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Quiosque da Joana

31.03.18

team. Coelhinho da Páscoa!

Joana Marques

Estar apaixonada tem-me tirado o sono.

Dúvidas. Dúvidas. E mais dúvidas.

Querer fazer tudo bem. Não errar.

Quando existe uma amizade prévia entre as pessoas é mais fácil, parece-me.

Neste caso. Não o conheço. Ele não me conhece.

Não sei como vai reagir.

E como me sinto em coma apaixonómico. Não me dava muito jeito que o homem se fizesse à estrada. E me deixasse a falecer de amor....

 

De quinta para sexta. Não dormi.

O que é que me atormentava. O blog!

Não lhe tinha contado que tinha um blog.

Nem que a determinada altura lhe tinha chamado craque de miudezas urinárias.

Sei lá se tem fair play. E não acha uma afronta....

Toda a gente sabe que a melhor maneira de esconder um cadáver é na segunda página do google. O problema é que se googlar: Joana, Vasco e blog. Aparece, bem aparecido....este blog.

Um grandessíssimo caneco. Um grandessíssimo pepino...

 

Volta para a direita na cama.

Volta para a esquerda na cama.

Ah! E tinha saudades dele. Muitas. Nunca senti nada assim na vida.

Saudades. Que fazem doer o físico e a alma.

 

Volta para a direita na cama.

Volta para a esquerda na cama.

E pensar que só o voltaria a ver lá para quinta feira.

Porque chego segunda a Cascais. Mas ele está a trabalhar.

E terça vou para Dublin. E não dá tempo.

E se se esquece de mim?

É óbvio que se vai esquecer de mim. Não me conhece. Viveu toda a vida sem mim. O que é que eu acrescento na vida dele?

Nada. Nada.

 

Volta para a direita na cama.

Volta para a esquerda na cama.

E o blog? Tenho de lhe contar do blog.

Tinha trocado um mail com uma pessoa que confio muito que me tinha aconselhado a contar o quanto antes.

Tinha de lhe contar.

 

Levantei-me. Comecei a tratar de tudo.

Ia ter a casa cheia de amigos.

Que vinham à procura de novidades. E de passar um dia no Alentejo.

Comecei a fazer as lasanhas para o almoço.

Tratei da Alice.

Costumo brincar com ela um bocadinho. Mas tive de a colocar na cadeirinha. Porque eu tinha muitas coisas para tratar.

Pus música. E ia falando com ela.

Quando se chateou. Coloquei-a no parque. Com alguns brinquedos. E lá esteve até adormecer.

O Vasco não estava. No Alentejo. Precisa de espaço. Tem muitos afazeres.

Deitei a Alice.

Fui ver o meu mail.

E o meu conselheiro. Lá me dizia. Para não esperar. Para lhe contar o quanto antes.

E eu. Achei mesmo que sim. Tinha de lhe dizer.

Só que...

...eu no Alentejo. Ele a trabalhar. E não lhe queria dizer pelo telefone.

 

 

Dei o almoço à Alice.

O Vasco continuava desaparecido.

Mais tarde percebi que dormia à sombra de um chaparro. Ao som dos passarinhos. Um cão da cidade e com uma vida stressante precisa destas folgas...

Chegaram os meus amigos.

A Alice a ser feliz no colo de muitas tias e tios.

Recebeu uma boneca que adorou e quis dormir com ela.

Ela ao meu colo carregada de sono. E a atirar beijinhos a todos.

Esta minha filha....

 

Quando voltei. Fui atacada. Pelos meus amigos.

E eu. Que não tenho uma noite de sono decente desde que aceitei almoçar com o homem.

Comecei a descarregar tudo e mais alguma coisa.

Um desempenho tão bom digno de um óscar. Com a diferença de não estar a fingir. A personagem era de carne e osso. E era eu.

É claro que por cima do meu choro. Lamurias. Negatividade. E tentativa de suicídio...

Apareceram...gargalhadas. Mas também palmadinhas nas costas. Aquelas coisas de amigos.

- Tu és tão parva.

- Claro que não te vai deixar.

- Como é que podes pensar isso.

E a Ana. Perguntou-me.

- A que horas é que ele sai do trabalho?

- Acho que às 16h.

- Liga-lhe e diz que queres falar com ele. Faz-te à estrada. E vai ter com ele. Contas do blog. Ele vai aceitar na boa. Vês o homem. Vais ficar mais descansada. Eu fico cá até chegares...com a Alice, aquela coisa que chamas cão e a gata.

 

Não sabia o que fazer.

Liguei-lhe.

Disse-lhe que precisava de falar com ele.

E ele. Disse-me o mesmo. Que também precisava falar comigo.

Que saia às 16h mas tinha trocado uns turnos com um colega e que voltaria a entrar às 00h, ia fazer noite. Provavelmente nem ia a casa. E que sábado ia fazer também dois turnos e que domingo também trabalhava até às 16h.

Desliguei. Sem ter combinado nada.

 

Voltei para junto dos meus amigos.

A chorar desalmadamente. A dizer.

- Ele vai-me deixar. Diz que precisa de falar comigo. É para comunicar, claro. Que vamos seguir caminhos separados.

E contou-me esta coisa toda dos turnos para eu não o chatear....e para ter desculpa de não atender o telefone.

 

Os meus amigos olharam para mim com um ar de:

Que rica atrasada mental temos aqui...

E a Ana...

- Vai. Tenho a certeza que não é isso mas se for tens de enfrentar e que seja o mais rápido possível. É pior quando já há família envolvida e cenas dessas...faz-te à estrada. E fica descansada. Fico cá até chegares.

 

Fui ao frigorífico. Enchi duas caixas individuais de sopa. Peguei numas fatias de bolo de iogurte e coloquei dentro de uma caixa.

Toda a gente achou que tinha sido ali.

Naquele minuto. Que o pouco de lucidez que me restava.

Me tinha abandonado para sempre.

- Ele deve ter fome. Pode comer uma sopa quando sair e guardar a outra para a noite. E ir comendo bolo de iogurte nos intervalos.

 

Ninguém percebeu. Porque raio é que eu queria alimentar um homem que me ia deixar.

Ele ia-me deixar. Tinha a certeza. Mas eu gostava dele na mesma.

 

Estacionei o carro perto do hospital. Um pouco antes das 16h.

Enviei-lhe uma mensagem a dizer:

"Estou perto do hospital, quando puderes sair diz qualquer coisa. Não tenhas pressa...eu espero."

 

Como ele fica lá sempre mais tempo do que o horário de trabalho, tinha ido prevenida com o meu tricot.

Tricotei 10 minutos.

Tricotei 20 minutos.

Tricotei 30 minutos.

Tricotei 40 minutos.

Faltavam 5 minutos para as 17h. Tocou o meu telemóvel. O Pedro.

- Estava a conduzir. Só vi a tua mensagem agora. Onde é que estás?

- Estou naquele estacionamento do lado esquerdo do hospital.

- Do meu hospital?

- Sim.

- Era o que eu temia. Eu estou perto de Monforte. O meu colega chegou mais cedo e como queria falar contigo vim cá ter. Estava a ligar para perguntar onde é que nos podíamos encontrar. Fazemos o seguinte. Volta para cá. E já nos vemos.

Nem queria acreditar.

Nem argumentei. Combinámos em Estremoz.

 

Lá nos encontrámos finalmente. Nem sei a que horas. Perdi completamente a noção do tempo.

Quando o vi percebi que não queria nada acabar.

Porque me abraçou. E deu-me um beijo...para aí de uns 5 minutos.

Credo!

Sou idosa...

....asmática.

Não estou habituada.

Por isso é que não durmo...desde que o conheci.

 

- Tenho um blog.

- Tens? Ok.

- Não é nada de especial. Partilho receitas. Esquemas de tricot. Mas quem faz sucesso no blog é o cão. Chama-se Quiosque da Joana.

- Olha, se calhar é melhor começar a lê-lo para perceber o que é que comes...comes, certo?

Lembrei-me de repente que tinha toda uma coleção de caixinhas com comida para ele.

Adiante.

 

Depois avançou ele.

- É muito usual trocarmos turnos no hospital. Faço-o muitas vezes para ajudar colegas. A primeira vez que o fiz, por mim, foi quando o meu pai foi operado. A segunda foi agora.

 

Eu sem perceber batatinhas do que me estava a contar.

 

- Não querendo fazer parecer que estou a diminuir o teu trabalho. Pensei que pudesse ir contigo para Dublin. Terça é a minha folga. Consigo a quarta com o turno de hoje à noite. E a quinta com o turno de domingo. Eu sei que vais estar a trabalhar, enquanto trabalhas aproveito também para ler alguns artigos, protocolos, relatórios. Não vou estar parado. Só acho importante estarmos juntos sem este stress e este ruído todo à volta. Começarmos a trilhar um caminho juntos. Passar tempo de qualidade. Respirar um pouco. O que dizes?

-

 

Eu disse que sim. Aparvalhadamente disse que sim.

- Então e tu? O que é que me querias contar que não podia esperar?

- Tenho um blog.

- Ah! Era só isso...

- Não é só isso. Em determinada altura sou capaz de ter chamado craque de miudezas urinárias...e também tenho partilhado a nossa história. Estou quase a falecer de ansiedade e toda a gente que passa por lá me tem ajudado...

- Vou ler. Fiquei curioso, agora...

 

Liguei à Ana a perguntar pela Alice.

- Está ótima! Deixa-te estar.

- Achas que posso jantar com o Pedro?

- Joaninha, estou de férias até dia 3 de Abril. Até lá...conta comigo.

Fomos jantar a um restaurante. Que nos serviu um bacalhau incrivelmente mau.

Acabámos no carro a comer bolo de iogurte.

 

Atendendo que o Pai Natal me ofereceu este ano uma varicela. Embrulhada numa perna partida.

Mudei de equipa.

De hoje em diante. Faço parte.

 

Do team.

Coelhinho da Páscoa! E tenho reforços de peso!

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