Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quiosque da Joana

11.05.17

a segunda aula de norueguês...

Joana Marques

Saí diretamente do trabalho para a aula.

Cheguei muito cedo.

Sinto alguém a correr atrás de mim.

São os irmãos nepaleses da minha primeira aula. A eles juntam-se os gregos.

Dão-me beijinhos. E mostram-me as mochilas novas que receberam.

Um deles mostra-me contente um carrinho miniatura que um amiguinho norueguês lhe tinha dado.

Um pequeno tesouro. Lembrei-me dos meus sobrinhos que têm um quarto cheio de bugigangas que não ligam nenhuma...

Na relva do jardim. Acabamos os cinco a comer framboesas e nozes que eu tinha para comer antes da aula começar.

 

Quando faltavam 10 minutos para a aula, despedi-me deles e subi.

Fiquei à porta.

Lá nos deixaram entrar. Sentei-me do lado da janela na segunda carteira.

O mais atenta possível. Tenho mesmo, mesmo de passar no exame.

Não me está nada a apetecer pagar as aulas de História de Arte. As coisas onde eu me meto...

 

Somos 16.

Tenho ideia que na maioria são refugiados que estão a recomeçar a vida na Noruega.

Duas brasileiras.

Um americano.

Não sei nada sobre ninguém porque na aula das apresentações estava na turma errada.

E um professor. Muito amigável.

 

Agora quem está confusa sou eu.

Já me tinha conformado a tratar os homens como pedras da calçada.

Este parece uma pessoa normal.

Deu-me as boas vindas. Verificou o dossier que me tinham dado. Tinha exercícios para putos. Trocou algumas folhas.

Eu com um ar de poucos amigos. Porque fiquei traumatizada com a história do Hans.

 

O professor iniciou a aula. Muito mais dinâmico que a professora que tive a semana passada.

15 alunos concentradíssimos.

Eu incluída.

Eu não quero pagar as aulas de História de Arte.

Eu não quero pagar as aulas de História de Arte.

Eu não quero pagar as aulas de História de Arte.....

Os outros 14 porque devem querer ficar no país em definitivo e por isso têm de passar no exame. Têm 5 anos para o fazer mas segundo percebi as duas brasileiras já lá estão há algum tempo.

E depois temos a barbie. A barbie americana.

Chama-se Sam e deve achar que é a última bolacha do pacote.

Burro.

De todos nós foi o único que falhou exercícios. É claro que fomos ajudados. Mas estávamos nos a esforçar.

Ele, ao contrário. Como não conseguia.

Abanava o cabelo.

Ria-se.

E gozava com o professor.

E começou a gozar com um dos refugiados.

Tivemos a aprender palavras com várias vogais para começarmos a perceber quando se usa um som curto e um longo.

A criatura sabotou completamente a aula.

O professor falou com ele. E ele ainda se ria mais.

 

É claro que dá vontade de rir.

Uma pessoa para ali a fazer...

...em voz alta e em público uns sons...parece que saídos de um estômago que acabou de levar com meio litro de uma bebida qualquer gaseificada, made in China..

E rimos. Todos. E o professor também se riu. Mas nenhum de nós se rio do colega do lado.

Rimos de nós próprios de uma forma normal.

 

Fizemos exercícios escritos. E a aula acabou.

E a barbie. Abanou o cabelo. Riu-se. Pavoneou-se mais uma vez. E diz em voz alta...

- Olha tu, que és gira, queres sair?

E eu olho para ele e digo.

- No. Sorry. I don't go out with stupid people...

Desapareceu que foi uma beleza. Pode ser que não volte....

 

E sim, eu sou bruta muitas vezes...

 

11.05.17

a minha primeira aula de norueguês...em emojis!

Joana Marques

Falo por mim. Já tinha saudades.

Se não leram o post da minha primeira aula de norueguês devem lê-lo com urgência. (Aqui)

Se leram, então estão aptos para acompanhar a história, maravilhosamente contada pelo João.

emoji (1).jpg

 

Se querem saber como correu a minha segunda aula de norueguês...têm de esperar só mais um bocadinho.

Mal de nada...

Menos de um danoninho....

 

10.05.17

lost in translation...

Joana Marques

Trabalho no departamento financeiro.

Os departamentos estão divididos e onde trabalho, somos 11 pessoas, a contar com a minha chefe e comigo.

São 6 homens e 5 mulheres. Todos casados, excepto o Hans e eu.

 

Chego à Noruega. A pensar que estou em casa...

E no primeiro dia de trabalho trato de falar com toda a gente.

Sorrir a toda a gente.

Contar piadas a toda a gente. E a rir-me. Que é algo que eu sei fazer bem...

 

No final do dia 1, o Hans convidou-me para sair.

Estranhei. Disse que não.

 

A minha vidinha continuou. A tentar adaptar-me.

Continuei a ser eu própria. A falar com as pessoas. A tentar quebrar o gelo na hora de almoço.

No dia 3, Hans oferece-me chocolates.

- Não vais abrir e experimentar?

Claro que não. Sou paleo, meu amigo. Lá como bombons...que não sejam feitos por mim...

 

No dia seguinte convidou-me para sair outra vez. Voltei a dizer que não.

Que seca.

Que chato.

Pensei. Será que este homem se anda a picar com a água da sanita??

 

Joana, sempre a dar o ar de sua graça no trabalho.

A falar. A falar muito. A dizer olá. E adeus. E coisas....

Hans oferece-me flores.

Não queria acreditar. Flores???

Estava enganada.

Este homem não se anda a picar com a água da sanita, este homem anda-se a picar com a água da ETAR de Alcântara....

 

Peguei no Hans e disse-lhe para parar. Não estava interessada.

- Por favor, não insistas. Não vai acontecer.

Fez um ar. Parece que lhe tinha dito: olha a Noruega ficou pobre e a partir de agora vais ter de te governar com 600€ por mês.

 

Um dia, estava eu no supermercado e vi o Hans.

Olha o Hans!

Voltei a ser eu própria.

- Olá! Está tudo bem. Digo alto e a gesticular.

Hans virou as costas.

- Não me viu. Pensei.

 

Não faço mais nada. Encurralo o Hans entre a arca dos congelados e o armário das garrafas.

- Olá, como estás?

-

O pobre Hans fez um ar confuso.

Que feitiozinho que este homem tem. Credo!

 

No dia seguinte, no trabalho, Hans aparece-me no gabinete. Oferece-me um bonequinho de peluche.

- Ó valha me Deus. Será que eu irritei assim tanto São Pedro que mereço???

Voltei a dizer ao Hans. Que não. Não valia a pena.

-

Outra vez um ar completamente incrédulo.

 

Daí a uns dias, contei a história a uma colombiana que trabalha aqui.

- Joana. Já viste como falas com as pessoas? A maneira como falas, olhas nos olhos e sorris estás a dar a indicação de que estás disponível. Aqui os homens avançam se as mulheres se mostrarem disponíveis. E mostrar disponível aqui é falar, sorrir ou olhar diretamente para a pessoa. A não ser que estejam bêbados. O Hans estava bêbado?

Bêbado? Não. Duvido que a ETAR de Alcântara proporcione aos seus clientes aguardente canalizada.

 

Percebi porque é que aqui só se fala o mínimo indispensável. E só de trabalho. Ninguém está interessado em ninguém.

A não ser eu que pelos vistos estou a pensar em arranjar um harém....

 

E a partir de agora não falo com ninguém.

Quando preciso de alguma coisa...recorro ao email.

Tudo por escrito.

T-U-D-O   P-O-R    E-S-C-R-I-T-O!

 

04.05.17

a minha primeira aula de norueguês...

Joana Marques

Ontem foi a minha primeira aula de norueguês.

Estava ansiosa. Pela aula em si...até porque tinha um mau pressentimento.

 

Mas também, ansiosa para conhecer os meus colegas.

Seriam todos de outros países e isso agradava-me.

Até tinha uma esperança de dar de caras com algum português...

 

Ás 15h45 estava na escola. Porque aqui tudo começa a horas.

E se a aula está marcada para as 16h quer dizer que às 15h55 já temos de estar sentados.

Disseram-me para esperar à porta de uma sala.

A sala tinha porta com uns quadrados de vidro, olhei lá para dentro e estava a decorrer uma aula.

Miúdos de 10, 12 anos talvez. Estrangeiros e também locais. Uns loirinhos e cor de lixívia. Outros morenaços e cor de saúde!

Entretanto juntaram-se a mim mais uns miúdos. Um pouco mais velhos do que os que estavam dentro da sala.

A porta abriu-se.

Os loirinhos e cor de lixívia saíram. Sorridentes e aos pulinhos.

Os morenaços e cor de saúde ficaram.

Apareceu uma funcionária que nos encaminhou para dentro da sala.

 

Sentámos-nos.

Ali estava eu Joana, 36 anos, rodeada de putos.

 

Entrou a professora. Fez a chamada. Disse o nosso nome e a nossa nacionalidade.

Estava numa turma de 15 alunos.

2 gregos. (são irmãos)

2 paquistaneses. (também são irmãos)

Uma portuguesa, eu...

10 nepaleses.

Não sabia se havia de rir ou de chorar. Em caso de dúvida ....é melhor rir!

 

Recebemos um dossier com o plano de estudos.

Dentro do dossier, um calendário onde estavam assinaladas as aulas que vamos ter.

Os conteúdos a trabalhar em cada aula. Os exercícios a fazer. 

Deram-nos todo o material que precisamos. Incluindo folhas de linhas.

Também nos ofereceram um estojo completo.

 

Fomos apresentados às vogais norueguesas. 8 vogais.

E ensinou-nos a ler cada uma delas.

Tivemos de repetir.

Foi horrível...

 

Depois fomos apresentados ao alfabeto todo.

Cada um de nós teve de ler o alfabeto com pronúncia norueguesa.

 

Hilariante! E  humilhante ao mesmo tempo.

Tanta boquinha.

Tanto trejeito.

Tanto som parvo....

Dois nepaleses choraram....e um grego também.

 

Estava eu concentradíssima a debitar o alfabeto.

Com uma pronúncia irrepreensível...como é óbvio!

Um nepalês, com uns 10 anos, chamado Sugavara, ou qualquer coisa do género...

.....interrompeu-me e corrigiu-me...

 

Atirei-lhe um olhar...

....de agradecimento....o puto tinha razão...

...foi repreendido pela professora...e encolheu-se todo.

 

De repente ouço chorar...

...achei que tinha escangalhado o nepalês...mas não!

Era o irmão, chamado Sugalee ou qualquer coisa similar....que tinha começado a chorar também...

 

 

Mais uma vez, não sabia se havia de rir ou de chorar.

Podia-me juntar ao grupo dos chorosos, esperei pelos paquistaneses...mas são rijos.

Nem uma lágrima.

Aguentei, o choro. E principalmente o riso....um sacrifício grande da minha parte!

Devia ser valorizado na nota final...

 

Não sei como é que a professora não se desmanchou a rir, devem ser muitos anos daquilo e já não deve achar piada..

 

 

Quando saímos fui à secretaria.

Perguntar:

-Tem a certeza que estou na turma certa??

A senhora olhou para mim com um ar de:

- Não estou a perceber...

- Estou numa turma só de putos....É normal????

- Em que sala está?

- B12?

-Que idade tem?

- 36!

- Tem a certeza? É uma turma sub16..

Achei que estava a gozar comigo....sim, claro!

Tenho 16 anos....e o meu creme anti-rugas está a fazer um efeito belíssimo......

Saquei do meu cartão de identificação norueguês e mostrei-lhe a minha data de nascimento...

 

Afinal, tinha havido um engano.

Quem preencheu o meu formulário enganou-se e em vez de escrever 36, escreveu 16.

O mais parvo é que a professora não me disse nada.

Deve ter percebido e deixou-me ali rodeada de putos. A sofrer....

 

Para a semana há mais.

Na turma certa!

Sala B23.

Já que é para ser humilhada...que seja com gente do meu tamanho!

 

28.04.17

norueguês. O faz tudo!

Joana Marques

A minha chefe, Anne, tem 46 anos. 4 filhos. O mais velho com 16 anos e o mais novo com 4.

Mora nos arredores de Oslo.

Todos os dias pega nos dois filhos mais novos e deixa um deles na escola primária e o outro na creche que temos aqui no trabalho.

Os outros dois filhos ficam com o marido. O marido trabalha ao lado de casa e a escola das crianças é também por lá.

Anne e o marido têm um rendimento mensal de cerca de 8000€ (estimativa feita por baixo é provável que recebam mais).

 

Vivem numa casa com jardim.

São eles com a ajuda dos filhos que tratam de tudo.

Não têm jardineiro, nem empregada doméstica.

Quando alguma coisa precisa de arranjo, nem que seja uma pintura é feita por eles.

Estes trabalhos na Noruega são caríssimos e as pessoas habituaram-se a saber fazer de tudo um pouco.

Anne tricota os gorros para os filhos, as meias e as camisolas.

É ela que arranja os bibes que os dois filhos mais novos usam na escola.

 

É também ela e o marido que cozinham.

Neste caso não tem grande ciência. Cozinhar na Noruega é abrir uma embalagem, atirar com o conteúdo para uma panela, acrescentar um copo de água e esperar entre 10 a 15 minutos.

E já está.

 

Têm um carro.

Normalmente é usado pelo marido.

Quando precisa de arranjo o marido sabe um pouco mais do que o básico de mecânica e resolve o problema.

Como gostam de cerveja, o marido aprendeu a fazê-la.

 

Compraram uma cabana fora da cidade e vão para lá quase todos os fins de semana para os miúdos terem contacto com a natureza.

É claro que a cabana foi remodelada por eles.

Segundo ela durante dois anos divertiram-se em família a arranjar e a deixar tudo ao gosto deles.

- Assim damos mais valor.

A cabana não tem energia elétrica e uma das funções dos filhos é procurar lenha para a lareira.

Até o mais novo ajuda.

Os putos andam a maioria das vezes descalços por lá.

É normal, segundo diz.

São crianças todo o terreno. Não são de vidro.

 

Um dia destes passei por casa deles.

Estavam a pôr a mesa para o jantar.

Cada um tem uma função.

O mais novo é o dos guardanapos.

Se falharem com a tarefa que lhes é pedida, não comem.

Parece drástico mas resulta!

 

Com 46 anos, Anne, faz inveja a muita mulher de 30.

É gira que se farta.

Em forma. Faz exercícios físico.

Com 4 filhos, o trabalho, a casa, a organização dos fins de semana na cabana, as compras, já a fazem estar em forma. Não é só isso. Anne pratica yoga. Em casa, claro!

Com uma aparência sóbria e irrepreensível, é a própria Anne que corta, pinta e penteia o cabelo.

E tudo o resto que a faz sentir bem.

 

Não serão todos certamente mas os que conheço são assim.

Autodidatas.

Independentes.

Quase suficientes. É uma característica do povo norueguês. O faz tudo!

....identifiquei-me...e ando a trabalhar para isso!

24.04.17

Norwegian Meterological Institute! Não brinquem com a portuguesinha...

Joana Marques

Uma pessoa é acordada às 5h da manhã de domingo. Pelo cão.

Melhor dizendo, eu fui acordada às 5h da manhã de domingo pelo cão.

Sem stress. É mesmo a minha hora.

Abro a gaveta da mesinha de cabeceira e tiro o telemóvel.

Tenho várias notificações. O costume, gmail, facebook e instagram. E outra que desconhecia.

Vou vendo uma a uma, até que chego à desconhecida.

Uma onda amarela invade o meu telemóvel.

Pela primeira vez na minha vida recebi uma notificação do AccuWeather.

Um alerta amarelo.

Risco de Incêndio Florestal.

 

A sério?? Risco de Incêndio Florestal em Oslo?

 

Até saltei da cama! Nasceu-me uma alma nova!

Calor! Meus amigos, calor!!

Vamos ter calor, lalala lalala!

Fabriquei os foguetes, atirei os foguetes, apanhei as canas e fiz a festa sozinha.

 

Que sorte que eu tenho, pensei! Ainda agora cheguei e o tempo já mudou a meu favor.

20 graus? 30 graus?

Espetacular, Oslo!

Boa, Noruega!

 

 

A esperança foi-se logo que abri os olhos como deve ser e vi a temperatura.

 

oslo1 (1).jpg

Às 15h recebi outra notificação.

Uma loucura, estavam 6 graus.

O risco de Incêndio Florestal pelos vistos foi sol de pouca dura.

Afinal vem aí neve. E gelo. Em Abril. Quase Maio.

oslo2 (1).jpg

Norwegian Meterological Institute!

A dar falsas esperanças à portuguesinha??

E ainda não contente...

...toma lá uma facada pelo coração adentro.

É neve, é gelo....só falta sair de casa e um pássaro acertar-me em cheio...

...e confirma-se hoje está mesmo frio...

 

19.04.17

em Maio volto à escola....

Joana Marques

Começo a ficar com urticária sempre que dou por mim a perder tempo.

Em Oslo, sozinha. Tenho de me mexer. Foi o que achei.

E mexer não tem a ver com exercício físico. Tenho corrido todos os dias. No ginásio do meu prédio.

Tem a ver com o facto de não aproveitar. Tenho de estar aqui, certo? Então tenho de me fazer à vida.

 

Comecei a investigar. A perguntar.

Descobri que Oslo tem uma Universidade (...grande novidade!! Só uma???).

Tem uma universidade que me interessa.

Existe uma cadeira de História de Arte que gostava de frequentar. Já que cá estou. Gostava de aprender alguma coisa.

Um dia quando for velhinha gostava de pensar:

- Olha, aprendi isto quando estava em Oslo.

 

Depois de me informar. De ter ficado histérica quando vi o programa da disciplina. De ter dado pulinhos de contente por ter percebido que era mesmo aquilo que eu queria.

Desci à terra.

As propinas eram intragáveis.

Pensei.

Fiz contas.

Ponderei hipotecar o cão. 

E o coelho.

Vender um rim. 

E uma veia da perna.

 

Até que encontrei uma saída. Na verdade ela é que me encontrou a mim.

 

Como tive de deixar na universidade os meus dados.

Contactaram o meu emprego para confirmarem que eu trabalhava lá.

A minha chefe chamou-me e disse-me o que tinha acontecido.

Eu lá lhe disse que não tinha a certeza se iria ou não. Ainda estava a pensar. Expliquei-lhe a razão.

Sou pobre.

 

E Senhora Dona Anne, a minha chefe, lá me disse que se eu estivesse disposta a aprender norueguês provavelmente não pagaria nada. 

 

Nesse dia voltei à universidade e lá confirmaram.

Se aprender norueguês, a língua viva mais morta do mundo, fizer um exame escrito e outro oral e passar,  não pago nada na cadeira de História de Arte.

Isto acontece porque já tenho número de identificação Norueguês e trabalho no país.

Nem queria acreditar.

Os deuses noruegueses deviam estar loucos.

Que felicidade a minha!

 

A partir de Maio volto à escola.

História de Arte à segunda, norueguês à quarta. Durante 6 meses!

A minha chefe ainda achou que as aulas de norueguês deviam ser em horário de trabalho. Não aceitei. Não consegui aceitar. Escolhi um horário das 16h às 18h.

 

Estou ansiosa pelas aulas de História de Arte. Até já tratei de arranjar um caderno para tirar apontamentos, tal é a ansiedade!

 

7 (5).JPG

Quanto as aulas de Norueguês, o meu nível de conhecimento deste idioma é muito, muito avançado.

Sei dizer....

 

Olá - Hallo

Bom Dia - God Morgen

Obrigada - takk

Cão - hund

e mais importante que tudo o resto

Canela - Kanel

 

Pela mesma lógica Manela deve ser Manel, janela deve ser janel e como é óbvio, panela deve ser panel e chinela?? Não há nada que saber, em norueguês é chinel........

 

Oh! Não! Quem é que eu estou a enganar.....

....eu não sei nada de norueguês...

.....nada, rien, nothing, ingenting...

13.04.17

pick one....

Joana Marques

No final deste mês ou início do próximo tenho de ir a Barcelona.

 

Será que devo ficar por lá.

 

- Os preços são muito mais económicos.

- As pessoas são muito mais simpáticas.

- O ambiente de trabalho é espetacular.

- A hora de almoço pode ser prolongada até ao Natal.

- Toda a gente acha normal eu sorrir e toda a gente sorri de volta.

- O Sol espreita e depois fica até ao fim do dia.

- Tenho o meu coelhinho em Barcelona.

- O cão não fica sozinho em casa e eu tenho de andar num stress que só visto.

-A casa é mais pequena e por isso as minhas visitas não podem ficar lá a dormir. (os meus pais, os meus irmãos, sobrinhos, etc).

- Posso correr na rua mas o cão detesta. E quer-me dar para adoção.

 

Ou:

volto para Oslo.

 

- Um café custa os olhos da cara e um automóvel deve custar um rim.

- As pessoas parece que engoliram meio kg de fel da terra. (não bebam é horrível)

- O ambiente de trabalho está entre o morto e o enterrado.

- O trabalho rende muito mais porque não se perde tempo com conversas. E eu quero despachar-me para terminar isto rápido e voltar para Portugal.

- A hora de almoço é meia hora. E ninguém percebe que uma pessoa é paleo e que no tempo das cavernas não havia relógio.

- Ninguém acha normal eu sorrir, as mulheres olham para mim como se eu fosse uma maluca e os homens acham que eu me estou a atirar a eles.

- O tempo é uma $%#$%$%

- O cão fica em casa sozinho. Gosta. Eu também. E eu posso passear, visitar tudo o que me apetece e viver mais a cidade.

- A casa é maior e por isso posso receber pessoas, não têm que ficar num hotel.

- Corro numa passadeira no ginásio do meu prédio.

 

E agora??

O que raio é que eu vou escolher???

Só posso escolher um....

 

11.04.17

noruega, obrigada! Mas não, obrigada...

Joana Marques

A Noruega tem uma grande tradição na arte de pescar.

O mais estranho é que nos supermercados imperam os filetes e o peixe congelado.

Se quisermos peixe fresco convém ir à lota. De manhã cedo.

Conseguimos comprar peixe bom, muito fresco e muito mais barato.

 

Entretanto já consegui encontrar supermercados mais em conta.

Caros ainda assim, mas menos pretenciosos que o primeiro.

Segundo percebi,  onde fui, é a Santa Sé dos Supermercados.

Caro, caríssimo,  em caixinhas pequeninas. Gourmet!

 

Demoro uma eternidade a fazer compras.

E muitas coisas acabo por desistir de comprar porque quando leio os rótulos não percebo a maioria dos ingredientes e não arrisco.

Um destes dias arrisquei.

Vi isto. E comprei.

 

atum1.jpg

 

Atum. Já comi atum aqui mas fresco.

As saudades que eu tinha de comer um atum em lata. Misturar numa saladinha.

Abri.

Uma história triste.

O atum tinha cortado os pulsos dentro da lata.

atum2.jpg

Ainda provei. O sabor é igual ao aspeto.

Uma nhanha norueguesa....

 

Noruega, no que diz respeito a latinhas...

...ficamos por aqui...

 

obrigada! Mas não, obrigada!

 

06.04.17

devia ter pedido bom tempo...

Joana Marques

Segunda-feira. Primeiro dia de trabalho.

Cheguei às 7h30 mas ainda não estava ninguém.

Às dez para as oito começaram a chegar. E às oito já tinha chegado toda a gente.

Fui apresentada aos meus colegas. Indicaram-me o local onde iria trabalhar. Fizeram-me uma visita guiada pelas instalações.

 

Entrei em gabinetes. Mostraram-me a sala de convívio. Onde é suposto almoçarmos. Olhei, tornei a olhar.

Tem mesas. Tem cadeiras. Tem frigorífico. Tem máquina de café. E micro-ondas? Onde está o micro-ondas?

- Não têm micro-ondas?

Não, porque aqui não se usa almoçar propriamente. Comem qualquer coisa, uma sandes e pronto.

Vê-se logo que não foram educados pela minha mãe que diz sempre:

- Pão não é refeição.

 

- Podemos ter micro-ondas?

- Precisas de um micro-ondas?

-

 

Disseram-me para preencher um formulário e pedir o micro-ondas.

Tentar não custa e lá preenchi o formulário.

Na terça-feira de manhã estava eu entretida a trabalhar. Entra-me um homem gabinete dentro. O formulário tinha ido parar a ele.

Vinha com uma cara. Parecia que lhe tinha pedido um unicórnio.

- Micro-ondas?

- Sim. Sou portuguesa. Em Portugal comemos comida a sério. E estou a seguir o regime Paleo e preciso mesmo de aquecer algumas refeições.

 

Se eu fosse o senhor tinha respondido.

- Ah! E tal e no Paleolítico por acaso tinham micro-ondas? Onde é que o ligavam??? Aos olhos do mamute??

...mas não, o senhor do micro-ondas fez um ar meio confuso.

Acho que não faz ideia do que é o regime Paleo e fiquei com dúvidas se sabia o que é ser português. Disse-me:

- Hoje não devo conseguir tê-lo cá. Amanhã, garantidamente já o tem...

-

Fiz um ar de espanto. Tinha preenchido o formulário sem fé nenhuma. Achei que iam acender uma lareira com ele. E afinal demorava dois dias!!

 

O senhor do micro-ondas deve ter interpretado o contrário.

Daí a uma hora quando fui almoçar qual não foi o meu espanto quando vi um micro-ondas novinho em folha.

micro-ondas.jpg

Estúpida que eu sou! Devia ter pedido um fogão....

...ou um trem de cozinha.....

....parva, parva, parva!

....devia era ter pedido bom tempo...

Joana Marques

foto do autor

Sigam-me

contador de acesso grátis

Links

Grupo no Facebook de Partilha handmade! 💝

As histórias do cão! 🐶

Tricot 🌺

Crochet 🌻

Receitas 🍳🥦🥧

Planear ⌚📅 📊

Comentários recentes

  • Genny

    Bem...virou-se o feitiço... Agora é a senhorita Jo...

  • Maria F. Fátima

    , também não consigo parar de rir... Espero que De...

  • Nuno

    No mrio disto tudo só penso como és mãozinha a rir...

  • Genny

    É bonito assistir a esta vossa cumplicidade e a es...

  • amarquesademarvila

    Obrigada!!!!!! Tão bom estar aqui outra vez!!!!Se...

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D