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Quiosque da Joana

19.04.18

a rir-se. Desta família de loucos..

Joana Marques

A Julieta apareceu na minha vida. Desta forma.

Nitidamente tinha tido um dono ou uma dona antes.

Não sabemos se fugiu ou se foi abandonada.

Sabemos que estava doente.

O veterinário disse-me que provavelmente a tinham abandonado quando descobriram que estava doente.

Nunca o saberemos. Se foi assim ou não..

 

Não havia muito a fazer, segundo o veterinário.

Não quis que acabasse os últimos dias numa instituição para gatos.

Acolhi-a aqui em casa.

Deu-se bem por aqui. Pelo menos eu achei...

Sempre à distância. Sempre atenta.

Mal eu chegava a casa. Vinha ter comigo e andava de volta das minhas pernas.

Sempre que eu estava a trabalhar. Dormia no sofá mesmo em frente à secretária.

Gostava muito de festas. Na cabeça.

Às vezes. Só quando lhe apetecia. Pedia colo.

Roubava. Sempre que podia um biscoito ao Vasco. Nem era fome... era para lhe dizer:

- Cheguei agora, mas sou eu a Presidente da Junta...

Aproveitava. A competência do cão para abrir portas.

Era assim que de madrugada entrava no nosso quarto. E dormia. Aninhada.

Gostava de estar à janela.

De apanhar sol na mesa da sala.

 

A Alice bem olha. A ver se a vê sair de algum recanto.

O Vasco também já andou à procura dela. Antes que a mafarrica. Salte. Do nada. E lhe roube mais algum biscoito.

A Julieta deixou-nos hoje de manhã.

 

Está no céu dos gatos. A olhar cá para baixo.

A rir-se desta família de loucos...

...e a dizer..

- Com mil penáltis marcados! Safei-me de boa! Safei-me de boa!

 

E nós aqui...

-Pssst! Julieta! Julieta! Já temos saudades tuas! Já temos saudades tuas!

 

19.04.18

e assim começou mais um dia....

Joana Marques

A Alice adapta-se muito bem a novas situações.

É verdade que teve um início de vida difícil.

Penso que esta facilidade de adaptação, não terá só a ver com isso. Faz parte de ser criança.

Mas, independentemente de tudo. Conhece bem os que lhe são próximos.

É uma bebé muito simpática. Desde que esteja ao colo da mãe, da avó, avô, padrinho, etc.

Ou então que nos consiga ver.

Se os olhos dela não nos alcançarem. Puxa pelos pulmões.

E....

...põe um concerto de uma banda de metal no bolso.

 

 

Quando conheci o Pedro estava com a Alice.

Nas vezes seguintes não. Mas falámos sempre nela.

Avançar para um relacionamento inconsequente não fazia parte dos meus planos. Nunca fez. Nem antes da Alice.

Neste momento menos sentido fazia.

Falei com o Pedro sobre isso.

E quando resolvemos avançar. O Pedro disse-me que a Alice deixava de ser "minha" passava a ser "nossa".

Eu sou mãe de primeira viagem.

O Pedro é pai de primeira viagem.

Eu tenho alguma experiência em sobrinhos.

O Pedro nem isso. É filho único.

 

Estamos os dois a aprender.

Eu já levo algum avanço.

O Pedro chegou mais tarde. Mas...pouco importa.

A Alice estranhou o Pedro.

O Pedro não se intimidou com isso.

Deu-lhe tempo. Para se habituar à presença.

Deu-lhe colo.

Deu-lhe atenção.

 

Hoje de manhã, a Alice acordou. Com um sorriso enorme.

O Vasco estava comigo.

Tirei-a da cama e coloquei-a no chão.

Um ritual de todos os dias. Fazer uma festa ao cão.

Continuou a andar. Caiu. 

A gatinhar. Corredor fora.

Sempre a falar em alicês....

Foi ter com o Pedro ao quarto.

Um sorriso. Aberto. De um lado e do outro.

O Pedro pegou-lhe ao colo...

..... e assim começou mais um dia...

 

14.04.18

este ano o Natal. Vai ser em minha casa..

Joana Marques

No domingo passado fui almoçar a casa dos pais do Pedro.

Eu, o Pedro e a Alice.

Dei o almoço à Alice em casa. Almoça cedo e não queria que chegasse choramingas e com fome.

Chegou a dormir.

O almoço dá sempre moleza. E a miúda não bebe café.

A mãe do Pedro disse-me para a deitar na cama deles. E ela lá ficou.

Almoçámos.

Conversámos.

A Alice acordou. De bom humor.

Deram-lhe uma Minnie. Vestida de cor de rosa.

Conheci os tios do Pedro que moram perto.

A Alice andou de colo em colo.

Disse adeus.

Atirou beijinhos. E distribuiu sorrisos.

Sempre sem tirar os olhos de mim.

 

 

Pedi para ver o álbum de fotografias do Pedro.

Como é filho único. Tem um álbum maravilhoso. Completo. E bem arranjadinho.

Eu sou a terceira filha.

O meu álbum tem o meu nome escrito na capa porque quando tinha 8 ou 9 anos perguntei aos meus pais porque é que no álbum da minha irmã estava escrito, Sofia, no do meu irmão, Tiago. E no meu. Nada de nada.

Fui eu que escrevi. Joana. No meu próprio álbum.

Lá dentro. Tem umas fotos. Sem ordem. E meias soltas.

Se alguém assaltar a casa dos meus pais. Vai achar que o casal tem dois filhos. Mais uma.

 

 

Almoçámos em casa dos pais dele. Jantámos na casa dos meus pais.

Já que eu conhecia os pais dele. Não fazia sentido não conhecer os meus.

E torna a tarefa entre nós mais fácil.

Nos dias em que entra às 8h. É ele que deixa a Alice em casa dos meus pais.

Um dos dias a que a deixou. A minha mãe disse-lhe para falar com os pais dele. Queria conhece-los.

Ficou marcado para hoje. Um almoço.

A minha mãe avisou-me. Milhões de vezes.

- Joana. Porta-te bem!

- Joana. Não fales muito depressa.

- Joana. Não cortes a palavra quando as pessoas estão a falar.

- Joana. Isto.

- Joana. Aquilo.

Senhoras. E senhores. Apresento-vos a minha mãe.

 

Correu bem o almoço. Tão bem. Tão bem.

Que o Pedro entrou em casa dos meus pais, Sportinguista.

Saiu de casa dos meus pais, Sportinguista. E sócio do Sporting.

Já se combinou um almoço em casa dos pais do Pedro. Com os meus pais.

E outro no Alentejo.

Eu vou conhecer toda a familia do Pedro. Toda!

Daqui a uns dias no casamento do primo do Pedro. Recebi hoje o convite.

 

Sendo assim...

...tendo em conta que está tudo a andar sobre rodas!

Este ano o Natal.

Vai ser em minha casa.

 

 

13.04.18

não são maneiras...

Joana Marques

Hoje estamos todos em casa.

O Pedro está de folga.

Eu tenho gerido os meus horários de trabalho de forma a estar disponível nas folgas do Pedro.

A Alice ficou connosco. Claro!

 

Quando acordei. O Pedro dormia como uma pedra.

A Alice acordou primeiro do que ele.

Não chovia. Finalmente!

Apeteceu-me pegar nela. E ir dar uma volta perto do mar.

O Pedro disse qualquer coisa. Que não percebi.

E eu disse-lhe baixinho.

- Vou com a Alice e com o Vasco ver o nascer do sol.

Respondeu qualquer coisa. Voltei a não perceber. Estava tão apagado. Que nem devia saber o que era o sol.

Estava quase a sair de casa. Quando me apareceu o homem a dizer que também queria ir.

- Despacha-te. O Sol nasce....e não espera por nós.

- Onde é que vamos mesmo?

 

Praia dos pescadores. Cascais.

Estivemos por lá um bocado.

Bebemos um café. A Alice petiscou uma banana.

 

Voltámos.

O Vasco estava doido de alegria. E a Alice também.

Eu e Pedro chorámos a rir com a figurinha dos dois.

O Vasco tirou-lhe uma meia. E ela riu-se.

O Vasco deu-lhe uma lambidela. E ela riu-se.

O Vasco saltou feito tonto à frente dela. E ela riu-se.

O Vasco ladrou-lhe ao ouvido. E ela riu-se.

O Vasco tirou-lhe a boneca. E ela não gostou.

O Vasco fugiu com a boneca. E ela foi ter com ele.

O Vasco parou com a boneca na boca. Ela tentou tirar-lhe a boneca.

O Vasco tinha a boneca entre os dentes. E a miúda perdeu as estribeiras.

Toca de lhe dar um raspanete de todo o tamanho. Numa linguagem que só os dois entendem.

O Vasco deu-lhe a boneca.

Ela sentou-se.

E depois tirou-lhe a outra meia. E ela riu-se...

 

A gata lá ao fundo a assistir.

A dizer que não com a cabeça.

Que casa é esta??

Não são maneiras!

Não são maneiras. Não senhor.

 

 

12.04.18

a gata. Calada que nem um rato!

Joana Marques

O Pedro fez noite e manhã. No hospital.

16 horas seguidas de trabalho.

 

Eu ia passar o dia fora. Tinha umas questões a tratar no Alentejo.

Deixei a Alice com os meus pais.

E fiz-me à estrada.

O Pedro ligou-me a meio da manhã.

A dizer que estava muito cansado. Mal terminasse ia para casa dormir.

Nem que fosse uma hora. Precisava mesmo. Muito mesmo.

Ainda sugeri que ficasse em Lisboa, em casa dele.

A minha casa, como vocês já deram conta, pode ser muito caótica.

O cão. Pode muito bem dar o ar de sua graça a qualquer momento.

O Pedro disse que não. Que ia para Cascais.

 

A relação entre o Pedro e o Vasco. Não existe.

O Vasco faz de conta que ele não existe.

Quando estou com o Pedro no sofá. O Vasco faz questão de se pôr entre nós os dois.

Normalmente a olhar para mim. Com olhos amorosos. E a dar com o rabo na cara do Pedro.

Se eu estiver sentada e quiser falar com o Pedro.

O Vasco está à frente. E eu nem o vejo.

Tenho de andar a desviar-me para poder comunicar. E o Pedro a mesma coisa.

Parecemos dois tontos. Até que um de nós desiste e senta-se na mesa de apoio em frente ao sofá.

Fica de costas viradas para a televisão.

E o Vasco sai do sofá e salta para o meu colo.

 

Aceita festas do Pedro. Sem grande fogo de artificio.

Acorda-me de manhã. Ignora o Pedro.

Se vamos passear. O Vasco claro. Tem de ir no meio de nós.

Mas...

....eu conheço este cão.

 

- Se ele precisar de ir à rua. Vai fazer um grande alarido. É melhor leva-lo porque não se vai calar. E não vais conseguir dormir.

- Está bem.

- Se o levares a passear. Só sais com ele com a trela posta. Olha que ele faz um ar de anjo mas só o apanhas na Serra de Sintra.

- Está descansada.

- Não deixes as chaves na porta. Ele rouba-as e esconde-as.

- Certo.

- Não deixes a varanda aberta mesmo que ele peça. Porque pode estar naqueles dias em que lhe apetece assustar as pessoas que passam na rua.

- Como assim?

- Finge-se de morto e quando elas passam, ladra ou uiva-lhes ao ouvido.

- Ah! Ah!

- Se estiveres na casa de banho. E quiseres privacidade total, fecha a porta à chave. Ele abre portas. E adora atirar com o cortinado da banheira cá para baixo.

- Eh! Eh!

- Também abre torneiras.

-

- Cuidado com o telemóvel. Já te avisei que ele adora pegar em telemóveis.

- Já sei.

- Se fores dormir e quiseres dormir como deve ser, não o feches em nenhuma assoalhada. Vai fazer uma barulheira que nem te passa pela cabeça. Deixa-o andar pela casa...o mais provável é adormecer no sofá.

- Ok!

- A última gaveta do frigorífico. A pequenina! É dele. Em casos extremos, aquece frango assado. Cuidado porque ele sabe abrir o micro-ondas. Vê bem se o micro-ondas está para trás para ele não lhe chegar.

- E essa gaveta só tem frango assado.

- Não. Mas tudo é que lá está é do Vasco. Também estão lá ossos grandes cozinhados, para quando preciso de umas boas horas de sossego.

- Ah!

- Os saquinhos para apanhar cocó estão dentro da caixa verde que está na bancada da cozinha.

- Eu sei.

- Pedro. Boa sorte!

- Ah! Ah! Vai correr bem...

 

O Pedro esteve o dia todo a dar consultas.

E por isso não o importunei com mensagens maçadores. Ainda o fazia perder mais tempo.

Não soube mais nada dele.

 

Cheguei do Alentejo.

Passei por casa dos meus pais. Para ir buscar a Alice.

Dei-lhe o lanche lá.

Adormeceu no carro.

Entrei em casa com a Alice ao colo.

Um silêncio. Sepulcral.

Deitei-a. E comecei à procura de gente viva nesta casa.

- Está cá alguém?

Nada....nem um ai.

A gata apareceu. Rondou-me as pernas. Fiz-lhe uma festa.

- Julieta viste alguém???

Entrei no quarto. E deparo-me com uma visão. Surreal.

O Pedro estava a dormir. Acompanhado.

Vasco encostadinho. Ao Pedro.

Pedro encostadinho. Ao Vasco.

PIOR!

O Pedro com o bracinho no Vasco.

Engoli em seco. E saí do quarto. Não quis estragar o clima romântico.

O amor está no ar.

 

Não sei que raio de orgia se passou aqui.

Mas....

.....uma coisa é certa.

O frango assado desapareceu. Todo!

 

A gata assistiu a tudo!

.....e está calada que nem um rato!

 

12.04.18

infantário. Sim? Ou não?

Joana Marques

Durante os primeiros oito meses de vida, a Alice andou de instituição em instituição.

Quando soube que a ia adotar achei que seria muito cruel coloca-la num infantário.

Quis que criasse laços comigo. E com a restante família.

Consegui isto porque neste momento tenho um horário de trabalho muito flexível. E os meus pais ficam com ela muitas vezes. Quase todos os dias.

Se não fosse isso. Não dava. Já estaria mesmo num infantário.

 

A adaptação da Alice correu muito melhor do que eu esperava.

Arrisco a dizer que a Alice é uma criança feliz.

Come bem. Dorme bem. Não é muito chorona mas tem os seus momentos. Como toda a gente...

É um bocado teimosa. Mais ou menos como eu.

É muito alegre. E afetuosa.

Conhece muito bem as pessoas que lhe são próximas. E reage de forma diferente aos que lhe são estranhos.

Em caso de aperto. Começa a chamar mamã, mamã...

É muito curiosa.

 

Convive com outras crianças. Quando vai ao parque infantil.

Tenho um parque infantil aqui no jardim do prédio que serve os prédios aqui à volta.

Mas também frequenta outros.

Convive com os filhos da minha prima Joaninha. 3 rapazes um pouco mais velhos que ela.

Acho graça. Vê-la a interagir com eles. É a mais nova mas sabe defender-se. Às vezes até demais.

Partilhar! Tento incutir-lhe. Sem cair em exageros. Também é importante lutar pelo que quer.

Educar é difícil. É o que é...

 

Ir para um infantário. É algo que tenho andado a ponderar.

Seria preferencialmente e na maioria dos dias, apenas de manhã. Ou à tarde.

Seria útil a meu ver. No processo de socialização com outras crianças. Para perceber que o mundo não é só ela.

Mas....

...tenho dúvidas. E questões.

 

  • Doenças.

Tirando este susto. E um, ou outro efeito provocado por algumas vacinas.

A Alice tem sido uma criança muito saudável. Nem um pingo no nariz.

Até o processo de dentição tem sido pacífico.

Estar a pôr a miúda dentro de uma caixinha cheia de vírus.

Faz-me recuar. E ter vontade de a ter comigo até aos 24 anos.

 

  • Alimentação.

Tendo sempre o aval do pediatra. E aconselhando-me com ele.

Tenho aplicado na Alice tudo o que tenho aprendido neste último ano. Nada de açúcar. Nada de processados.

A Alice não come papas. Daquelas de pacote.

Come sopa. Muita sopa. Fruta. E começa a comer sólidos. Aqueles 5 dentes...são uma verdadeira maravilha!

As refeições principais são dadas por mim. Ou pelo Pedro. Ou pelos meus pais.

Mas gosto que ela coma por ela. Por exemplo, os lanches da manhã e da tarde.

Suja tudo à volta. Suja-se toda também. Mas acho importante que ela pegue nos alimentos e aprenda a gostar...ou não.

Tudo sem pressas e sem pressões...

No infantário posso optar por lhe preparar a lancheira em casa e controlar o que come.

Mas aquelas festas de aniversário cheias de açúcar, sumos de pacote, gomas e outras coisas.

Fazem-me recuar.  E ter vontade de a ter comigo até aos 24 anos.

 

  • Televisão.

A Alice por norma não vê televisão. Em casa não vê.

Já foi a casa de pessoas com televisões ligadas e sobreviveu...claro! Sem stress. E sem grandes alarmismos.

Mas...em casa, ainda não.

Não quero criar uma espectadora dependente do ruca (é o único desenho animado que conheço) para comer.

Ou para dormir. Ou para chantagear a pobre mãe.

A verdade é que gosto de passar tempo com ela a brincar e a interagir de outra maneira. Não vejo a hora de a pôr a desenhar. A jogar. A fazer actividades experimentais. Esse tempo chegará...

E sim, sou uma privilegiada porque tenho tempo para isso.

A flexibilidade no meu horário é uma benção.

É claro que não vai ser para sempre. Daqui a uns tempos liberalizo um bocadinho mal de nada a televisão.

Até porque existe alguma programação que considero educativa. Sempre com conta, peso e medida, assim eu consiga.

Nos infantários, abusam muito de filmes, televisão e outros acessórios??

Pensar nisso.  Faz-me recuar. E ter vontade de a ter comigo até aos 24 anos.

 

  • Música Infantil

A Alice adora música. Mas não sabe o que é música infantil.

Eu sei. Sou uma péssima mãe.

Egoísta. Até dizer não.

Mas pensar que vou ter de ouvir aquela música das bununus e lurunjus.

Dá vontade de me atirar para o chão e começar a chorar.

Já pensei no caso.

Quando ela for mais crescida. Ela escolhe uma música. E eu escolho a seguir.

E a coisa é mais ou menos democrática.

 

Eu sei que não a posso proteger para sempre.

O que é pena. Eu estou preparada para a ter debaixo da minha asa até aos 24....30 anos.

Cortar o cordão umbilical é muito difícil. Muito mais do que eu tinha imaginado.

 

Posto isto. A Alice vai fazer um ano daqui a uns dias.

Ando a pensar.

Sim? Arrisco e ponho-a num infantário.

Até aposto que a miúda ao fim de uma semana está adaptada. E eu ao fim de um ano ainda choro quando a deixo...

 

Não? Espero pelo menos mais 6 meses.

E a vida continua linda e maravilhosa. Eu controlo tudo. Tudo.

Excepto o cão....

 

Contem-me a vossa experiência. Por favor.

Pais e mães experientes.

 

11.04.18

a rotina é boa. Quando é amor...

Joana Marques

Nunca tive rotina na minha vida.

Se calhar até tive, quando andava na escola, mas aí também não tive, andava em mil e uma atividades.

Criava mil e uma brincadeiras.

 

Com 17 anos comecei a trabalhar como hospedeira, e a rotina era não ter rotinas.

Fui hospedeira durante quase 20 anos e nunca tive uma semana igual à outra.

Nunca senti falta da rotina, a minha vida era assim e eu era feliz.

 

A meio dos trinta decidi que talvez tivesse encontrado uma relação estável e que talvez me sentisse bem com a rotina e deixei o meu trabalho, não deixei o aeroporto mas o trabalho era em terra, também não era rotineiro mas permitia-me o poder ter uma vida rotineira.

Enganei-me, não gostei.

Gostei do trabalho e da mudança, mas o resto tornou-se chato e monótono e afinal ele não era “o tal”.

Foi letal. A rotina.

 

Desde que tenho a Alice. A minha vida tornou-se mais rotineira.

Rituais. Que se repetem todos os dias.

Desde que conheci o Pedro. Há um par de dias.

E decidimos viver juntos. A vida. Deu uma volta.

A rotina que já tinha. Desfez-se numa grande parte.

Mas como tudo na vida. Tudo entra nos eixos e novas rotinas foram criadas.

 

Os dias não são todos iguais.

Até porque o Pedro tem horários de trabalho diferentes.

Eu, consigo gerir a maior parte dos dias, os meus horários, tendo em conta a Alice.

E de forma a estar o mais tempo possível com ela e com o Pedro.

 

 

Os dias não são todos iguais.

Os afetos, os abraços, os beijos, os risos e sorrisos são os mesmos todos os dias.

Todas as madrugadas sem exceção, pelas 3h da manhã, me levanto para ver se a Alice está a dormir.

Se não se destapou.

Se está bem. Quando volto a deitar-me, o Pedro completamente inconsciente agarra-me e dá-me um beijo, na orelha, no pescoço, onde calha.

Abraça-me de tal forma que é impossível eu sair dali.

Às vezes temos companhia na cama. A maior parte das madrugadas.

 

Acordo cedo.

Gosto de ficar uns minutos a olhar para o Pedro, passo-lhe as mãos pelo cabelo, dou-lhe um beijo e ele resmunga qualquer coisa.

Só mais 5 minutos, diz ele.

Levanto-me, passo pela Alice, olho para a Alice, emociono-me e deixo-a dormir.

Ainda vai ficar a dormir mais uma hora. Ou uma hora e meia.

 

Visto-me e vou correr. Meia hora a 45 minutos. O cão às vezes diz que sim ao meu convite.

Chego a casa e acordo o Pedro que diz incrédulo: já passaram 5 minutos?? 

O Pedro toma banho, eu preparo o pequeno almoço. De todos. Incluindo, o do Vasco e o da Julieta.

A Alice acorda. Dou-lhe o pequeno almoço.

Tomamos o pequeno almoço, a Alice fica na cadeirinha. 

O Pedro vai trabalhar. E deixa a Alice em casa dos meus pais.

Envia-me, sempre, uma mensagem quando chega ao trabalho.

 

Começo a trabalhar às 8h. Antes disso, despacho todas as tarefas que consigo.

Almoço. Às vezes em casa, outras na casa dos meus pais.

Quando vou buscar a Alice, paro muitas vezes num jardim. Passeamos o cão.

E damos uma volta. Se o tempo ajuda...a maior parte das vezes não.

Dorme. Quando acorda dou-lhe o lanche. Brinca.

 

É suposto, o Pedro sair às 16h. Mas quase nunca acontece.

Chega a casa por volta das 18h. 19h.

A Alice tomou banho.

E já tem o jantar na barriga. Está pronta para dormir.

Jantamos. Vou passear o cão. O Vasco ainda não aceita passeios com o Pedro.

O Pedro arruma a cozinha.

Vemos um filme. Conversamos. Namoramos.

Adormecemos.

Daí a pouco, ás 3h da manhã vou levantar-me. E vou espreitar a Alice. Vou achar que é a bebé mais bonita do mundo. Vou voltar para a cama e sei que o dia vai ser muito parecido com o anterior.

 

O que tem de mal a rotina?

Porque se queixam tanto da rotina?

A rotina. É tão boa. Quando é amor...

 

10.04.18

assalto. Com sabor a chocolate

Joana Marques

Ontem.

Depois daquela estopada. Mais de duas horas à espera do homem.

Com a Alice sem jantar. E o cão, em casa, à espera.

Voltámos para Cascais.

O Pedro deu a sopa à Alice. E eu despachei o resto.

A sorte é que já tinha o jantar pronto.

Um franguinho assado no forno. Podia ser a fome a falar mas...estava mesmo bom.

Deitei a Alice. Contra todas as expectativas. Dormiu a noite toda.

O Pedro precisava de ler uns relatórios.

E eu aproveitei para fazer umas bolachas.

Gosto muito das Jaq's. E das croq's. Mas queria mudar um bocadinho.

 

Andava a imaginar receitas.

E a experimenta-las.

Como sou uma pessoa altamente obsessiva já experimentei muitas vezes e só estava a pensar desistir quando tivesse a receita perfeita.

Põe ingrediente.

Tira ingrediente.

Põe mais uma colher disto. Tira uma colher daquilo.

E assim nascem umas bolachas.

 

Homem a ler relatórios.

Alice e Julieta a dormirem.

Joana a mostrar às bolachas quem é que vai ganhar.

E o Vasco. A importunar. A pessoa que está a ganhar às bolachas.

 

Na minha cozinha um cheirinho de chocolate derretido. Em óleo de coco. Uma delicia.

Tudo numa tigela. Mexido. Mexidinho.

E Vasco tem uma urgência. Urinária/intestinal.

Deixo as bolachas a repousar.

E vou com ele à rua.

 

Chego com o Vasco.

Que vai a correr deitar-se na minha cama. Dormir.

O Pedro diz-me que já está quase.

Dou-lhe um beijo. Com sabor a chocolate.

Vou à cozinha. Acabar as bolachas.

Falta a parte mais fácil. É só moldar. E pôr no forno.

Só que...

....a massa encolheu. Quando saí com o Vasco tinha a tigela composta.

E quando voltei tinha metade. Ou menos.

 

Começo a vociferar. A chamar nomes.

- Raios partam o cão.

Do outro lado o Pedro.

- O que é que disseste??

- Não posso acreditar...

- ?

- 1 minuto! Bastou um minuto...

- ??

- O Vasco. Mal apanhou a cozinha sem ninguém. Roubou-me as bolachas....deve ter andado lá com aquele focinho. Tenho de deitar tudo fora. Vou esquecer as bolachas por hoje. Tento amanhã outra vez.

-

- Aposto. Se lhe abrir a boca ainda vou ver vestígios das minhas bolachas.

- Pode não ter sido ele.

 

O beijo. Com sabor a chocolate.

Ainda aproveitei a restante massa.

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Não têm glúten. Nem lactose.

Têm muito pouco açúcar.

E são boas que se fartam. Mesmo boas!

Se quiserem a receita é só dizer...

Aceitam-se nomes...para as bolachas!!

 

09.04.18

o Senhor Ludovino conheceu o Pedro

Joana Marques

Com todos os acontecimentos dos últimos tempos, já não ia a Carcavelos desde este dia.

O Senhor Ludovino. Andava doido.

Ligou-me.

- Já viste que está a chover? Como é que se mexe no telhado a chover??

- Calma. Temos de esperar. Nem que os senhores deixem por enquanto esse trabalho e voltem daqui a um mês.

- Era o que mais faltava. Ninguém sai daqui. Nem que lhes fure os pneus do carro.

 

Ligou-me outra vez.

- Já deste conta que está a chover???

- Pois, está. É assim..não se pode fazer nada. Temos de esperar...

- Como não?? E um oleado?? Não achas que podemos experimentar??

-

 

E outra.

 

- Joana. Está a chover.

- Está?

- Não vês que está a chover????

- Nem me apercebi disso....

- Joana....cai água por todo o lado. O teu terraço deve estar inundado.

- Penso que não...

- Ai tanta, chuva...tanta chuva....

- Pois....

- Não fazes nada??? Tu não fazes nada??

- Quer que eu ligue a São Pedro???

- Um oleado, tens de comprar um oleado....

 

E ainda outra.

- Joana?

- Sou eu.

- Está a chover.

- Eu sei.

- Quando é que vens cá. Para tirares medidas??

- Medidas??

- Do oleado...mulher!!

 

Passei por lá. Hoje.

O Pedro saía às 16h.

Fui buscar a Alice a casa dos meus pais.

E encontrei-me com ele em Carcavelos.

Deixámos os carros.

E passeámos na praia. Os 3.

O Vasco ficou a dormir na minha cama... disse que não ao convite de passeio que lhe fiz.

Estava frio. Mas sol. E até apetecia passear.

Mas para não se fazer tarde. E para o Pedro ter tempo de conhecer a minha casa, acabámos por nos fazer ao caminho.

Entrámos no prédio.

O senhor Ludovino mirou o Pedro de cima, abaixo. Várias vezes.

- Quem é?

- É o Pedro. O meu namorado.

 

 

Ui. Não devia ter dito. Assim de chofre.

Agarrou-me por um braço. O Pedro tinha a Alice ao colo.

- O teu pai já sabe?

- Sim.

- E deixa???

- Claaaaaro.

- E o Paulo??

- Qual Paulo?

- O Paulo dos roupeiros.

- Oh! Não. Ainda insiste nisso.

- Tenho de insistir. Tenho de insistir. Ó rapaz! Trabalhas???

- Sim. Sou médico.

- Médico??? Do coração???

- Não. Rins.

- Também serve. Se faz favor, Senhor Doutor, entregue a criança à mãe. Pode vir aqui a minha casa?? Joana podes ir andando lá para cima.....vai, vai...vai....

 

Fiquei com a Alice.

Disse ao Pedro para subir quando estivesse despachado.

Já a temer o pior.

 

Em resumo.

A Alice já adormeceu. E ainda não jantou.

Não sei nada do Pedro.

Duas horas. Senhores. Duas horas....que não sei nada do Pedro.

...o Sr Ludovino ficou com o meu Pedro.

 

E desconfio que a sua devolução vai ser complicada....

...se houver devolução...o mais certo é querer ficar com ele

....como eu o compreendo...

 

 

09.04.18

o melhor método contraceptivo

Joana Marques

De madrugada.

A dormir. Fisicamente em coma. Mas com o cérebro a funcionar.

Pensei.

E se desse um beijinho ao Pedro. Assim, sem ele dar conta. Só porque sim.

Viro-me.

Chego-me.

E...

- Yeak! Nunca tinha reparado que o Pedro tinha esta estrutura óssea. E o cheiro? Cheira mesmo ao......VASCO???

- Uuuuff!

 

O Pedro deve ter-se apercebido de alguma coisa e diz-me, meio a dormir.

- Joana...

- Não sou eu. Do teu lado esquerdo está a mesinha de cabeceira. Do teu lado direito está o Vasco.

- Aos meus pés...

Estico o braço. Por cima do Vasco. Para lhe dar a mão.

- Pedro, dorme. Aos teus pés deve ser a gata.

.

.

.

.

.

.

.

- Miaaaaaaaaaau.

Risos. Às quatro da manhã.

Joana Marques

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