Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

vezes 4!

07.02.18, Joana Marques

O Vasco detesta calor.

Aqueles dias muito quentes. Abafados. E escaldantes. Dão cabo dele.

Anda aos caídos. Com um humor de cão.

Adaptou-se bem à Noruega. Muito bem. Demasiado bem. Tenho ideia que foi o clima fresquinho que o ajudou.

 

Esta semana. Tem estado muito frio.

Para poupar a Alice do frio mudei um pouco a rotina.

Na segunda feira ficou comigo.

Trabalhei durante as sestas dela.

E como adormece entre as 19h e as 20h. Trabalhei a partir dessa hora.

Na terça feira tive de a ir deixar nos meus pais. Mas, saí de casa só às 10h. Já aquele frio da manhã se tinha ido embora.

Estava frio, mas às 7h da manhã é bem mais agreste.

 

Hoje tive de a deixar cedo.

Enquanto a estava a preparar. E a transformar uma menina de 9 meses no abominável homem das neves.

Roupa mais roupa e mais roupa. Via-se o nariz e pouco mais.

Vasco o cão. Foi dando sinais que também queria sair.

Até porque precisava de fazer o seu xixi e cocó matinal.

 

Estou ainda a morar na casa do meu irmão.

O prédio do meu irmão tem 4 andares. E cada família ocupa um piso.

A casa do meu irmão é no rés do chão. E tem porta diretamente para o jardim do condomínio.

O carro é estacionado quase à porta de casa dentro do condomínio.

 

Saí com a Alice e o Vasco. Fecho a porta.

E o Vasco fica no tapete da entrada.

Põe uma pata na relva. E chora.

Tira a pata da relva.

Experimenta com a outra. E guincha.

Queria fazer xixi. Queria fazer cocó. Mas sem ficar com as patas enregeladas.

Lá conseguiu. Com uma mestria nunca vista.

Fez o xixi mesmo, mesmo perto do tapete. E o cocó.....também.

Um exercício de equilibrio só à altura de grandes Vascos.

 

Mas, ele queria ir para o carro. E entrar no carro implicava andar. E andar implicava pisar o chão. E o chão estava frio.

E.....

-Não! Não ponho as patas nesse chão.

Desvalorizei. Ignorei.

- JOANA! Não ponho as minhas patas nesse chão.

Choradeira. Aflição.

Abri o carro.

Coloquei a Alice na cadeirinha.

 

O drama. O horror. A tragédia. Estavam naquele tapete.

Os olhos diziam tudo.

Passou o meu vizinho de cima.

Aquele, que tem um peixe em casa. Diferente, do que tinha anteriormente. Vocês sabem do que é que eu estou a falar...

- O que é que se passa?

- O cão está com frio.

- Só isso? Parece tão aflito...

- Só isso.

 

Com tanta choradeira. Apareceu à janela uma vizinha do rés do chão do prédio ao lado.

- Ah! Coitadinho! O que é que ele tem??

- O chão está gelado. E ele sente frio nas patas.

Digo eu, sem fazer grande alarido. A arrumar uma quantidade de tralha no carro.

- Não sei se será bem isso...

Diz o meu vizinho, que ficou a ver o desfecho do caso do cão enregelado.

 

Volto ao tapete.

Uma lamuria só.

Pego nos 30 kg de cão.

Deposito-o no carro.

Era uma vez um cão feliz da vida....

Era uma vez dois vizinhos boquiabertos...por verem um cão a ser Vasco...

 

Cheguei a casa dos meus pais.

O meu pai veio cá fora para me ajudar.

Abri a porta do carro.

O cão saiu do carro?

Claro que não...

Tirei a Alice. Passei-a ao meu pai.

E depois, tirei o Vasco. Ao colo....

 

O mais chato é que quis voltar comigo.

E eu, voltei a pegar nele. A pôr no carro.

O meu pai só se ria.

 

Quando cheguei a Cascais.

Recusou-se a sair do carro.

Eu bem lhe disse.

- Vá, desce! Já não está tanto frio!!

A minha capacidade de persuasão anda uma lástima....e aqui está a prova...

30 kg. Outra vez.

 

Com isto tudo.

Parece-me que encontrei o meu próximo projeto de tricot....

.....vezes 4!

18 comentários

Comentar post