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Quiosque da Joana

19.07.18

5 semanas e 3 dias...

Joana Marques

Segundo as contas do Pedro.

Começa a contar desde o dia 11 de Junho. Altura em que ainda não estava grávida.

Diz ele que devo ter ficado grávida lá para dia 25, 26 de Junho.

A semente ainda é uma sementinha. Mas já deve estar agarrada com unhas e dentes à parece do meu útero.

 

Tem o tamanho de um floco de aveia mas já tem coração. O coração é do tamanho de uma semente de chia!

Se estiver a correr tudo bem. Este fim de semana não será um fim de semana normal. 

Entre sábado e domingo. O coração vai começar a bater...

Pelo Sporting!! Pelo Sporting! Não dês já um desgosto à tua mãe!

 

Se estiver tudo a ser feito como planeado os rins também já começaram a ser formados.

Faz-te à vida sementinha. Não dês já um desgosto ao teu pai!

 

Já tem também em formação o fígado, ossos e músculos.

Ele ou ela já recebe oxigénio através da placenta.

Isto é tão entusiasmante. Eu estou a fazer um ser humano!

Eu sei que muita gente já o fez. E muita o está a fazer. Mas eu...

....sinto que ganhei o campeonato do mundo de qualquer coisa.

Apetece-me ir estrada fora com o carro vestido de cachecóis.

E a buzinar pela marginal...

OMG! Estou grávida e a alucinar...

 

Por enquanto a minha vida tem sido muito facilitada.

Nem um sintoma. 

Ou melhor um! 9 de Julho devia ter sido contemplada pelo aparecimento do período e é óbvio que está desaparecido em combate! Vai lá com Deus! Lá para Abril cá te espero!

De resto. Nada!

Enjoos. Zero.

Sono e cansaço. Zero.

Xixi de 30 em 30 segundos. Zero.

Irritação. Nada...ou estou que ninguém me atura e não dei conta? Pessoas que têm estado comigo nestes dias, ajudem-me!

Fome ou desejos estranhos. Zero.

Chorar a toda a hora. Sempre! Desde que sou gente...se calhar estive grávida a minha vida toda e só descobri agora...

Ainda é tão pequenino ou pequenina! Ainda não percebeu as suas potencialidades...

Feto que se preze...faz algum estrago!

 

A semana passada não foi fácil para mim.

Fiquei muito feliz com a notícia, claro! Mas fiquei com um medo enorme de falhar tamanho empreendimento.

Valeu-me o Pedro e a sua infinita paciência.

- Olha para o Vasco e para a Alice, parecem filhos de alguém que falhou?

- Mas não fui eu que os fiz....eles já estavam feitos quando chegaram às minhas mãos...

 

Desde dia 7 de Julho, dia que descobri que estava grávida, tenho feito todos os dias um teste de gravidez.

Nunca se sabe, a sacaninha da sementinha pode achar que está no slide and Splash e toca de se atirar útero fora.

Ou pode ter medo do escuro.

Ou ter claustrofobia...

 

Percebi porque é que toda a minha vida fui forreta, para poder chegar aos 37 anos e derreter tudo em testes de gravidez.

Todos os dias. Todos os testes. Deram positivos. Mais uma vez o Pedro...

- Faz, se te sentires mais segura. 

Todos os dias quando chega do trabalho, apanha-me sempre meia em choque...e preocupada...

- Tiveste alguma dor forte? Um corrimento anormal? Uma hemorragia? São os sinais de alarme..se tiveres algum ou outro qualquer que aches anormal, diz-me e vamos ao médico. Se não tiveres nenhum sinal de alarme, mas a tua intuição disser que alguma coisa não está bem, vamos ao médico. A intuição é muito importante. Então, alguma coisa?

- Não tenho nada. Estou bem...

- Não tens de ter medo nenhum. Tirando tudo aquilo que não podemos controlar tens tudo o que precisas para ter uma gravidez santa. A alimentação é correta. Nunca fumaste. Nunca bebeste. És uma otimista. Ainda por cima não és hipocondríaca, nem nada! Tens tudo a favor..

 

O Pedro começou a ler um livro sobre o assunto.

Tem pelo menos 5000 páginas. (estou a exagerar, claro!)

Está escrito em inglês.

Tem montes de figuras. 

 

 

A verdade é que me sinto perfeitamente normal, fisicamente falando.

E já acalmei muito, psicologicamente falando.

Hoje é o terceiro dia que não faço o teste de gravidez.

Já estou mais confiante. Sem grandes foguetes. Um dia de cada vez. 

Ainda saem da minha boca perguntas completamente estúpidas, como ontem...

- Pedro e se eu espirrar??

 

Ainda o estou a ouvir.....a rir....

.......ouviu-se zimbabwe...

 

Vamos de férias uns dias.

Yeah!

 

Há um ano no quiosque!

Uma alternativa saudável de pequeno almoço!

 

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18.07.18

nem pela melhor vista de mar...

Joana Marques

É vaidosa.

Não sai de casa sem ter o cabelo arranjado.

Lacinhos. Ganchinhos. Fitinhas. Uma trancinha. Tudo a que uma Alice tem direito.

Logo a seguir ao pequeno almoço. Pai ou mãe são convidados a tratar-lhe do penteado.

E precisa ver-se ao espelho. E gostar do que vê.

 

Espalha os brinquedos todos pela casa.

A minha sala. Já não é a minha sala. É a sala da Alice. E eu não me importo nada com isso...

Corre atrás do cão, casa fora, para reaver os brinquedos roubados.

Passam horas nisto.

O Vasco é o responsável principal pelo desenvolvimento motor da Alice.

Não estou a brincar, é mesmo verdade! 

 

É muito persistente. Sempre foi.

Quer porque quer conseguir calçar os sapatos.

Provavelmente por temer mais episódios iguais a este.

Ainda não consegue.

Durante um dia se um dos sapatos lhe salta do pé.

Bem tenta por todos os meios voltar a calça-lo. Nunca desiste.

Eu tenho de lhe pedir para lhos calçar...

Tenho de a convencer...e pedir muito. Ela lá me faz o jeito e o especial favor de deixar...

 

Rosa é a cor. Sempre foi. E não se fala mais nisso.

 

Diz não. Não. Não. E não.

E se for preciso. Exemplifica com gestos.

Quando algo lhe corre mal. Faz um trejeito com o nariz. E ri-se. 

Quando está feliz da vida. Ri-se. E guincha. Muito alto. Ouve-se no Brasil...

 

Gosta de colo. Assim a assim.

Gosta de se aninhar quando lhe contamos uma história.

Ou quando está podre de sono.

Mas prefere andar com as suas próprias pernas. Adora explorar o mundo.

 

Gosta de ir à praia.

Mas tem medo do mar.

Põe o pé. Vem a onda. Tira o pé.

Vai a onda. Põe o pé. Vem a onda. Tira o pé...e andamos nisto.

 

Gosta muito de brincar ao não me toca.

Uma brincadeira muito parva. Inventada por mim, claro!

Música. Dançamos essa música. A Alice ao meu colo.

Outra música. Dançamos essa música. A Alice no chão mas a dar-me os braços.

Quando aparece o "Não me toca" do Anselmo Ralph, a Alice tem de dançar sozinha sem tocar em nada, nem em ninguém.

Eu também não posso tocar em nada nem em ninguém.

Quando o cão entra em ação e acha que nos tem de tocar.

Finjo que estou a fugir do Vasco e a miúda ri-se tanto, tanto...até cair para o lado.

Adora. 

Quando o pai está em casa convida-o para se juntar. Foi assim que eu vi o meu marido dançar pela primeira vez...

Num dos Domingos que almoçamos em casa dos pais do Pedro saímos para beber café e dar uma volta.

O café tinha música de fundo e começou de repente o "não me toca".

A Alice pediu para sair do colo do avô.

E começou a dançar no meio do café.

Ai de quem se aproximasse...não me toca, não me toca. Isto é uma brincadeira séria! Para levar a sério...

Com este envolvimento todo. Com mil Alices!

Ganha sempre. 

 

 

Dorme a noite toda. Sempre dormiu.

Tirando uma ou outra exceção que se contam pelos dedos de uma mão.

Acorda cedo. Graças a Deus. E sorridente...

Precisa muito de dormir. A sesta da manhã e a sesta da tarde fazem toda a diferença.

À noite é fácil de adormecer. Durante a manhã e durante a tarde começa a armar-se em fresca. Muito mundo para descobrir.

O Vasco deita-se no tapete perto da cama dela e eu digo-lhe:

- O Vasco é pequenino também vai dormir...

E ela lá se convence por enquanto. Para a semana é capaz de já não resultar.

 

Não são muitas as noites que o Pedro faz noite. Ainda bem! Porque não consigo dormir nada de jeito...

A Alice sente a falta, também.

Desde que chega a casa, até jantar. Passa a vida no hall de entrada à espera dele.

E quando a estou a adormecer, bem olha para a porta do quarto para ver se o vê entrar.

De manhã quando ele chegue, faz a festa. Nesses dias vai mais tarde para os meus pais para poder ver o pai.

 

No Alentejo, fazia-me todos os dias ir à varanda para ver o burrinho Onofre.

Quando chegámos a Carcavelos, pediu-me para ir ao terraço.

Mostrei-lhe a vista.

Uma vista magnifica para o mar.

A Alice ficou triste. E choramingou.. não viu o burrinho.

Aos olhos de uma criança...

...um amigo é muito mais importante que tudo o resto....

......um amigo não tem preço.

Um amigo não se troca por nada. Nem pela melhor vista de mar...

 

Há um ano no Quiosque!

A minha tentativa de comprar algo na Noruega!

 

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17.07.18

a galinha choca...

Joana Marques

Profissionalmente, falando.

Ando atrasada em relação à planificação que fiz quando comecei a trabalhar em casa.

Depois daquela tragédia toda que foi a perna partida. A varicela. E o caneco...

Tinha tudo planificado.

Hoje faço isto. Amanhã faço aquilo. O projeto que tinha era propício a trabalho moderado.

Tinha a Alice. Sabia que lhe queria dar atenção. O projeto que tinha era o ideal. Tudo andava sobre rodas.

Eis se não quando me batem à porta novos projetos.

Conheci o Pedro.

O Pedro veio morar cá para casa. Inicialmente em Cascais.

Fizemos a mudança dele para Cascais.

Começámos a compor a casa de Carcavelos conforme ia ficando pronta.

Aproveitámos os meus móveis. Os do Pedro. E fomos mobilando a casa dessa forma.

E assentou tudo que nem uma luva.

Fiz o quarto da Alice. 

Depois mudámos para Carcavelos.

Fizemos a minha mudança de Cascais para Carcavelos. A da Alice. A do Pedro. A do Vasco.

Ainda passamos pela casa do Pedro outra vez. Faltava revolver as entranhas para ver se ainda aproveitávamos alguma coisa.

E sim. Aproveitámos.

 

Depois deste incidente.

E de eu ter expulsado o Pedro do escritório, para outra divisão.

- Ou ele ou eu!

Parece-me que ele escolheu o Elias! 

Acabámos por decidir que o escritório era para os dois.

Precisávamos de uma estante para o escritório.

Já tínhamos arrumado muita coisa.

Mas, só os livros do homem sobre partes do corpo humano ocupam uma imensa área do concelho de Cascais.

Quase pedi a casa do senhor Ludovino emprestada.

 

Tinha ficado para depois da lua de mel.

A lua de mel já passou. Com muita pena minha...

E por isso estava na hora.

- Não passa de sábado!

Disse eu ao Pedro.

Sábado de manhã, lá foi ele ao Ikea com o meu pai e com a Alice.

Eu não fui. Porque precisava mesmo de despachar trabalho.

A Alice foi. Porque precisava mesmo, mesmo de despachar trabalho.

 

O meu pai chegou. O Pedro já estava pronto. E a Alice também.

Desci cá abaixo. Para me despedir da minha bebé. Sem comentários.

Coloquei-a na cadeirinha. Dei beijinhos. Despedi-me do meu pai e do Pedro. E fiquei com uma lágrima no olho.

Não é por estar grávida. Sou mesmo assim...

 

Estava eu a trabalhar como nunca ninguém trabalhou na vida.

O meu telemóvel deu sinal de vida.

Uma mensagem.

Vejo a mensagem.

Estava a Alice sentada num carrinho do Ikea em cima de uma caixa. (a caixa da estante)

A miúda estava tão feliz...é só a melhor foto de sempre dela!

Mas os meus olhos.....

- Pedro, a Alice está descalça!

Dois minutos de silêncio. E recebo outra mensagem.

- Joana, a Alice está descalça..

- Eu sei! Fui eu que te disse! Quando ela chegou aí estava calçada? Tens ideia onde é que ela os perdeu?

- Acho que ela tinha sapatos quando a tirei do carro mas não tenho a certeza. Acho que não reparei nisso..

Passados uns minutos. Recebo esta mensagem.

- Olha o teu pai diz que acha que ela estava calçada quando a tirámos do carro.

- Deve ter perdido os sapatos aí pela loja. Deixa estar. Não vão andar feitos parvos à procura. 

Mais um compasso de espera.

- O teu pai também diz que não tem a certeza. Se calhar estão no carro. De que cor eram?

- São os ténis brancos que os teus pais lhe deram.

Passados 15 minutos.

- Não estão no carro. Tens a certeza que ela saiu de casa calçada?

- Tenho a certeza que lhe calcei os ténis de manhã. Se saiu de casa ou não com eles....sou mesmo uma desgraça. Vou dar uma vista de olhos para ver se avisto os ténis.

 

Procurei em todo o lado nada!

Estavam para sempre perdidos.

- Não encontrei nada. Não posso querer que deixei a Alice sair de casa sem sapatos. 

- Deixa lá. Não viste tu. Não vi eu. Acontece. Somos pais mas ainda somos estagiários. Daqui a 10 anos, vais ver! Saem todos calçados de casa.

Ri-me.

Continuei a trabalhar.

A finalizar o que estava a fazer. 

A Alice e o Pedro já vinham a caminho. 

 

De repente. Olho para o cão.

Estava deitadinho na sua cama. No escritório. E não saía dali.

Estranho.

Andei pela casa toda. Procurei os ténis. E nada. Nunca deu o ar de sua graça.

A cabeça dele girava conforme eu me deslocava mas nunca se levantou.

Tinha um ar vitorioso. Mas ao mesmo tempo abnegado.

Um ar feliz. E bondoso ao mesmo tempo. Os olhos cheios de amor...

Ah! Ah! 

Vasco.

Nem parecia um cão.

Antes uma galinha choca.

A chocar ovinhos. Em forma de ténis.

Estavam lá. Os dois. Quentinhos, quentinhos...que o frio pode dar cabo de uma criação inteira de ténis...

 

Este cão não pode ver nada....

Engravidou à sua própria maneira...aguardem, daqui a 15 dias eclodem ténis novos....

 

 

Há um ano atrás!

Estive no delito de opinião.

 

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16.07.18

não tinha um colete de forças na cara....

Joana Marques

Os preparativos pesados foram feitos, refeitos, pensados e repensados durante o tempo em que estive com o blog meio parado.

Se aqui estava tudo controlado.

Tive dias em que me apeteceu fugir com o Pedro e casar em Las Vegas longe do stress.

 

Tudo começou com a primeira prova do vestido.

Maria da Piedade. Essa grande querida. Aproveitou que eu estava dentro do vestido. Cheia de alfinetes por todos os lados. Para me encostar à parede. Em frente à minha mãe e à minha irmã...

- Joana eu aceitei fazer o teu vestido, MAS! Não me apareças grávida antes de casares! ESTÁS A OUVIR ??

- Falta pouco mais de um mês para o casamento, se acontecer não há problema, não se vai notar nada e o vestido vai servir à mesma...

Maria da Piedade parecia um urso esfaimado...atirou-se a mim...apontou-me um dedo e tudo! (não foi da asneira, foi o indicador)

- Se me apareceres grávida, não te faço o vestido. Não estou para alargar o vestido, não fica nada de jeito. OUVE O QUE TE DIGO ....até ao casamento não te QUERO GRÁVIDA! Aparece-me toda inchada e com cara de lua cheia que eu te digo...casas à mesma mas não com um vestido feito por mim.....

 

Quiosquianos do meu coração, o facto de estar grávida é um verdadeiro milagre.

Naquele dia os meus ovários encolheram-se de uma forma nunca antes vista e esconderam-se lá atrás....dos pulmões.

Aparentemente, sem danos maiores, já saíram e fizeram o trabalho para o qual foram contratados inicialmente.

 

No dia do meu casamento. Acordei fresca e fofa às 5h30 da manhã. Pelo cão.

E pensei em ir correr. 

Desci cá abaixo e quem encontrei na cozinha?

A minha mãe.

- Eu sabia que ias querer correr. Uma noiva não corre no dia do casamento. E não tentes sair pela porta da frente, está lá a tua irmã.

- Qual é o mal? Estou mais do que habituada. É só meia hora.

- Não! E se cais? E se partes uma perna outra vez! Nem penses. E não penses enganar-me, vou ficar de olho em ti o dia todo.

 

Tomei o pequeno almoço. Tomei banho.

Vi se tinha tudo o que precisava. Já tinha confirmado tudo, mas confirmei outra vez..

A Alice acordou. 

Dei-lhe o pequeno almoço. Brinquei com ela.

Entretanto chegou a Isaurinha e a sua equipa. Já tinham organizado tudo nos dias anteriores mas tinham muitas coisas para fazer...

A Alice foi dormir a sua sesta da manhã.

 

Chegou o Zé, o cabeleireiro. E a maquilhadora.

Desci cá abaixo, em roupão. E passei pelo jardim só para dar uma vista de olhos.

Já havia mesas a serem postas. E eu estiquei a mão para apanhar um bolinho.

E...

...apanhei um raspanete de um rapazinho qualquer que trabalha para a Isaurinha.

- Não mexa em nada! 

Um puto que podia ser meu filho, se eu tivesse tido um filho aos 8 anos de idade.

Subi.

 

O Zé estava histérico. A rapariga da maquilhagem estava louca. E a Alice acordou.

Fui ter com ela. Mas não me deixaram. Ficou entregue aos cuidados da minha mãe e da minha irmã.

O meu cabelo foi penteado. Alisado. Encaracolado. Puxado. Repuxado. E por fim, Zé, deu por finalizado o seu trabalho.

 

A Alice passou à porta. Já tinha almoçado. Nem tinha dado conta. 

Tinha estado a brincar com o meu sobrinho Pedro. Também não dei conta..

Ia dormir a sesta da tarde. Viu-me. Fui para lhe pegar ao colo. E...

- CUIDADO COM O CABELO...

Nem sei quem disse. Não consegui identificar as 1500 vozes...

Arrancaram a miúda de mim.

 

Maquilhagem.

No dia a dia não uso. Ou é raro usar.

Com uma autoestima da altura da ilha do Pico acho sempre que estou bem.

Acho que ando enganada há 37 anos.

Tanto besuntamento. Nem eu tinha ideia que existiam tantos produtos diferentes no mercado.

A minha cara parecia que estava dentro de um colete de forças.

Não sei se estão a seguir a história.

Tinha os ovários atrás dos pulmões desde Maio. Não podia correr. Não podia usar as mãos para tirar comida nem para pegar na miúda ao colo.

E agora. Tinha a cara dentro de um colete de forças.

- Não podes chorar! 

 

Vesti o vestido. Coloquei uns brincos que eram da minha avó Adélia.

A minha mãe e a minha irmã viram e choraram.

E eu chorei também...queriam o quê?

Lá veio a berraria de sempre. Parecia o fim do mundo. 

A maquilhadora lá veio compor o colete de forças...

 

Sentadinha. Quietinha.

Comecei a ouvir um alarido num outro quarto.

Estavam a vestir a Alice que já tinha acordado. De uma sesta muito curta. Temi o pior. A Alice quando não dorme como deve ser fica intragável...e é uma bebé que precisa muito de dormir.

Queriam porque queriam que a miúda levasse na cabeça uma fitinha com flores.

A miúda queria porque queria pôr uma bandolete com as orelhas da Minnie.

Em Maio fomos à Eurodisney com ela e comprei-lhe uma. Agora já lhe passou mas na altura não saía de casa sem ela.

Tive de lá ir dizer. Para a deixarem ir com as orelhas de rato. Se a faziam feliz....

 

Voltei a estar sentadinha e quietinha.

A passar os olhos pelo instagram e a responder às mensagens que algumas pessoas me enviaram. A Ana, enviou-me uma foto do Henrique, o bebé mais fofo do universo...a desejar um dia feliz..

E logo a seguir uma foto dela e do filho mais velho também a desejar um dia feliz...

Foi o fim do colete de forças.

O principio de uma gritaria descomunal. Pessoas em pânico.

Se tivesse havido um sismo naquele instante tenho impressão que a fita teria sido menor.

Voltei ao colete de forças. 

Os convidados começaram a chegar.

Já se ouvia conversas animadas.

Reencontros.

Primos que já não se viam desde o último casamento.

 

Olhei pela janela.

E lá ao longe. Onde há uma curva. Apareceu um carro. E atrás deste carro. Muitos.

O Pedro estava a chegar.

E eu chorei outra vez.

 

Últimos preparativos.

Ver o vestido.

O cabelo.

Compor o colete de forças.

 

Apareceu o meu pai para me dar a mão e me levar.

Enquanto descia as escadas comigo, desejou-me sorte.

Disse-me que ia correr tudo bem.

Cá em baixo. Antes de sair de casa. Abraçou-me.

E disse-me que tinha muito orgulho em mim. Perguntou-me se eu sabia guardar um segredo...

Disse que sim com a cabeça...

Disse-me que eu era a noiva mais bonita que ele já tinha visto...e acrescentou..

- Não digas nada à tua mãe, nem à tua irmã...

 

Saímos de casa.

Comecei a ver as pessoas. Já sentadas. 

Comecei a ver os meus amigos. A minha família.

À frente, ao colo de alguém, sobressaiam umas orelhas de rato. Foram essas orelhas que me guiaram. E a mão do meu pai, também.

 

No meio, entre as cadeiras de um lado e do outro. Estava o Pedro. Sorridente e calmo.

Emocionou-se quando me viu.

Sorte!

Não tinha um colete de forças na cara....

 

...faz hoje um mês....

 

 

Há um ano no quiosque!

 

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15.07.18

por uma vida simples!

Joana Marques

Quando saí de casa dos meus pais, aos 17, fui morar para uma casa alugada minúscula.

A casa tinha algumas coisas e comprei muito pouco para a compor porque era tão pequena que corria o risco de não conseguir circular dentro dela.

Mais tarde mudei-me para Algés.

Também para uma casa alugada. Perto da Zínia. Quem conhece a Zínia? 

A casa era um pouco maior mas também não era nada de especial.

Tinha uma varanda tão pequena, tão pequena que metia dó.

A sala era na entrada da casa. Tamanho XS.

O quarto era XS. E a cozinha? Também XS.

A vantagem de ter uma casa pequena é que dá pouco trabalho. Se não estiver atravancada de coisas!

Aprendi durante esses tempos a não ter a casa demasiado cheia.

 

Quando me mudei para Carcavelos.

Aproveitei as coisas que tinha das casas anteriores e que tinham sido compradas por mim, claro!

Escolhi a casa por várias razões. 

A primeira delas, o preço! 

A segunda, nem sei bem. Gostei do terraço. O facto de ser uma casa remodelada e gostar da forma como estava. 

O chão ser todo em mosaico e apenas os quartos serem de madeira. Um chão em mosaico é muito mais fácil de manter...

 

Aos poucos fui compondo a casa.

A minha irmã é designer de interiores e ajudou-me em algumas coisas. Deu-me conselhos. Bons conselhos.

A casa sempre teve um aspeto minimalista.

É mais fácil aspirar. É mais fácil limpar o pó. É mais fácil passar um pano no chão e ficar bom.

Com uma casa pouco cheia posso usar este aspirador. Neste momento não estou a usar um igual mas um familiar próximo.

 

Com o passar do tempo fui recebendo objetos e comprando outros. E a casa teve tendência a deixar de ser o que era.

O aspeto minimalista podia desaparecer. Se nada fosse feito...

Pelo menos aconteceu comigo.

Por exemplo: gosto de ter aos pés da cama uma manta e no sofá da sala outra.

E de repente no Natal recebi de presente 35 mantas. Se eu não fizer nada ficam aqui por casa a arrastarem-se.

Outro exemplo:

Molduras. Gosto de ter fotografias em casa. De repente, o universo uniu-se, e fiz anos. E recebi 453 molduras.

O que faço nestes casos é colocar o que considero excesso dentro de uma caixa e passados 6 meses dar.

Alguns objetos guardo e quando faço as limpezas gerais, normalmente na primavera, troco e coloco as que estavam a uso, em repouso.

Desta forma, sempre vou renovando a casa.

 

Desde miúda que sou forreta. 

Sou conhecida por isso na minha família. Nunca vi os meus pais desperdiçarem nada mas eu sou 100 vezes pior....

Aproveito tudo.

Parece um contra-senso. A minha casa tem poucas coisas mas eu aproveito tudo.

Tudo o que aproveito não está em casa. Dentro de casa estão apenas as coisas que me fazem falta e que uso.

Guardo na arrecadação de forma organizada. Sei sempre o que tenho e onde está.

Se for para estar tudo ao molho e fé em Deus é melhor deitar fora...ou dar.

 

O ser forreta ajudou-me a não entrar em loucuras.

Mas não totalmente....

....quando tinha 17, 20, 25 comprava objetos que achava bonitos. Não me faziam falta nenhuma mas por uma razão ou por outra vieram parar a minha casa...

Com o tempo aprendi a dizer não a este tipo de coisas.

Ás vezes é preciso ver com os próprios olhos. E eu vi.

Não me recordo o ano, 2000 e qualquer coisa. 2005 talvez....

Uma das resoluções, de ano novo, foi fazer uma lista com tudo o que eu comprava...

Passados os primeiros meses, ao olhar para essa lista percebi que se deixasse para trás o acessório, no fim do ano podia fazer uma viagem.

E viajar nunca é acessório.

Viver assim, não é viver sem nada. É viver com o número certo. 

 

Com o passar do tempo percebi que as pessoas como eu tinham um nome.

Chamam-nos minimalistas.

Os meus amigos chamam-me maluca...mas isso é problema deles. Chamam-me outras coisas também...os desgraçados..

 

Ao longo do tempo aprendi. Por minha conta e risco.

Que uma vida boa. É uma vida leve. Simples. Sem atrelados e bagagens...

....embora a publicidade nos diga o contrário...a toda a hora e a todo o momento.

 

Há um ano no Quiosque!

Estava na Noruega e fiz isto!!

 

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12.07.18

um friozinho na barriga....

Joana Marques

 

veg.jpg

(imagem)

 

 

A verdade é que durante a minha vida toda ter filhos nunca me entusiasmou.

Aliás se há um ano alguém me falasse em ter filhos a resposta seria a mesma que dei durante a minha vida toda: 

- Talvez um dia, se fizer sentido.

O irónico é que sempre fui muito maternal com toda a gente. Mas ter filhos é outra coisa. Não basta ser maternal e já está. É preciso muito mais...

A Alice apareceu de repente. Sem eu ter feito grande coisa.

Mas no dia em percebi que existia, 14 de Dezembro de 2017, sentia-a minha. E se for preciso dou a vida por ela.

 

Depois conheci o Pedro. 

No meio da paixão fulminante ainda tive o discernimento de pensar:

- E se, as coisas correrem mal com a Alice? E se o Pedro não aceitar a Alice? E se não for um verdadeiro pai?

A verdade é que da Alice para o Pedro não foi amor à primeira vista. A miúda é simpática mas é um bocado difícil com estranhos. E o Pedro era um estranho.

Foi preciso ser muito perseverante para conquistar o coração da miúda. E o Pedro nunca desistiu.

Atualmente e passados estes meses a Alice em alturas de muita aflição continua a chamar por mim, eu sou o 112. Mas em alturas de parvoíce chama muitas vezes o Pedro. 

Quando o Pedro faz noite passa a vida a olhar para a porta a ver quando chega.

E quando ele chega de manhã.

Recebe-o com mil sorrisos.

 

Ter mais filhos foi ponto assente. Entre mim e o Pedro.

O que eu respondia às pessoas há um ano atrás, continua a ser válido. 

- Um dia se fizer sentido. Hoje já faz sentido..

Não o fiz para agradar ao Pedro. E tenho a certeza que da parte dele também não aconteceu. É um assunto demasiado sério para cedermos.

Fez sentido para os dois.

Os impedimentos que fazem adiar a maternidade, nós não temos, até porque já não temos 20 anos...

Profissionalmente temos uma profissão estável. A casa tem quartos disponíveis. E o tempo vai esticando.

A urgência prende-se com o facto de eu já ter 37 anos. Não podíamos esperar muito mais.

 

No sábado o Pedro fazia anos.

E eu achei por graça fazer um teste de gravidez.

Pensei:

- Ainda não devo estar grávida mas se estivesse era mesmo uma prenda gira....

Fiz.

E deu positivo.

Não acreditei.

Fiz outro de uma marca diferente. E deu o mesmo resultado.

Queria tanto surpreender o Pedro. Acabei por ser eu a surpreendida....

Ofereci-lhe o teste dentro de uma caixinha.

Com mil Slimanis. Ficámos abraçados durante o tempo que conseguimos.

Vasco, o filho mais velho achou a determinada altura que o Pedro estava a abusar.

 

Tivemos sorte.

Sabemos que há um longo caminho a percorrer.

Um dia de cada vez. Tantos imponderáveis e um homem que sabe todas as percentagens do que pode acontecer.....

...vamos devagarinho palmilhar os próximos nove meses.

 

Ainda não tenho qualquer sintoma....

....apenas um friozinho na barriga..

....... diz que está lá mais qualquer coisa...uma sementinha pequenina...

....um João ou uma Mariana...

 

 

Há um ano no Quiosque!

Um dia destes. Quem sabe!

 

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07.07.18

hoje é dia de festa...

Joana Marques

1945, Baixo Alentejo

Nasceu Manuel.

 

1947, Alto Alentejo

Nasceu Ana.

 

Lisboa, Janeiro, 1967

Manuel e Ana conheceram-se em casa de uns amigos.

Manuel estudava economia e Ana estava a estudar para ser professora primária.

Gostaram logo um do outro e começaram a namorar.

Num tempo diferente, as más línguas começaram logo a funcionar e Ana esteve grávida pelo menos umas 20 vezes nos primeiros 6 meses de namoro.

Estas insinuações tanto em Lisboa como na sua terra faziam-na sofrer pelo que começou a evitar Manuel.

Manuel, achou que havia risco de fuga! Por parte da Ana.

E não querendo arriscar.

Pediu-a em casamento.

Estávamos em Maio.

O ano letivo estava quase a terminar.

Manuel decidiu continuar a estudar à noite e trabalhar de dia para poder casar e ter uma vida independente dos pais.

Arranjou trabalho num banco. Trabalhou nesse banco até ao dia em que se reformou.

Ana aceitou.

Falou com os pais. Convenceu-os. Garantiu-lhe que ia continuar a estudar.

Casaram em Agosto.

Foram morar para Odivelas. Numa casa alugada.

Todos os dias acordavam muito cedo. 

Ana ia para o magistério. E Manuel para o banco.

Ana regressava a casa ao fim do dia. Manuel saía do banco, na baixa de Lisboa, ia para a faculdade e regressava a casa quase de madrugada.

Ana estudava, mantinha a casa em ordem, fazia as compras.

Manuel trabalhava no banco. Estudava. Chegava a casa e entrava em coma...

Aos fins de semana organizavam os estudos.

Decidiram, não ter filhos tão cedo.

Em primeiro lugar estavam os estudos e a organização da vida deles.

Eram novos. Tinham tempo.

Terminaram os cursos.

Manuel continuou no banco.

Ana foi colocada numa escola na margem sul.

Não tinham carro. Nessa altura, o carro era um artigo de luxo.

Mas com dois ordenados a vida ficou um pouco mais fácil.

Passados poucos anos, Ana acabou por ficar numa escola perto do Montijo.

E Manuel pediu transferência para lá.

Saíram de Odivelas e foram morar para o Montijo. Alugaram uma casa.

E começaram a pensar em ter um filho.

Estávamos em 1972.

Esperaram um ano. Nada.

Dois anos. Nada.

Três anos....

Já com muita ansiedade à mistura, Ana descobriu que estava grávida em 1975

A gravidez correu bem.

Era um filho muito desejado por todos. Ou melhor, uma filha muito desejada por todos.

A melhor amiga da Ana, chamada Mariana tinha morrido de cancro uns anos antes.

Ana tinha dito  à amiga, doente, que chamaria Mariana, se alguma vez tivesse uma filha.

Brincavam sempre uma com a outra por causa dos nomes.

Mariana e Ana Maria. 

- Tínhamos de ser as melhores amigas, diziam elas.

E eram.

Num tempo sem ecografias. Ana estava convencida que ia ter uma rapariga.

A mãe dizia-lhe que pelo formato da barriga era uma menina que lá vinha.

No teste do alfinete que as amigas lhe faziam, era sem dúvida uma menina.

E em todas aquelas coisas que se diziam, a cara da mãe, os enjoos e todas as crenças que existiam e ainda persistem, era uma menina. E não havia margem nenhuma para enganos.

 

1976, 7 de Julho

Rebentaram as águas.

Ana foi para o hospital acompanhada pelo marido.

Nasceu!

Um rapaz! 

3,350 kg!

É claro que quando o recebeu nos braços já se tinha esquecido da menina.

Já no quarto.

Ana. Manuel. E a criança sem nome.

Ana e Manuel olhavam um para o outro.

- Tem de ter um nome..

- Pois tem, mas eu só pensei em Mariana.

Entrou a médica que tinha acompanhado Ana durante o parto. Visivelmente feliz..

Disse para a enfermeira:

- Era o meu filho. A partir de hoje é médico.

Os olhos brilhavam enquanto falava para a enfermeira.

A enfermeira. Manuel. E Ana. Deram os parabéns à médica. E Manuel perguntou?

- Como se chama o seu filho?

- Pedro.

Olharam um para o outro. Ana e Manuel.

- E se fosse Pedro?

- Fica Pedro! Pode ser que um dia seja médico como o filho da Doutora.

E assim foi.

 

O tempo passou. E Pedro.

Fez-se menino. Fez-se adolescente. E homem.

Sempre discreto.

Responsável nos estudos. E na vida.

O menino fez-se homem. E o homem fez-se médico.

 

O pai e a mãe sempre o orientaram nas escolhas.

Mas a última palavra era dele.

Até porque do que conheço dele é pouco dado a influências. 

Tem a opinião dele e fundamenta-a.

Se tiver de mudar, muda.

Mas só se perceber que não estava bem.

Esta característica despertou-me a atenção.

Detesto o lambebotismo.

Detesto...mesmo. Blhec.

 

É coerente no que diz.

E no que faz.

Tão importante para mim, também.

 

É um profissional excecional.

Muito empenhado.

E preocupado.

Os doentes dele estão em muito boas mãos.

 

É uma pessoa muito generosa.

A adoção da Alice é prova disso.

E a forma como a trata.

 

É muito humano.

Muito terno.

E carinhoso. 

 

Tem um sentido de humor extraordinário.

Que aparece quando menos se espera.

E faz-me doer a barriga de tanto rir.

 

Muito esforçado.

Somos uma verdadeira equipa.

No que toca a assuntos domésticos.

 

Todos os dias me sinto muito protegida ao lado dele.

E feliz.

Muito feliz.

 

Gosta de meias azuis escuras.

Não gosta de gravatas.

E gosta muito de pipocas e bolo de chocolate. 

 

É do Sporting.

Não gosta de futebol.

Não sabe quem é Slimani. 

Mas conhece o Nani, o Patrício e acha que já ouviu falar do Jonas..

Com mil Slimanis, ó pá! Esse é da concorrência...

 

Gosta de legos.

E outras bichezas abonecadas que eu não sei o nome.

Adora dinossauros.

Comprou uns dinossauros para a Alice brincar.

E ela usa-os dentro da frigideira da cozinha dela, a fingir que é comida.

 

Vieram-lhe as lágrimas ao olhos quando me viu vestida de noiva.

E várias vezes durante a cerimónia.

E quando foi chamado de papá a primeira vez.

Ainda que tenha sido de uma forma interesseira.

 

Não sabe usar o ferro de engomar.

Mas é muito eficiente com o micro-ondas.

 

Adora dormir.

Levantar-se tarde.

Mas desde que mora comigo não consegue.

Eu acordo cedo.

O Vasco junta-se a ele na cama e muitas vezes aparece no quarto, a Alice, a convida-lo para brincar.

E ele não resiste...

É um coração mole para o Vasco e para a Alice. 

 

Adora carros.

Desde que descobriu as miniaturas do meu pai, tem passado algumas horas na oficina do meu pai a discutir pormenores que não interessam nem ao menino Jesus, nem a Slimani e muito menos à Joana.

 

Não é homem de ficar a olhar para o dia de ontem.

É um lutador.

Tem iniciativa.

E não está à espera de ver o barco passar para se lamentar e dizer que o barco passou....

 

Pensou em pedir-me em casamento mas aconselhou-se primeiro com o pai.

Ao que este lhe disse..

- Quando encontrares a mulher da tua vida, faz tudo o que puderes e o que não puderes para ficar com ela. Se é ela não a deixes fugir. Não te contentes com segundas escolhas. Nem com prémios de consolação. Se achares que é ela, mesmo ela, pede-a em casamento. Não tenhas medo. Assume. Mas não penses que é fácil. Um casamento nunca é fácil. Terás momentos que quererás desistir mas se se amarem ultrapassarão esses momentos. Não deixes de arriscar só porque tens medo da resposta. 

 

Foi por isso que  fui pedida em casamento quando não estava à espera.

E casámos à velocidade da luz.

Tal como o pai (em 1967), Pedro achou que havia risco de fuga...da minha parte.

Estava enganado. Nunca houve!

 

 

Abraça-me. Quando chega do trabalho.

Fala-me ao ouvido. Ou não. Às vezes é só um abraço. E um beijo.

Falamos do futuro. Do que vem aí. 

Conversamos horas e horas. 

Estar com o Pedro. É ter a certeza. De que.

Venha o que vier. Aconteça o que acontecer.

Será sempre bom. Porque ele vai-me abraçar. Falar ao ouvido. E dar um beijo.

E perguntar-me:

- Queres casar comigo outra vez?

E eu vou pensar para mim todos os dias.

A sorte que eu tive. A sorte que eu tive.

 

Parabéns, Pedro! 

Que a vida te sorria sempre.

E que eu e os nossos. Façam parte desse sorriso. 

 

 

 

Há um ano no quiosque!

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04.07.18

a vingança do Senhor Ludovino..

Joana Marques

Para perceberem a dimensão do acontecimento, devem ler primeiro este post!

 

Devíamos ter chegado no Sábado mas está-se tão bem no Alentejo que prolongámos a estadia até não mais poder.

Chegámos no Domingo, depois de almoçar em casa dos pais do Pedro.

Senhor Ludovino que já não nos via desde o dia nosso casamento saudou-nos efusivamente.

Depois de todos os cumprimentos, olhou para a Alice e disse:

- É mesmo bonita esta menina...

E mandou-nos esperar.

Voltou.

E entregou à Alice um saco com um presente.

Ajudei-a a rasgar o papel.

E...

......com um milhão de Slimanis. Era um pianinho.

Eu e o Pedro enfartámos ao mesmo tempo.

Diz-me o Pedro...

- Chamamos o Onofre, outra vez?

E o senhor Ludovino meteu-se na conversa..

- Ah! Vocês conhecem o meu amigo Onofre, aquele que tem diabetes. Coitado! Já lhe cortaram um dedo do pé e tudo..

- Ó senhor Ludovino esse não se chama Gilberto?

- Ai, Joana! Estou tão velho que até já troco o nome dos meus amigos. Esse é o Gilberto é...o Onofre é o aquele que trabalhava no forno crematório do Alto de São João, coitado está quase cego...

- Diabetes? Perguntou o Pedro.

- Não, não, acho que foi por causa dos gazes...

 

- Estejam descansados quanto às pilhas!

- As pilhas?

- Sim, do brinquedo! Deitei as originais fora e comprei da marca durex.

- Duracel?

- Talvez..mas tenho quase a certeza que comprei durex...

 

A conversa ficou por aqui.

A Alice brincou com o pianinho o resto do Domingo.

Não é tão irritante como a corneta. Mas...

....estou a dar em maluca.

Não voltei a chamar o Onofre porque...

...não tive coragem. Mas ando a pensar numa maneira qualquer de desviar o pianinho...

 

Boomerang.

A lei do retorno.

Cá se fazem, cá se pagam.

A vingança serve-se fria.

Onofre, o burrinho alentejano...foi vingado, pelo senhor Ludovino!

 

Joana Marques

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