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Quiosque da Joana

10.09.18

Joana e Pedro. Os preferidos do bairro....

Joana Marques

Anunciámos à família e aos nossos amigos que íamos mudar de casa.

Repetimos vezes sem conta e até à exaustão porquê.

Na sexta-feira recebemos alguns amigos aqui em casa. Jantaram cá.

Dona Alice colaborou e às 19h30 já dormia. Ferrada. Até ao dia seguinte.

Tínhamos marcado para as 21h.

A essa hora e com a ajuda preciosa desta filha dorminhoca, estava tudo pronto.

Tínhamos combinado deixar a porta da garagem aberta para poderem entrar sem terem de tocar à campainha.

Subiam.

E quando chegassem ao segundo andar tínhamos também a porta aberta.

Nada de barulho. Não queríamos a Alice acordada e o cão resmungão.

Contámos aos que ainda não sabiam que íamos mudar de casa.

A explicação de que a casa estava a um excelente preço porque o dono tinha muita pressa em vender não convenceu todos.

- Cá para mim deve estar assombrada.

Disse uma amiga minha meio a brincar.

- Da próxima vez que lá forem levem o Vasco. Se houver fantasmas ele vai dar conta.

Acrescentou um amigo do Pedro enquanto todos ríamos a imaginar Vasquinho a caçar fantasminhas imaginários.

 

Ontem passámos por lá.

Tínhamos combinado com o dono ir lá, para ele nos pôr a par de algumas coisas.

A escritura é só no final da semana.

O senhor está emigrado no Canadá tem pressa em voltar mas nestes dias que faltam até à escritura queria ir visitar uns amigos ao Porto.

 

Ontem lá nos encontrámos.

Com o Vasco. O nosso caçador de fantasmas.

Entrou em casa.

Cheirou isto e aquilo. Deitou-se num sofá. Obviamente!

A casa está mobilada porque o dono quer ver-se livre de tudo.

Algumas coisas são antigas e na minha cabeça mil e um planos de restauro. Assim tenha tempo....

 

Eu e o Pedro acompanhados pelo dono fomos percorrendo a casa.

Foi-nos mostrando as chaves. O que é que abre o quê. 

As duas portas de casa.

O portão grande.

O portão individual.

A porta da garagem.

A casinha das máquinas.

A casinha das ferramentas. 

 

O dono é uma pessoa dos seus 50 anos. Filho de um português e de uma canadiana. 

Tem nacionalidade portuguesa e canadiana. Mudou-se para o Canadá quando os pais se divorciaram. Tinha 5 anos.

Herdou a casa de forma surpreendente. De um tio que mal conhecia.

Nada o prende a Portugal. A vida dele está toda no Canadá.

Gostei dele desde o primeiro momento. 

Muito conversador. Uma pessoa simples, pareceu-me.

Os três embrenhados na conversa. Nisto, a campaínha toca.

- Ainda não nos mudámos e já temos visitas. Disse eu para o Pedro.

 

No portão. Um senhor. 60 anos talvez.

- Olá. Vocês têm um Golden?

O Vasco é um rafeiro mascarado de Golden. Parece Golden mas não é.

- Temos um cão parecido com um Golden, sim.

Respondeu-lhe o Pedro.

- Ah! Acabou de sair do meu quintal. É quase certo que emprenhou a minha cadela.

Eu sou desvairada e estou calejada em relação a muitas coisas.

O Pedro não.

O Pedro é muito certinho. Muito organizado. E muito correto.

Pensar que partilha o tecto com um cão que não perde a oportunidade de profanar a primeira cadela que lhe aparece à frente...é demasiado para ele.

Ficou sem pinga de sangue.

Eu intervim.

- Será que ele saltou o muro? Sem darmos conta? A última vez que o vimos estava deitado no sofá da sala.

- Saltou o muro do meu vizinho do lado, eu vi. 

- E onde é que o senhor mora?

O Vasco saltou 4 quintais para chegar à cadela do senhor.

 

O Pedro ressuscitou.

- Nós pagamos-lhe a cadela...ou qualquer tipo de despesa. 

Quase morri a rir. A ideia de pagar a cadela deu-me para isso.

Nisto apareceu, a assobiar para o lado. O aproveitador de cadelas indefesas.

- É este, não é?

Perguntei eu. Sem qualquer esperança.

- É esse mesmo.

E o senhor baixou-se e fez-lhe uma festa.

-Só queria informar-vos. Vamos esperar e ver se se confirma.

- Nós vamos mudar-nos para cá. Vá nos dando conta das despesas e depois de nascerem posso ajudar a encaminhar os cachorros. 

Disse eu.

- Se nascer alguma cadela não me importo de ficar com ela. O meu filho também é capaz de ficar com um. E depois logo vemos quantos temos para dar.

Ficámos assim.

Saímos dali a pensar que a primeira coisa que precisamos de fazer é aumentar a altura dos muros.

 

Há pessoas que dão uma festa de inauguração. E chamam os vizinhos para se darem a conhecer.

Nós não!

...Nem pensar. Não trabalhamos dessa forma.

Temos um método infalível para nos dar a conhecer...e gostarem de nós!

 

Primeiro. O cão a soltar charme e mais algumas coisas......

.....a carimbar a bicheza da vizinhança.

Segundo. Aumentar a altura dos muros. Como que a dizer...

....somos novos e não queremos conhecer ninguém. Nem falar. Nem ter amigos...

Sem confianças! Se faz favor!

 

Hoje passei por lá. Tinha combinado com o agente imobiliário.

Mal saí do carro. Disse-me a vizinha da frente.

- Foi o seu cão que engravidou a cadela do João?

 

Começo a achar que a ideia de ter um ou dois fantasmas em casa era preferível. 

Joana e Pedro.

A conquistar a vizinhança.

Desde o momento zero.

Aposto.  Já somos os preferidos do bairro!

 

 

Há dois anos no Quiosque!

Uma obra minha!

 

Há um ano no Quiosque!

Um livro que li!

 

 

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06.08.18

Não desperdice esta oportunidade!

Joana Marques

Antes de casarmos, eu e o Pedro fomos convidados para jantar em casa de um colega dele.

Em Maio, acho eu...

 

Eu já o conhecia do hospital. A ele é à mulher, ele é médico e ela enfermeira.

Para mim os jantares fora terminaram desde que tenho a Alice.

Este foi uma exceção. Porque insistiram muito. Porque é um dos melhores amigos do Pedro desde o tempo da faculdade.

Nessa noite a Alice ficou em casa dos meus pais. 

Achei que era mais estável para ela.

No dia seguinte fui busca-la de manhã e passou o dia comigo. 

 

Hoje foi a vez de retribuirmos o jantar. Hoje era o primeiro dia de férias deles. E como amanhã viajam, tinha mesmo de ser hoje!

O Pedro saiu do hospital às 8h da manhã.

Teve tempo de descansar.

A Alice foi para casa dos meus pais. E eu aproveitei o repouso do Pedro para trabalhar.

Já tinha o jantar planeado e meio preparado.

Quando o Pedro acordou almoçámos. Fomos às compras, comprar o pouco que faltava.

Passámos por casa dos meus pais. A Alice e a prima Margarida estavam a dormir. Trouxemos os meus sobrinhos.

Ficaram por aqui de tarde.

Eu e o Pedro fomos avançando com os preparativos.

Ainda estivemos com os miúdos.

E antes de trocar os meus sobrinhos pela Alice deixámos a mesa pronta.

 

E o Vasco? Perguntam vocês...

O Vasco anda doente com o calor.

Hoje já esteve mais fresco mas tem andado de rastos.

Passa os dias estendido na casa de banho. Qualquer uma....

Apanhar o fresco dos mosaicos é o que o vai salvando.

Bem lhe dou água com gelo. O cão chora com o calor.....

 

É claro que ter convidados em casa com um cão como o Vasco é um desafio.

Nunca sabemos....

NUNCA SABEMOS....

 

Chegou o Carlos. Chegou a Paula.

A Alice nestes dias nunca vai para a cama a horas.

Quer ficar.

Eu deixo.

Já tinha jantado mas esteve sentada na cadeirinha e foi petiscando da nossa comida. Sempre bem disposta...

Até que adormeceu. E eu fui deita-la.

 

Ficámos os 4. 

E o Vasco? Perguntam vocês?

Meu rico filho! Nem deu sinal de vida.

Lá continuava na casa de banho.

Antes do jantar passei por lá e deixei-lhe...adivinham?

Frango assado, claro!

E água. 

O frango foi logo. A água foi indo aos poucos....

Deixei-lhe água na banheira. Não muita...o bastante para se ir refrescando...

 

 

Estávamos nós a conversar.

Por acaso tive sorte....não falaram de trabalho. Ou estaria lixada. Com L do tamanho de um pequeno cachalote!

Dois médicos, uma enfermeira e uma Joana...

Senti o Vasco.

Subia as escadas...

..um degrau de cada vez. E cada vez com mais pressa...

Tínhamos a porta do terraço aberta e corria uma aragem. Se calhar foi por isso que decidiu aparecer.

Lá vinha ele.

Um pequenino enfarte. No meu coração.

Tudo se espera do cão.

À porta da sala lá estava ele.

O focinho molhado, deduzi que tivesse bebido a água que lhe deixei.

Depois percebi que deve ter estado dentro da banheira....

....deitado. Com água até ao dedo mindinho...

Estava molhado mas nada demais...

 

O cão olhou para nós.

O cão dirigiu-se a nós.

O cão escolheu o Pedro!

Quem dá comida, quem é? O Pedro!

Quem não diz nunca que não? O Pedro!

Por isso em alturas de banquete. O Pedro é o escolhido!

O Pedro apresentou o Vasco ao Carlos e à Paula.

Ao mesmo tempo fez-lhe uma festa.

O Vasco levantou-se e ficou quase ao nível do Pedro.

E contente abriu a boca. O Vasco sabe sorrir e rir. E por isso...riu-se para o Pedro.

E quando se riu...saiu da boca dele...

.....uma bola de sabão.

 

Uma bola de sabão a voar na minha sala.

Vimos todos.

Achámos todos.

-Olha, olha estou a ver coisas...credo! Ia jurar que saiu uma bola de sabão da boca do cão!

 

Duas, três bolas de sabão.

- O que raio é que está a sair de dentro da boca do cão?

- Parecem bolas de sabão!

- Nãaaaaaaaaaaaaao. 

 

Muitas bolas de sabão a sobrevoar a minha sala.

- Eu acho que são mesmo bolas de sabão!

- Como?

- Não pode ser. Não pode ser.

 

E de repente naquela sala. 4 adultos riam-se como nunca se tinham rido na vida.

Chorámos a rir.

O narizes ficaram ranhosos.

O nosso jantar esteve em vias de ver a luz do dia.

A dor na barriga era tão ou maior do que se tivéssemos feito 45 abdominais em 2 minutos.

E o cão?

O cão cuspia bolas de sabão...

 

Entretanto fui à casa de banho. Ver com os próprios olhos.

Eu faço os meus próprios sabonetes.

O Vasco comeu um sabonete de azeite.

Já liguei ao veterinário. Vamos estar atentos mas em principio não haverá problema. 

 

Sempre que tiverem uma festa e precisarem de animação pensem em nós....

...fazemos casamentos.

Baby showers.

 

Batizados.

Aniversários. Primeira comunhão. Crisma..tudo o que vem à rede é peixe!

Festas da aldeia.

Festas da cidade. Festas de vilas e de terras assim, assim....

Neste momento atuamos em Carcavelos. Mas estamos disponíveis para conquistar o mundo....

Não desperdice esta oportunidade!

 

....eu faço sabonetes. O Pedro costura rins. A Alice tem uma varinha mágica. A sementinha dá piruetas e mais piruetas dentro do meu útero.

E o cão cospe bolas de sabão...

 

 

 

Há dois anos no Quiosque!

Não escrevi post!

 

 

Há um ano no Quiosque!

Um post sobre o Vasco!

Este post foi destaque na página principal do Sapo.

O Vasco é um cão destacado...não sei porquê.

 

 

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02.08.18

guardem segredo. E deitem a chave fora!

Joana Marques

Ontem, quarta feira, dia do Pedro operar.

Entrou às 8h da manhã, deveria sair às 16h mas nunca sai. Nos dias em que opera pior.

De manhã deixou a Alice em casa dos meus pais.

 

Comecei a trabalhar cedo. Antes das 8h.

O dia rendeu muito.

Parei para almoçar e adiantar algumas coisas. 

Trabalhar em casa é muito bom. 

Voltei ao trabalho e mais ou menos às 16h parei.

Fui buscar a Alice. O cão fez-se convidado. Foi comigo.

Chegámos ainda a Alice dormia a sesta da tarde.

Fiquei à conversa com os meus pais.

Recebi uma mensagem do Pedro a confirmar o que já sabia.

Não ia conseguir sair às 16. Lá para as 20h dizia ele na mensagem.

 

A Alice acordou. Lanchou.

Peguei nela e no Vasco e fomos para um parque aqui para as nossas bandas.

Tenho sempre no carro uma manta. Estendi a manta. Para a miúda andar à vontade.

Soltei a fera.

Não havia ninguém no parque. Ou melhor...

...havia uma ou outra alma penada. Mas pouca gente.

Não vi ninguém a comer. Soltei o Vasco.

 

A Alice brincava com uma bola. Cor de rosa.

E eu brincava com ela.

Estava aquele calor bom! O bafo do dia já tinha ido. Só tinha ficado o calor que eu gosto.

A miúda estava com uns calções. Cor de rosa.

E uma t-shirt levezinha. Branca.

O Vasco andava por ali. Perto de nós. 

Ora se atirava para a relva. E se revirava todo. Ora corria muito depressa. E voltava. Com sérios problemas na travagem...

Fazia sons de contentamento.

Às vezes corria e eu deixava de o ver. Mas se o chamasse vinha logo.

Só faltava o Pedro e o momento seria perfeito.

 

De repente.

Num desses momentos em que desapareceu.

Voltou com algo na boca.

Sementinha quase me saltou pela boca.

- Incrível. Já roubou alguém....

Não!

Ou melhor, sim!

Mas não é nada do que estão a pensar. Não é nada do que eu pensei.

- Caneco. Preciso mesmo de ir ao oftalmologista. Parece mesmo, mesmo uma tartaruga....

 

Vasco trazia uma tartaruga na boca.

Não era do tamanho daquelas que o Mário Soares um dia se sentou mas já era uma tartaruga. 

Por momentos achei. O Vasco comeu a tartaruga. E deixou a casca porque é rija.

Largou-a ao meu colo.

E percebi que embora recolhida, a carapaça da tartaruga tinha conteúdo.

Fiquei ali uns momentos sem saber o que fazer.

Liguei ao veterinário.

- Se calhar tem algum problema. Passa por aqui, deixa-a cá que eu dou-lhe uma vista de olhos.

- Estás doido? Queres que eu roube uma tartaruga?

- Não é roubar. Eu dou uma vista de olhos e depois devolves...mas tu é que sabes. Está nas tuas mãos...

Desliguei o telefone.

Pois, claro. Joana. 37 anos. Grávida. Acompanhada com uma filha de pouco mais de um ano e um cão. Estava prestes a roubar uma tartaruga  num parque público.

Dúvida! Roubo ou não a tartaruga?

Não!

Dúvida. Onde é que eu escondo a tartaruga para ninguém ver que eu roubei uma tartaruga num parque público.

Será que tem câmaras de vigilância.

 

 

Para grande espanto da Alice, saiu do parque no seu próprio pé. Quando o Vasco está comigo a Alice vai sempre no carrinho.

E a tartaruga foi no carrinho da Alice, assim como quem não quer a coisa.

Fui ao veterinário com a tartaruga. Tem uma infeção ocular. Está a ser tratada.

Menos de uma semana estará de volta ao parque totalmente recuperada.

Eu, só tenho de voltar lá. Entrar como quem não quer a coisa. Com uma tartaruga escondida nem Slimani sabe onde. E devolve-la.

Só!

Fácil. Fácil.

Não me denunciem!

Não digam nada, por favor...

Guardem segredo! E deitem a chave fora...

 

 

Há dois anos no Quiosque! 

Problemas amorosos. Dúvidas. E todo o tipo de parvoíce.

Escrevi este post num desses dias.

Prometia acabar com a neura em 11 passos.

 

 

Há um ano no Quiosque!

Dei a conhecer as peças da Cutchi.

Continuo a ser fã.

Se não viram na altura, têm mesmo de conhecer.

Vale muito a pena!

 

 

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25.07.18

o Vasco sabe...

Joana Marques

O Vasco sempre foi doido varrido.

O início de vida difícil deve ter deixado algum parafuso meio solto. E quando menos se espera....

É o primeiro cão que tenho e por isso não tenho como comparar.

Os meus avós do Alentejo tinham um mas nunca me lembro de ele ser como o Vasco.

 

Por ser lindo de morrer. Pelo início de vida. Sempre foi um cão muito mimado.

Quando está com muita gente e muita gente tenta fazer-lhe festas. Fica tímido. E esconde-se atrás de mim...

Uma postura..."não me toca" que eu sou uma estrela.

Se essas pessoas estiverem a comer a postura "não me toca" passa logo. É o mais simpático dos cães.

Quando está de barriga cheia afasta-se e arranja um bom sitio para dormir.

E se alguém o vai chatear faz ares de:

- Vou só abanar o rabo uma vez para mostrar que sou simpático. Já está! Desampara-me a loja ó humano que eu tenho de pôr o sono em dia...

 

É nestas alturas.

Quando menos se espera.

Com ele a dormir no terraço.

E eu a trabalhar. Ou a fazer qualquer outra coisa que ele se lembra da minha existência, sente saudades, lembra-se que gosta de mim. Nem sei!  E........

 

Cão bala.

Em silêncio.

 

Levanta-se.

Sem qualquer barulho.

 

Prepara-se.

Caladinho que nem um rato.

 

Já vai no ar.

Shiuuuu!

 

E...

....acabou de aterrar ao meu colo.

O silêncio terminou. Porque eu acabei de dar um grito. 

Pelo susto.

Pelas patas cravadas na barriga.

Por ter uma língua do tamanho da A1 a varrer a minha cara. Pescoço. E a tudo o que ele conseguir deitar a língua.

Não pensem que acontece uma vez por ano. Claro que não. Acontece muitas vezes. Mais do que uma vez por semana.

 

Quando chego a casa.

Depois de passar uns dias fora. Não vamos falar nisso. É brutal.

Nos dias comuns. Já é uma festa.

Muitas vezes a Alice vai para o chão depressa para eu poder agarrar o Vasco.

Depois de um abraço sentido. Umas festas. O rapaz volta ao terraço. E ao sofá....

 

Hoje chegámos de férias.

O Vasco ficou em casa dos meus pais.

A mesma tristeza de sempre.

O Pedro deixou-me em casa com a Alice e foi buscar o Vasco.

Já a tentar prever a loucura que seria. Era só adiar. Por um bocadinho. 

- Vou busca-lo. Ponho-lhe a trela. Entra em casa com trela e não o deixo atirar-se.

 

Assim foi.

O Pedro foi busca-lo. O Vasco ignorou o Pedro. Continuou deitado em sofrimento.

O Pedro pegou nele. Depositou-o no carro. 

Quando chegou à garagem. Abriu-lhe a porta. Tirou-lhe o "cinto" que o prende ao banco. E....

...ala que se faz tarde. Quando deu por isso. Já não tinha cão.

O cão fugiu sem deixar rasto.

 

Estava eu na minha vida.

A Alice a dormir.

E eu a pôr a roupa suja na máquina.

A arrumar o que tinha de arrumar. Quando ouvi um estrondo.

-É uma bomba? Um terramoto?

Não. Era o Vasco.

À porta de entrada. Abri-lhe a porta. E ali estava o meu menino...

...feliz da vida. Festas por todo o lado. Lambidelas. Amor e mais amor. 

Tudo a que tenho direito.

Mas...

.....em momento algum tentou chegar à barriga.

 

O Pedro apareceu 5 minutos. Muito ofegante.

Tinha subido as escadas mais depressa que o Bolt em dias de 100 metros. Parecia um asmático num dia mau...

- Não sei como é que aconteceu. Um momento estava no carro. No outro momento já não estava. Estava como morto e no minuto seguinte foi o cão mais agil que já vi...foi tudo tão rápido que mal o vi fugir. 

 

- Não te preocupes. Correu tudo bem! O Vasco sabe.......

 

 

 Há um ano no Quiosque!

Um post sobre a minha irmã! E não só! Também tem Joana!

Parabéns! Muitas felicidades!

Gosto de ti como o Vasco gosta de frango assado!

 

 

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17.07.18

a galinha choca...

Joana Marques

Profissionalmente, falando.

Ando atrasada em relação à planificação que fiz quando comecei a trabalhar em casa.

Depois daquela tragédia toda que foi a perna partida. A varicela. E o caneco...

Tinha tudo planificado.

Hoje faço isto. Amanhã faço aquilo. O projeto que tinha era propício a trabalho moderado.

Tinha a Alice. Sabia que lhe queria dar atenção. O projeto que tinha era o ideal. Tudo andava sobre rodas.

Eis se não quando me batem à porta novos projetos.

Conheci o Pedro.

O Pedro veio morar cá para casa. Inicialmente em Cascais.

Fizemos a mudança dele para Cascais.

Começámos a compor a casa de Carcavelos conforme ia ficando pronta.

Aproveitámos os meus móveis. Os do Pedro. E fomos mobilando a casa dessa forma.

E assentou tudo que nem uma luva.

Fiz o quarto da Alice. 

Depois mudámos para Carcavelos.

Fizemos a minha mudança de Cascais para Carcavelos. A da Alice. A do Pedro. A do Vasco.

Ainda passamos pela casa do Pedro outra vez. Faltava revolver as entranhas para ver se ainda aproveitávamos alguma coisa.

E sim. Aproveitámos.

 

Depois deste incidente.

E de eu ter expulsado o Pedro do escritório, para outra divisão.

- Ou ele ou eu!

Parece-me que ele escolheu o Elias! 

Acabámos por decidir que o escritório era para os dois.

Precisávamos de uma estante para o escritório.

Já tínhamos arrumado muita coisa.

Mas, só os livros do homem sobre partes do corpo humano ocupam uma imensa área do concelho de Cascais.

Quase pedi a casa do senhor Ludovino emprestada.

 

Tinha ficado para depois da lua de mel.

A lua de mel já passou. Com muita pena minha...

E por isso estava na hora.

- Não passa de sábado!

Disse eu ao Pedro.

Sábado de manhã, lá foi ele ao Ikea com o meu pai e com a Alice.

Eu não fui. Porque precisava mesmo de despachar trabalho.

A Alice foi. Porque precisava mesmo, mesmo de despachar trabalho.

 

O meu pai chegou. O Pedro já estava pronto. E a Alice também.

Desci cá abaixo. Para me despedir da minha bebé. Sem comentários.

Coloquei-a na cadeirinha. Dei beijinhos. Despedi-me do meu pai e do Pedro. E fiquei com uma lágrima no olho.

Não é por estar grávida. Sou mesmo assim...

 

Estava eu a trabalhar como nunca ninguém trabalhou na vida.

O meu telemóvel deu sinal de vida.

Uma mensagem.

Vejo a mensagem.

Estava a Alice sentada num carrinho do Ikea em cima de uma caixa. (a caixa da estante)

A miúda estava tão feliz...é só a melhor foto de sempre dela!

Mas os meus olhos.....

- Pedro, a Alice está descalça!

Dois minutos de silêncio. E recebo outra mensagem.

- Joana, a Alice está descalça..

- Eu sei! Fui eu que te disse! Quando ela chegou aí estava calçada? Tens ideia onde é que ela os perdeu?

- Acho que ela tinha sapatos quando a tirei do carro mas não tenho a certeza. Acho que não reparei nisso..

Passados uns minutos. Recebo esta mensagem.

- Olha o teu pai diz que acha que ela estava calçada quando a tirámos do carro.

- Deve ter perdido os sapatos aí pela loja. Deixa estar. Não vão andar feitos parvos à procura. 

Mais um compasso de espera.

- O teu pai também diz que não tem a certeza. Se calhar estão no carro. De que cor eram?

- São os ténis brancos que os teus pais lhe deram.

Passados 15 minutos.

- Não estão no carro. Tens a certeza que ela saiu de casa calçada?

- Tenho a certeza que lhe calcei os ténis de manhã. Se saiu de casa ou não com eles....sou mesmo uma desgraça. Vou dar uma vista de olhos para ver se avisto os ténis.

 

Procurei em todo o lado nada!

Estavam para sempre perdidos.

- Não encontrei nada. Não posso querer que deixei a Alice sair de casa sem sapatos. 

- Deixa lá. Não viste tu. Não vi eu. Acontece. Somos pais mas ainda somos estagiários. Daqui a 10 anos, vais ver! Saem todos calçados de casa.

Ri-me.

Continuei a trabalhar.

A finalizar o que estava a fazer. 

A Alice e o Pedro já vinham a caminho. 

 

De repente. Olho para o cão.

Estava deitadinho na sua cama. No escritório. E não saía dali.

Estranho.

Andei pela casa toda. Procurei os ténis. E nada. Nunca deu o ar de sua graça.

A cabeça dele girava conforme eu me deslocava mas nunca se levantou.

Tinha um ar vitorioso. Mas ao mesmo tempo abnegado.

Um ar feliz. E bondoso ao mesmo tempo. Os olhos cheios de amor...

Ah! Ah! 

Vasco.

Nem parecia um cão.

Antes uma galinha choca.

A chocar ovinhos. Em forma de ténis.

Estavam lá. Os dois. Quentinhos, quentinhos...que o frio pode dar cabo de uma criação inteira de ténis...

 

Este cão não pode ver nada....

Engravidou à sua própria maneira...aguardem, daqui a 15 dias eclodem ténis novos....

 

 

Há um ano atrás!

Estive no delito de opinião.

 

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26.06.18

mistério resolvido!

Joana Marques

Continuamos no Alentejo.

A saborear a vida boa.

Desde que fiquei com a casa e com o terreno à volta decidi aproveitar a terra.

Ainda antes de conhecer o Pedro já eu andava a investigar, a perguntar e a tentar aprender algo que me permitisse rentabilizar (minimamente) a terra.

 

Quem foram as primeiras vitimas?

As cenouras.

Comprei sementes de cenoura. Passei cá um fim de semana. Espalhei as sementes.

E quando voltei. Quase enfartei.

Nasceu tudo o que havia para nascer e tudo o que não devia ter nascido.

Tinha a Amazónia dentro de portas. Sem a diversidade da Amazónia. Só cenouras mesmo.

Nem tudo foi mau.

Passei um dia a desbastar as cenouras. Para que as que ficassem, crescessem como deve ser.

Trouxe para Cascais. Um carro. Cheio de cenouras. Mini cenouras. E muita rama...muita, muita rama.

Deu-me um trabalho descomunal a tirar a rama. A lavar as cenouras. E a cozinha-las.

Mas....

....o sabor das cenouras compensou tudo.

Pelo cheiro já tinha percebido que eram diferentes das que se compram.

O sabor. Enfim....do outro mundo. Eram pequeninas...mas espetaculares.

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A Alice adorou. 

Guardei as cenouras no frigorífico e ia-lhe dando ao lanche.

A rama usei em sopa e em omeletes.

Fiquei animada. A minha alma de agricultora veio ao de cima.

E nunca mais ninguém me parou....

...brócolos. Courgettes. Cebolas. Couves. Alfaces. Tomate. 

Neste momento a minha horta está bem composta.

Arranjei uma rega automática, que é uma maravilha.

A minha horta só não é biológica porque aqui à volta as pessoas usam pesticidas. E adubos.

Eu não uso nada disso. Pelo menos por agora, até porque não domino esse mundo.

Dá-me um gozo fenomenal fazer salada e ir buscar à horta. Em vez de ir ao supermercado.

 

No domingo, os pais do Pedro e os meus vieram cá almoçar.

Pedi ao Pedro para ir à horta apanhar algumas coisas que precisava. Eu estava com a Alice num dia em que só queria a mamã, a mamã e a mamã....

Passei-lhe um balde para as mãos e uma cestinha. Já começámos a ter figos maduros e queria fazer alguma coisa com eles.

Adoro figos.

 

Pedro. Esse grande querido. Foi.

Apanhou o que tinha a apanhar na horta pôs tudo dentro do balde. E foi ter com as figueiras.

Deixou o balde e pegou na cesta.

Apanhou os figos mais maduros da primeira figueira.

E voltou ao balde. Deixou os figos no balde. Pegou na cesta. E foi até outra figueira.

Quando voltou. Achou que o balde tinha menos figos do que aqueles que ele tinha deixado.

E pensou...

- Estou mesmo de férias. Ia jurar que os figos estão a desaparecer. 

Deve ter pensado seriamente na vidinha dele. 
Quando voltar a trabalhar.

E tiver um doente. Com os rins a céu aberto. E se não der conta do recado? E se os rins desaparecerem como os figos??

 

Mas....

....foi à vida dele. Deixou os figos no balde. Pegou na cesta. E foi apanhar mais figos.

 

Voltou ao balde. Olhou lá para dentro. Estranho.

Desta vez tinha a certeza.

Os figos não estavam todos.

Olhou para todos os lados.

Não viu nada, nem ninguém. Não ouviu nada, nem ninguém.

- Muito engraçadinha, Joana. Podes aparecer, já sei que és tu!

Disse o Pedro para o meio do nada.

Não era eu. 

Sim. O meu marido. Oito dias depois de ter casado com ele. Achou que eu o andava a roubar.

Sim, senhor! Pedro......

 

Entretanto em casa.

Joana e Alice. Alice e Joana.

Comecei a achar que o homem estava a demorar muito.

Na minha cabeça todos os filmes.

- O homem tropeçou na rega automática e está esticadinho no meio das abóboras.

- O homem abeirou-se no poço e está esticadinho e a flutuar dentro do poço.

- O homem achou que era um alpinista decidiu trepar a uma figueira e claro...está esticadinho no meio do nada.

- O homem experimentou comer um figo. Engasgou-se. E?? Adivinhem...claro! Está esticadinho, sufocado e enfim....

Fui à procura dele.

A Alice foi comigo.

Fui dar com o homem, ajoelhado, a olhar, ora para o horizonte. Ora para o balde. Ora para o além.

Com mil Slimanis. Será que o homem é muçulmano e chegou aquela hora de fazer as suas orações em direção a Meca?

Não. O homem tentava descobrir o mistério do sumiço dos figos.

 

- Vasco!

Chamei-o.

Em dois segundos tinha o sacripanta ao pé de mim.

Muito bem disposto. O cão mais feliz do mundo....

Abri-lhe a boca.

E lá dentro. A prova. Os vestígios. 

Mistério resolvido! Por Joana Marques....

 

21.06.18

Pedro, bem-vindo à minha família!

Joana Marques

O dia do casamento passou a correr. Quase não dei conta.

Tenho uma ideia que casei mas parece um sonho qualquer que tive durante a noite.

Terminou, domingo, pelas duas e tal da manhã.

 

Foi à hora que eu e o Pedro saímos rumo a Lisboa.

Ficámos em casa do Pedro.

Daí a umas horas estávamos a apanhar o avião para Cabo-Verde.

 

Cabo-Verde é Cabo-Verde. 

Joana e Pedro.

Pedro e Joana.

Fomos muito felizes em Cabo-Verde.

Ponderámos ficar lá para sempre.

Numa barraquinha na praia. 

Ai, o amor e uma cabana. 

Sol. Mar. E alguém para amar.

É tão boa a vida simples.

 

De Portugal as notícias eram assim assim.

Os meus pais ficaram com a Alice e com o Vasco, no Alentejo.

O meu sobrinho Pedro estava com eles.

Os exames na faculdade só começam para a semana e aproveitou para relaxar e sair do reboliço de Lisboa.

- A Alice fala muito na mamã, até quando está a brincar, fica tristonha mas é fácil de animar. O Vasco não...

 

O Vasco comeu que se fartou durante o casamento.

O meu pai é um alvo muito fácil. Basta um olhar do Vasco. Não é preciso ser muito esmerado. Só um olhar....

E o meu pai dá tudo....o que tem e o que não tem.

Se for preciso põe os rins no prego. 

Hipoteca os pulmões.

Vende o fígado.

E oferece-lhe o coração.

O Vasco comeu que se fartou e depois eu fui-me embora.

E o Vasco hibernou.

Primeiro foi para a minha cama.

Depois fez um ninho no sofá da salinha de cima.

Desviou as almofadas do sofá e aí ficou com uma parte das almofadas por cima dele e a tábua que divide o sofá do sofá-cama.

Os meus pais recorreram a tudo e a todos.

O meu sobrinho Pedro bem tentou.

A Alice apareceu para fazer festinhas.

O frango assado espreitou e disse:

- Olá, Vasco!

Nada resultou. O cão cheio de comida assim ficou.

 

Chegámos hoje de manhã. 

Seis e meia. Aterrámos em Lisboa.

Ainda com a pele a cheirar a sol. E o cabelo a cheirar a mar.

A inspirar corações.

A expirar corações

A respirar amor.

A saber que o que nos espera é bom. Mas com uma certa pena de deixar Cabo-Verde. E a vida a dois.

Ainda ficámos um tempo por Lisboa.

A namorar. E a passear à chuva...

A dizer um ao outro.

- Que sorte que eu tive!

 

A realidade chamou-nos e tivemos de rumar até ao Alentejo.

Fomos a viagem toda a 50 km/hora.

Chama-se fazer render o peixe.

 

E chegámos ao caminho que vai dar ao monte.

Por essa altura. Em minha casa. 

Um cão emergiu do ninho. 

Atirou as almofadas ao ar.

O sofá saiu do sitio. E bateu numa porta de vidro de um móvel. Estalou.

- Será a Joana e o Pedro?

 

Sim. Era a Joana e o Pedro.

O carro deu a curva. E em casa. Pela janela da salinha já se via o carro.

O cão disparado. Desceu as escadas.

E derrapou no chão de madeira do corredor.

O meu sobrinho abriu-lhe a porta. Mas como demorou 15 segundos.

Levou com uma rosnadela. 

Que lhe fez mirrar os rins.

- Sai da minha frente, ó miúdo...

 

O cão estava cá fora.

Socorro. O cão estava cá fora.

Deus nos acuda.

O meu pai foi até ao portão para o abrir.

E o cão não viu portão.

Não viu João.

Não viu nada.

Fez-se à estrada.

 

- Joaninha? Aquele não é o Vasco?

Á nossa frente.

Apareceu um cão. Que mais parecia um leão.

A ladrar de contentamento.

A levantar pó por todos os lados.

- É melhor parares o carro. Antes que ele se atire contra o carro.

Comecei a temer que o Vasco se atirasse ao carro e se aleijasse à séria.

Saí do carro.

E desvairado.

Atirou-se contra mim. Ficou ao meu colo.

 

Ó senhores que estão neste momento a ler o Quiosque.

Num momento...

..... uma pessoa ainda se sente em lua de mel.

Só amor.

Boa vida.

Sentimentos bonitos.

No momento seguinte tem um cão de uma tonelada e meia ao colo.....

...e tem uma sensação de calor a correr pernas abaixo. Calor e humidade ao mesmo tempo.

O homem dentro do carro a rir-se às gargalhadas.....

....eu percebi que o cão fez xixi para cima de mim.

 

O Pedro continuou e estacionou o carro.

E eu apareci ao longe. Com um cão ao colo. 

As minhas sapatilhas faziam:

Chap. Chap. Chap.

 

Vi a minha mãe. O meu pai. E o meu sobrinho. A Alice estava a dormir.

O cão saiu finalmente do meu colo.

E continuou aos pulos. Radiante da vida.

- A Joana voltou. A Joana voltou. A Joana voltou.

 

Cumprimentei como consegui a minha família. 

Estava coberta de xixi, o que tornou os cumprimentos pouco apetecíveis. Para eles...

E...

.....o Vasco quase não deixou. Sou dele e de mais ninguém...

- Ninguém toca na Joana! NINGUÉM TOCA NA JOANA! SAI DAQUI! NINGUÉM TOCA NA JOANA!

 

Depois de festas, festinhas e mais festinhas. O Vasco foi acalmando.

Nunca saiu do pé de mim.

Nunca confiando na Joana! Nunca!

 

 

Antes de entrar em casa. E correr para a banheira...

...aproveitámos para conversar e contar as novidades uns aos outros. E rir do meu banho de xixi....

O cão estava deitado em cima dos meus pés. 

O meu sobrinho tinha acordado tarde e não tinha almoçado com os meus pais.

Estava a comer um hambúrguer no pão.

E de repente....

....uma precisão que envergonha o melhor cirurgião de rins à face da terra.

O cão saltou.

Uma fração de segundos.

Um salto preciso.

Uma boca aberta na conta certa.

E era uma vez hambúrguer. E pão. E alface. E tomate.

Afastou-se ligeiramente. E comeu calmamente o repasto roubado.

Ladrão que é ladrão. Rouba naturalmente e ainda olha para os outros com um ar de:

- O que é que estão a olhar?? Eu posso! Sim?

 

Nós. Os cinco. 

De boca aberta.

Pela lata do cão.

Pela precisão.

Pela perícia.

Este cão no cirque du soleil e eu não precisava de trabalhar mais na vida.

 

 

Voltou. 

Como se nada fosse.

Olhou para mim.

E pumba....

....mais uma vez.

Sem dar conta. Sem aviso prévio tinha o cão ao colo.

Feliz, feliz por me ver.

Passou-me uma lambidela desde o nariz até à orelha.

E o Pedro veio em meu socorro.

Não devia. Mas veio....

 

Imaginem que o intestino grosso teve um filho com o intestino delgado.

O que se seguiu não foi bonito.

Toda a comida armazenada desde sábado à noite.

Viu a luz do dia.

O cão explodiu....

...os meus pais fugiram. O meu sobrinho fugiu. Eu tinha o cão ao colo. E o Pedro estava agarrado ao cão.

E como se não bastasse. O hambúrguer acabado de comer também viu a luz do dia.

Vamos lá ver.

Xixi. Rins! Andam de braço dado todos os dias...

Cocó....está muito para além do campeonato do Pedro...

Temi pelo meu casamento...

 

 

O meu pai lavou o Vasco à mangueirada.

O meu pai lavou-nos, a nós, à mangueirada. 

A roupa foi para o lixo.

Tomámos banho.

Voltámos lavadinhos, lavadinhos. Sem vestigios de explosão canina....

O Vasco também, lavadinho e cheiroso...e mais calmo. Muito mais calmo...

Nem conseguimos olhar um para outro sem chorar a rir....

O Pedro sempre teve cães em casa dos pais e nunca, nunca lhe aconteceu nada parecido.

 

Pedro,

é assim...que os Marques H. R. recebem....

Nem nos teus sonhos mais selvagens!

Imaginarias!

.......que irias passar por esta praxe!

 

Pedro,

....bem-vindo à minha família!

 

 

11.05.18

o devorador de notícias...

Joana Marques

Ontem à noite, depois de jantar, o Pedro recebeu um email.

Melhor dizendo. Tinha vários email's novos. Mas abriu só um.

Recebe os resultados das análises dos doentes de forma digital e estava à espera destas em particular.

De um doente operado na quarta-feira.

Percebeu que os valores não estavam como deviam estar. E decidiu ir ao hospital.

Chegou hoje. Pelas 6h da manhã.

Eu já estava acordada. O cão já me tinha acordado. E já se tinha deitado outra vez.

Tomei o pequeno almoço. O Pedro, completamente exausto também comeu qualquer coisa.

E foi descansar.

A Alice acordou.

Tratei dela.

E achei por bem. Tirar toda a gente de casa para o homem poder descansar como deve ser.

O cão. E a Alice.

A Alice. E o cão.

Podemos defini-los de muitas maneiras. Silenciosos. Não é uma delas.

Passeámos. À beira mar.

Brincámos.

Chegou a hora do lanche da manhã. A Alice comeu.

E adormeceu no carrinho.

 

Ainda pensei em ir para casa dos meus pais. E deitar a Alice na caminha dela.

Ou voltar para minha casa. A Alice a dormir não faz barulho. E o Vasco também não.

Mas...

....o dia estava mesmo agradável.

Tinha um livro comigo. E o meu tricot.

Sentei-me num banco de jardim. Com o carrinho da Alice ao lado. E o Vasco ao lado do carrinho.

Tirei o tricot.

E com uma vista absolutamente maravilhosa. Tricotei...como se não houvesse amanhã.

 

Um senhor. Mais ou menos da idade dos meus pais.

Perguntou-me:

- Posso-me sentar?

Disse que sim. O banco era grande e eu só ocupava uma parte pequena dele.

Sentou-se na outra ponta.

O Vasco levantou-se num segundo. E no outro esta em cima do banco sentado ao meu lado.

 

A Alice mexeu-se. Afastei a fralda que estava a tapar o carrinho. Para ver se estava tudo bem.

E o senhor.

Inclinou-se para ver a Alice.

Ouvi o Vasco.

Olhei para trás.

O Vasco estava a rosnar. Ao ouvido do senhor.

- Ele não faz mal. É só garganta...

Disse eu para o senhor. O senhor riu-se. Fez-lhe uma festa.

Abriu o jornal e começou a lê-lo.

Eu a tricotar.

E de repente. Ouço um barulho. Que não encaixava bem na situação....

.......

 

Olhei.

O Vasco estava feliz da vida a mastigar.

O Vasco estava entretido a comer o jornal.

Juro. 4 anos de Vasco. E nunca tinha percebido que este cão...era ávido por notícias.

O verdadeiro devorador de notícias.

 

A minha alma. Aparvalhada. Mais do que o costume....

Disse ao senhor que lhe pagava o jornal.

- Não se preocupe. O jornal é de ontem. Tirei-o do café perto da minha casa. Costumo ir lá devolve-lo. Parece-me que hoje não vai acontecer.

 

 

O doente do Pedro está estabilizado.

E fora de perigo.

 

28.04.18

tal pai. Tal filho...

Joana Marques

Fui acordada às 5h30. Pelo cão. Claro!

O Pedro. Deve ter percebido. E para prevenir a minha fuga...

Pôs um braço à volta da minha barriga e eu fiquei sem conseguir sair dali.

Depois de várias tentativas. Lá fui à minha vida.

Começo a sentir bicho carpinteiro e não consigo estar muito tempo sem fazer nada...

 

O cão aproveitou a folga na cama para se deitar.

- Quem foi ao ar perdeu o lugar....

Assim é o lema deste cão.

 

Comi qualquer coisa. E ...

....disse ao Pedro.

- Vou correr. Ficas com a Alice.

Ele respondeu qualquer coisa. O cão resmungou qualquer coisa...

Eu corri. 10 km. Em menos de uma hora. Um novo recorde, desde que parti a perna.

Voltei.

O cão dormia. O Pedro dormia. E a Alice dormia.

Tomei o pequeno almoço. Com toda a calma.

A Alice acordou.

Dei-lhe o pequeno almoço. E dediquei-me a ela de corpo e alma.

Vi de relance. O cão a passar para a cozinha. Fui ter com ele.

Será que queria ir dar uma volta à rua?

Não. Queria comer. Depressa. E voltar para o lugar de onde tinha saído.

Não deixei.

- Vais comigo dar uma volta e acabou-se.

Pus-lhe a trela à força.

 

Disse ao Pedro.

- Vou dar uma volta com a Alice e com o Vasco.

Mais uma vez, disse qualquer coisa, que não percebi.

 

Dei uma volta de uma hora.

O Vasco lá fez xixi e cocó. A Alice disse adeus a uma data de gente.

Estive com ela no parque infantil do condomínio.

E quando eram horas da sesta da manhã voltei.

Adormeceu.

E o Vasco voltou à casa de partida. A minha cama.

Onde está até agora. A partilhar cama, com o homem.

O Pedro trabalhou ontem 16 horas. É duro...

O Vasco não. Mas descansar o dia todo é muito cansativo...toda a gente sabe isso!

 

Já lá fui várias vezes. Para ver se respiravam. Se estavam vivos.

Estão....

....vivos. Yeah!

 

Tal pai. Tal filho.

homens.jpg

 

 

27.04.18

4 anos de Vasco! Terceira história...

Joana Marques

Já tinha feito um ano. Parece-me.

E tinha um apetite voraz...

Cheguei a casa pelas 17. Tinha saído pelas 6 horas da manhã.

Andava com muito trabalho. E tinha tido reuniões o dia todo. Nem tinha tido tempo para almoçar.

Estava esfomeada.

 

Mal cheguei a casa. Tentei leva-lo à rua.

Para despachar o cão. E poder vestir uma roupa mais confortável.

Não quis.

Mantive a roupa  de trabalho. Um vestido de linho. Claro.

 

Vesti um avental. E comecei a preparar o jantar. Frango guisado com ervilhas.

Já tinha o frango cortado em bocadinhos pequeninos.

Foi só juntar o tomate, azeite, enfim...tudo o que faz um guisado.

Por fim. Quando já tinha tudo dentro da panela. Tapei-a.

E fui fazer outra coisa qualquer.

O Vasco andava a rondar.

Como sempre.

Nem liguei.

Estava no terraço. Ouvi um estrondo. Seguido de um guincho.

Não queria acreditar.

O Vasco.

Tinha assaltado a panela do guisado.

E tinha-se atirado ao fogão. Ligado.

A panela desequilibrou-se e caiu para cima dele.

A panela.

As ervilhas.

O frango.

Tudo!

 

Entrei em pânico.

Peguei no cão.

Na minha mala e desci feita louca as escadas do prédio.

O cão gania.

Coloquei-o dentro do carro.

E só parei no veterinário.

O cão ia num sofrimento. Não sabia se seria pela queimadura. Se por ter percebido que ia para o veterinário.

 

Entrei no veterinário.

Com um cão ao colo.

Cheio de ervilhas e frango.

Com um vestido cheio de nhanha guisada.

Modo: "caí no caldeirão da carochinha e não sou o João Ratão"

 

O veterinário do Vasco. Que conhece todas as manhas dele estava a operar um outro bicho indefeso.

Fomos socorridos por uma veterinária. Muito querida. Chamada Rita. Mas que desconhecia que o cão é hipocondríaco.

A Rita tocava no nariz. O cão gania.

A Rita tocava na pata traseira. O cão gania.

E fazia xixi.

A Rita tocava na barriga. O cão gania.

A Rita tocava no armário dos medicamentos. O cão gania.

A Rita falava ao telefone. O cão gania.

 

Depois de ter escrutinado, o cão, centímetro a centímetro. Veio o diagnóstico da Rita.

- Tem uma queimadura ligeira no nariz. Nada de mais. Deve ter ficado assustado....também.

Deu-me uma pomadinha para ir pondo no nariz.

- Se te esqueceres de pôr não tem importância, a queimadura é tão ligeira que daqui a dois dias já nem se nota.

E deu-me uns comprimidos.

- Hoje à noite dá-lhe um. Para o acalmar. Como vai ficar sozinho. Ainda se passa.

 

Voltei para casa.

Ainda em modo. Mogli, o menino da selva.

A deixar ervilhas por onde passava.

 

À noite. Dei-lhe o comprimido.

Coloquei a caixa e a pomada em cima de uma prateleira na cozinha.

Fui-me deitar.

 

No outro dia de manhã. Estranhei.

O meu despertador. Não me acordou.

Levantei-me.

O cão. Estava. Estendido na cozinha.

Quase morri.

Olhei para a prateleira. A caixa de comprimidos tinha desaparecido.

Desaparecido mesmo. Ele comeu os comprimidos. A caixa. E a bula. Tudo..

Limpinho. Limpinho.

Peguei no cão.

Veterinário.

Perdi 10 anos de vida. Com a preocupação. Mas chegámos a tempo.

Este Vasco. É um cão.

Com 7 vidas como os gatos...

 

 

 

Joana Marques

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