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Quiosque da Joana

25.10.18

toma lá beijinho....Joana!

Joana Marques

O Pedro esteve de folga.

Nos dias de folga dele fingimos que é sábado e a Alice fica connosco. Mas hoje não..

...de manhã foi para casa dos meus pais.

Tínhamos que encaixotar coisas. E mais coisas. E ainda mais coisas.

Pegar em tudo e deixar na casa nova.

 

Depois de concluída a tarefa. 

Passamos pelo Oeiras Parque.

Entretanto ligou-me uma amiga minha, a Ana (que já escreveu aqui no blog!).

Tinha umas coisas dos filhos para me entregar.

Os meus amigos já estão despachados dos filhos pequenos, dizem eles. E a Alice, a Mariana e os meus filhos futuros...estão a herdar tudo.

Estacionámos o carro na rua dela.

Liguei-lhe para ela descer.

- Sobe! Vem cá a casa!

- Não temos muito tempo.....desce tu!

O Vasco estava connosco. Porque a seguir ia ao veterinário.

O Vasco não suspeitava que ia ou veterinário ou então....

 

Saí do carro.

O Pedro também.

O Vasco dentro do carro dava sinais de querer cumprimentar a Ana como deve ser.

A Ana que adora o Vasco trouxe-lhe de casa um biscoito grande que o Vasco adora.

- Solta-o...vá-lá deixa-me cumprimentar o meu afilhado.

Soltei a fera.

A rua da Ana é espaçosa, não tem praticamente movimento.

A Ana deu-lhe o biscoito.

E o Vasco estava mesmo ali a comer o biscoito.

Um segundo depois.

O Vasco já não estava a comer o biscoito.

Ouvi ao longe um cão a ladrar.

O meu cão a ladrar!

A chamar-me.

- Vaaaaaaaaaaaaaaaaaasco!

Gritei.

 

O Vasco corria feliz da vida. 

- Joana, chama-o...ele está a entrar para dentro do cemitério....

Disse a Ana.

O Vasco entrou dentro do cemitério.

Corri atrás do Vasco.

O Pedro correu atrás do Vasco.

A Ana correu atrás de nós...

O cão. Feliz. Feliz.

Ladrava.

Ladra sempre. Quando me quer convidar a brincar com ele.

E corria. E saltava. E ladrava. 

 

Entrei eu, grávida! O Pedro, ainda meio coxo. E a Ana, esbodegada de tanto rir. Cemitério adentro.

O Vasco saltava pelas campas.

Ladrava.

Corria.

Ladrava outra vez. Esteirava-se na terra. Arrancou plantinhas. E comeu flores.

- Joana, Joana, vem brincar comigo. Eu salto. Tu saltas. E depois eu salto outra vez. Depois eu como uma flor. E tu corres atrás de mim...

 

Eu, grávida.

O Pedro meio coxo.

A Ana já não nos conseguia acompanhar porque tinha ficado atrás a rir.

- VAAAAAAAAAAAAAAAAASCO!

Eu aos gritos no cemitério.

- VAAAAAAAAAAAAAAAAASCO! Vem cá, imediatamente...

- Ah! Ah! Pensas que mandas alguma coisa??? A expressão dele dizia isto....

 

Corria. Saltava. Ladrava.

Passou por um aglomerado de pessoas.

E eu no encalço do cão.

Passei pelas pessoas. Grávida!

Pedi muitas desculpas pela interrupção. Presumo que tenha interrompido um funeral. Mas com a pressa nem percebi bem....

O Pedro passou pelas pessoas, também. Meio coxo.

Mas a Ana deu a volta. Só a ouvia rir....

Continuei atrás do cão.. O Pedro atrás dele. A Ana atrás de nós.

 

Mudei de táctica.

Sentei-me. E ele veio ter comigo. Contente da vida!

Apanhei com uma lambidela na cara.

- Foi tão divertido, não foi?? Toma lá beijinho....Joana!

 

Às pessoas que hoje se cruzaram connosco no cemitério peço muita desculpa....

....a próxima vez que estiver perto de um, algemo o cão....

......

 

 

 

Há dois anos no Quiosque!

Se o post de hoje não vos animou o suficiente.

Leiam este, cada vez que o leio choro a rir...

 

 

Há um ano no Quiosque!

Dizer que escrevi um post inteiro sobre xixi.

 

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04.10.18

Hoje. E todos os dias...

Joana Marques

Vou escrever sobre o meu melhor amigo. 

 

 

É generoso. Bom companheiro.

Preguiçoso. 

 

Tem uma gula do tamanho da Austrália. 

E os seus princípios são do tamanho da ilha do Corvo.

 

Tem 5 anos mas parece que só cresceu em tamanho.

Às vezes faz birras. É teimoso, teimoso, teimoso.

É uma ternura!

Tem um coração enorme.

É hipocondríaco.

É persistente. Atirou uma bomba ao destino. E por isso ainda está vivo.

Não desistiu à sentença de morte que lhe deram nos primeiros dias.

 

Gosta de partilhar cama com os humanos. Mesmo quando estão 40º à sombra.

O melhor lugar é dele! Os outros que se amanhem.

 

 

Rouba. Sem sentir qualquer arrependimento.

É o mais simpático dos seres.

Tem um charme que nos tira o tapete.

É um manipulador. Nunca o olhem nos olhos....ou acabam sem nada de nada...

 

Tem cor de leão.

E parece um leão. Aliás, vive de aparências. Dizem que é um Golden, mas não é. Só parece.

Vive todos os dias como se fosse o primeiro ou o último.

É fotogénico. É um giraço...o mais giraço. 

É lindo de morrer...

 

 

Este amigo tem um nome. Vasco.

É o melhor cão do mundo. 

O meu melhor amigo. O mais fiel de todos.

A sorte que eu tive! No dia em que o encontrei...

...a minha vida mudou substancialmente. Para melhor...

...já aprendi tantas coisas com ele!

Sou melhor pessoa, desde que o conheci. 

 

vasquinho2.jpg

 

Vasco!

Hoje e todos os dias.

Que a vida te sorria como tu sorris para a vida!

 

Há dois anos no Quiosque!

Um assalto do Vasco!

Nunca tinha sentido tanta vergonha na minha vida...

 

 

Há um ano no Quiosque!

Respondi a um desafio.

Adoro responder a desafios!

 

 

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06.08.18

Não desperdice esta oportunidade!

Joana Marques

Antes de casarmos, eu e o Pedro fomos convidados para jantar em casa de um colega dele.

Em Maio, acho eu...

 

Eu já o conhecia do hospital. A ele é à mulher, ele é médico e ela enfermeira.

Para mim os jantares fora terminaram desde que tenho a Alice.

Este foi uma exceção. Porque insistiram muito. Porque é um dos melhores amigos do Pedro desde o tempo da faculdade.

Nessa noite a Alice ficou em casa dos meus pais. 

Achei que era mais estável para ela.

No dia seguinte fui busca-la de manhã e passou o dia comigo. 

 

Hoje foi a vez de retribuirmos o jantar. Hoje era o primeiro dia de férias deles. E como amanhã viajam, tinha mesmo de ser hoje!

O Pedro saiu do hospital às 8h da manhã.

Teve tempo de descansar.

A Alice foi para casa dos meus pais. E eu aproveitei o repouso do Pedro para trabalhar.

Já tinha o jantar planeado e meio preparado.

Quando o Pedro acordou almoçámos. Fomos às compras, comprar o pouco que faltava.

Passámos por casa dos meus pais. A Alice e a prima Margarida estavam a dormir. Trouxemos os meus sobrinhos.

Ficaram por aqui de tarde.

Eu e o Pedro fomos avançando com os preparativos.

Ainda estivemos com os miúdos.

E antes de trocar os meus sobrinhos pela Alice deixámos a mesa pronta.

 

E o Vasco? Perguntam vocês...

O Vasco anda doente com o calor.

Hoje já esteve mais fresco mas tem andado de rastos.

Passa os dias estendido na casa de banho. Qualquer uma....

Apanhar o fresco dos mosaicos é o que o vai salvando.

Bem lhe dou água com gelo. O cão chora com o calor.....

 

É claro que ter convidados em casa com um cão como o Vasco é um desafio.

Nunca sabemos....

NUNCA SABEMOS....

 

Chegou o Carlos. Chegou a Paula.

A Alice nestes dias nunca vai para a cama a horas.

Quer ficar.

Eu deixo.

Já tinha jantado mas esteve sentada na cadeirinha e foi petiscando da nossa comida. Sempre bem disposta...

Até que adormeceu. E eu fui deita-la.

 

Ficámos os 4. 

E o Vasco? Perguntam vocês?

Meu rico filho! Nem deu sinal de vida.

Lá continuava na casa de banho.

Antes do jantar passei por lá e deixei-lhe...adivinham?

Frango assado, claro!

E água. 

O frango foi logo. A água foi indo aos poucos....

Deixei-lhe água na banheira. Não muita...o bastante para se ir refrescando...

 

 

Estávamos nós a conversar.

Por acaso tive sorte....não falaram de trabalho. Ou estaria lixada. Com L do tamanho de um pequeno cachalote!

Dois médicos, uma enfermeira e uma Joana...

Senti o Vasco.

Subia as escadas...

..um degrau de cada vez. E cada vez com mais pressa...

Tínhamos a porta do terraço aberta e corria uma aragem. Se calhar foi por isso que decidiu aparecer.

Lá vinha ele.

Um pequenino enfarte. No meu coração.

Tudo se espera do cão.

À porta da sala lá estava ele.

O focinho molhado, deduzi que tivesse bebido a água que lhe deixei.

Depois percebi que deve ter estado dentro da banheira....

....deitado. Com água até ao dedo mindinho...

Estava molhado mas nada demais...

 

O cão olhou para nós.

O cão dirigiu-se a nós.

O cão escolheu o Pedro!

Quem dá comida, quem é? O Pedro!

Quem não diz nunca que não? O Pedro!

Por isso em alturas de banquete. O Pedro é o escolhido!

O Pedro apresentou o Vasco ao Carlos e à Paula.

Ao mesmo tempo fez-lhe uma festa.

O Vasco levantou-se e ficou quase ao nível do Pedro.

E contente abriu a boca. O Vasco sabe sorrir e rir. E por isso...riu-se para o Pedro.

E quando se riu...saiu da boca dele...

.....uma bola de sabão.

 

Uma bola de sabão a voar na minha sala.

Vimos todos.

Achámos todos.

-Olha, olha estou a ver coisas...credo! Ia jurar que saiu uma bola de sabão da boca do cão!

 

Duas, três bolas de sabão.

- O que raio é que está a sair de dentro da boca do cão?

- Parecem bolas de sabão!

- Nãaaaaaaaaaaaaao. 

 

Muitas bolas de sabão a sobrevoar a minha sala.

- Eu acho que são mesmo bolas de sabão!

- Como?

- Não pode ser. Não pode ser.

 

E de repente naquela sala. 4 adultos riam-se como nunca se tinham rido na vida.

Chorámos a rir.

O narizes ficaram ranhosos.

O nosso jantar esteve em vias de ver a luz do dia.

A dor na barriga era tão ou maior do que se tivéssemos feito 45 abdominais em 2 minutos.

E o cão?

O cão cuspia bolas de sabão...

 

Entretanto fui à casa de banho. Ver com os próprios olhos.

Eu faço os meus próprios sabonetes.

O Vasco comeu um sabonete de azeite.

Já liguei ao veterinário. Vamos estar atentos mas em principio não haverá problema. 

 

Sempre que tiverem uma festa e precisarem de animação pensem em nós....

...fazemos casamentos.

Baby showers.

 

Batizados.

Aniversários. Primeira comunhão. Crisma..tudo o que vem à rede é peixe!

Festas da aldeia.

Festas da cidade. Festas de vilas e de terras assim, assim....

Neste momento atuamos em Carcavelos. Mas estamos disponíveis para conquistar o mundo....

Não desperdice esta oportunidade!

 

....eu faço sabonetes. O Pedro costura rins. A Alice tem uma varinha mágica. A sementinha dá piruetas e mais piruetas dentro do meu útero.

E o cão cospe bolas de sabão...

 

 

 

Há dois anos no Quiosque!

Não escrevi post!

 

 

Há um ano no Quiosque!

Um post sobre o Vasco!

Este post foi destaque na página principal do Sapo.

O Vasco é um cão destacado...não sei porquê.

 

 

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02.08.18

guardem segredo. E deitem a chave fora!

Joana Marques

Ontem, quarta feira, dia do Pedro operar.

Entrou às 8h da manhã, deveria sair às 16h mas nunca sai. Nos dias em que opera pior.

De manhã deixou a Alice em casa dos meus pais.

 

Comecei a trabalhar cedo. Antes das 8h.

O dia rendeu muito.

Parei para almoçar e adiantar algumas coisas. 

Trabalhar em casa é muito bom. 

Voltei ao trabalho e mais ou menos às 16h parei.

Fui buscar a Alice. O cão fez-se convidado. Foi comigo.

Chegámos ainda a Alice dormia a sesta da tarde.

Fiquei à conversa com os meus pais.

Recebi uma mensagem do Pedro a confirmar o que já sabia.

Não ia conseguir sair às 16. Lá para as 20h dizia ele na mensagem.

 

A Alice acordou. Lanchou.

Peguei nela e no Vasco e fomos para um parque aqui para as nossas bandas.

Tenho sempre no carro uma manta. Estendi a manta. Para a miúda andar à vontade.

Soltei a fera.

Não havia ninguém no parque. Ou melhor...

...havia uma ou outra alma penada. Mas pouca gente.

Não vi ninguém a comer. Soltei o Vasco.

 

A Alice brincava com uma bola. Cor de rosa.

E eu brincava com ela.

Estava aquele calor bom! O bafo do dia já tinha ido. Só tinha ficado o calor que eu gosto.

A miúda estava com uns calções. Cor de rosa.

E uma t-shirt levezinha. Branca.

O Vasco andava por ali. Perto de nós. 

Ora se atirava para a relva. E se revirava todo. Ora corria muito depressa. E voltava. Com sérios problemas na travagem...

Fazia sons de contentamento.

Às vezes corria e eu deixava de o ver. Mas se o chamasse vinha logo.

Só faltava o Pedro e o momento seria perfeito.

 

De repente.

Num desses momentos em que desapareceu.

Voltou com algo na boca.

Sementinha quase me saltou pela boca.

- Incrível. Já roubou alguém....

Não!

Ou melhor, sim!

Mas não é nada do que estão a pensar. Não é nada do que eu pensei.

- Caneco. Preciso mesmo de ir ao oftalmologista. Parece mesmo, mesmo uma tartaruga....

 

Vasco trazia uma tartaruga na boca.

Não era do tamanho daquelas que o Mário Soares um dia se sentou mas já era uma tartaruga. 

Por momentos achei. O Vasco comeu a tartaruga. E deixou a casca porque é rija.

Largou-a ao meu colo.

E percebi que embora recolhida, a carapaça da tartaruga tinha conteúdo.

Fiquei ali uns momentos sem saber o que fazer.

Liguei ao veterinário.

- Se calhar tem algum problema. Passa por aqui, deixa-a cá que eu dou-lhe uma vista de olhos.

- Estás doido? Queres que eu roube uma tartaruga?

- Não é roubar. Eu dou uma vista de olhos e depois devolves...mas tu é que sabes. Está nas tuas mãos...

Desliguei o telefone.

Pois, claro. Joana. 37 anos. Grávida. Acompanhada com uma filha de pouco mais de um ano e um cão. Estava prestes a roubar uma tartaruga  num parque público.

Dúvida! Roubo ou não a tartaruga?

Não!

Dúvida. Onde é que eu escondo a tartaruga para ninguém ver que eu roubei uma tartaruga num parque público.

Será que tem câmaras de vigilância.

 

 

Para grande espanto da Alice, saiu do parque no seu próprio pé. Quando o Vasco está comigo a Alice vai sempre no carrinho.

E a tartaruga foi no carrinho da Alice, assim como quem não quer a coisa.

Fui ao veterinário com a tartaruga. Tem uma infeção ocular. Está a ser tratada.

Menos de uma semana estará de volta ao parque totalmente recuperada.

Eu, só tenho de voltar lá. Entrar como quem não quer a coisa. Com uma tartaruga escondida nem Slimani sabe onde. E devolve-la.

Só!

Fácil. Fácil.

Não me denunciem!

Não digam nada, por favor...

Guardem segredo! E deitem a chave fora...

 

 

Há dois anos no Quiosque! 

Problemas amorosos. Dúvidas. E todo o tipo de parvoíce.

Escrevi este post num desses dias.

Prometia acabar com a neura em 11 passos.

 

 

Há um ano no Quiosque!

Dei a conhecer as peças da Cutchi.

Continuo a ser fã.

Se não viram na altura, têm mesmo de conhecer.

Vale muito a pena!

 

 

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11.05.18

o devorador de notícias...

Joana Marques

Ontem à noite, depois de jantar, o Pedro recebeu um email.

Melhor dizendo. Tinha vários email's novos. Mas abriu só um.

Recebe os resultados das análises dos doentes de forma digital e estava à espera destas em particular.

De um doente operado na quarta-feira.

Percebeu que os valores não estavam como deviam estar. E decidiu ir ao hospital.

Chegou hoje. Pelas 6h da manhã.

Eu já estava acordada. O cão já me tinha acordado. E já se tinha deitado outra vez.

Tomei o pequeno almoço. O Pedro, completamente exausto também comeu qualquer coisa.

E foi descansar.

A Alice acordou.

Tratei dela.

E achei por bem. Tirar toda a gente de casa para o homem poder descansar como deve ser.

O cão. E a Alice.

A Alice. E o cão.

Podemos defini-los de muitas maneiras. Silenciosos. Não é uma delas.

Passeámos. À beira mar.

Brincámos.

Chegou a hora do lanche da manhã. A Alice comeu.

E adormeceu no carrinho.

 

Ainda pensei em ir para casa dos meus pais. E deitar a Alice na caminha dela.

Ou voltar para minha casa. A Alice a dormir não faz barulho. E o Vasco também não.

Mas...

....o dia estava mesmo agradável.

Tinha um livro comigo. E o meu tricot.

Sentei-me num banco de jardim. Com o carrinho da Alice ao lado. E o Vasco ao lado do carrinho.

Tirei o tricot.

E com uma vista absolutamente maravilhosa. Tricotei...como se não houvesse amanhã.

 

Um senhor. Mais ou menos da idade dos meus pais.

Perguntou-me:

- Posso-me sentar?

Disse que sim. O banco era grande e eu só ocupava uma parte pequena dele.

Sentou-se na outra ponta.

O Vasco levantou-se num segundo. E no outro esta em cima do banco sentado ao meu lado.

 

A Alice mexeu-se. Afastei a fralda que estava a tapar o carrinho. Para ver se estava tudo bem.

E o senhor.

Inclinou-se para ver a Alice.

Ouvi o Vasco.

Olhei para trás.

O Vasco estava a rosnar. Ao ouvido do senhor.

- Ele não faz mal. É só garganta...

Disse eu para o senhor. O senhor riu-se. Fez-lhe uma festa.

Abriu o jornal e começou a lê-lo.

Eu a tricotar.

E de repente. Ouço um barulho. Que não encaixava bem na situação....

.......

 

Olhei.

O Vasco estava feliz da vida a mastigar.

O Vasco estava entretido a comer o jornal.

Juro. 4 anos de Vasco. E nunca tinha percebido que este cão...era ávido por notícias.

O verdadeiro devorador de notícias.

 

A minha alma. Aparvalhada. Mais do que o costume....

Disse ao senhor que lhe pagava o jornal.

- Não se preocupe. O jornal é de ontem. Tirei-o do café perto da minha casa. Costumo ir lá devolve-lo. Parece-me que hoje não vai acontecer.

 

 

O doente do Pedro está estabilizado.

E fora de perigo.

 

28.04.18

tal pai. Tal filho...

Joana Marques

Fui acordada às 5h30. Pelo cão. Claro!

O Pedro. Deve ter percebido. E para prevenir a minha fuga...

Pôs um braço à volta da minha barriga e eu fiquei sem conseguir sair dali.

Depois de várias tentativas. Lá fui à minha vida.

Começo a sentir bicho carpinteiro e não consigo estar muito tempo sem fazer nada...

 

O cão aproveitou a folga na cama para se deitar.

- Quem foi ao ar perdeu o lugar....

Assim é o lema deste cão.

 

Comi qualquer coisa. E ...

....disse ao Pedro.

- Vou correr. Ficas com a Alice.

Ele respondeu qualquer coisa. O cão resmungou qualquer coisa...

Eu corri. 10 km. Em menos de uma hora. Um novo recorde, desde que parti a perna.

Voltei.

O cão dormia. O Pedro dormia. E a Alice dormia.

Tomei o pequeno almoço. Com toda a calma.

A Alice acordou.

Dei-lhe o pequeno almoço. E dediquei-me a ela de corpo e alma.

Vi de relance. O cão a passar para a cozinha. Fui ter com ele.

Será que queria ir dar uma volta à rua?

Não. Queria comer. Depressa. E voltar para o lugar de onde tinha saído.

Não deixei.

- Vais comigo dar uma volta e acabou-se.

Pus-lhe a trela à força.

 

Disse ao Pedro.

- Vou dar uma volta com a Alice e com o Vasco.

Mais uma vez, disse qualquer coisa, que não percebi.

 

Dei uma volta de uma hora.

O Vasco lá fez xixi e cocó. A Alice disse adeus a uma data de gente.

Estive com ela no parque infantil do condomínio.

E quando eram horas da sesta da manhã voltei.

Adormeceu.

E o Vasco voltou à casa de partida. A minha cama.

Onde está até agora. A partilhar cama, com o homem.

O Pedro trabalhou ontem 16 horas. É duro...

O Vasco não. Mas descansar o dia todo é muito cansativo...toda a gente sabe isso!

 

Já lá fui várias vezes. Para ver se respiravam. Se estavam vivos.

Estão....

....vivos. Yeah!

 

Tal pai. Tal filho.

homens.jpg

 

 

27.04.18

4 anos de Vasco! Terceira história...

Joana Marques

Já tinha feito um ano. Parece-me.

E tinha um apetite voraz...

Cheguei a casa pelas 17. Tinha saído pelas 6 horas da manhã.

Andava com muito trabalho. E tinha tido reuniões o dia todo. Nem tinha tido tempo para almoçar.

Estava esfomeada.

 

Mal cheguei a casa. Tentei leva-lo à rua.

Para despachar o cão. E poder vestir uma roupa mais confortável.

Não quis.

Mantive a roupa  de trabalho. Um vestido de linho. Claro.

 

Vesti um avental. E comecei a preparar o jantar. Frango guisado com ervilhas.

Já tinha o frango cortado em bocadinhos pequeninos.

Foi só juntar o tomate, azeite, enfim...tudo o que faz um guisado.

Por fim. Quando já tinha tudo dentro da panela. Tapei-a.

E fui fazer outra coisa qualquer.

O Vasco andava a rondar.

Como sempre.

Nem liguei.

Estava no terraço. Ouvi um estrondo. Seguido de um guincho.

Não queria acreditar.

O Vasco.

Tinha assaltado a panela do guisado.

E tinha-se atirado ao fogão. Ligado.

A panela desequilibrou-se e caiu para cima dele.

A panela.

As ervilhas.

O frango.

Tudo!

 

Entrei em pânico.

Peguei no cão.

Na minha mala e desci feita louca as escadas do prédio.

O cão gania.

Coloquei-o dentro do carro.

E só parei no veterinário.

O cão ia num sofrimento. Não sabia se seria pela queimadura. Se por ter percebido que ia para o veterinário.

 

Entrei no veterinário.

Com um cão ao colo.

Cheio de ervilhas e frango.

Com um vestido cheio de nhanha guisada.

Modo: "caí no caldeirão da carochinha e não sou o João Ratão"

 

O veterinário do Vasco. Que conhece todas as manhas dele estava a operar um outro bicho indefeso.

Fomos socorridos por uma veterinária. Muito querida. Chamada Rita. Mas que desconhecia que o cão é hipocondríaco.

A Rita tocava no nariz. O cão gania.

A Rita tocava na pata traseira. O cão gania.

E fazia xixi.

A Rita tocava na barriga. O cão gania.

A Rita tocava no armário dos medicamentos. O cão gania.

A Rita falava ao telefone. O cão gania.

 

Depois de ter escrutinado, o cão, centímetro a centímetro. Veio o diagnóstico da Rita.

- Tem uma queimadura ligeira no nariz. Nada de mais. Deve ter ficado assustado....também.

Deu-me uma pomadinha para ir pondo no nariz.

- Se te esqueceres de pôr não tem importância, a queimadura é tão ligeira que daqui a dois dias já nem se nota.

E deu-me uns comprimidos.

- Hoje à noite dá-lhe um. Para o acalmar. Como vai ficar sozinho. Ainda se passa.

 

Voltei para casa.

Ainda em modo. Mogli, o menino da selva.

A deixar ervilhas por onde passava.

 

À noite. Dei-lhe o comprimido.

Coloquei a caixa e a pomada em cima de uma prateleira na cozinha.

Fui-me deitar.

 

No outro dia de manhã. Estranhei.

O meu despertador. Não me acordou.

Levantei-me.

O cão. Estava. Estendido na cozinha.

Quase morri.

Olhei para a prateleira. A caixa de comprimidos tinha desaparecido.

Desaparecido mesmo. Ele comeu os comprimidos. A caixa. E a bula. Tudo..

Limpinho. Limpinho.

Peguei no cão.

Veterinário.

Perdi 10 anos de vida. Com a preocupação. Mas chegámos a tempo.

Este Vasco. É um cão.

Com 7 vidas como os gatos...

 

 

 

27.04.18

4 anos de Vasco. Segunda história...

Joana Marques

O Vasco ainda não tinha dois anos.

 

Uma amiga minha tem uma casa no Funchal e aproveitei para lá ir passar uns dias.

Uns dias antes encontrei-me com ela em Lisboa. Entregou-me a chave.

E eu preparei-me para uns dias de descanso absoluto.

O Vasco foi comigo. Grande erro.

 

Aproveitei para caminhar.

Subi ruas. Desci ruas.

Às vezes com o Vasco.

Outras vezes sozinha.

 

Um certo domingo.

Num dos passeios. Passei à porta de uma igreja.

Estava a decorrer a missa.

Estava tão cheia a igreja que muita gente estava à porta porque não tinha conseguido entrar.

Passei com o Vasco.

As ruas estavam engalanadas. Havia festa.

E uns escuteiros tinham uma banca. Para quando a missa terminasse vender qualquer coisa. Bolos, provavelmente. E, mais tarde, percebi que também estavam a vender calendários.

 

No regresso.

A missa já tinha terminado.

Estava uma imensidão de gente

O Vasco ia pela trela. Mas ao passar pelas pessoas. Sem querer. A trela foi-se.

Não fiquei muito preocupada. Porque o cão consegue encontrar-me até na lua.

Olhei para ver se o via. E decidi subir a um murinho para ver melhor..

Quando estava para subir o muro ouço alguém dizer:

- Ah! Ah! Estás a ver ali aquele cão a assaltar os escuteiros??

 

Toda a minha vida passou diante dos meus olhos.

Podia ter fugido.

Para o continente.

E deixa-lo lá. Na ilha.

Alberto João Jardim que tomasse conta da ocorrência.

Que resolvesse o pepino....

 

Mas não....

....fui ter com os escuteiros. Paguei quase 50€ de bolos.

E comprei calendários. Para compensar de alguma forma as pobres almas, assaltadas.

Naquele ano. Todos. Da família Marques receberam um calendário, no Natal.

Cortesia de Vasco Marques.

 

 

27.04.18

4 anos de Vasco. Primeira história...

Joana Marques

O melhor de ter um cão.

Pensava eu.

Nunca mais ia correr sozinha. E podia explorar sítios diferentes.

Como a Serra de Sintra, por exemplo.

Normalmente ia correr ou fazer caminhadas com o meu irmão e os amigos.

Mas um dia decidi ir com o Vasco.

 

Devia ter pouco mais de um ano.

Saímos por volta das 11h da manhã. Porque tive muita dificuldade em convence-lo a sair de casa.

Casa. Cama. Comida. Boa vida. O que mais pode um cão querer.

Alternativa.

Vento. Frio da Serra. Subir. Descer. Cansaço. E a dona maluca.

Parece-me fácil e óbvia a escolha.

 

Em casa tinha preparado a caminhada.

Conhecia bastante bem o percurso.

Já tinha feito um idêntico com o meu irmão.

O Vasco ia sem trela.

Afastava-se. Voltava.

Deixei-o ir à vontade.

Batizava com xixi. Esta árvore. Porque sim.

E a seguinte. Também.

Esta não. Mas a outra à frente, sim!

E lá íamos nós na nossa vida.

Nem vivalma. Nada. Ninguém.

Afastou-se.

Eu continuei.

Nunca foi um cão de fugir. Gostava de explorar os locais mas voltava sempre.

Demorou-se mais do que a conta.

Comecei a olhar em volta.

Assobiei.

Nada.

Chamei-o. Respondeu-me.

- Ó chata. Já vou.....

Continuei. Como obtive resposta. Não me preocupei.

De repente ouvi gente. Uma confusão. Pessoas a falar alto.

 

Passa por mim o Vasco a correr....

.......com uma espetada na boca...

Eu corri atrás dele. Antes que alguém me quisesse bater...

 

 

17.03.18

convidou-me para um café. Só que...

Joana Marques

Não sei se conhecem...

...a praia do Magoito em Sintra.

Adoro. É uma das praias da minha vida.

É a minha praia de Inverno.

Quando tinha namorado era rara a semana que não passávamos por lá. 

Exceto no verão que tinha e tem demasiada humanidade...

Deixei de ter namorado. Mas passei a ter o Vasco.

Continuei a visitar a praia.

Não de forma tão frequente.

Mas ainda assim, muitas vezes.

Para chegarmos à praia podemos ir por um passadiço de madeira.

Escorregadio quando chove. Que faz as delícias do Vasco.

As patas derrapam e ele gosta. Cada maluco com a sua mania.

 

Se estivessem pessoas na praia não o faria mas como no inverno só lá aparecem dois ou três gatos pingados, costumo soltar o Vasco.

Adora.

Corre que nem um doido.

Uma alegria só vista...e que deve mesmo ser vista. E apreciada.

 

Hoje. Esteve um dia miserável.

Mesmo miserável.

De manhã choveu que se fartou.

Nem deu para sair com a Alice um bocadinho.

Ficámos aqui à porta a ver o Vasco fazer xixi e cocó.

Saí da entrada do prédio #rumoàapanhadecocós.

E toca de entrar em casa.

 

Pensei em fazer o mesmo à tarde.

Mas...

A minha religião não me permite. Ficar um dia fechada em casa.

E depois de ter estado a tricotar e a ver televisão. Enquanto a Alice dormia a sesta.

Comecei a magicar onde poderia ir quando ela acordasse.

Magoito. Pois, claro!

Peguei na Alice. Peguei no cão. E aí fomos nós.

Estacionei o carro.

Saímos. Os três.

Alice no carrinho.

Passadiço de madeira.

Vasco louco de alegria.

Corria. Saía do passadiço.

Entrava no passadiço.

Saía do passadiço. E aparecia com um pau na boca.

Escorregava no passadiço.

Ficava feliz por ter escorregado no passadiço.

Ladrava de felicidade.

Enfim, Vasco no seu melhor.

 

Chegamos à praia.

O Vasco. O espaçoso. A praia era dele.

Corria. Saltava. ladrava.

Bebia água do mar. Não sei porquê mas adora beber água do mar...

Eu com a Alice ao colo. A assistirmos a este espetáculo.

"Vasquito vai à praia"

A Alice ria que nem uma perdida. Apontava. Atirava beijinhos. E dizia adeus.

Em resumo. Todas as graças que já sabe fazer.

 

Dez minutos passados. E apareceu um senhor na praia com um cão.

Também solto.

- Aquele cão é seu?

- Sim, é.

Como o Vasco estava num dia de exuberância extrema achei que me ia pedir para o prender. Mas não..

- Gosto imenso de vir para aqui com a Tekas (a cadela). Faz-lhe bem andar livremente.

Quando percebi que era uma cadela. Tive medo.

E se ele profana a cadela? OMG!

 

Não...

O Vasco nem olhou para a cadela.

O Vasco não sabe que é um cão...está-se nas tintas para os da espécie dele.

Os olhos do Vasco concentraram-se num e num só alvo.

O dono da Tekas.

Devia ser mais ou menos da minha idade.

Tinha muito bom aspeto.

Era simpático.

Convidou-me para um café. Que não aconteceu.

Chamava-se Duarte.

Chamava-se e chama-se. O Vasco não o matou.

Só lhe vomitou os sapatos. 

 

 

Joana Marques

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