Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quiosque da Joana

17.07.18

a galinha choca...

Joana Marques

Profissionalmente, falando.

Ando atrasada em relação à planificação que fiz quando comecei a trabalhar em casa.

Depois daquela tragédia toda que foi a perna partida. A varicela. E o caneco...

Tinha tudo planificado.

Hoje faço isto. Amanhã faço aquilo. O projeto que tinha era propício a trabalho moderado.

Tinha a Alice. Sabia que lhe queria dar atenção. O projeto que tinha era o ideal. Tudo andava sobre rodas.

Eis se não quando me batem à porta novos projetos.

Conheci o Pedro.

O Pedro veio morar cá para casa. Inicialmente em Cascais.

Fizemos a mudança dele para Cascais.

Começámos a compor a casa de Carcavelos conforme ia ficando pronta.

Aproveitámos os meus móveis. Os do Pedro. E fomos mobilando a casa dessa forma.

E assentou tudo que nem uma luva.

Fiz o quarto da Alice. 

Depois mudámos para Carcavelos.

Fizemos a minha mudança de Cascais para Carcavelos. A da Alice. A do Pedro. A do Vasco.

Ainda passamos pela casa do Pedro outra vez. Faltava revolver as entranhas para ver se ainda aproveitávamos alguma coisa.

E sim. Aproveitámos.

 

Depois deste incidente.

E de eu ter expulsado o Pedro do escritório, para outra divisão.

- Ou ele ou eu!

Parece-me que ele escolheu o Elias! 

Acabámos por decidir que o escritório era para os dois.

Precisávamos de uma estante para o escritório.

Já tínhamos arrumado muita coisa.

Mas, só os livros do homem sobre partes do corpo humano ocupam uma imensa área do concelho de Cascais.

Quase pedi a casa do senhor Ludovino emprestada.

 

Tinha ficado para depois da lua de mel.

A lua de mel já passou. Com muita pena minha...

E por isso estava na hora.

- Não passa de sábado!

Disse eu ao Pedro.

Sábado de manhã, lá foi ele ao Ikea com o meu pai e com a Alice.

Eu não fui. Porque precisava mesmo de despachar trabalho.

A Alice foi. Porque precisava mesmo, mesmo de despachar trabalho.

 

O meu pai chegou. O Pedro já estava pronto. E a Alice também.

Desci cá abaixo. Para me despedir da minha bebé. Sem comentários.

Coloquei-a na cadeirinha. Dei beijinhos. Despedi-me do meu pai e do Pedro. E fiquei com uma lágrima no olho.

Não é por estar grávida. Sou mesmo assim...

 

Estava eu a trabalhar como nunca ninguém trabalhou na vida.

O meu telemóvel deu sinal de vida.

Uma mensagem.

Vejo a mensagem.

Estava a Alice sentada num carrinho do Ikea em cima de uma caixa. (a caixa da estante)

A miúda estava tão feliz...é só a melhor foto de sempre dela!

Mas os meus olhos.....

- Pedro, a Alice está descalça!

Dois minutos de silêncio. E recebo outra mensagem.

- Joana, a Alice está descalça..

- Eu sei! Fui eu que te disse! Quando ela chegou aí estava calçada? Tens ideia onde é que ela os perdeu?

- Acho que ela tinha sapatos quando a tirei do carro mas não tenho a certeza. Acho que não reparei nisso..

Passados uns minutos. Recebo esta mensagem.

- Olha o teu pai diz que acha que ela estava calçada quando a tirámos do carro.

- Deve ter perdido os sapatos aí pela loja. Deixa estar. Não vão andar feitos parvos à procura. 

Mais um compasso de espera.

- O teu pai também diz que não tem a certeza. Se calhar estão no carro. De que cor eram?

- São os ténis brancos que os teus pais lhe deram.

Passados 15 minutos.

- Não estão no carro. Tens a certeza que ela saiu de casa calçada?

- Tenho a certeza que lhe calcei os ténis de manhã. Se saiu de casa ou não com eles....sou mesmo uma desgraça. Vou dar uma vista de olhos para ver se avisto os ténis.

 

Procurei em todo o lado nada!

Estavam para sempre perdidos.

- Não encontrei nada. Não posso querer que deixei a Alice sair de casa sem sapatos. 

- Deixa lá. Não viste tu. Não vi eu. Acontece. Somos pais mas ainda somos estagiários. Daqui a 10 anos, vais ver! Saem todos calçados de casa.

Ri-me.

Continuei a trabalhar.

A finalizar o que estava a fazer. 

A Alice e o Pedro já vinham a caminho. 

 

De repente. Olho para o cão.

Estava deitadinho na sua cama. No escritório. E não saía dali.

Estranho.

Andei pela casa toda. Procurei os ténis. E nada. Nunca deu o ar de sua graça.

A cabeça dele girava conforme eu me deslocava mas nunca se levantou.

Tinha um ar vitorioso. Mas ao mesmo tempo abnegado.

Um ar feliz. E bondoso ao mesmo tempo. Os olhos cheios de amor...

Ah! Ah! 

Vasco.

Nem parecia um cão.

Antes uma galinha choca.

A chocar ovinhos. Em forma de ténis.

Estavam lá. Os dois. Quentinhos, quentinhos...que o frio pode dar cabo de uma criação inteira de ténis...

 

Este cão não pode ver nada....

Engravidou à sua própria maneira...aguardem, daqui a 15 dias eclodem ténis novos....

 

 

Há um ano atrás!

Estive no delito de opinião.

 

Instagram

Facebook

handmade life

Bloglovin

26.06.18

mistério resolvido!

Joana Marques

Continuamos no Alentejo.

A saborear a vida boa.

Desde que fiquei com a casa e com o terreno à volta decidi aproveitar a terra.

Ainda antes de conhecer o Pedro já eu andava a investigar, a perguntar e a tentar aprender algo que me permitisse rentabilizar (minimamente) a terra.

 

Quem foram as primeiras vitimas?

As cenouras.

Comprei sementes de cenoura. Passei cá um fim de semana. Espalhei as sementes.

E quando voltei. Quase enfartei.

Nasceu tudo o que havia para nascer e tudo o que não devia ter nascido.

Tinha a Amazónia dentro de portas. Sem a diversidade da Amazónia. Só cenouras mesmo.

Nem tudo foi mau.

Passei um dia a desbastar as cenouras. Para que as que ficassem, crescessem como deve ser.

Trouxe para Cascais. Um carro. Cheio de cenouras. Mini cenouras. E muita rama...muita, muita rama.

Deu-me um trabalho descomunal a tirar a rama. A lavar as cenouras. E a cozinha-las.

Mas....

....o sabor das cenouras compensou tudo.

Pelo cheiro já tinha percebido que eram diferentes das que se compram.

O sabor. Enfim....do outro mundo. Eram pequeninas...mas espetaculares.

1 (3) (8).JPG

A Alice adorou. 

Guardei as cenouras no frigorífico e ia-lhe dando ao lanche.

A rama usei em sopa e em omeletes.

Fiquei animada. A minha alma de agricultora veio ao de cima.

E nunca mais ninguém me parou....

...brócolos. Courgettes. Cebolas. Couves. Alfaces. Tomate. 

Neste momento a minha horta está bem composta.

Arranjei uma rega automática, que é uma maravilha.

A minha horta só não é biológica porque aqui à volta as pessoas usam pesticidas. E adubos.

Eu não uso nada disso. Pelo menos por agora, até porque não domino esse mundo.

Dá-me um gozo fenomenal fazer salada e ir buscar à horta. Em vez de ir ao supermercado.

 

No domingo, os pais do Pedro e os meus vieram cá almoçar.

Pedi ao Pedro para ir à horta apanhar algumas coisas que precisava. Eu estava com a Alice num dia em que só queria a mamã, a mamã e a mamã....

Passei-lhe um balde para as mãos e uma cestinha. Já começámos a ter figos maduros e queria fazer alguma coisa com eles.

Adoro figos.

 

Pedro. Esse grande querido. Foi.

Apanhou o que tinha a apanhar na horta pôs tudo dentro do balde. E foi ter com as figueiras.

Deixou o balde e pegou na cesta.

Apanhou os figos mais maduros da primeira figueira.

E voltou ao balde. Deixou os figos no balde. Pegou na cesta. E foi até outra figueira.

Quando voltou. Achou que o balde tinha menos figos do que aqueles que ele tinha deixado.

E pensou...

- Estou mesmo de férias. Ia jurar que os figos estão a desaparecer. 

Deve ter pensado seriamente na vidinha dele. 
Quando voltar a trabalhar.

E tiver um doente. Com os rins a céu aberto. E se não der conta do recado? E se os rins desaparecerem como os figos??

 

Mas....

....foi à vida dele. Deixou os figos no balde. Pegou na cesta. E foi apanhar mais figos.

 

Voltou ao balde. Olhou lá para dentro. Estranho.

Desta vez tinha a certeza.

Os figos não estavam todos.

Olhou para todos os lados.

Não viu nada, nem ninguém. Não ouviu nada, nem ninguém.

- Muito engraçadinha, Joana. Podes aparecer, já sei que és tu!

Disse o Pedro para o meio do nada.

Não era eu. 

Sim. O meu marido. Oito dias depois de ter casado com ele. Achou que eu o andava a roubar.

Sim, senhor! Pedro......

 

Entretanto em casa.

Joana e Alice. Alice e Joana.

Comecei a achar que o homem estava a demorar muito.

Na minha cabeça todos os filmes.

- O homem tropeçou na rega automática e está esticadinho no meio das abóboras.

- O homem abeirou-se no poço e está esticadinho e a flutuar dentro do poço.

- O homem achou que era um alpinista decidiu trepar a uma figueira e claro...está esticadinho no meio do nada.

- O homem experimentou comer um figo. Engasgou-se. E?? Adivinhem...claro! Está esticadinho, sufocado e enfim....

Fui à procura dele.

A Alice foi comigo.

Fui dar com o homem, ajoelhado, a olhar, ora para o horizonte. Ora para o balde. Ora para o além.

Com mil Slimanis. Será que o homem é muçulmano e chegou aquela hora de fazer as suas orações em direção a Meca?

Não. O homem tentava descobrir o mistério do sumiço dos figos.

 

- Vasco!

Chamei-o.

Em dois segundos tinha o sacripanta ao pé de mim.

Muito bem disposto. O cão mais feliz do mundo....

Abri-lhe a boca.

E lá dentro. A prova. Os vestígios. 

Mistério resolvido! Por Joana Marques....

 

21.06.18

Pedro, bem-vindo à minha família!

Joana Marques

O dia do casamento passou a correr. Quase não dei conta.

Tenho uma ideia que casei mas parece um sonho qualquer que tive durante a noite.

Terminou, domingo, pelas duas e tal da manhã.

 

Foi à hora que eu e o Pedro saímos rumo a Lisboa.

Ficámos em casa do Pedro.

Daí a umas horas estávamos a apanhar o avião para Cabo-Verde.

 

Cabo-Verde é Cabo-Verde. 

Joana e Pedro.

Pedro e Joana.

Fomos muito felizes em Cabo-Verde.

Ponderámos ficar lá para sempre.

Numa barraquinha na praia. 

Ai, o amor e uma cabana. 

Sol. Mar. E alguém para amar.

É tão boa a vida simples.

 

De Portugal as notícias eram assim assim.

Os meus pais ficaram com a Alice e com o Vasco, no Alentejo.

O meu sobrinho Pedro estava com eles.

Os exames na faculdade só começam para a semana e aproveitou para relaxar e sair do reboliço de Lisboa.

- A Alice fala muito na mamã, até quando está a brincar, fica tristonha mas é fácil de animar. O Vasco não...

 

O Vasco comeu que se fartou durante o casamento.

O meu pai é um alvo muito fácil. Basta um olhar do Vasco. Não é preciso ser muito esmerado. Só um olhar....

E o meu pai dá tudo....o que tem e o que não tem.

Se for preciso põe os rins no prego. 

Hipoteca os pulmões.

Vende o fígado.

E oferece-lhe o coração.

O Vasco comeu que se fartou e depois eu fui-me embora.

E o Vasco hibernou.

Primeiro foi para a minha cama.

Depois fez um ninho no sofá da salinha de cima.

Desviou as almofadas do sofá e aí ficou com uma parte das almofadas por cima dele e a tábua que divide o sofá do sofá-cama.

Os meus pais recorreram a tudo e a todos.

O meu sobrinho Pedro bem tentou.

A Alice apareceu para fazer festinhas.

O frango assado espreitou e disse:

- Olá, Vasco!

Nada resultou. O cão cheio de comida assim ficou.

 

Chegámos hoje de manhã. 

Seis e meia. Aterrámos em Lisboa.

Ainda com a pele a cheirar a sol. E o cabelo a cheirar a mar.

A inspirar corações.

A expirar corações

A respirar amor.

A saber que o que nos espera é bom. Mas com uma certa pena de deixar Cabo-Verde. E a vida a dois.

Ainda ficámos um tempo por Lisboa.

A namorar. E a passear à chuva...

A dizer um ao outro.

- Que sorte que eu tive!

 

A realidade chamou-nos e tivemos de rumar até ao Alentejo.

Fomos a viagem toda a 50 km/hora.

Chama-se fazer render o peixe.

 

E chegámos ao caminho que vai dar ao monte.

Por essa altura. Em minha casa. 

Um cão emergiu do ninho. 

Atirou as almofadas ao ar.

O sofá saiu do sitio. E bateu numa porta de vidro de um móvel. Estalou.

- Será a Joana e o Pedro?

 

Sim. Era a Joana e o Pedro.

O carro deu a curva. E em casa. Pela janela da salinha já se via o carro.

O cão disparado. Desceu as escadas.

E derrapou no chão de madeira do corredor.

O meu sobrinho abriu-lhe a porta. Mas como demorou 15 segundos.

Levou com uma rosnadela. 

Que lhe fez mirrar os rins.

- Sai da minha frente, ó miúdo...

 

O cão estava cá fora.

Socorro. O cão estava cá fora.

Deus nos acuda.

O meu pai foi até ao portão para o abrir.

E o cão não viu portão.

Não viu João.

Não viu nada.

Fez-se à estrada.

 

- Joaninha? Aquele não é o Vasco?

Á nossa frente.

Apareceu um cão. Que mais parecia um leão.

A ladrar de contentamento.

A levantar pó por todos os lados.

- É melhor parares o carro. Antes que ele se atire contra o carro.

Comecei a temer que o Vasco se atirasse ao carro e se aleijasse à séria.

Saí do carro.

E desvairado.

Atirou-se contra mim. Ficou ao meu colo.

 

Ó senhores que estão neste momento a ler o Quiosque.

Num momento...

..... uma pessoa ainda se sente em lua de mel.

Só amor.

Boa vida.

Sentimentos bonitos.

No momento seguinte tem um cão de uma tonelada e meia ao colo.....

...e tem uma sensação de calor a correr pernas abaixo. Calor e humidade ao mesmo tempo.

O homem dentro do carro a rir-se às gargalhadas.....

....eu percebi que o cão fez xixi para cima de mim.

 

O Pedro continuou e estacionou o carro.

E eu apareci ao longe. Com um cão ao colo. 

As minhas sapatilhas faziam:

Chap. Chap. Chap.

 

Vi a minha mãe. O meu pai. E o meu sobrinho. A Alice estava a dormir.

O cão saiu finalmente do meu colo.

E continuou aos pulos. Radiante da vida.

- A Joana voltou. A Joana voltou. A Joana voltou.

 

Cumprimentei como consegui a minha família. 

Estava coberta de xixi, o que tornou os cumprimentos pouco apetecíveis. Para eles...

E...

.....o Vasco quase não deixou. Sou dele e de mais ninguém...

- Ninguém toca na Joana! NINGUÉM TOCA NA JOANA! SAI DAQUI! NINGUÉM TOCA NA JOANA!

 

Depois de festas, festinhas e mais festinhas. O Vasco foi acalmando.

Nunca saiu do pé de mim.

Nunca confiando na Joana! Nunca!

 

 

Antes de entrar em casa. E correr para a banheira...

...aproveitámos para conversar e contar as novidades uns aos outros. E rir do meu banho de xixi....

O cão estava deitado em cima dos meus pés. 

O meu sobrinho tinha acordado tarde e não tinha almoçado com os meus pais.

Estava a comer um hambúrguer no pão.

E de repente....

....uma precisão que envergonha o melhor cirurgião de rins à face da terra.

O cão saltou.

Uma fração de segundos.

Um salto preciso.

Uma boca aberta na conta certa.

E era uma vez hambúrguer. E pão. E alface. E tomate.

Afastou-se ligeiramente. E comeu calmamente o repasto roubado.

Ladrão que é ladrão. Rouba naturalmente e ainda olha para os outros com um ar de:

- O que é que estão a olhar?? Eu posso! Sim?

 

Nós. Os cinco. 

De boca aberta.

Pela lata do cão.

Pela precisão.

Pela perícia.

Este cão no cirque du soleil e eu não precisava de trabalhar mais na vida.

 

 

Voltou. 

Como se nada fosse.

Olhou para mim.

E pumba....

....mais uma vez.

Sem dar conta. Sem aviso prévio tinha o cão ao colo.

Feliz, feliz por me ver.

Passou-me uma lambidela desde o nariz até à orelha.

E o Pedro veio em meu socorro.

Não devia. Mas veio....

 

Imaginem que o intestino grosso teve um filho com o intestino delgado.

O que se seguiu não foi bonito.

Toda a comida armazenada desde sábado à noite.

Viu a luz do dia.

O cão explodiu....

...os meus pais fugiram. O meu sobrinho fugiu. Eu tinha o cão ao colo. E o Pedro estava agarrado ao cão.

E como se não bastasse. O hambúrguer acabado de comer também viu a luz do dia.

Vamos lá ver.

Xixi. Rins! Andam de braço dado todos os dias...

Cocó....está muito para além do campeonato do Pedro...

Temi pelo meu casamento...

 

 

O meu pai lavou o Vasco à mangueirada.

O meu pai lavou-nos, a nós, à mangueirada. 

A roupa foi para o lixo.

Tomámos banho.

Voltámos lavadinhos, lavadinhos. Sem vestigios de explosão canina....

O Vasco também, lavadinho e cheiroso...e mais calmo. Muito mais calmo...

Nem conseguimos olhar um para outro sem chorar a rir....

O Pedro sempre teve cães em casa dos pais e nunca, nunca lhe aconteceu nada parecido.

 

Pedro,

é assim...que os Marques H. R. recebem....

Nem nos teus sonhos mais selvagens!

Imaginarias!

.......que irias passar por esta praxe!

 

Pedro,

....bem-vindo à minha família!

 

 

11.05.18

o devorador de notícias...

Joana Marques

Ontem à noite, depois de jantar, o Pedro recebeu um email.

Melhor dizendo. Tinha vários email's novos. Mas abriu só um.

Recebe os resultados das análises dos doentes de forma digital e estava à espera destas em particular.

De um doente operado na quarta-feira.

Percebeu que os valores não estavam como deviam estar. E decidiu ir ao hospital.

Chegou hoje. Pelas 6h da manhã.

Eu já estava acordada. O cão já me tinha acordado. E já se tinha deitado outra vez.

Tomei o pequeno almoço. O Pedro, completamente exausto também comeu qualquer coisa.

E foi descansar.

A Alice acordou.

Tratei dela.

E achei por bem. Tirar toda a gente de casa para o homem poder descansar como deve ser.

O cão. E a Alice.

A Alice. E o cão.

Podemos defini-los de muitas maneiras. Silenciosos. Não é uma delas.

Passeámos. À beira mar.

Brincámos.

Chegou a hora do lanche da manhã. A Alice comeu.

E adormeceu no carrinho.

 

Ainda pensei em ir para casa dos meus pais. E deitar a Alice na caminha dela.

Ou voltar para minha casa. A Alice a dormir não faz barulho. E o Vasco também não.

Mas...

....o dia estava mesmo agradável.

Tinha um livro comigo. E o meu tricot.

Sentei-me num banco de jardim. Com o carrinho da Alice ao lado. E o Vasco ao lado do carrinho.

Tirei o tricot.

E com uma vista absolutamente maravilhosa. Tricotei...como se não houvesse amanhã.

 

Um senhor. Mais ou menos da idade dos meus pais.

Perguntou-me:

- Posso-me sentar?

Disse que sim. O banco era grande e eu só ocupava uma parte pequena dele.

Sentou-se na outra ponta.

O Vasco levantou-se num segundo. E no outro esta em cima do banco sentado ao meu lado.

 

A Alice mexeu-se. Afastei a fralda que estava a tapar o carrinho. Para ver se estava tudo bem.

E o senhor.

Inclinou-se para ver a Alice.

Ouvi o Vasco.

Olhei para trás.

O Vasco estava a rosnar. Ao ouvido do senhor.

- Ele não faz mal. É só garganta...

Disse eu para o senhor. O senhor riu-se. Fez-lhe uma festa.

Abriu o jornal e começou a lê-lo.

Eu a tricotar.

E de repente. Ouço um barulho. Que não encaixava bem na situação....

.......

 

Olhei.

O Vasco estava feliz da vida a mastigar.

O Vasco estava entretido a comer o jornal.

Juro. 4 anos de Vasco. E nunca tinha percebido que este cão...era ávido por notícias.

O verdadeiro devorador de notícias.

 

A minha alma. Aparvalhada. Mais do que o costume....

Disse ao senhor que lhe pagava o jornal.

- Não se preocupe. O jornal é de ontem. Tirei-o do café perto da minha casa. Costumo ir lá devolve-lo. Parece-me que hoje não vai acontecer.

 

 

O doente do Pedro está estabilizado.

E fora de perigo.

 

28.04.18

tal pai. Tal filho...

Joana Marques

Fui acordada às 5h30. Pelo cão. Claro!

O Pedro. Deve ter percebido. E para prevenir a minha fuga...

Pôs um braço à volta da minha barriga e eu fiquei sem conseguir sair dali.

Depois de várias tentativas. Lá fui à minha vida.

Começo a sentir bicho carpinteiro e não consigo estar muito tempo sem fazer nada...

 

O cão aproveitou a folga na cama para se deitar.

- Quem foi ao ar perdeu o lugar....

Assim é o lema deste cão.

 

Comi qualquer coisa. E ...

....disse ao Pedro.

- Vou correr. Ficas com a Alice.

Ele respondeu qualquer coisa. O cão resmungou qualquer coisa...

Eu corri. 10 km. Em menos de uma hora. Um novo recorde, desde que parti a perna.

Voltei.

O cão dormia. O Pedro dormia. E a Alice dormia.

Tomei o pequeno almoço. Com toda a calma.

A Alice acordou.

Dei-lhe o pequeno almoço. E dediquei-me a ela de corpo e alma.

Vi de relance. O cão a passar para a cozinha. Fui ter com ele.

Será que queria ir dar uma volta à rua?

Não. Queria comer. Depressa. E voltar para o lugar de onde tinha saído.

Não deixei.

- Vais comigo dar uma volta e acabou-se.

Pus-lhe a trela à força.

 

Disse ao Pedro.

- Vou dar uma volta com a Alice e com o Vasco.

Mais uma vez, disse qualquer coisa, que não percebi.

 

Dei uma volta de uma hora.

O Vasco lá fez xixi e cocó. A Alice disse adeus a uma data de gente.

Estive com ela no parque infantil do condomínio.

E quando eram horas da sesta da manhã voltei.

Adormeceu.

E o Vasco voltou à casa de partida. A minha cama.

Onde está até agora. A partilhar cama, com o homem.

O Pedro trabalhou ontem 16 horas. É duro...

O Vasco não. Mas descansar o dia todo é muito cansativo...toda a gente sabe isso!

 

Já lá fui várias vezes. Para ver se respiravam. Se estavam vivos.

Estão....

....vivos. Yeah!

 

Tal pai. Tal filho.

homens.jpg

 

 

27.04.18

4 anos de Vasco! Terceira história...

Joana Marques

Já tinha feito um ano. Parece-me.

E tinha um apetite voraz...

Cheguei a casa pelas 17. Tinha saído pelas 6 horas da manhã.

Andava com muito trabalho. E tinha tido reuniões o dia todo. Nem tinha tido tempo para almoçar.

Estava esfomeada.

 

Mal cheguei a casa. Tentei leva-lo à rua.

Para despachar o cão. E poder vestir uma roupa mais confortável.

Não quis.

Mantive a roupa  de trabalho. Um vestido de linho. Claro.

 

Vesti um avental. E comecei a preparar o jantar. Frango guisado com ervilhas.

Já tinha o frango cortado em bocadinhos pequeninos.

Foi só juntar o tomate, azeite, enfim...tudo o que faz um guisado.

Por fim. Quando já tinha tudo dentro da panela. Tapei-a.

E fui fazer outra coisa qualquer.

O Vasco andava a rondar.

Como sempre.

Nem liguei.

Estava no terraço. Ouvi um estrondo. Seguido de um guincho.

Não queria acreditar.

O Vasco.

Tinha assaltado a panela do guisado.

E tinha-se atirado ao fogão. Ligado.

A panela desequilibrou-se e caiu para cima dele.

A panela.

As ervilhas.

O frango.

Tudo!

 

Entrei em pânico.

Peguei no cão.

Na minha mala e desci feita louca as escadas do prédio.

O cão gania.

Coloquei-o dentro do carro.

E só parei no veterinário.

O cão ia num sofrimento. Não sabia se seria pela queimadura. Se por ter percebido que ia para o veterinário.

 

Entrei no veterinário.

Com um cão ao colo.

Cheio de ervilhas e frango.

Com um vestido cheio de nhanha guisada.

Modo: "caí no caldeirão da carochinha e não sou o João Ratão"

 

O veterinário do Vasco. Que conhece todas as manhas dele estava a operar um outro bicho indefeso.

Fomos socorridos por uma veterinária. Muito querida. Chamada Rita. Mas que desconhecia que o cão é hipocondríaco.

A Rita tocava no nariz. O cão gania.

A Rita tocava na pata traseira. O cão gania.

E fazia xixi.

A Rita tocava na barriga. O cão gania.

A Rita tocava no armário dos medicamentos. O cão gania.

A Rita falava ao telefone. O cão gania.

 

Depois de ter escrutinado, o cão, centímetro a centímetro. Veio o diagnóstico da Rita.

- Tem uma queimadura ligeira no nariz. Nada de mais. Deve ter ficado assustado....também.

Deu-me uma pomadinha para ir pondo no nariz.

- Se te esqueceres de pôr não tem importância, a queimadura é tão ligeira que daqui a dois dias já nem se nota.

E deu-me uns comprimidos.

- Hoje à noite dá-lhe um. Para o acalmar. Como vai ficar sozinho. Ainda se passa.

 

Voltei para casa.

Ainda em modo. Mogli, o menino da selva.

A deixar ervilhas por onde passava.

 

À noite. Dei-lhe o comprimido.

Coloquei a caixa e a pomada em cima de uma prateleira na cozinha.

Fui-me deitar.

 

No outro dia de manhã. Estranhei.

O meu despertador. Não me acordou.

Levantei-me.

O cão. Estava. Estendido na cozinha.

Quase morri.

Olhei para a prateleira. A caixa de comprimidos tinha desaparecido.

Desaparecido mesmo. Ele comeu os comprimidos. A caixa. E a bula. Tudo..

Limpinho. Limpinho.

Peguei no cão.

Veterinário.

Perdi 10 anos de vida. Com a preocupação. Mas chegámos a tempo.

Este Vasco. É um cão.

Com 7 vidas como os gatos...

 

 

 

27.04.18

4 anos de Vasco. Segunda história...

Joana Marques

O Vasco ainda não tinha dois anos.

 

Uma amiga minha tem uma casa no Funchal e aproveitei para lá ir passar uns dias.

Uns dias antes encontrei-me com ela em Lisboa. Entregou-me a chave.

E eu preparei-me para uns dias de descanso absoluto.

O Vasco foi comigo. Grande erro.

 

Aproveitei para caminhar.

Subi ruas. Desci ruas.

Às vezes com o Vasco.

Outras vezes sozinha.

 

Um certo domingo.

Num dos passeios. Passei à porta de uma igreja.

Estava a decorrer a missa.

Estava tão cheia a igreja que muita gente estava à porta porque não tinha conseguido entrar.

Passei com o Vasco.

As ruas estavam engalanadas. Havia festa.

E uns escuteiros tinham uma banca. Para quando a missa terminasse vender qualquer coisa. Bolos, provavelmente. E, mais tarde, percebi que também estavam a vender calendários.

 

No regresso.

A missa já tinha terminado.

Estava uma imensidão de gente

O Vasco ia pela trela. Mas ao passar pelas pessoas. Sem querer. A trela foi-se.

Não fiquei muito preocupada. Porque o cão consegue encontrar-me até na lua.

Olhei para ver se o via. E decidi subir a um murinho para ver melhor..

Quando estava para subir o muro ouço alguém dizer:

- Ah! Ah! Estás a ver ali aquele cão a assaltar os escuteiros??

 

Toda a minha vida passou diante dos meus olhos.

Podia ter fugido.

Para o continente.

E deixa-lo lá. Na ilha.

Alberto João Jardim que tomasse conta da ocorrência.

Que resolvesse o pepino....

 

Mas não....

....fui ter com os escuteiros. Paguei quase 50€ de bolos.

E comprei calendários. Para compensar de alguma forma as pobres almas, assaltadas.

Naquele ano. Todos. Da família Marques receberam um calendário, no Natal.

Cortesia de Vasco Marques.

 

 

27.04.18

4 anos de Vasco. Primeira história...

Joana Marques

O melhor de ter um cão.

Pensava eu.

Nunca mais ia correr sozinha. E podia explorar sítios diferentes.

Como a Serra de Sintra, por exemplo.

Normalmente ia correr ou fazer caminhadas com o meu irmão e os amigos.

Mas um dia decidi ir com o Vasco.

 

Devia ter pouco mais de um ano.

Saímos por volta das 11h da manhã. Porque tive muita dificuldade em convence-lo a sair de casa.

Casa. Cama. Comida. Boa vida. O que mais pode um cão querer.

Alternativa.

Vento. Frio da Serra. Subir. Descer. Cansaço. E a dona maluca.

Parece-me fácil e óbvia a escolha.

 

Em casa tinha preparado a caminhada.

Conhecia bastante bem o percurso.

Já tinha feito um idêntico com o meu irmão.

O Vasco ia sem trela.

Afastava-se. Voltava.

Deixei-o ir à vontade.

Batizava com xixi. Esta árvore. Porque sim.

E a seguinte. Também.

Esta não. Mas a outra à frente, sim!

E lá íamos nós na nossa vida.

Nem vivalma. Nada. Ninguém.

Afastou-se.

Eu continuei.

Nunca foi um cão de fugir. Gostava de explorar os locais mas voltava sempre.

Demorou-se mais do que a conta.

Comecei a olhar em volta.

Assobiei.

Nada.

Chamei-o. Respondeu-me.

- Ó chata. Já vou.....

Continuei. Como obtive resposta. Não me preocupei.

De repente ouvi gente. Uma confusão. Pessoas a falar alto.

 

Passa por mim o Vasco a correr....

.......com uma espetada na boca...

Eu corri atrás dele. Antes que alguém me quisesse bater...

 

 

27.04.18

4 anos de Vasco!

Joana Marques

vasco1234.jpg

O Vasco faz hoje anos. 4 anos.

Não vou voltar a contar a história de vida dele, porque já o fiz, o ano passado.

 

Este ano vai ser diferente.

Para comemorar este dia especial.

Ao longo do dia serão publicadas histórias sobre o Vasco. Nunca antes contadas...

Até lá. Podem olhar para foto. Vá-la....

Façam o favor de se derreterem....

 

Eu não posso!

 Posso...

....mas não devo.

 

Tanta fofura.

Provoca em mim.

Um enfraquecimento.

Perigoso.

Muito perigoso.

 

Não posso olhar. Não posso olhar. Não posso olhar. Não posso olhar.

Ou, vou acabar com o frigorífico vazio....

 

17.04.18

nas bocas do mundo...#24

Joana Marques

Escrevi neste post que a Alice tinha recebido uma Minnie quando foi a casa dos pais do Pedro.

Ontem a Bruxa Mimi, questionou-me se seria igual à da Magia.

A da Alice.

É esta.

Ou melhor é igual a esta.

 

minnie.jpg

 

A foto é daqui.

Porque a Minnie da Alice encontra-se em parte incerta.

Aqui em casa não encontro.

No meu carro também não.

Existem 4 cenários possíveis:

1- Está em casa dos meus pais.

2- Está no carro do Pedro.

3- A Alice pode tê-la perdido. E eu não ter dado conta.

4- O cão. Esse querido. Pode ter posto a pata na Minnie. Olhado para a esquerda:

- Ninguém está a ver.

Olhado para a direita.

- Lá lá lá lá lá....

E era uma vez uma Minnie. No ano passado comeu o presente de aniversário.

 

Este ano, antecipou-se. Antes que seja tarde demais...

Comeu a Minnie.

 

Só suposições. Só suposições.

Vamos ver se a Minnie dá sinal de vida nos próximos dias...

Vou estar atenta.

Aos cocós....

Joana Marques

foto do autor

Sigam-me

contador de acesso grátis

Links

Grupo no Facebook de Partilha handmade! 💝

As histórias do cão! 🐶

Tricot 🌺

Crochet 🌻

Receitas 🍳🥦🥧

Planear ⌚📅 📊

Comentários recentes

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D