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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

um osso duro de roer...

02.12.18, Joana Marques

A semana que passou foi ainda mais cheia que todas as semanas para trás.

O meu irmão e a minha cunhada viajaram. Como se fosse uma lua-de-mel.

Os filhos ficaram por cá. Até porque têm aulas. E umas férias com os filhos é espetacular mas é tudo menos uma lua-de-mel.

À pergunta:

- Com quem querem ficar? 

Carlota e Rodrigo responderam.

- Na casa da tia Joana!

A Margarida tem pouco mais de um ano não tem voto na matéria.

Podiam ter escolhido os avós maternos. Os meus pais. A casa da minha irmã. Escolheram a minha.

A minha mãe insistiu em ficar com a Margarida porque:

- Com duas bebés não vais dar conta do recado!

Argumentei!

- É melhor que dê conta do recado porque a partir de Março é mesmo isso que vai acontecer!

Ao que a minha mãe contra-argumentou com um:

- Isso é completamente diferente.

Um argumento que rebate qualquer outro. Não o argumento em si. Porque fiquei sem perceber o que é que é diferente!

Mas a entoação que usou para dizer a frase!

- Isso é completamente diferente!

 

A Carlota e o Rodrigo mudaram-se aqui para casa. A Carlota dormiu no quarto da Alice.

A Alice passou-se de felicidade! Até demorava mais tempo a adormecer com a excitação de ter uma comparsa no quarto!

E o Rodrigo dormiu no quarto que vai ser da Mariana.

A Margarida ficou na casa dos meus pais.

Todos os dias desta semana. Rumei de manhã até ao Estoril para deixar a Alice. E segui para Cascais para deixar os meus sobrinhos no colégio!

Maravilhoso.

Não havia trânsito. E passar na Marginal quando o sol acabou de nascer é uma bênção!

Estava tudo certinho até que os miúdos tiveram de comer.

E a minha alimentação mudou muito.

Aqui em casa não entra muitos dos alimentos que entram nas outras casas. Incluindo a do meu irmão.

 

Segunda-Feira. Jantar.

Fiz um hambúrguer de quinoa e frango. Acompanhei com brócolos.

A receita do hambúrguer que costumo fazer não leva frango mas como tinha visitas não vegetarianas. Achei que devia ser simpática.

A Alice comeu e gostou.

A minha sobrinha comeu e gostou. O meu sobrinho fez uma cena.

Provou.

Pôs de lado.

Disse que não gostava.

- E dos brócolos?

Provou.

Pôs de lado.

- Se quiseres não comas. Escolhe uma fruta.

Fez um ar de arrogância para toda a comida que estava à vista.

- Queres que te aqueça sopa?

Mostrei-lhe a sopa.

Continuou com ar de Deus me livre e guarde.

Disse-lhe.

- Podes escolher e comer o que cá está em casa. Mas ninguém vai sair daqui para te comprar outra comida.

- Em casa a minha mãe liga para o senhor das pizzas.

- Em casa da tua mãe é ela e o teu pai que mandam. Na minha sou eu e o tio Pedro. E nós não ligamos para as pizzas.

Fez um ar desconsolado.

Ignorei. 

A irmã. Disse-lhe:

- Rodri, prova lá o hambúrguer! É diferente dos que costumamos comer mas é muito bom. 

O puto experimentou.

Fez uma careta.

Tossiu.

Fez outra careta.

Puxou o vómito.

E eu...

....sem dar importância.

- Não te vou obrigar a comer nada que não queiras. Tens muito por onde escolher. Não vais morrer à fome. Estás à vontade em tirar o que quiseres mas é o que está cá. Porque é esta a nossa comida.

O Pedro estava a trabalhar pelo que não assistiu a esta cena linda e maravilhosa. Tenho a certeza que tinha claudicado. Porque o Pedro é muito bonzinho. Eu sou um osso duro de roer.

A minha cunhada ligou. O puto fez queixas sobre a comida. Parecia que estava há meio ano a ração de combate. 

A minha mãe ligou. Para saber dos netos. Desasados. E sem pais.

O puto fez queixas sobre a comida. Parecia que estava há três anos a ração de combate. 

 

Terça de manhã.

Fiz as minhas maravilhosas e saborosas papas de aveia. Dizer-vos que não são umas papas de aveia quaisquer.

Levam aveia, claro! Farinha de avelã. E cacau. São as melhores papas de aveia do mundo.

Juro! Vê-se de Marte. 

 

Fiz bastante. Para mim. Para a Alice. Para os dois miúdos e para o Pedro.

O Pedro tinha estado a trabalhar desde as 16h de segunda até às 8h de terça.

A Alice comeu que se desunhou.

A Carlota provou, gostou e comeu tudo.

O Rodrigo quase enfartou.

- Não tens Chocapic.

- Não.

- O que é isto?

- Experimenta! Vais ver que gostas.

Não gostou.

Provou.

Fez uma careta.

Tossiu.

Fez um careta.

Puxou o vómito.

E saiu da mesa para ir respirar ar puro.

Voltei a dizer-lhe.

- Queres fruta? Pão? Sopa? Não deves ir assim para a escola de estômago vazio.

Comeu pão. Desconfiadamente. Com nutella feita por mim. Bebeu um sumo de ananás fresco que lhe fiz.

Não pus gengibre como costumo pôr antes que a ameaça de vómito se concretizasse.

 

Passei pelo Estoril para deixar a Alice. Os meus sobrinhos ficaram no carro à porta da casa dos meus pais.

Entrei com a Alice. E claro levei a xaropada da minha mãe.

- Porque isso não é comida que se dê.

- Porque ele nunca mais vai querer ficar contigo.

- Porque a comida que tu comes não é bem comida.

- Porque ele gosta tanto de ti e vai deixar de gostar.

- Porque, bla bla bla wiskas saquetas.

 

Ouvi. Não disse nada. 

Respeito tudo o que a minha mãe me disse. Respeito sempre a opinião dos outros. Mas na minha casa prevalece a minha e a do meu marido. E a nossa opinião é que conta. Ponto final.

 

Deixei os miúdos na escola.

Fui busca-los à tarde. Passei pela casa dos avós maternos para ir buscar a roupa deles da natação que tinha ficado lá esquecida.

A avó. Quase me deu um tabefe.

- O que raio é que andas a fazer aos meninos.

- Eles estão em crescimento.

- Queres que te dê uns hambúrgueres. Queres um pacote de batatas fritas?

A minha sobrinha defendeu-me.

- A comida é boa. É diferente do que estamos acostumados mas até me sabe bem por isso.

- Queres ficar em casa da avó, Rodri?

Perguntei eu à criancinha.

- Não, vou contigo.

 

Terça-feira à noite.

Fiz risoto de cevada. Coloquei-lhe abóbora. 

Como os miúdos estão habituados. Acompanhei com um lombo de pescada gratinado no forno.

O puto. Já comeu alguma coisa.

Ainda tossiu.

Revirou os olhos.

Fez umas 23 caretas.

Teve intenções de puxar o vómito mas não o fez.

Não sei se é por ser gajo. Ou só um puto mimado. 

Mais uma vez disse-lhe que se não queria comer não era obrigado e que podia escolher qualquer outra coisa que estivesse lá em casa. Disse que não.

A Alice acabou de comer. E a Carlota também.

O puto sentado à mesa. A remexer a comida.

A Carlota foi fazer alguns trabalhos de casa.

O puto sentado à mesa. A remexer a comida.

A Alice adormeceu.

O puto sentado à mesa. A remexer a comida.

A Carlota foi ver televisão.

O puto sentado à mesa. A remexer a comida.

Deve ter achado que me ia pôr nervosa. Ou qualquer coisa do género.

Erro crasso. Querido Rodri. Eu sou um osso duro de roer.

Eram 21h30 o puto disse-me que já não queria mais. Comeu metade mais ou menos.

 

Quarta-feira de manhã.

Na noite de terça fiz overnights.

A Alice gostou. O Pedro gostou. A Carlota gostou. E o Rodri?

O Rodri comeu tudo.

Fomos para a escola. Sem incidentes.

É claro que ouvi, mais uma vez as queixas da  minha mãe.

Estava munida de uns bolinhos quaisquer para os miúdos  e uns pacotinhos de leite com chocolate para levarem para a escola ou comerem logo ali porque a tia Joana estava a matar os putos à fome.

Se fossem meus filhos não deixava.

Como não são e os pais não se opõem. Siga....

 

Quarta à noite. Jantar.

Fiz um arroz (integral) de marisco. 

Acompanhei com espargos. E couve roxa.

Toda a gente comeu e gostou.

 

Quinta de manhã.

Fiz creme budwig para toda a gente.

Reclamações zero. 

Siga para a escola. A avó quis lhes dar os bolinhos e os pacotinhos de leite. Não aceitaram.

Ficaram-se pelo lanche que lhes tinha preparado. 

Uvas arranjadas numa caixinha. E numa outra caixinha mais pequena, frutos secos.

 

Quinta à noite.

Sem dramas. 

Assim, como o restante tempo.

 

A próxima semana vão passar aos avós maternos. 

Fui lá ontem deixa-los. Hoje tive de passar por lá porque a minha sobrinha esqueceu-se aqui em casa do livro de história.

E quando eu cheguei lá a casa o meu Rodri. Querido. Do meu coração. Estava a fazer uma fita do caneco.

Manipulador que só ele. 

Ouvi-o dizer:

- Ó avó porque é que não fazes quinoa como a tia Joana?? 

A esta hora a avó já deve ter ido ao supermercado comprar quinoa para satisfazer o reizinho.

Já eu! Eu sou um osso duro de roer.

 

 Há dois anos no quiosque!

Como, quando e onde comecei a correr!

 

Escrevi este post para participar num passatempo aqui do sapo.

O prémio era um livro do casal mistério.

Concorreram para aí três pessoas.

Não ganhei!

 

A minha árvore de Natal de 2016. 

Tão especial!

 

Há um ano no Quiosque!

Uma história sobre a minha infância.

Este destacado na página principal do Sapo.

 

Um chá com uma rodela de limão.

Uma história do tempo em que era hospedeira.

Também esteve destacado na página principal do Sapo.

 

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