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Quiosque da Joana

17.04.18

nas bocas do mundo...#24

Joana Marques

Escrevi neste post que a Alice tinha recebido uma Minnie quando foi a casa dos pais do Pedro.

Ontem a Bruxa Mimi, questionou-me se seria igual à da Magia.

A da Alice.

É esta.

Ou melhor é igual a esta.

 

minnie.jpg

 

A foto é daqui.

Porque a Minnie da Alice encontra-se em parte incerta.

Aqui em casa não encontro.

No meu carro também não.

Existem 4 cenários possíveis:

1- Está em casa dos meus pais.

2- Está no carro do Pedro.

3- A Alice pode tê-la perdido. E eu não ter dado conta.

4- O cão. Esse querido. Pode ter posto a pata na Minnie. Olhado para a esquerda:

- Ninguém está a ver.

Olhado para a direita.

- Lá lá lá lá lá....

E era uma vez uma Minnie. No ano passado comeu o presente de aniversário.

 

Este ano, antecipou-se. Antes que seja tarde demais...

Comeu a Minnie.

 

Só suposições. Só suposições.

Vamos ver se a Minnie dá sinal de vida nos próximos dias...

Vou estar atenta.

Aos cocós....

13.04.18

será que tem a ver? Claro que tem a ver!

Joana Marques

Vasco. Esse grande querido.

Pede-me todos os dias comida. Primeiro com jeitinho.

- Joana, dá-me esse bifinho de peru. Que tens aí no prato. Dá-lá! Dá-lá! Please, please.  

Ignoro.

 

Continua. Mas...

...Vasco. Endurece o discurso.

-Se não me dás esse bifinho de peru, vou fazer um escarcéu. Que se vai ouvir na lua.

Ignoro.

 

Cumpre, o prometido. E inicia uma sessão de choro, uivo e descabelamento.

- Vês. Vês! O que eu consigo fazer??? Dás ou não dás o bifinho de peru??

 

Levanto-me ponho ração na tigela dele.

Cheira. Come qualquer coisa. E volta a cobiçar o bifinho de peru.

E eu. Para acabar com o meu sofrimento. Como sofregamente o almoço ou o jantar. Um stress!

 

 

Vasco. Esse grande querido.

Hoje.

Mudou de tática.

Pedro! Dá-me o bifinho de peru que tens no prato! Dá-lá! Dá-lá! Please, please. 

E o Pedro. Bonzinho.

Um coração de manteiga.

Derretida.

 

Deu.

05.04.18

com o rei na barriga...

Joana Marques

Cheguei com o Pedro a Lisboa.

Enviei uma mensagem ao meu pai a dizer que tinha chegado bem.

Recebi a resposta:

- Não precisas de vir já. A Alice está a dormir e o Vasco aguenta mais um tempo. Aproveita.

Lembrei-me que o meu pai lê o blog. E por isso sabe de tudo.

Deixei o Pedro em casa. E fiquei por lá mais uma hora.

À despedida apeteceu-me começar aos gritos...

- Arranquem-me o coração mas não me tirem o homem...

 

Deixei-me de coisas. E rumei até ao Estoril.

Estava a estacionar o carro ao cimo da rua. Já ouvia um cão. A ladrar. A fazer barulho. A descabelar-se.

A perturbar o sossego de uma rua pacata e familiar.

- Arranquem-me o coração mas deixem-me ir ter com a Joana!

 

Mal dei conta tinha o cão ao colo. Com coração e tudo. Ele e eu.

O meu pai abraçou-me e disse-me ao ouvido.

- Estou muito feliz por ti.

Com o fogo de artificio todo. A Alice acordou.

À euforia do cão. Juntou-se a euforia da Alice.

Dei o almoço à Alice.

Almocei lá em casa dos meus pais.

 

E depois.

Peguei nos dois. E chegamos a casa.

Um dia lindo. Um céu maravilhoso. Está calor.

Abri todas as janelas. Para a luz entrar.

Sentei a Alice na cadeirinha da cozinha.

Está tão feliz. E tão acordada. Parece-me que hoje não há sesta para ninguém.

 

De repente, entrou pela varanda um abelhão. Daqueles que faz um senhor zumbido.

O Vasco ficou deslumbrado.

Se fosse uma aranha tinha cortado os seus pulsos peludos.

Como é um abelhão. Ficou ainda mais eufórico.

A Alice olhou para o abelhão. Ouviu o zumbido. Deve ter achado que era um desenho animado.

A abelha Maia na cozinha.

Apontava para o abelhão enquanto se ria. Batia palmas. E quase deitou a cadeira abaixo.

- Viva o abelhão! E todos os abelhões do mundo.

 

O Vasco voou de uma ponta da cozinha à outra.

E numa ginástica só vista em Cristiano Ronaldo.

Abriu a boca.

Atirou-se.

E almoçou o abelhão.

 

Tenho a certeza que ouvi o abelhão e o seu zumbido.

Goela abaixo.

Mesmo antes de mergulhar no suco gástrico do estômago do cão.

Se aquele estômago consegue digerir aros de soutiens. Um abelhão é um passeio no parque. Ou no estômago!

 

A Alice bem olhou para ver se via o abelhão. Ria-se tanto. Tive medo que deixasse de respirar.

Vasco, é um comedor profissional. Leva muito a sério o seu ofício.

Uma vez engolido nada mais será aparecido.

 

A gata olhou para nós com um ar de virgem ofendida.

E eu.

Ainda me dói o corpo todo. Tal foi o contorcionamento. Provocado pelo riso.

 

Aqui em casa. Os dias são muito leves. Como algodão.

Às vezes juntamos-lhe açúcar. Mais do que a conta. Não fica enjoativo. Mas....

.....descompensamos. Todos juntos. Assim, um bocadinho...

 

O Pedro está a chegar. Para se juntar à fábrica de algodão doce.

Logo hoje.

Que o cão está com o rei na barriga.

 

30.03.18

feita num oito. Ou num oitenta...

Joana Marques

Esta pausa. Começou mal.

Tinha planeado seguir para o Alentejo depois do jantar da Alice. Com esperança que dormisse durante a viagem.

Chegava. Pegava nela. E deitava-a na cama. E no dia seguinte.

Sorri, Alice: estás no Alentejo.

 

Toda eu estava um tumulto. O Pedro. O Pedro. E o Pedro.

E as saudades. E o Pedro. E mais o Pedro.

Só o vou ver daqui a uma eternidade e meia. E tenho saudades. E o Pedro.

Só que...

....eu tenho um cão. Que é protagonista na minha vida.

E sempre que eu ando a pensar demais. Sobre alguma coisa. Ele faz questão de me dizer.

- Eu é que sou o presidente da junta. Olha, para mim....aqui...a fazer birra.

O Vasco firme. Ao lado do vaso das flores. Sem se mexer. Num local quase inacessível.

Eu à espera, a tentar dissuadi-lo.

 

Ligou-me uma amiga a perguntar se tinha chegado bem ao Alentejo.

- Ainda não cheguei.

Contei-lhe a birra do cão.

- Não vás hoje. Os cães têm um sexto sentido e o Vasco deve estar a pressentir alguma coisa.

- Está! A pressentir que algo se passa na minha cabeça.

Desliguei o telefone. E mostrei-lhe quem é que manda.

Abri o carro.

Arrastei-o.

Peguei-lhe ao colo. Atirei-o lá para dentro.

Coloquei-lhe a trela que o agarra ao banco. E rosnei-lhe ao ouvido..

- Caladinho, ó rafeiro...

 

Peguei na Alice. Coloquei-a na cadeirinha.

E...

Entrei eu.

Mal iniciámos a viagem. O Vasco ia em pranto.

Chorava. Uivava. Ladrava em sofrimento.

A Alice que até se porta bem em viagem. Começou a chorar.

A gata, dentro da caixa miava. Muito alto.

Tanto uma como outra, devem ter pensado que ia deixa-los, aos três, num canil.

Pior. Num matadouro.

Não entrei na marginal.

Parei o carro onde consegui. Para socorrer as vitimas.

Tirei a  Alice do carro. Dei colo. Parou de chorar. Ficou mais tranquila.

O cão continuava em pranto.

Pedi a uma entidade qualquer que me desse força. Me permitisse engolir o sapo. E dar a outra face.

Fui acarinhar o cão.

Pior...a emenda que o soneto.

- Ai que eu sou um desgraçado. Ai que ninguém me liga. Tive o azar de nascer rafeiro e toda a gente me trata mal...

Desisti.

A Alice recomeçou a chorar passado pouco tempo. A gata miava. O cão encomendava a alma ao criador.

Parei na Parede.

Parei em Caxias.

E desisti de parar.

- Chorem. Façam favor....chorem....

 

Ia na ponte. O meu telemóvel tocou. Estava dentro da mala.

Quando consegui encostar. Vi que tinha sido o Pedro. Liguei-lhe.

Uma grande chinfrineira no carro.

O homem deve ter pensado que estava a ligar-lhe do inferno...

- Liguei só para saber se tinhas chegado bem.

- Vou a caminho.

- Hummmmmm. Onde é que estás. Não te estou a ouvir bem...

- Bem vindo à minha vida...

Despedi-me e segui caminho.

Perto de Vendas Novas. O cão deu-me uma lambidela na cara. Riu-se para mim.

A Alice adormeceu.

A gata continuou a miar. O cão ficou estarrecido com tal audácia. E respondeu-lhe.

E ela a ele.

E ele a ela.

E ela a ele.

E ele a ela.

 

Cheguei feita num oito. Ou num oitenta...nem sei bem.

 

 

29.03.18

daqui não saio. Daqui ninguém me tira

Joana Marques

Cheguei a casa. E como de costume tinha alguém na minha cama.

O Vasco.

Ainda lá fui perguntar se queria ir à rua. Nem me respondeu.

Nitidamente de mau humor por ter sido importunado. Virou-se para o outro lado. E tapou-se com a orelha.

 

Despachei isto e aquilo.

Fui buscar a minha Alice. Esperei até ela acordar.

Quando chegámos, o cão continuava a dormir.

Dei o lanche à Alice.

Arrumei as ultimas coisas. E comecei a pôr tudo dentro do carro.

Bem chamei.

- Vasco. Vasco.

Nada.

Continuei a minha vida. Ultimas coisas a fazer.

A Julieta dentro da caixa. Vai connosco.

 

E o Vasco?

Fui ao quarto acorda-lo. Não gostou da minha iniciativa.

Mexeu o corpo meio centímetro e continuou a dormir.

Puxei-o. Chamei-o. Barafustei com ele. Nada.

 

Comecei a achar que podia estar doente.

Frango assado. Toca de descongelar frango assado.

Em meio segundo tinha o Vasco na cozinha. Não estava doente, coisa nenhuma.

Aos pinotes. Cara a cara com o micro-ondas.

Antes de lhe dar o frango. Vi se estava muito quente. E depois lá lhe dei o frango.

Abri a porta de casa e chamei-o. Para o arrumar dentro do carro.

Nada.

Ora, atrás de um vaso. Ora ao lado do vaso.

Assim está o Vasco.

 

A gata, na caixa, dentro do carro. À espera.

A Alice na cadeirinha da cozinha, à espera, de sua excelência.

Eu à espera.

E o Vasco.

- Não quero ir. Não me apetece. Daqui não saio. Daqui ninguém me tira!!

vascop.jpg

 

 

26.03.18

nós. A conversar...

Joana Marques

A minha Carlota faz anos.

É um dia especial para nós.

Não só pelo aniversário. Mas sobretudo por estarmos todos juntos de novo.

O meu irmão está a morar na Noruega. E vieram cá passar a Páscoa.

O dia foi passado em casa dos meus pais.

De manhã fiz o bolo de aniversário da Carlota. Chocolate. Por cima pasta de açúcar e gomas.

Um dia não são dias. E só come quem quer.

Eu, por exemplo vou abdicar da pasta de açúcar e das gomas. Só como o bolo. Bolo.

 

Depois do bolo feito.

A Alice acordou da sesta da manhã. Ainda brincámos.

Conheceu os primos que nunca tinha visto. Tanto beijinho que ela atirou.

Andaram com ela ao colo. Deram-lhe o almoço.

Acabou por adormecer mais cedo e tudo. Tanta brincadeira deixou-a exausta.

Aproveitei que estava a dormir e fui às compras.

Apeteceu-me fazer uma tarte de maçã. Para a festa de logo à noite.

E uma mousse de chocolate. Com abacate.

Shiuuuu! Ninguém sabe que tem abacate. E toda a gente vai gostar da mousse.

 

O Vasco quis acompanhar-me. Muita criançada em casa.

Muito tempo a sorrir e a ser simpático.

Um cão precisa de descanso!

Como ele foi. Peguei no carro. Se fosse sozinha tinha ido a pé. Não é muito longe o supermercado.

Deixei-o no carro.

No supermercado encontrei uma vizinha dos meus pais.

E ofereci-lhe boleia.

Deve ter a idade dos meus pais. Mais ou menos.

- Se me dás boleia vou aproveitar e levo mais umas coisas.

Assim foi.

Eu tinha menos compras. Despachei-me. E fiquei à espera.

 

O Vasco. Nunca cedeu o lugar da frente!

Eu a conduzir. O Vasco ao meu lado. E a senhora atrás.

Lindo.

 

A rua dos meus pais é longa. E tem muitos portões.

Quase toda a gente tem garagem mas durante o dia deixam os carros estacionados cá fora. É mais prático.

Encontrar estacionamento na rua. É como encontrar uma agulha num palheiro.

Olhei para ver se via algum lugar.

Estacionei. Logo que encontrei um lugar.

- Vou deixar o carro aqui. Se quiser ajudo-a com as compras.

Disse que não. Que conseguia levar tudo.

Mesmo assim, agarrei num saco da senhora e fui com ela até casa dela.

 

Lado esquerdo: às costas levava as minhas compras (naqueles sacos grandes do hipermercado), na mão o saco de plástico com as compras da senhora.

Lado direito: trela do Vasco.

 

O Vasco ia entre nós as duas.

Nós, a conversar.

 

O Vasco a andar como um cão civilizado.

Nós, a conversar.

 

O Vasco extremamente bem comportado.

Nós, a conversar.

 

O Vasco a comer o presunto. O bacon. E o fiambre. Do saco da senhora.

Nós, a conversar.

 

 

17.03.18

convidou-me para um café. Só que...

Joana Marques

Não sei se conhecem...

...a praia do Magoito em Sintra.

Adoro. É uma das praias da minha vida.

É a minha praia de Inverno.

Quando tinha namorado era rara a semana que não passávamos por lá. 

Exceto no verão que tinha e tem demasiada humanidade...

Deixei de ter namorado. Mas passei a ter o Vasco.

Continuei a visitar a praia.

Não de forma tão frequente.

Mas ainda assim, muitas vezes.

Para chegarmos à praia podemos ir por um passadiço de madeira.

Escorregadio quando chove. Que faz as delícias do Vasco.

As patas derrapam e ele gosta. Cada maluco com a sua mania.

 

Se estivessem pessoas na praia não o faria mas como no inverno só lá aparecem dois ou três gatos pingados, costumo soltar o Vasco.

Adora.

Corre que nem um doido.

Uma alegria só vista...e que deve mesmo ser vista. E apreciada.

 

Hoje. Esteve um dia miserável.

Mesmo miserável.

De manhã choveu que se fartou.

Nem deu para sair com a Alice um bocadinho.

Ficámos aqui à porta a ver o Vasco fazer xixi e cocó.

Saí da entrada do prédio #rumoàapanhadecocós.

E toca de entrar em casa.

 

Pensei em fazer o mesmo à tarde.

Mas...

A minha religião não me permite. Ficar um dia fechada em casa.

E depois de ter estado a tricotar e a ver televisão. Enquanto a Alice dormia a sesta.

Comecei a magicar onde poderia ir quando ela acordasse.

Magoito. Pois, claro!

Peguei na Alice. Peguei no cão. E aí fomos nós.

Estacionei o carro.

Saímos. Os três.

Alice no carrinho.

Passadiço de madeira.

Vasco louco de alegria.

Corria. Saía do passadiço.

Entrava no passadiço.

Saía do passadiço. E aparecia com um pau na boca.

Escorregava no passadiço.

Ficava feliz por ter escorregado no passadiço.

Ladrava de felicidade.

Enfim, Vasco no seu melhor.

 

Chegamos à praia.

O Vasco. O espaçoso. A praia era dele.

Corria. Saltava. ladrava.

Bebia água do mar. Não sei porquê mas adora beber água do mar...

Eu com a Alice ao colo. A assistirmos a este espetáculo.

"Vasquito vai à praia"

A Alice ria que nem uma perdida. Apontava. Atirava beijinhos. E dizia adeus.

Em resumo. Todas as graças que já sabe fazer.

 

Dez minutos passados. E apareceu um senhor na praia com um cão.

Também solto.

- Aquele cão é seu?

- Sim, é.

Como o Vasco estava num dia de exuberância extrema achei que me ia pedir para o prender. Mas não..

- Gosto imenso de vir para aqui com a Tekas (a cadela). Faz-lhe bem andar livremente.

Quando percebi que era uma cadela. Tive medo.

E se ele profana a cadela? OMG!

 

Não...

O Vasco nem olhou para a cadela.

O Vasco não sabe que é um cão...está-se nas tintas para os da espécie dele.

Os olhos do Vasco concentraram-se num e num só alvo.

O dono da Tekas.

Devia ser mais ou menos da minha idade.

Tinha muito bom aspeto.

Era simpático.

Convidou-me para um café. Que não aconteceu.

Chamava-se Duarte.

Chamava-se e chama-se. O Vasco não o matou.

Só lhe vomitou os sapatos. 

 

 

12.03.18

para que queres uma boca tão grande?

Joana Marques

Desde que sou gente que ouço a minha mãe dizer que não se fazem compras à segunda-feira.

Não há nada. Foi tudo no fim de semana. E tudo o que se encontra são restos.

Discordo.

Antigamente, talvez.

Atualmente, é só o melhor dia para fazer compras.

E às 9h05m estava a entrar no Continente do Cascais Shopping.

Ninguém. Ou quase ninguém.

 

Tinha deixado a Alice nos meus pais. O Vasco aproveitou a boleia. Mas não quis ficar.

Deixei-o no carro enquanto fiz as compras.

Sou muito rápida. A fazer compras.

Sei muito bem o que quero e o que preciso. E não precisava de muita coisa.

Já escrevi sobre isto e sobre o meu método.

Comprar os frescos e seguir para casa. E mergulhar-me no trabalho. Era o que tinha planeado. E foi o que fiz.

 

Peguei num carrinho.

E fui direta para a secção dos verdes. Verdinhos.

Uma imensidão de opções para 4 ou 5 pessoas que ali vagueavam.

Senti alguém atrás de mim.

Um homem. Na casa dos 40. Com um ar meio alienado.

Ainda a semana passada um homem se meteu comigo na secção dos congelados...e eu mandei-o dar uma curva...

...este parecia diferente.

Suspirou. Respirou. E perguntou...

- Peço desculpa pela ousadia, mas.....

- Diga...

- Amanhã é o dia da sopa na escola da minha filha. É suposto cada uma das crianças levar uma sopa. Não sei fazer sopa.

- E a sua mulher?

- A mãe da Catarina passou-me a batata quente. Estamos divorciados. Chamo-me João.

- Joana.

- O que é que eu compro?

- De que cor quer a sopa?

-

- Pode querer uma cor verde. Ou laranja. Ou amarela. Ou de uma cor exótica....

- De uma cor exótica?

- Sim, basta colocar-lhe uma batata doce roxa e a sopa fica a gritar Ibiza por todos os lados......

- Acho que vou pelo laranja. Parece-me mais seguro.

 

- Para ficar garantidamente saborosa. Coza frango, preferencialmente com osso.

Se quiser ainda mais saborosa junte um pouco de peito de borrego.

Deixe-a arrefecer.

Tire a gordura que se junta em cima. Deve coar o caldo. Não há nada mais deprimente que uma sopa com bocadinhos de osso. Coloque numa panela 3 a 4 dedos de caldo.

Pouco.

Ou fica muito liquida.

Guarde o caldo que sobrar no congelador e para a próxima já tem meio caminho feito.

Tem muitas opções. Pode colocar a parte branca da couve flor, cebola. Cabeça de nabo. Abóbora e batata doce laranja ou amarela.

Já faz uma sopa boa.

- Cabeça de nabo?

- Na sopa não se vai notar o sabor e faz muito bem...é um bom anti-inflamatório, tem muito ácido fólico. João, sabe o que é uma varinha mágica?

- Claro que sei, o que é...

- Depois de tudo cozido. Pegue na varinha mágica e transforme tudo em puré. Se for para crianças comerem é capaz de ser melhor.

 

Ficou meio atarantado.

- Espere um momento deixe-me anotar. O melhor é começar já a pôr tudo nos sacos. Tenho de ir à Worten. Tenho de ir à Worten...comprar uma varinha mágica.

 

O senhor ficou encaminhado. E eu segui o meu caminho, também.

Ainda passei pelas farinhas. E fraldas.

 

Paguei.

E fui para o parque de estacionamento. Estava a arrumar as compras.

O Vasco em êxtase.

Quando ouço.

- Joana. Joana.

Era o João da sopa.

- Acho que não lhe agradeci o suficiente.

E, deu-me um ramo de flores.

Daqueles simples. Nada de especial.

Agradeci.

Ficou um silêncio meio parvo. Fui salva pelo Vasco, claro.

- Que cão tão giro!

 

Abri a porta para o João lhe fazer uma festa.

- Chama-se Vasco. Disse eu.

 

E nisto o Vasco. Abriu a boca.

E comeu as flores.

 

 

11.03.18

nem quero pensar quando chegar ao J. De Joana.

Joana Marques

Félix chegou por volta das duas da manhã.

Se calhar até chegou antes, mas não dei conta.

Dormia eu profundamente. Acordei com o choro da Alice.

Dorme bem, 99% das noites. E por isso levantei-me de repente. Aquela semana negra ainda está muito presente.

Mal saí da cama.

Alguém, a ocupou. Devia estar lá pelo quarto sem eu dar conta. Vasco entrou de rompante na zona J.

Parece-me que se eu começar a dormir no estendal da roupa......também vai querer experimentar...

 

Estava a chover torrencialmente e a Alice deve-se ter assustado com a chuva.

Tirei-a da cama. Aconcheguei-a ao meu colo. Dei-lhe miminhos.

Quase três da manhã.

Começou a fechar os olhos. Começou a adormecer lentamente.

 

Entrou de rompante no quarto da Alice. O Vasco, com a trela na boca.

Não queria acreditar.

- 3 da manhã, Vasco. 3 da manhã!

Embrulhei a Alice. Não a quis deixar sozinha.

Fui ao meu quarto vestir o roupão. A minha cama estava ocupada pela Julieta.

 

Com a Alice ao meu colo. Soltei o Vasco no jardim do condomínio. Já a pressentir o pior.

Sem trela. Ia-se sujar. Todo.

Fiquei à entrada do prédio. Chovia. E fazia vento.

O Vasco lá foi à vida dele.

Foi rápido. Mas em vez de aparecer em tons dourados...apareceu em tons lama, 2018. De fazer inveja aos Pantone da vida...

Mal chegou perto de nós. Sacudiu-se todo. Apanhei eu, também. Tudo o que tinha direito.

Com a Alice ao colo não consegui limpar-lhe as patas, sequer. Entrou naqueles preparos no prédio.

Mais uma vez. Sacudiu-se todo.

A entrada do prédio. Fica com. Lama nas paredes. Lama nas caixas do correio. Pegadas de lama no chão.

Cheguei a casa. A correr fechei todas as portas. Antes que o cão se deitasse no sofá..ou na minha cama.

Deitei a Alice.

E dediquei-me ao cão.

Banheira. Banho.

Quase quatro da manhã.

O cão limpo e cheiroso. Expulsou a Julieta da zona J. Deitou-se e adormeceu.

A minha cama parecia o triângulo das bermudas.

Tem qualquer coisa de magnético.......que nos faz querer desaparecer do mapa.

 

Enchi um balde. Detergente. Esfregona. Paninho.

Quando olhei para a entrada do prédio.

Toca de limpar tudo. No mais absoluto silêncio. Não eram horas de fazer barulho.

Limpei o chão. As paredes. As caixas do correio. Deixei a porta de casa aberta para poder ouvir a Alice caso acordasse.

Às cinco da manhã tinha tudo num brinco.

Expulsei o cão da zona J.

Deitei-me.

Às 5h30. Fui acordada pelo despertador.

Toca a levantar. Que as manhã são tudo de bom...

Tomei banho. E vesti-me.

Saí a correr de casa e passei a pente fino o jardim do condomínio.

Lá encontrei o cocó do cão.

Sou uma pessoa tão triste que consegue reconhecer os cocós do seu prório cão....

Voltei para casa em paz. E com vontade de aproveitar o Domingo...calmamente.

Tenho quase 40 anos...idade para sopas, descanso e caldos de galinha...

 

F. De Félix...

Nem quero pensar quando chegarmos ao J. De Joana...

 

 

02.03.18

big brother is watching you...

Joana Marques

O Vasco não faz a mínima ideia de que é um cão.

Nunca ninguém lhe disse:

- Vasco, és um cão.

 

Adotei-o com dias de vida. Meio morto.

Nos primeiros dias alimentei-o com uma seringa. Gotinhas pequeninas de leite.

E massajava-lhe a barriga.

Nunca teve uma mãe cadela que o tratasse como um cão.

Só uma mãe Joana que o tratou da melhor forma que arranjou. Sendo que essa forma pode ter falhado.

Aliás, falhou mesmo!

Mãe Joana fez dele um cão a achar que é o último copo de água no deserto. A última bolacha do pacote.

O macho alfa. O rei cá de casa. O Vasco.

Nós obedecemos.

Vasco no comando. Todos os segundos.

 

Vasco. É um ser assoberbado com as responsabilidades que a vida lhe deu.

É um despertador eficaz. Um dorminhoco eficiente. Um entertainer espetacular.

Vasco não perde tempo com miudezas.

Não reage aos outros cães. Porque ele é um soberano. E um soberano não olha cá para baixo.

Um bom soberano olha, claro! Mas Vasco é um ditador. E por isso, não se dobra a qualquer canito que lhe apareça pela frente.

Vasco leva à loucura os outros cães. Que se esforçam ladrando efusivamente. Por um grama de atenção.

Vasco não quer saber. Ele é mais frango assado e uma sesta de duas horas a seguir.

 

Vasco, tem um bom coração. E, segundo as suas regras, deixa entrar no seu reino outros seres.

Considera-os inofensivos.

Aranhas. Não! Cabras. Também não! Pássaros nem pensar!

Gatos, pode ser.

E assim, entrou Julieta.

Para o Vasco.

- Pffffffffffff. Quero lá saber disso. Eu sou o rei da republica das bananas, mangas e frango assado.

Mas.....

...quando pões um estranho cá em casa. Convém ficar de olho.

E se esse estranho passa, mesmo não querendo a coisa, perto da tua tigela. Vinte olhos não chegam.

Para o Vasco basta um.

Como sabem. Anda cheio de trabalho. E pôr os dois olhos num ser inferior. É demasiado. Quanto mais vinte.

Um basta.

Dá para controlar o passado. O presente. E o futuro da gata. E ainda sobra para...

...deixa cá ver o que é o jantar...

vasco12 (3).jpg

É assim, o Vasco por estes dias. 

Um olho bem aberto. Não vá a gata. Essa estranha. Matar-nos a todos durante o sono.

 

 

Joana Marques

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