha para o gato.

O gato aos poucos foi-se adaptando.

Quando voltei lá pelo Carnaval o gato já passava os serões na sala com os meus avós.

A minha avó morreu 5 anos depois. O meu avô morreu logo a seguir. E o gato foi adotado pela minha tia Luz.

Jacaré, o gato. Morreu 5 semanas depois da minha avó ter morrido.

 

A minha avó nunca me denunciou pelo roubo.

Ficou um segredo só nosso. Até hoje..

 

17.11.17

Estrelas de Natal em crochet

Ana

Deparei-me com umas estrelinhas em crochet já há algum tempo que adorei.

Tentei fazê-las, seguindo vários tutoriais na Internet e misturando vários deles, nasceram estas.

Estou a usar uma agulha 2,75.

E escolhi um fio que adoro, natura da dmc.

Comprei o fio aqui. Na loja online.

 

1ª carreira:

Começam por fazer um anel mágico.

Dentro do anel mágico fazem 5 puff stitchs. 

Para fazer o puff stitch podem ver o post que a Joana fez na Páscoa, usou este ponto para fazer as flores.

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2ª carreira:

Em cima do primeiro puff stitch fazer 3 correntes e dois pontos altos, uma corrente, 3 pontos altos e uma corrente.

No segundo puff stitch fazer 3 pontos altos, uma corrente, 3 pontos altos e uma corrente.

Continuar até ao último puff stitch.

 

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3ª carreira:

Ir fazendo pontos baixíssimos até ao argolinha feito pela corrente (na volta anterior) e dentro fazer 3 correntes, dois pontos baixos, 3 correntes, 3 pontos baixos e uma corrente.

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 Antes de chegarem ao outro topo, façam um ponto baixo, na corrente da volta anterior e uma corrente.

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No topo seguinte, fazer, 3 pontos altos, 3 correntes, 3 pontos altos, uma corrente.

Ponto baixo e uma corrente.

Até ao fim da volta e já está.

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Com fio mais grosso podem fazer bases para copos em cores natalícias. 

Podem colocar uma fitinha e colocar na árvore de Natal.

Ou juntar várias e criar uma grinalda para enfeitar uma parede, por exemplo.

Também podem colocar uma fitinha ou um cordão e enfeitar um puxador de um móvel ou de uma porta.

Divirtam-se!

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 O nosso grupo  handmade life  no facebook tem um novo desafio. Espreitem e adiram.

16.11.17

carta ao Pai Natal. De uma tricotadeira...

Joana Marques

Querido, Pai Natal:

Depois do fiasco que foi o Natal de 2016, não quero que te enganes outra vez.

Uma tricotadeira é um ser especial. Dá valor a coisas que não lembra nem ao menino jesus.

 

Uma agenda. Quem não precisa de uma agenda? Toda a gente precisa de uma agenda.

Pára tudo!

Não é nada do que estás a pensar.

Nós queremos ESTA agenda.

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Todas as semanas um projeto novo. Para tricotar ou crochetar.

É claro que a tricotadeira pode baralhar-se e esquecer-se de ir trabalhar. Mas isso já não é da tua conta.

Vai por mim. Põe a agenda debaixo da Árvore de Natal. E vais ficar bem visto um ano inteirinho.

 

Outra opção. Pode complementar a anterior.

Todos os gadgets que possas imaginar. Todos são bem vindos.

E por mais que uma tricotadeira tenha marcadores para não fazer asneira.

Há sempre um. Que não tem.

Aquele que tem o formato em S e é cor de burro quando foge.

É esse mesmo que faz falta. Por favor, quero tanto!!

Podes comprar os acessórios aqui.

Se me deres isto:

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(imagem daqui)

 

 Isto:

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 (imagem daqui)

 

Ou isto:

dobadoura2.jpg

Ofereço-te um fato novinho em folha.

Mas em verde. Que o natal por estes lados é da cor da esperança.

 

Se calhar estou a abusar.

Vai na volta, até és um dos lesados do BPN. Ou do Banif. Ou do Bes.

Pronto.

Podes me oferecer uma tigela.

Atenção. DESTAS!

yarn.jpg

 (imagem daqui)

 

yarn1.jpg

  (imagem daqui)

 

NADA de roupa.

Casacos. Camisolas. Meias. Cachecóis.

Não!

Nós queremos é tricotar. E vestir o que tricotamos.

É claro que às vezes demoramos algum tempo.

Desmanchar é o nosso nome do meio.

E por isso as luvas nem sempre estão prontas em Novembro.

E o xaile em pura lã virgem só fica pronto em Maio.

Pormenores!

Não enchas a tua cabecinha com pormenores.

Foca-te no essencial! Sim?

Nós queremos fio. Fio. E fio. Só isso!

Vês como é fácil acertar....

Se quiseres mesmo, mesmo agradar. Não há dúvidas!

Malabrigo! É o fio dos fios.

malabrigo.jpg

(imagem daqui)

Mas o mundo está cheio de opções.

Tens muito por onde escolher.

Aqui. Por exemplo.

yarn3.jpg

(imagem daqui)

Se por acaso. Mas só mesmo por acaso. Estiveres mesmo, mesmo falido.

E nos quiseres presentear apenas e só com uma tshirt.

Nós. Tricotadeiras.

Enfim....pronto.

Aceitamos. Esta. Em verde!

verde.jpg

(imagem daqui)

 

Meu querido, Pai Natal:

 

Ouve bem com atenção.

Eleva-me essa bitola.

Se por nada disto optares.

Devolvo-te à coca-cola!

 

Mas se por outro lado.

Nada falhar.

E me deres tudo sem lamento

Só tenho uma coisa a fazer.

Vou pedir-te em casamento.

 

Vou esquecer-me do Bas Dost,

Em toda e qualquer medida

Porque finalmente encontrei

o homem da minha vida!

 

 

Joana Marques

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